"Hazard - 1. A hazard is something which could be dangerous to you, your health or safety, or your plans of reputation. (...) 2. If you hazard or if you hazard a guess, you make a suggestion about something which is only a guess and which you might be wrong." - Do Dicionário "Collins Cobuild"
setembro 05, 2014
Novo Velho Artigo
- Novo WP, mas, como falei, baseado em uma tese defendida quatro anos atrás (falta de vergonha na cara, levar tanto tempo assim para transformar a tese em artigo...).
- Velho WP, já que trata, em um framework moderno, das discussões iniciadas por Frank Ramsey (1927) sobre a tributação relativa entre os fatores de produção trabalho e capital. Também velho porque recupera a análise de Friedman (1969) sobre a política monetária ótima diante dos custos de oportunidade de carregar moeda.
- Novo WP porque amplia o escopo dos problemas citados anteriormente para discutir aspectos associados a economias abertas, tais como os efeitos em termos de welfare da formação de alguns preços em mercados internacionais; a existência de diferenciais de inflação entre a economia doméstica e o resto do mundo; o grau de abertura da economia.
- Velho WP porque usa técnicas semelhantes àquelas desenvolvidas em Schmitt-Grohé e Uribe (2004, 2005, 2006 e 2007) para tratar de modelos de médio/grande porte.
- Novo WP porque adiciona, com resultados fundamentais, o imposto sobre consumo à análise daqueles autores.
Bem, se é novo ou velho, fica a critério de vocês decidirem. Espero que gostem.
Saudações!
fevereiro 28, 2014
Carnaval 2014
dezembro 15, 2013
Algumas Impressões: SBE 2013
1) De uma forma geral, o encontro me pareceu esvaziado. Não tanto pelos professores, já que os que sempre costumam participar estavam por lá, além de outros que aparecem esporadicamente. O encontro pareceu esvaziado, sim, pela aparente ausência de pessoas circulando pelas salas. Não sei como se comportou o número total de inscrições para ANPEC/SBE este ano, mas tinha, visualmente falando, menos gente que em 2011, por exemplo.
2) Poucas novidades nas sessões de macroeconomia que participei. Alguns fazendo experimentos com modelos DSGE, mas sem nenhuma inovação (mais sobre isto a seguir); muitos modelos semi-estruturais, o que foi interessante, já que não vi muitos modelos VAR; muitas sessões voltadas para macro de curto-prazo e política monetária, pouca coisa sobre crescimento.
3) Sobre os trabalhos com modelos DSGE: ainda sofremos com o drama de ter um software que faz muita coisa para o pesquisador, sem obrigar uma reflexão um pouco mais profunda sobre o que está sendo modelado/estimado. Já fiz piada sobre isto, mas depois de tanto tempo acho que está na hora da academia subir um pouco o nível das discussões. Não dá para escrever modelos e não entender as consequências das hipóteses adotadas e sair tirando conclusões apressadas; não dá para colocar um modelo para estimar sem pensar nos dados, nas priors, nos coeficientes estimados; não dá para continuar pegando um modelo pronto, de economia fechada, estimado para os Estados Unidos, e achar natural aplica-lo para o Brasil. Como não vivo em sala de aula, não sei se o problema está nos professores (chegam para a turma e dizem "tem um pacote que faz tudo para vocês, olhem lá"), não sei se o problema está com os alunos ("Oba, achei estes códigos na internet, coloco dados para o Brasil e está pronta a minha tese/dissertação"). Sei que existe um problema que deve ser enfrentado.
4) O encontro sempre tem o seu lado ridículo, por óbvio: professor participando de sunga e camiseta da recepção de abertura junto das piscinas do hotel; professores famosos na última noite enrolando a língua no bar do hotel; professores que se odeiam durante o dia andando abraçados. O que não faz uma mesa de bar!!!
5) O grande tema entre os professores foi a divulgação dos resultados da avaliação trienal da CAPES sobre os cursos de pós-graduação. Muito choro e ranger de dentes, boa parte deles com razão. A impressão que tive é que algumas avaliações estão muito mal colocadas. Se estou certo, ainda falta divulgar uma abertura maior de números e critérios que justificaram as escolhas, mas o choro pareceu justo.
