dezembro 31, 2009

Feliz 2010!

Hein? 2009 já passou? Já foi? Já estamos em dezembro??? Tá bem. Então ficam os votos de um Feliz 2010 para os nove leitores do blog.

Um abraço!

dezembro 24, 2009

Silêncio! E Feliz Natal!

Shhhhhh! Silêncio nesta hora! Bia está dormindo!



E Feliz Natal aos 9 leitores do blog!

Abraços!

dezembro 22, 2009

Dê a Mão, o Estado quer o Braço

Health Care Bill, tudo bem. Agora, escolher entre cosméticos e sessões de bronzeamento artificial para financiar a lei é piada: por que alguém tem que escolher para mim se a minha cara feia precisa de botox ou de uma corzinha de praia (ainda que falsificada)??? Não era mais simples, então, um imposto igual para os dois itens? Ah, mas é para isto que existe lobby no Congresso...

Um abraço!

dezembro 15, 2009

Taxa de Câmbio, Asset Pricing e o Debate

O Shikida fez observações sobre um post do Adolfo Sachsida a respeito dos debates sobre a taxa de câmbio no Brasil e a forma de conduzir política cambial. Segundo o Adolfo:


O lado triste do encontro da ANPEC e da SBE fica por parte do silêncio absoluto de vários pesquisadores ortodoxos sobre a taxa de câmbio. Os heterodoxos nadaram de braçada no encontro: sempre havia um deles disposto a defender algum mecanismo de ajustamento do preço do câmbio (claro que nenhum deles sugere o óbvio: abrir o mercado).

Digo que isso é triste, pois mostra uma falta de força, ou de vontade, de intervir no debate nacional num momento crítico. O conhecimento traz consigo responsabilidades, e os ortodoxos brasileiros estão se esquivando desse debate. Uma pena, pois cedo ou tarde o preço disso irá aparecer.
 blog it

A questão da taxa de câmbio, sob uma perspectiva não-heterodoxa (dêem aqui o rótulo que quiserem, quem acompanha o blog sabe que não gosto disto), deve ser vista sob três ângulos distintos: 1) a determinação do nível do câmbio de equilíbrio (que, sob algumas hipóteses, pode ser derivado de um modelo com micro-fundamentos, seja sob preços rígidos ou flexíveis); 2) a dinâmica da taxa de câmbio (o que determina as suas flutuações); 3) a política ótima de condução do câmbio (livre flutuação, "flutuação suja", "banda endógena diagonal" - ops!!! -, câmbio controlado). Para antecipar o que vou tentar mostrar aqui, afirmo que é possível fazer inferências educadas sobre (1), não sabemos nada sobre (2), mas, mesmo assim, é possível tratar do problema (3).

Sobre a determinação do que seria um câmbio de equilíbrio (o problema (1)), os modelos recentes têm tratado a taxa de câmbio real (RER) de equilíbrio como o valor que equilibra, em termos intertemporais, o balanço de pagamentos. Estruturas mais simples, assumindo, por exemplo, a validade da Lei do Preço Único, normalizam a RER para a unidade, e tratam, eventualmente, das suas flutuações. Em estruturas mais complexas, com hipóteses, por exemplo, sobre a formação de preços de produtos importados domesticamente, ou de produtos de fabricação doméstica vendidos no exterior, é possível obter valores "não-normalizados" para este número. Logo, sob determinadas hipóteses, é possível, sim, dizer o que seria o valor da RER de equilíbrio para uma economia.

A questão (2) é um problema mais antigo, que vem desde a formulação do modelo mais básico de equilíbrio geral disponível: entender por que a taxa de câmbio foge persistentemente do seu valor de equilíbrio é um problema de precificação de ativos ("asset pricing") que não foi resolvido até hoje: é o famoso "Equity Premium Puzzle". Lembre-se que o preço da moeda estrangeira é derivado da condição de paridade entre o retorno de títulos negociados no mercado doméstico com os títulos negociados nos mercados financeiros internacionais (a famosa UIP). Logo, os mesmos problemas verificados com a precificação de títulos no problema do retorno do investimento também se aplica à taxa de câmbio. Neste caso, não existe modelo com base em microfundamentos capaz de explicar a variabilidade da RER sem prejudicar o ajuste das outras variáveis do sistema (e sei disto por experiência própria, no trabalho da tese). E aqui, esta explicação vale para ambientes de preços fixos, rígidos ou flexíveis.

