Duas notas curtas, relembrando temas que eu já tinha falado por aqui:
1) Lembram quando eu falei de uma página que eu tinha na universidade? Agora está atualizada, inclusive com o endereço da minha sala no prédio!!! Veja aqui.
2) Lembram que eu falei do free lunch que a Apple estava oferecendo com o iTunes U? Pois bem, a primeira contribuição à pagina da Universidade pelo Departamento de Economia veio em altíssimo nível: faça o download pelo iTunes e ouça no seu iPod, computador ou outro mp3 player o discurso de Frederic Mishkin sobre globalização durante o NASM 2007.
É necessário o iTunes para isto, mas vale muito a pena.
Abraço!
"Hazard - 1. A hazard is something which could be dangerous to you, your health or safety, or your plans of reputation. (...) 2. If you hazard or if you hazard a guess, you make a suggestion about something which is only a guess and which you might be wrong." - Do Dicionário "Collins Cobuild"
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agosto 28, 2007
junho 23, 2007
NASM 2007 - Outras Sessões
Destacando aqui alguns detalhes sobre o evento. As sessões ordinárias têm um nível ótimo, tanto nos artigos quanto na discussão. Dá para aprender muito, tanto com quem apresenta quanto com quem comenta os trabalhos. Além disso, os temas das sessões estão muito bem distribuídos: de quinta-feira para cá, apenas hoje (sábado) na primeira sessão da manhã que não teve algum tema mais diretamente relacionado ao que pretendo estudar. Sobre os temas abordados, chama a atenção em macro o reaparecimento dos modelos de "search", agora para fazer a microfundamentação do comportamento dos agentes em modelos DSGE. Os modelos de "search" tiveram um auge de popularidade na primeira metade dos anos 90, e agora voltam com força.
Sobre as sessões convidadas, excetuando a palestra do Mark Watson (Princeton), que tentou dar aulas em duas sessões de uma hora e meia, todos os demais palestrantes partiram para estratégias mais interessantes e mais informativas de apresentação: ao invés de expor detalhes e minúcias a respeito de sua pesquisa, os outros apresentadores faziam mais comentários a respeito do que eles entendiam como a fronteira do conhecimento em sua área. Alguns exemplos:
- Fabio Canova (Pompeu Fabra) mostrou, com exemplos bem simples, alguns problemas de identificação da dinâmica dos modelos DSGE, quando comparados com as simulações apresentadas em VAR's. Depois de discutir os exemplos, partiu para explicar a sua visão sobre para onde vai a pesquisa na estimação dos parâmetros fundamentais dos modelos microfundamentados. Ao contrário da visão otimista de Chris Sims, para Canova, a estimação de modelos DSGE através de procedimentos bayesianos ainda se constitui em uma "wild beast".
- Frank Schorfheide (UPenn), por outro lado, voltou a enfatizar o uso do método bayesiano de estimação de modelos DSGE, apontando a grande variedade de modelos que podem ser tratados dentro do mesmo método. Ainda destacou a importância da comparação entre as simulações dos modelos microfundamentados com a sua "contrapartida empírica" estabelecida pelos modelos VAR.
- Na área de "atualidades" e um pouco de conjuntura, Enrique Mendoza (Maryland) fez um resumo muito interessante das discussões recentes sobre a economia americana e seus efeitos nos chamados "global imbalances". Finalizou com a advertência de que, infelizmente, economistas deveriam ser um pouco mais modestos e simplesmente reconhecer que não existem condições de avaliar com precisão se a economia americana vai partir ou não para o chamado "pouso forçado".
- Por fim, uma nota sobre a seriedade na condução da política monetária por aqui: Frederic Mishkin (Columbia), atualmente membro do "board" do Federal Reserve, na sua palestra sobre efeitos da globalização nos Estados Unidos e em economias emergentes, pediu licença para confidenciar à platéia que, originalmente, o convite tinha sido feito para uma palestra sobre política monetária nos Estados Unidos. Entretanto, como, na próxima semana, tem reunião do FOMC (o Copom daqui), ele se declarou em "blackout period", dizendo que qualquer declaração dele sobre a atual condução da política de juros no país poderia ser mal interpretada.
Grande conferência, ótimo nível.
Abraços!