6) Não consegui nenhuma informação sobre onde será o próximo encontro. Algum dos meus quatro leitores restantes sabe algo a respeito? Acho que notícias sobre futuros encontros não se espalharam por causa da mudança de secretaria na ANPEC e na SBE neste ano, combinado com a repetição da locação do encontro deste ano.
7) Melhor seminário? José Alexandre Scheinkman, sem dúvida.
8) O que faltou? Nomes de peso vindos de fora. Os mais antigos lembravam que, em anos anteriores, tivemos pesquisadores que, anos mais tarde, vieram a ganhar o Nobel. Nestes últimos encontros, bons pesquisadores, mas nenhum com o peso dos que vieram tempo atrás.
9) Pelo terceiro ano seguido, não fui para a mesa de conjuntura. Pelo terceiro ano seguido, não me arrependo: cerveja bem gelada com amigos no bar valeu mais a pena.
É isto. Se der tudo certo, ano que vem volto com impressões sobre o encontro de 2014.
Saudações!
julho 07, 2013
19th International Conference - Computational Economics and Finance 2013
Estarei por lá apresentando a primeira versão de um trabalho a respeito dos impactos de mudanças na volatilidade das taxas de juros reais sobre a economia brasileira. É uma aplicação prática da pesquisa que tenho desenvolvido sobre filtro de partículas. O trabalho ainda é muito preliminar, quando tiver uma versão bem consolidada eu faço maior publicidade por aqui.
Vai ser legal, também, ter a chance de assistir palestras de ex-professores e encontrar colegas do tempo do doutorado.
Saudações!
novembro 28, 2012
6th CSDA International Conference on Computational and Financial Econometrics: CFE 2012
O programa da conferência está muito bom, com trabalhos de alto nível em macroeconomia e finanças. Muita coisa de programação em GPU, soluções não-lineares de modelos, além de tutoriais (mini-cursos) com excelentes apresentadores.
Para os observadores mais astutos, notem que muitos dos papers listados entre os abstracts não têm nada a ver com economia. É que ocorre, ao mesmo tempo da CFE-2012, o encontro do grupo de trabalho do European Research Consortium for Informatics and Mathematics (ERCIM) em "computing and statistics", onde a pesquisa importante concentra-se em estatística aplicada e métodos computacionais.
Espero uma grande viagem. Vai ser divertido.
Abraços!
abril 18, 2012
Equilíbrio, Desequilíbrio e Múltiplos Equilíbrios: Noahpinion
No post seguinte, Noah publica um comentário que ele recebeu de Roger Farmer, professor da UCLA e conhecido por seus trabalhos com modelos de múltiplos equilíbrios. Farmer explica um pouco da sua contribuição nestes modelos, onde ele propõe uma "função de crenças" ("belief function") capaz de gerar um descompasso entre as crenças individuais dos agentes e o valor esperado dos estados futuros da economia. Assim, segundo Farmer, torna-se possível conciliar a hipótese de Expectativas Racionais com a existência de múltiplos equilíbrios.
A leitura é uma boa síntese sobre por onde anda a pesquisa na área, e deixa muitas sugestões para quem procura temas para teses e dissertações.
Saudações!
abril 08, 2012
A Figura que Faltou
A figura não deve aparecer na versão final do artigo, mas, como falei, acredito que existe alguma lei dizendo que, se a pessoa apresenta em seminários o filtro de partículas, alguma figura neste formato deve aparecer. A versão acima é a minha versão, e só vou usá-la nos slides mesmo.
Saudações!
