dezembro 15, 2013

Algumas Impressões: SBE 2013

Estive nesta semana participando mais uma vez do Encontro Brasileiro de Econometria, EBE 2013, realizado mais uma vez em Foz do Iguaçu. Alguns comentários:

1) De uma forma geral, o encontro me pareceu esvaziado. Não tanto pelos professores, já que os que sempre costumam participar estavam por lá, além de outros que aparecem esporadicamente. O encontro pareceu esvaziado, sim, pela aparente ausência de pessoas circulando pelas salas. Não sei como se comportou o número total de inscrições para ANPEC/SBE este ano, mas tinha, visualmente falando, menos gente que em 2011, por exemplo.

2) Poucas novidades nas sessões de macroeconomia que participei. Alguns fazendo experimentos com modelos DSGE, mas sem nenhuma inovação (mais sobre isto a seguir); muitos modelos semi-estruturais, o que foi interessante, já que não vi muitos modelos VAR; muitas sessões voltadas para macro de curto-prazo e política monetária, pouca coisa sobre crescimento.

3) Sobre os trabalhos com modelos DSGE: ainda sofremos com o drama de ter um software que faz muita coisa para o pesquisador, sem obrigar uma reflexão um pouco mais profunda sobre o que está sendo modelado/estimado. Já fiz piada sobre isto, mas depois de tanto tempo acho que está na hora da academia subir um pouco o nível das discussões. Não dá para escrever modelos e não entender as consequências das hipóteses adotadas e sair tirando conclusões apressadas; não dá para colocar um modelo para estimar sem pensar nos dados, nas priors, nos coeficientes estimados; não dá para continuar pegando um modelo pronto, de economia fechada, estimado para os Estados Unidos, e achar natural aplica-lo para o Brasil. Como não vivo em sala de aula, não sei se o problema está nos professores (chegam para a turma e dizem "tem um pacote que faz tudo para vocês, olhem lá"), não sei se o problema está com os alunos ("Oba, achei estes códigos na internet, coloco dados para o Brasil e está pronta a minha tese/dissertação"). Sei que existe um problema que deve ser enfrentado.

4) O encontro sempre tem o seu lado ridículo, por óbvio: professor participando de sunga e camiseta da recepção de abertura junto das piscinas do hotel; professores famosos na última noite enrolando a língua no bar do hotel; professores que se odeiam durante o dia andando abraçados. O que não faz uma mesa de bar!!!

5) O grande tema entre os professores foi a divulgação dos resultados da avaliação trienal da CAPES sobre os cursos de pós-graduação. Muito choro e ranger de dentes, boa parte deles com razão. A impressão que tive é que algumas avaliações estão muito mal colocadas. Se estou certo, ainda falta divulgar uma abertura maior de números e critérios que justificaram as escolhas, mas o choro pareceu justo.

6) Não consegui nenhuma informação sobre onde será o próximo encontro. Algum dos meus quatro leitores restantes sabe algo a respeito? Acho que notícias sobre futuros encontros não se espalharam por causa da mudança de secretaria na ANPEC e na SBE neste ano, combinado com a repetição da locação do encontro deste ano.

7) Melhor seminário? José Alexandre Scheinkman, sem dúvida.

8) O que faltou? Nomes de peso vindos de fora. Os mais antigos lembravam que, em anos anteriores, tivemos pesquisadores que, anos mais tarde, vieram a ganhar o Nobel. Nestes últimos encontros, bons pesquisadores, mas nenhum com o peso dos que vieram tempo atrás.

9) Pelo terceiro ano seguido, não fui para a mesa de conjuntura. Pelo terceiro ano seguido, não me arrependo: cerveja bem gelada com amigos no bar valeu mais a pena.

É isto. Se der tudo certo, ano que vem volto com impressões sobre o encontro de 2014.

Saudações!

5 comentários:

Claudio Lucinda disse...

Ouvi falar que o próximo Encontro vai ser em Natal...

Angelo Marsiglia Fasolo disse...

Imaginei algum lugar no Nordeste, para manter a sequência dos últimos anos: Salvador (2008), Foz (2009), Salvador (2010), Foz (2011), Porto de Galinhas (2012) e Foz (2013).
Obrigado pela visita!

Guilherme Attuy disse...

Puxão de orelha (modelos de DSGE) devidamente anotado (não tiro o meu da reta).

Assim como o Lucinda, caiu no pé do meu ouvido "Natal".

Abs

Angelo Marsiglia Fasolo disse...

Oi Attuy! Como falei, pareceu uma tendência geral da área. Por isto não citei trabalhos específicos.

As fontes de vcs devem ser associadas com a Anpec. Com quem eu falei, era da SBE e o sinal foi "estamos de carona com o que definir a ANPEC".

Guilherme Attuy disse...

Entendi perfeitamente, Ângelo. Achei que seria errado comentar de Natal e não tocar no assunto dos modelos de DSGE - que afinal de contas fiz parte -, me ausentando das escolhas que fiz (sejam elas erradas ou não).

A impressão que tenho, em relação à escolha sobre a economia ser aberta/fechada - esse me pareceu ser o ponto mais crítico (supondo que o objetivo do problema não esteja associado puramente à questões externas) -, é de que há certo conservadorismo acadêmico decorrente da escolha de um benchmark inicial (seja para ganhar sensibilidade ou não) - geralmente a economia norte-americana. No entanto, sabendo que o Brasil não é uma ilha isolada do resto do mundo (basta lembrar do debate histórico sobre o papel cambial com o café, por exemplo), seria um erro do pesquisador não assumir e evitar discutir o que isso poderia acarretar aos seus resultados.

Minha fonte foi da ANPEC mesmo. Não sei se foi conversa fiada, mas a fonte tem contato direto com a cúpula da secretaria...por isso achei factível ser Natal.

Abs