Por fim, a questão (3) tem sido avaliada, sim. Inclusive com pesquisadores brasileiros dando boas opiniões sobre o tema. Destaque, por exemplo, para Bianca De Paoli, em paper no Journal of International Economics, mostrando que a política que maximiza o bem-estar é condicionada ao papel dos bens importados na economia doméstica (se complementares ou substitutos), com a política ótima variando entre o "inflation target" do índice de preços ao consumidor (CPI), passando pelo índice de preços ao produtor doméstico (PPI), e até mesmo o "crawling peg".

Por que não se fala mais sobre isto? Resumo: porque não sabemos o que falar. Análises heterodoxas dão um pulo fenomenal, e errado, em termos de análise do tema: assume-se que existe um valor de RER de equilíbrio e que todo o desvio deste valor é uma distorção que deve ser combatida. Como, na definição heterodoxa, o mercado não garante o retorno RER para o seu valor ótimo, a política ótima passa a ser o controle total deste preço. Por mais que os seus autores não gostem ou não acreditem em definições de equilíbrio, assume-se que todo o desvio deste valor é ruim, e que deve ser combatido através de intervenções - daí o "pulo" que citei anteriormente. Análises não-heterodoxas entendem os problemas sobre a determinação da dinâmica do câmbio e sabem que, no futuro, um prêmio Nobel será concedido ao autor da façanha de escrever um modelo que descreva tal dinâmica de modo consistente.

Por fim, (mais) um grão de areia na análise do Adolfo. Diz ele: "[A]s escolas devem ser consistentes com o que ensinam: se você ensina que preços devem ser flexíveis, então deve ensinar também que o câmbio deve ser flexível. Câmbio é preço e do ponto de vista ortodoxo preços devem ser flexíveis." Fica a pergunta: sim, preços deveriam ser flexíveis, seja no câmbio, seja na gasolina, seja na cerveja, seja no cigarro. Isto leva aos melhores resultados em termos de bem-estar. Entretanto, e se os preços não forem flexíveis? Existe uma vasta literatura tratando sobre rigidez de preço no nível microeconômico (para citar três: Bills e Klenow (2002), Steinsson e Nakamura (2008) e Eichenbaum, Jaimovich e Rebelo (2008)), e, em todos os trabalhos, a maior frequência do ajuste de preços é de uma mudança a cada 4,3 meses. E, notem, todos estes trabalhos lidam com o que, no Brasil, se chama de "preços livres", não regulados pelo governo. Pode-se argumentar que a decisão de não mexer nos preços é uma decisão ótima, ao invés de uma hipótese qualquer de "sticky prices". Mesmo assim, a decisão de não ajustar preços resulta em distorções no mercado que são observacionalmente equivalentes a estes modelos. Como atingir o maior grau de bem-estar possível neste caso? Citei, com o paper de Bianca De Paoli, apenas um trabalho onde a resposta não é óbvia em termos de política econômica. Fica a agenda de pesquisa.

Abraços!

P.S.: antes que pipoquem acusações que defendo intervenções, que não concordo com a abertura de mercado, noto que já tinha feito a mesma sugestão do Adolfo na área de comentários em um post do Cristiano Costa.

Mais Samuelson

As melhores memórias sobre a carreira de Paul Samuelson estão registradas no blog do Mankiw. O exemplar do livro que ele guarda, garanto, vale mais do que muitos prêmios Nobel distribuídos por aí.

Abraços!

dezembro 14, 2009

Sobre Faxineiros e Banqueiros

Circulou pela imprensa um estudo de uma organização chamada New Economics Foundation propondo que o valor do trabalho de faxineiros e auxiliares de enfermagem seria superior, por exemplo, ao de banqueiros e contadores. Este instituto, entre outras propostas, prega políticas a favor de um teto para o diferencial de salários entre profissões, novos modelos de propriedade (???), tudo isto através de regimes de tributação fortemente progressivas e políticas verdes. Tudo coisa boa, para a criação do "outro mundo possível".