UPDATE: pior do que eu esperava - a figura aparecia na versão da apresentação que estava no laptop, mas por algum motivo esta versão não foi copiada para o pen drive. Argh!
março 27, 2012
Krugman e a Metodologia Econômica
1) Primeiro, ao tratar de artigos seminais de autores mais antigos, Krugman vai direto ao ponto a respeito de sua aplicação a casos no presente. No caso, ele trata de Minsky e Keynes, mas existem tantos outros autores usados como "fonte do saber eterno" ao longo do espectro político/econômico que a aplicação do parágrafo é generalizada:
"So, first of all, my basic reaction to discussions about What Minsky Really Meant — and, similarly, to discussions about What Keynes Really Meant — is, I Don’t Care. I mean, intellectual history is a fine endeavor. But for working economists the reason to read old books is for insight, not authority; if something Keynes or Minsky said helps crystallize an idea in your mind — and there’s a lot of that in both mens’ writing — that’s really good, but if where you take the idea is very different from what the great man said somewhere else in his book, so what? This is economics, not Talmudic scholarship."
2) Segundo, ao tratar de complicações propostas no artigo que originou a crítica anterior, Krugman relembra um belo ensaio sobre metodologia publicado em seu website, e o conselho dado a jovens pesquisadores: "Simplify, simplify". No blog:
"I always try to find the simplest representation I can of whatever story I’m trying to tell about the economy. The goal, in particular, is to identify which assumptions are really crucial — and in so doing to catch yourself when you’re making implicit assumptions that can’t stand clear scrutiny."O conselho é particularmente importante em uma época em que se tornou fácil escrever e resolver modelos cada vez maiores, sejam micro-fundamentados ou não. A facilidade para escrever modelos de médio e grande porte faz com que muitos pesquisadores percam o foco inicial da pesquisa, e muitas vezes encontrem problemas para separar todas as relações de causa-efeito que deveriam ser bem detalhadas ao longo do trabalho.
Na minha área de pesquisa, fico particularmente incomodado com modelos DSGE que incluem muitos detalhes que, em última instância, são irrelevantes ou incompreensíveis dentro do modelo, seja em termos de formulação (os micro-fundamentos), seja em termos de solução/resultados. A estratégia de Krugman, com o uso de modelos bem simples para iniciar o projeto de pesquisa, facilita a compreensão do argumento central do trabalho, enquanto oferece também a capacidade de verificar até onde o argumento é robusto a extensões da formulação básica.
Recomendo a leitura, tanto do post quanto do artigo na página pessoal.
Saudações!
janeiro 22, 2012
Aventuras em OpenCL: Mais que Um Segundo
dezembro 09, 2011
SBE 2011
Uribe, em especial, foi um excelente reencontro: além de ver a excelente palestra, tive a chance de conversar com meu ex-professor sobre o meu trabalho, contando inclusive com sua presença na platéia durante a minha apresentação. Na verdade, chamar de "platéia" é um exagero: além de Uribe e o Luis Felipe, que apresentou na mesma sessão, apenas um colega do BC apareceu para prestigiar o trabalho. (Definitivamente, uma sessão com o nome "Métodos Quantitativos" não tinha como ser muito popular, ainda mais realizada na manhã seguinte do coquetel de confraternização do evento.) De toda forma, muito produtivo o encontro.
Algumas diferenças em relação a outros encontros que participei: ando sem paciência para as sessões de conjuntura. Dizem que as deste evento foram especialmente ruins; logo, não me arrependo de não ter assistido. Também pareceu ocorrer uma participação mais acentuada de alunos apresentando trabalhos. Neste aspecto, não sei se fui eu que envelheci (e por isto acabo vendo mais alunos que antes) ou se, de fato, menos professores apareceram neste ano. A impressão de outros veteranos de ANPEC-SBE foi a mesma, ainda que eu acredite na combinação linear dos fatores.
Não consegui informações sobre onde será o encontro do ano que vem, mas, mantido o nível dos painelistas deste ano, é um evento que vale a pena participar, apesar do custo e da ausência este ano dos bardos e amigos punk.
novembro 25, 2011
Trabalho Encerrado
Saudações!
outubro 10, 2011
Nobel de Economia: Sims e Sargent
Parabéns aos dois. O mundo (às vezes) é justo.