Sobre as sessões convidadas, excetuando a palestra do Mark Watson (Princeton), que tentou dar aulas em duas sessões de uma hora e meia, todos os demais palestrantes partiram para estratégias mais interessantes e mais informativas de apresentação: ao invés de expor detalhes e minúcias a respeito de sua pesquisa, os outros apresentadores faziam mais comentários a respeito do que eles entendiam como a fronteira do conhecimento em sua área. Alguns exemplos:
- Fabio Canova (Pompeu Fabra) mostrou, com exemplos bem simples, alguns problemas de identificação da dinâmica dos modelos DSGE, quando comparados com as simulações apresentadas em VAR's. Depois de discutir os exemplos, partiu para explicar a sua visão sobre para onde vai a pesquisa na estimação dos parâmetros fundamentais dos modelos microfundamentados. Ao contrário da visão otimista de Chris Sims, para Canova, a estimação de modelos DSGE através de procedimentos bayesianos ainda se constitui em uma "wild beast".
- Frank Schorfheide (UPenn), por outro lado, voltou a enfatizar o uso do método bayesiano de estimação de modelos DSGE, apontando a grande variedade de modelos que podem ser tratados dentro do mesmo método. Ainda destacou a importância da comparação entre as simulações dos modelos microfundamentados com a sua "contrapartida empírica" estabelecida pelos modelos VAR.
- Na área de "atualidades" e um pouco de conjuntura, Enrique Mendoza (Maryland) fez um resumo muito interessante das discussões recentes sobre a economia americana e seus efeitos nos chamados "global imbalances". Finalizou com a advertência de que, infelizmente, economistas deveriam ser um pouco mais modestos e simplesmente reconhecer que não existem condições de avaliar com precisão se a economia americana vai partir ou não para o chamado "pouso forçado".
- Por fim, uma nota sobre a seriedade na condução da política monetária por aqui: Frederic Mishkin (Columbia), atualmente membro do "board" do Federal Reserve, na sua palestra sobre efeitos da globalização nos Estados Unidos e em economias emergentes, pediu licença para confidenciar à platéia que, originalmente, o convite tinha sido feito para uma palestra sobre política monetária nos Estados Unidos. Entretanto, como, na próxima semana, tem reunião do FOMC (o Copom daqui), ele se declarou em "blackout period", dizendo que qualquer declaração dele sobre a atual condução da política de juros no país poderia ser mal interpretada.
Grande conferência, ótimo nível.
Abraços!
NASM 2007 - Convidado Especial no Almoço
Christiane, Enestor e eu estávamos almoçando hoje, sexta-feira, depois das sessões ordinárias da manhã, quando chega um senhor com seu prato servido, mas sem companhia para o almoço. Perguntou se poderia sentar conosco, e se apresentou:
- Hi, my name is James Poterba.
Uau! Um dos grandes autores no mundo em economia do setor público e tributação, atual coordenador do programa de economia do M.I.T. chegou, pediu licença, se apresentou, e ficou batendo papo conosco durante todo o almoço! Depois de perguntar porque os brasileiros pararam de aplicar para o M.I.T., Poterba acabou fazendo um mea-culpa, lembrando que desde o falecimento do Dornbush que o M.I.T. não investiu nas relações com o Brasil, até para criar uma rede mais confiável de informações sobre os estudantes provenientes do país.
Perguntou se o governo brasileiro ainda financiava estudantes para programas de doutorado no exterior, e ficou curioso sobre a burocracia deste tipo de financiamento: segundo ele, as universidades americanas não entendem a demora para estabelecer a combinação universidade-financiamento que os estudantes brasileiros enfrentam. Quando comentei dos problemas que enfrentei até este acerto (a necessidade da CAPES de esperar até que todas as universidades para onde apliquei dessem uma resposta final para daí decidir para onde mandar o estudante), ele reconheceu que a política do governo estaria correta, e que era interessante ter a visão "do outro lado" até para oferecer uma resposta mais apropriada às necessidades dos candidatos.
No fim, a foto de registro. Grande presença!

Abraços!
- Hi, my name is James Poterba.
Uau! Um dos grandes autores no mundo em economia do setor público e tributação, atual coordenador do programa de economia do M.I.T. chegou, pediu licença, se apresentou, e ficou batendo papo conosco durante todo o almoço! Depois de perguntar porque os brasileiros pararam de aplicar para o M.I.T., Poterba acabou fazendo um mea-culpa, lembrando que desde o falecimento do Dornbush que o M.I.T. não investiu nas relações com o Brasil, até para criar uma rede mais confiável de informações sobre os estudantes provenientes do país.
