janeiro 26, 2008

A Vida Sob a Lei

O prédio da Suprema Corte dos Estados Unidos traz a seguinte incrição:

"Equal Justice Under Law" (Justiça Igual Sob a Lei).

A frase parece trivial em termos da noção que temos de justiça: dadas as leis, todos deveriam ser iguais no tratamento recebido pelo judiciário, independentemente de outros condicionantes, como origem, raça, renda, etc. Mais do que um slogan bonito para um prédio do governo, a frase sintetiza bem a aplicação da lei no país. Se entramos de forma ilegal no país, a lei pune, mesmo se não cometemos nenhuma irregularidade durante a permanência no país. Se o aluguel está atrasado, a imobiliária não tem por que se preocupar com o despejo dos caloteiros, já que o governo garante a aplicação do assinado no contrato. Se o Senador assediou um garoto menor de idade em um banheiro público, vai preso e, por vergonha do que fez, renuncia.


No Brasil, às vezes parece que uma parte da frase é esquecida, ou não aplicada: a igualdade da justiça tenta ser aplicada, a despeito da observação prévia da lei. Entre muitos exemplos encontrados nos jornais, o último deles é esclarecedor do meu ponto: quando o Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, diz que invasor de terra pode contar o tempo de trabalho nas terras invadidas para fins de aposentadoria, ele está se sobrepondo à lei para tratar igualmente todos os cidadãos. Ao invés de penalizar quem descumpre a lei, oferece-se o incentivo.

Além disso, o parecer do consultor jurídico do ministério é falho, quando argumenta que não é responsabilidade do INSS averiguar se a terra onde o invasor trabalha é de sua propriedade ou não. O Estado não pode se responsabilizar por quem não cumpre os seus deveres legais. A igualdade oferecida diante da lei, e garantida a partir do cumprimento da lei. Se o indivíduo está violando a lei, ele não pode ser tratado como igual. E o melhor exemplo é justamente do imigrante ilegal nos Estados Unidos: aqui, o imigrante ilegal não pode solicitar assistência, pelo simples fato dele ser ilegal. O imigrante pode ter o melhor comportamento possível desde que chegou no país, mas não pode ser assistido pelo Estado, justamente por ser, conceitualmente, um cidadão ilegal.

A frase estampada na Suprema Corte é aplicada como modo de vida e de conduta. No Brasil, não seria mais do que enfeite de prédio.

Abraço!

janeiro 24, 2008

O Silêncio de Davos

Clóvis Rossi, na Folha de hoje (trecho aqui), escreveu que o Brasil não é tópico quente dos assuntos debatidos no Fórum Econômico Mundial de Davos, a despeito do desempenho econômico positivo dos últimos dois anos. O jornalista escreve como se o debate em torno do que se passa na pátria-mãe fosse sempre muito disputado, com argumentos polarizados em torno de idéias sobre o desenvolvimento da nação.

Clóvis Rossi, ACORDA!!!! Excetuando o ano da eleição de Lula e a sua primeira ida para o Fórum, e talvez em algum dos anos em que o governo Fernando Henrique entrou em crise, o Brasil nunca foi tema de debate no Fórum de Davos! Mais do que isto: o Brasil não é tema de debate em fórum internacional algum! Quando se fala de América Latina, fala-se de Chavez (como exemplo do processo político padrão), fala-se da Argentina (como exemplo do desempenho econômico padrão) e fala-se do México (como exemplo do que seria o país que abrisse as fronteiras de comércio com os Estados Unidos). Quando se fala de países emergentes, fala-se de Taiwan, Cingapura, Coréia do Sul, vez por outra do exemplo de Portugal e Espanha (para os que ainda os enquadram nesta categoria). E É SÓ!!!!

O "silêncio de Davos" não é o silêncio de um grupo de banqueiros sobre o Brasil. É uma parte do desinteresse do mundo pelo que se passa na pátria-mãe gentil.

Abraços

janeiro 22, 2008

Em Tempos de Crise...

... é mais feliz quem tem um "banco" para se socorrer na esquina! (risos)

Olhem só onde fica a Embaixada do México, em Washington, e a conveniência do lugar nestes tempos de crise internacional.



Abraços!

P.S.: Obrigado, Chris, pela participação importante nas filmagens.

janeiro 21, 2008

Cano, De Novo!

Aí recebo o aviso: "é hoje!"

Fico postado no lugar marcado. Ia me encontrar com ele! Hora acertada, estou onde ficou combinado. Entretanto, mais uma vez, o Bush me deu os canos: preferiu ficar assistindo na tevê as semifinais do futebol americano ao invés de cumprir os seus compromissos.