Para não discutir outros pontos do estudo, eu gostaria de focar a minha crítica ao próprio método usado para obter o "valor social" dos empregos citados. A suposta diferença, de acordo com o estudo, é que o "valor social" dos empregos consideram efeitos de externalidade dos rendimentos para a sociedade. Entretanto, como esperado, nem todas as externalidades são consideradas no cálculo final. Por exemplo:

1) Para calcular o valor do emprego de um banqueiro, considerou-se as projeções do PIB do Reino Unido feitas entre 2008 e 2009 para o ano de 2014 (ver página 30). Como estas projeções apontaram para valores menores do PIB para o ano-base, inferem os autores que houve uma "perda social" do emprego do banqueiro, causador da crise. Desconsideram, infelizmente, os autores, que o mundo não acaba em 2014. Na verdade, eu poderia argumentar, como o filme, que o mundo acaba em 2012. Mas, se fosse mais razoável, deveria também considerar todos os ganhos para a sociedade dos últimos 80 anos, quando o PIB inglês, como em todo o resto do mundo, cresceu a taxas admiráveis.

2) O estudo também assume que cada criança colocada no "child care" permitiria o ganho de um ano de salário para os pais. Como o estudo considera o salário médio de um ano do inglês como o retorno de um filho, está também assumindo que as famílias mais pobres, que não podem pagar pelo "child care", teriam um retorno igual ao de famílias que podem pagar pelo auxílio. Ou seja, o que não existe (pobres colocando crianças no "child care") conta. Mais do que isto: no outro extremo da distribuição, o estudo assume que banqueiros, que podem pagar pelo auxílio para crianças, teriam o rendimento do trabalhador médio. Ora, por definição do item anterior, banqueiros destruíram a riqueza do país. Infelizmente a externalidade das enfermeiras que cuidam dos filhos dos banqueiros não parece fazer parte da conta. Se fizessem, enfermeiras estariam ajudando a destruir a riqueza do Reino Unido.

3) Raciocínio análogo ao anterior vale para as enfermeiras (ver página 33): acredito que nenhum banqueiro que tenha sofrido com úlceras, apendicites, derrames e outros males ao receber as más notícias da crise tenha ficado sem atendimento médico. Ao manterem o atendimento a estes destruidores de riqueza, as enfermeiras ajudaram, obviamente, a continuar este ciclo perverso de redução do "valor social" do emprego. Entretanto, mais uma vez, esta externalidade não é considerada no estudo.

Enquanto estes fatores, entre (muitos) outros, não forem levados em conta, estes estudos não podem ser levados a sério. Agora, com licença, mas eu preciso continuar destruindo um pouco do "valor social" da minha pesquisa, já que nenhum faxineiro se ofereceu para limpar a minha casa em troca da leitura de um dos capítulos da tese. É provável que algum banqueiro se interesse.

Abraços!

Samuelson

Você já deve ter lido em outros lugares, mas fica aqui também o registro do falecimento de Paul Samuelson, Economista. Com letra maiúscula.

Abraços!

dezembro 13, 2009

E a Profecia se Fez como o Previsto

"Maria será uma menina muito verbal. Ela sempre deixará vocês sabendo sobre o que ela quer e o que ela não quer."


Nunca um pediatra foi tão preciso em um palpite sobre a paciente.

Abraços!

dezembro 08, 2009

Pergunte ao Google, Bia Responde

Pode ser um bom projeto para um tema do blog: eu já tinha notado antes que algumas consultas estranhas feitas ao Google acabam caindo em posts aqui no blog. Resolvi postar respostas mais objetivas, elaboradas pela pessoa mais inteligente da casa.

A consulta do Google de hoje veio de um visitante de Cuiabá, possivelmente interessado em problemas da estimação de modelos ou de otimizações usando o algoritmo de Metropolis-Hastings. Vejam a consulta:



Pergunte para Bia: o que fazer quando o algoritmo explode? Resposta:



E não tem colo de mamãe que dê jeito. Só dá para chorar, mesmo.

Abraços!

dezembro 07, 2009

Falando Sério

Tinha que ser para o Flamengo, porra?! Não tinha um time do Rio melhorzinho para nós entregarmos o jogo?!?!