Abraços!
setembro 28, 2011
No Ar
Abraços!
setembro 18, 2011
De Volta ao Convencional
A estratégia para responder a pergunta é baseada em uma sofisticação aparentemente (e só "aparentemente") trivial dos modelos DSGE com fricções financeiras: assume-se a existência de eventos tão raros na economia (Rietz, 1988, Barro, 2006, e Barro, 2009) que certos parâmetros estruturais do modelo mudam de acordo com uma cadeia markoviana, onde a probabilidade de mudança para o estado de "eventos raros" é muito pequena, porém diferente de zero. O resultado mais interessante do artigo é que o banco central corre riscos, ao vender os ativos muito rapidamente, de gerar uma segunda recessão - um movimento em "W", ou "double-dip" no ciclo econômico, como aparece no noticiário.
Dois comentários a respeito do artigo, o primeiro tratando da metodologia aparentemente trivial, o segundo sobre possíveis desenvolvimentos do artigo e a crítica fácil em economia. A respeito da metodologia, o autor desenvolve uma estrutura complexa para caracterizar o uso de políticas não-convencionais pela autoridade monetária: enquanto os parâmetros referentes à qualidade do capital e a regra de Taylor mudam de acordo com o regime (crise/normal), os parâmetros de intervenção não-convencional mudam de acordo com a escolha da autoridade monetária entre intervir no mercado de crédito ou não. Assim, formam-se cinco regimes na economia, de acordo com a combinação crise-período normal e intervenção-não intervenção no mercado de crédito (ver tabela 1 e figura 2 na página 22).
Esta configuração de modelo, gerando "jumps" nas funções de resposta dos agentes, dependentes do regime vigente na economia, não permite o uso da estratégia tradicional de (log-)linearização das condições de equilíbrio do modelo, já que, eventualmente, as funções de resposta são contínuas apenas "dentro" de cada regime - logo, o princípio do "equivalente-certo" não se aplica, necessitando, no mínimo, aproximações de ordem maiores do que a linear para caracterizar a solução do modelo. O uso de soluções não-lineares para o modelo traz complicações adicionais para os empiristas de plantão, já que o trio que forma a estimação no Dynare (aproximação linear - Filtro de Kalman - estimação) não pode ser aplicado.
Este último aspecto inicia o meu segundo comentário. A crítica fácil de um trabalho destes é dizer que o autor deveria estar "sempre preocupado em estimar o modelo, e não apenas fazer exercícios de calibragem". Outra crítica fácil seria dizer que "o modelo é muito simplificado, não tem nem setor externo". Estes são comentários que nos fazem parecer inteligentes nos seminários, já que, afinal de contas, o autor teria ignorado itens muito importantes. Na verdade, este tipo de comentário não passa de um atestado de supremo desconhecimento do que está sendo apresentado: ao invés de se perguntar por que o autor não fez um determinado procedimento, é mais fácil jogar a pergunta no ar e fazer a pose de sério no seminário.
Aprendam, economistas: se um autor não fez um determinado procedimento em um artigo (estimar parâmetros ou acrescentar mais estrutura no modelo), ele não o fez por bons motivos. Não sei, por exemplo, qual seria a resposta do Andrew para estas perguntas, mas fatalmente passaria pela dificuldade de estabelecer a estimação de um evento raro (se houvesse amostra para tal estimação, o evento não seria raro...), pelo procedimento de estimação de modelos sem usar o Filtro de Kalman para obter a função de verossimilhança, e pela necessidade de simplificar o modelo, já que o setor externo não é, necessariamente, relevante para caracterizar o problema da crise na economia americana. A melhor resposta que eu ouvi para este tipo de questão foi em uma palestra do Ricardo Reis aqui no Brasil: "eu não coloquei a estrutura que você sugere porque eu quis, com este artigo, mostrar uma metodologia e caracterizar o problema da forma mais básica possível. Concordo com você que estes elementos são importantes na pesquisa atual, mas os computadores e o papel em branco estão disponíveis tanto para mim quanto para você: você pode sentar na frente do computador e escrever o modelo como você quiser, fique à vontade. Eu só quis mostrar a metodologia para resolver o problema."