Perguntou se o governo brasileiro ainda financiava estudantes para programas de doutorado no exterior, e ficou curioso sobre a burocracia deste tipo de financiamento: segundo ele, as universidades americanas não entendem a demora para estabelecer a combinação universidade-financiamento que os estudantes brasileiros enfrentam. Quando comentei dos problemas que enfrentei até este acerto (a necessidade da CAPES de esperar até que todas as universidades para onde apliquei dessem uma resposta final para daí decidir para onde mandar o estudante), ele reconheceu que a política do governo estaria correta, e que era interessante ter a visão "do outro lado" até para oferecer uma resposta mais apropriada às necessidades dos candidatos.
No fim, a foto de registro. Grande presença!
Abraços!
junho 22, 2007
NASM 2007 - Bayesianos
Nível elevadíssimo das sessões ordinárias, comentários ácidos e provocações nas sessões extraordinárias. Christopher Sims (Princeton), na aula em homenagem a Harold Hotelling, tratou do tema "Bayesian Methods in Applied Econometrics". Este é o título oficial do seminário. Na abertura dos slides, o título verdadeiro do seminário:
Seguiu-se uma análise das limitações da econometria clássica (a impossibilidade de testar "regiões de aceitação" em testes de hipótese, como o grande exemplo), a contraposição entre economistas teóricos e econometristas na perspectiva bayesiana ("econometrists only test our models and reject all of them", frase atribuída aos apreciadores da calibragem de modelos teóricos), provocações (a literatura sobre raízes unitárias e testes para quebras estruturais seria "a waste of time"), os sucessos da abordagem bayesiana (nos modelos de política macroeconômica) e os desafios de fronteira de pesquisa (análise de cross-section, interpretações novas para IV-LIML e modelos não-paramétricos).
Por fim, duas provocações:
Excelente palestra.
Abraços!
"Bayesian Methods in Applied Econometrics - or Why Econometrics Should Always and Everywhere be Bayesian"
Seguiu-se uma análise das limitações da econometria clássica (a impossibilidade de testar "regiões de aceitação" em testes de hipótese, como o grande exemplo), a contraposição entre economistas teóricos e econometristas na perspectiva bayesiana ("econometrists only test our models and reject all of them", frase atribuída aos apreciadores da calibragem de modelos teóricos), provocações (a literatura sobre raízes unitárias e testes para quebras estruturais seria "a waste of time"), os sucessos da abordagem bayesiana (nos modelos de política macroeconômica) e os desafios de fronteira de pesquisa (análise de cross-section, interpretações novas para IV-LIML e modelos não-paramétricos).
Por fim, duas provocações:
"Good frequentist practice has bayesian interpretation - it is a definition, not a theorem."
"Lose your inhibitions: put probabilities in your parameters!"
Excelente palestra.
Abraços!
NASM 2007 - Reencontros
Encontros de economia também servem para colocar de novo em contato dois caminhos bem distintos. O que torna especial certos reencontros são as circunstâncias. Na foto abaixo, Enestor e eu. Trajetórias:
- Setembro de 1999: ele, o juramentista da turma do primeiro semestre de 1999 de economia da UFRGS; eu, o orador da turma.
- 2000: Enestor inicia o mestrado na FGV-RJ
- 2001: começo o mestrado na UFRGS
- 2002: Enestor volta para o sul, trabalhando no BRDE
- 2003: termino o mestrado, vou para Brasília trabalhar no BC; Enestor vem para os EUA, iniciar o doutorado na UPenn
- 2006: venho para os EUA, doutorado em Duke
- 2007: Encontro de Verão da Sociedade Americana de Econometria, Durham, Duke University. Dois colegas da graduação se reencontram. Ele, apresentando o trabalho de conclusão de curso; eu, lembrando da turma de 1995: "Aqui ninguém é galinha morta".

Abraços!
- Setembro de 1999: ele, o juramentista da turma do primeiro semestre de 1999 de economia da UFRGS; eu, o orador da turma.
- 2000: Enestor inicia o mestrado na FGV-RJ
- 2001: começo o mestrado na UFRGS
- 2002: Enestor volta para o sul, trabalhando no BRDE
- 2003: termino o mestrado, vou para Brasília trabalhar no BC; Enestor vem para os EUA, iniciar o doutorado na UPenn
- 2006: venho para os EUA, doutorado em Duke
- 2007: Encontro de Verão da Sociedade Americana de Econometria, Durham, Duke University. Dois colegas da graduação se reencontram. Ele, apresentando o trabalho de conclusão de curso; eu, lembrando da turma de 1995: "Aqui ninguém é galinha morta".
Abraços!
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