Entregar o jogo já é uma merda, mas para o Flamengo?????

É o fim. Acabou o futebol.

Espero ao menos o agradecimento dos amigos rubro-negros.

Abraços!

novembro 27, 2009

DCE de Direita?

Mais uma invenção muito própria do Rio Grande do Sul: Diretório Central de Estudantes da UFRGS comandado por estudantes identificados com partidos "neoliberais, direitistas, reacionários", que só querem saber de política no campus, e não de política partidária... Povo estranho, não?

Como filho da casa, meus votos de juízo, boa conduta e boa sorte! Em condições normais de civilidade, os dois primeiros votos seriam desnecessários, mas nos dias atuais, vale sempre a lembrança: nenhum outro DCE no país será tão avaliado, patrulhado e, talvez, perseguido.

Abraços!

P.S.: Dica do Shikida

novembro 24, 2009

Intervenção no Fed

Um projeto discutido no Congresso Americano busca aumentar os poderes do Congresso junto ao Federal Reserve, permitindo a realização de auditorias dentro do banco central americano para tratar, por exemplo, de temas relacionados ao salvamento dos bancos. A proposta (insana por que populista ou populista por que insana?) é do senador libertário Ron Paul. Curioso é quem aparece neste segmento da MSNBC para debater o projeto:




Lembram dele? Eliot Spitzer? Talvez Ashley Alexandra Dupré, ou Kristen, para os íntimos, possa dar mais detalhes sobre o ex-governador de NY.

Na boa, começo a dar razão aos que dizem que o "império americano" está decadente: Spitzer para debater política monetária???? Achei que a carreira dele tinha acabado.

Abraços!

novembro 16, 2009

Política Monetária e o Limite Inferior dos Juros

Um blog onde eu tenho acompanhado com cuidado as discussões sobre política monetária é o de Scott Sumner. Ele já tem alguns quilômetros rodados em termos de tempo na universidade, e sua especialização, além de economia monetária, é em história econômica, em especial a política monetária na época do padrão-ouro. Scott não é muito fã da forma atual de pensar em política monetária, mas, por outros meios de organizar seu raciocínio, ele conclui que uma política de "targeting the forecast" seria a mais apropriada para a condução da política monetária.

Ainda que não goste muito da forma como se estuda política monetária nos dias de hoje, Scott gostou de um texto recente de Michael Woodford e Vasco Cúrdia, sobre política monetária nas proximidades do limite inferior das taxas de juros nominais.

Vale a leitura.

Abraços!

Esclarecimento

Este blog é escrito por um apreciador de esportes, em especial futebol (soccer), football (americano) e, particularmente, basquete. Quando fiz um post sobre as finais da NBA chamado "Nova Pesquisa: Basquete", era para colocar aí na barra lateral a opinião dos leitores sobre o tema. A bondade do Google está me dando visitantes que, acredito, apenas perdem o seu tempo entrando aqui no blog.

Abraços!

P.S.: este post também poderia ser chamado de "Quero Menos Leitores, Por Favor!"

novembro 09, 2009

Mini-Saia e a Burca

Uma aposta: os alunos que gritaram pela "puta" de mini-saia na porta da sala de aula da Uniban, na sua grande maioria (para não dizer unanimidade), também são contra o uso da burca pelas mulheres muçulmanas ortodoxas. Afinal de contas, com diz o mantra dos dias de hoje, em termos de opinião "tem que haver o equilíbrio"...

Abraços!

novembro 08, 2009

Dá Para Levar a Sério?

Na mesma semana em que os deputados americanos aprovaram o projeto de Obama para o Health Care no sábado à noite, O Globo sai com matéria registrando o que todo mundo que mora ou já morou em Brasília sabe: se o cargo permite, na quinta-feira todo mundo vai embora.

Nojento.

Abraços!

P.S.: A repercussão da matéria foi ainda pior.

novembro 03, 2009

Crise: O Que Sobrou dos Automóveis

Duas notas que li hoje chamaram a atenção: a primeira, no blog do Mankiw, sobre a GM, em matéria do Wall Street Journal; a segunda, no NYT, sobre os lucros da Ford.