Desculpe o breve desabafo neste último comentário, mas certas coisas deveriam ser mais evoluídas aqui no debate econômico. Fica a dica de leitura do artigo.
Abraços!
maio 13, 2011
XIII Seminário de Metas para Inflação
Estou no aeroporto agora, esperando o vôo para Brasília partindo do Rio, onde participei do XIII Seminário de Metas para Inflação, organizado pelo Banco Central. Encontro muito bom, especialmente para rever algumas pessoas que não via desde que voltei do doutorado, além de trocar algumas palavras com o (ex-chefe? Era diretor de outra área) companheiro blogueiro Alexandre Schwartzman. No encontro, foi oficialmente apresentado o modelo DSGE do Banco Central do Brasil, com estimações, simulações e alguns exercícios de previsão. Um bom trabalho da equipe, já disponível nos Working Papers da instituição.
Algumas boas palestras, mas uma, em especial, deixou uma frase antológica: V.V. Chari, professor do Departamento de Economia de Minnesota largou a pérola do encontro.
"Central banking is an exercise of humility."
Vou esperar o video completo do evento no banco para pegar a idéia inteira. Uma verdadeira aula. Aguardem atualização do post.
Abraços!
abril 06, 2011
A Pleno Vapor
O computador não reduz o ritmo: 94% de uso dos processadores na tarefa atual. Tudo facilitado pela programação em MPI para fazer multi-threading.
Abraços!
fevereiro 24, 2011
Rápidas
Algumas notas:
1) Bom pedaço de artigo completo. Tenho uma noção boa dos resultados, mas faltam ainda detalhes para colocar tudo no papel. Tem que sair por agora, e vai sair.
2) Aproveitando um pouco o tempo para desenvolver minhas habilidades em C/C++. É fascinante os ganhos de velocidade em comparação com o Matlab. Pude reescrever uma simulação que eu tinha em Matlab para o C++. A estrutura do trabalho era a seguinte: a) dado um conjunto de parâmetros, obter a solução de um modelo; b) extrair da solução as matrizes de coeficientes; 3) dadas as matrizes, simular o modelo para um conjunto muito grande de vetores de variáveis de estado; 4) executar mais alguns cálculos simples a partir da resposta da simulação. Para um conjunto de 100.000 vetores com variáveis de estado, o Matlab gastava 22 minutos para resolver o problema. Em C++, o mesmo problema, escrito com a mesma estrutura de código (fiz praticamente um copy-paste do código em Matlab, para que não tivesse diferença de estrutura na programação de um sistema para o outro), gastava apenas 35 SEGUNDOS. E isto sem usar recursos de computação paralela, entre outros truques.
3) Ainda na trilha do C/C++, recomendação do meu amigo Anderson: vale explorar a library Boost C++. Programa gratuito, com peer review para garantir a qualidade, facilita demais o trabalho de programação. A briga agora vai ser com o departamento de informática do banco para liberar o download nas máquinas de lá.
4) Gente de outros esportes também sabe aproveitar Duke. Nem por isto vou passar a gostar dos Cowboys.
5) Estou acompanhando meus colegas que entraram comigo no PhD em sua briga no mercado de trabalho para economistas. Se você quiser acompanhar o massacre anual das turmas de formandos em economia dos melhores programas de PhD do mundo, siga aqui. Tem até universidade brasileira que busca professores por este sistema: parabéns FGV-RJ.
6) "Who is John Galt?" Prometo uma aventura na análise literária em futuro breve.
Abraços!
dezembro 20, 2010
Dica de Leitura
Aproveitando o início das minhas férias, uma dica de leitura para doutorandos procurando temas para teses: artigo novo no NBER de Jesús Fernández-Villaverde e Juan Rubio-Ramirez. O artigo faz uma revisão muito detalhada das aplicações de processos de "time-varying volatility" em modelos DSGE, com atenção para a forma correta de especificação e estimação de modelos com estruturas não-lineares. A maior contribuição deste trabalho é apontar para onde anda a pesquisa nesta área, e algumas das questões que ainda não foram devidamente tratadas por este tipo de formulação.