Repare a cara de impaciente observando o relógio...


Que coisa! Agora, só me resta voltar para Durham e esperar pelo pedido de desculpas.

Abraços!

janeiro 20, 2008

Nation, Nation... Colbert Nation

"Nation, America is at war... and I am not talking about Iraq".

Com esta frase, Stephen Colbert abre a maioria dos episódios do seu programa diário de humor para "denunciar" aqueles que querem destruir a América. Seus alvos? Hollywood, com seus filmes; os cientistas ("inventam umas tais de placas tectônicas, que ninguém nunca viu, ao invés de admitirem que a Califórnia sofre terremotos como punição por Hollywood ter transformado o estado em Sodoma e Gomorra"); jornalistas ("nada deixa um homem tão infeliz quanto informações novas. Por exemplo: você sabia que milhares de cachorrinhos são executados todos os dias nos abrigos para animais dos Estados Unidos? Se você não tivesse esta informação agora, com certeza estaria mais feliz."); os aposentados ("nunca vi ninguém ganhar dinheiro sem trabalhar. Talvez fosse mais interessante colocar os aposentados ao longo da fronteira com o México para cuidarem da imigração com o mesmo interesse que cuidam dos gramados das suas casas. A fronteira ficaria muito mais protegida"); entre muitos outros grupos.

Pois bem, nation, a América está em guerra. Chris e eu fomos visitar a National Portrait Gallery, em Washington, esperando encontrar americanos em busca de seus ídolos, os "founding fathers", para guiá-los nesta época de incertezas. Quem foi o mais procurado?

Será George Washington, presidente eleito duas vezes que recusou uma proposta de mandato vitalício para que terminasse a vida no que sempre foi: um fazendeiro da Virgínia? Pela foto abaixo, não. Note como o casal à esquerda, apesar de postados em frente ao quadro, estão olhando em outra direção...


Abrahan Lincoln? Não, não: deixaram o pobre pensando sozinho no destino da nação, como se pode ver.


Talvez o presidente conhecido por seu idealismo. Também não: Kennedy está falando sozinho até agora na galeria.


Os mais modernos? Não, não: Bill Clinton não teve nem chance. Mais uma vez, seus "pseudo-observadores" olham para o outro lado. Alguma coisa diferente chama a atenção...


Subitamente, uma fila gigantesca. Descobrimos!!! É aqui que os americanos se juntam para pensar em seu futuro!!!


Mas tinha alguma coisa errada: a fila parecia terminar no retrato de Washington que eu tinha mostrado antes. Eu tinha que descobrir quem era a personalidade que atraía a atenção do povo americano. O vídeo abaixo resolve o enigma! Sim, era ele!!! Veja o local estratégico onde sua foto foi colocada! Sim, um local onde as necessidades do povo americano vem a superfície!!!



Nation, quando a América está em perigo, ela procura o seu grande defensor, o autor de "I am America, And So Can You!": Stephen Colbert!!!

Abraços!

janeiro 19, 2008

No Brasil, Seria Enciclopédia


Abraços!

Acordamos Invocados...

... mas o Bush não estava em casa. Alguns pegam o telefone para falar com ele, nós visitamos pessoalmente.


Abraços!

janeiro 18, 2008

Nóis Vai pra Capitar, Tá Bão?

Mas nóis vorta na segunda, porque ninguém é vadio aqui! DC nos espera.

Abraços!

janeiro 14, 2008

Mais Aleatórios...

1) Lobão. Achei que fosse o músico. Sempre levo um susto quando abro as notícias e leio, por exemplo, que "Jucá diz que Lula gostou da indicação de Lobão para Minas e Energia". Depois do Gil, Lobão?!?!?! Mas, depois de me informar, acho até que a indicação do compositor de Rádio Blá seria um pouco mais moral.

2) Faz frio aqui, mas bem menos que o esperado. Agora, duas da manhã, está fazendo 1ºC. Nada apavorante, na mesma época do ano passado, estava bem pior.

3) Faculdade vazia na primeira semana. Muita gente "enforcou" a primeira semana de aulas, ainda mais porque ela começava na quarta-feira.

4) Falando em ficar fora, vamos conhecer Washington neste final de semana. É feriado por aqui na segunda-feira (Martin Luther King Day), e vamos aproveitar para conhecer um pouco mais dos EUA, antes do semestre efetivamente ficar pesado.

5) Só por ter escrito que estava frio, mas não muito, a temperatura chegou a 0ºC no meu mostrador.