Vale a leitura.
Abraços!
outubro 14, 2010
Ricardo "Caetano" Caballero
"Tá tudo errado na macroeconomia, ou não!"
Esta é a mensagem que eu tiro do último texto, muito discutido no Brasil, de Ricardo Caballero (MIT) sobre o estado atual da macroeconomia. O artigo é paradoxal, uma vez que, ao mesmo tempo em que critica a abordagem tradicional de tratamento de "business cycles", o autor cita como passos acertados, ainda que não com a profundidade correta na sua percepção, os seguintes trabalhos:
1) Sims (2003), sobre "bounded rationality", na nota número 5, definido como "important line of recent work".
2) Kiyotaki e Moore (1997) e Bernanke e Gertler (1989), citados na página 12, modelos convencionais de fricções financeiras, já adaptados aos modelos de equilíbrio geral.
3) Hansen e Sargent (2007), entre outros, com os trabalhos sobre robustez, com "substantial progress in incorporating robust control techniques to economic policy analysis".
4) Michael Woodford (2010), no mesmo tipo de trabalho para modelos de bancos centrais.
5) Fernandéz-Villaverde (2009), "It is not nearly enough (although it is progress) to do Bayesian estimation of the dynamic stochastic general equilibrium model, for the absence of knowledge is far more fundamental than such an approach admits".
O que todos os autores e trabalhos possuem em comum? São todos os trabalhos fundamentados, em menor ou maior medida, naquilo que Caballero chama de core da disciplina. Se estivesse tão mal, a macroeconomia faria estes avanços listados, com seus melhores pesquisadores citados como exemplo do caminho a seguir?
A impressão que fica é que ele não gosta da técnica tradicional de Minnesota (vide a referência número 3, na página 7, ao trabalho de Chari, Kehoe e McGrattan, 2007), baseada na calibragem de parâmetros de acordo com dados microeconômicos, mas concorda com o restante, ainda que ache tudo insuficiente. Convenhamos, se os pesquisadores que estão na academia acreditassem que seus trabalhos eram suficientes, eles não estariam na academia, seja porque teriam conseguido empregos melhores para aplicarem suas "técnicas universais", seja porque a universidade não financiaria professores para jogar paciência no computador. Ou seja, o argumento da "insuficiência" do estado atual da ciência sempre estará presente na academia, ou não existiria mais academia.
De útil, o puxão de orelhas para aqueles que acreditam que um modelo é muito mais do que um modelo. Vale aqui o comentário repetido por Jesús Fernandez-Villaverde no seu blog, feito originalmente por um professor que ele omite o nome:
"What is exactly that you are against in DSGE models? Being dynamic? Being stochastic? Being aggregate? Or being a model?"
Sobre a última pergunta feita na citação, Caballero vai muito bem ao ponto:
"If we were to (...) simply use these stylized structures as just one more tool to understand a piece of the complex problem, and to explore some potentially perverse general equilibrium effect (...), then I would be fine with it. My problems start when these structures are given life on their own, and researchers choose to "take the model seriously" (a statement that signals the time to leave a seminar, for it is always followed by a sequence of naive and surreal claims)."
Lembre-se: independente do que você faça, da quantidade de trabalho dedicado e do quanto você acredita no modelo, o que você escreveu é apenas um modelo!
Abraços!
setembro 27, 2010
Dynare
Para os apreciadores de armas, tive a chance de participar de um curso sobre o Dynare durante toda a semana passada com um dos desenvolvedores do pacote. Muitas discussões interessantes sobre métodos de solução de modelos DSGE, métodos de perturbação, qualidade das aproximações, computação em paralelo...
Fica aqui a dica sobre desenvolvimentos futuros do pacote, já anunciados na Wiki dos desenvolvedores:
1) estimação de modelos usando aproximações não-lineares das condições de equilíbrio;
2) computação em paralelo de cadeias de simulações no Metropolis-Hastings;
3) o uso do Dynare ++ para acelerar as estimações de modelos de grande porte;
Abraços!