6) Estou estudando: 1) começando os famosos papers do segundo ano (o primeiro deve ser sobre crescimento econômico e política fiscal em economias pequenas e abertas); 2) lendo o livrinho para a prova de legislação da carteira de motorista daqui (interessante as regras para quem é pego com álcool; explico outro dia).

7) Das eleições daqui, ainda não consegui colher impressões. Sei que teve candidato fazendo campanha no estado vizinho, mas não teve, aparentemente, nenhuma influência por aqui. Vi que o Reinaldo Azevedo andou falando da "Obama Girl". Será que ele prefere a "Giuliani Girl", então? (risos) À parte a brincadeira com o vídeo, acho que brasileiros, muitas vezes, levam à sério demais algumas coisas que saem daqui. Por exemplo: fazer de cavalo-de-batalha (ou égua, se preferirem) uma garota que deu sorte de estar no clipe a favor de um candidato popular à presidência daqui é forçar demais a barra. Até a própria Amber Lee não tinha certeza se votará em Obama... Logo, tenham dó.

8) Vou tentar descobrir se por aqui os hospitais vacinam para "Yellow Fever". A oferta de vacinas, aqui, deve ser maior que a disponível no Brasil...

Abraços!

janeiro 07, 2008

Pensamentos Aletórios ao Deixar o Brasil

1) Do que não vai me fazer falta ao chegar nos EUA? As filas em aeroportos. As pessoas parecem ter prazer em fazer filas em aeroportos, para qualquer coisa (fazer o check-in - obrigado companhias aéreas pelos poucos atendentes -, entrar no portão de embarque, passar pela alfândega, entrar no vôo - alguém vai chegar mais cedo ao local de destino se entrar primeiro no avião?).

2) Do que vai me fazer falta ao chegar nos EUA? De todos os que fizeram esta visita ao Brasil a mais agradável possível. Não vou tentar, sob o risco de ter gente irritada comigo, fazer uma lista de todos os amigos com quem pude passar um bom tempo, mas obrigado a todos em São Paulo, Bento, Porto Alegre, Belo Horizonte e Barbacena.

3) O Brasil tem jeito: encontrei um sushi excelente no aeroporto para esperar o vôo, em um lugar onde posso ligar o computador e escrever estas porcas linhas.

4) Sim, sim, não serei hipócrita: também resolvi ligar o computador para carregar o iPod e ter o que ouvir durante o vôo.

5) Terminei mais um dos livros da minha lista proposta nas férias. Economista é uma raça muito mesquinha, mesmo. (risos)

6) O Brasil não tem jeito: o restaurante com um excelente sushi não oferece conexão à internet para os seus clientes. EM UM AEROPORTO!!!!

7) Minhas primeiras férias verdadeiras, depois de um ano e meio na correria. Férias?

8) Aulas na quarta-feira. Aulas?

9) Vou fechar a conta no Banco do Brasil. Precisei deles três vezes nesta viagem de férias, e o Banco falhou nas três. Prejuízo com as operações? Um cartão de crédito bloquedo e outro por vencer assim que chegar nos EUA. Menos mal que o banco dos Estados Unidos conseguiu cobrir algumas das falhas dos nossos burocratas salvos da degola por um aporte de bilhões de reais do governo Fernando Henrique em 1995.

10) Por que as companhias aéreas americanas nos entregam os bilhetes com check-in feito para todas as conexões do vôo, enquanto que as companhias brasileiras nos fazem passar por mais uma fila por não permitirem o check-in de um dia para outro, ou de todas as conexões?

11) Aconteceu: o acidente clássico do molho de soja ao comer sushi. Felizmente, na camiseta preta não aparece nada.

12) Estou indo para o segundo chope. Quem sabe, um pouco alcoolizado, dá para dormir durante o vôo.

13) No bar, está tocando Alanis, Hand on My Pocket.

14) Por que funcionários, e ex-funcionários do Banco do Brasil odeiam tanto o Fernando Henrique? Foi ele que salvou os empregos desta tropa de infelizes.

15) Por que os brasileiros, quando vão para o exterior, gostam de colocar camisetas com a bandeira do país? A identificação de estrangeiros se dá pelas camisas floridas e a pele vermelha. Brasileiros, pela roupa.

Ok, é hora de fechar o post, terminar de comer e ir para a sala de embarque, na esperança de conseguir uma conexão sem fio para o laptop. Nos próximos posts, mais algumas fotos do Brasil.

Abraços a todos!

P.S.: último pensamento, agora postando. Odeio a Telefônica. Tomara que ela perca a concessão para explorar a conexão wi-fi nos aeroportos de São Paulo. É quase impossível fazer a conexão por aqui, mesmo depois de já ter feito o cadastro dias atrás.