Felizmente, vai demorar muito para que qualquer uma destas companias precise de uma "mãozinha", além daquela que a GM precisou do governo americano.

Abraços!

outubro 31, 2009

Política Monetária e Demanda por Moeda Estrangeira

Quais são as consequências para a política monetária quando as famílias podem abrir contas dentro do país para receber moedas estrangeiras? Vicente Tuesta e Guillermo Felices, em 2007, já estudaram uma economia com este formato.

Um comentário para os não-iniciados neste tipo de modelo: apesar dos autores falarem explicitamente em dolarização da economia, o modelo que eles escrevem é muito mais geral do que este caso extremo (quando a demanda por moeda nacional é zero). Por isto, vale a leitura, com especial cuidado em relação aos gráficos 3 e 4.

Um abraço!

outubro 28, 2009

Crise: Mais EMH

Muito boa a dica do Mankiw sobre o artigo de Jeremy Siegel no WSJ de hoje sobre a (falta de) relação entre a Efficient Market Theory (EMH) e a crise econômica. Para sintetizar, o fato do prêmio de risco estar muito baixo nos últimos anos não significava que o risco era inexistente — apenas que a probabilidade (mal avaliada) de algo dar errado era muito baixa. Como esta probabilidade (mal avaliada) se comporta como uma probabilidade, ainda existia a chance de algo dar errado. E deu.

Abraços!

outubro 27, 2009

Memórias de Guerra: Duke

Nesta sexta-feira, foi inaugurada ao lado da Chapel a ampliação* de uma placa homenageando os ex-alunos da universidade que faleceram em guerras ou em serviço desde a Guerra da Coréia. Uma pena que a cerimônia de inauguração foi feita sob chuva, mas de toda forma a oportunidade foi a melhor possível, pois o campus estava cheio por ser "parents weekend" (o final de semana em que programações especiais recebem os pais que vêm visitar os rebentos estudando em Durham).

A inauguração da placa mostra um aspecto muito próprio da relação do americano com o exército do seu país: pode-se concordar com a guerra, pode-se discordar da guerra, mas o respeito e a admiração do americano com quem está na linha de frente do campo de batalha é o maior possível. Quando vemos militares em trânsito no aeroporto (existe uma base militar aqui em NC), ou a passeio em cidades maiores, uma das cenas mais comuns são adultos, pais de família, parando os soldados para agradecer pelos seus serviços e pedindo para que posassem em fotos ao lado dos filhos.

A universidade, com a placa, dá a sua parcela na homenagem aos que morreram em combate, e mostra, mais uma vez, a admiração americana em relação ao seu exército.

Abraços!

(*) Já existia uma placa, homenageando os ex-alunos que faleceram na II Guerra Mundial, daí o termo "ampliação".

Pago Imposto, e Nunca me Achei Gente Fina

No Brasil, cada um escolhe o ladrão para ser assaltado: eu, por exemplo, sempre paguei meus impostos, já me senti (e me sinto) assaltado pelo retorno obtido, e sem ao menos ter a chance de passar por gente fina. Outros escolhem ser assaltados por tarifas e juros do cartão de crédito, e se iludem vendo-se como importantes. Talvez o envelope onde o cartão foi enviado era de um papel bonito, daqueles brilhantes.

Paciência.

Abraços!

outubro 24, 2009

Duke Football Update: 3-3

Coach Cutcliffe sintetiza bem a temporada de futebol dos Blue Devils, a grande surpresa da ACC este ano: "Lord have mercy!"

Abraços!

outubro 17, 2009

De "Morador" para "Criminoso" em um Helicóptero

Ônibus queimados no Rio de Janeiro não constitui nenhuma novidade em termos de noticiário. Entretanto, a capa da Folha Online de hoje me chamou a atenção pela mudança de linguagem. Observem:



O que está diferente? Comparem com a linguagem nesta notícia, de 2002. Mesmo que ônibus tenham sido queimados em ambos os casos, antes quem queimava ônibus era um "morador" da zona norte do Rio; agora, quem queima ônibus e derruba helicóptero da polícia é "criminoso". Qual a diferença entre os casos? O helicóptero da polícia, óbvio.

Com este procedimento, a Folha estabelece um limiar para a determinação do que é, efetivamente, um crime: derrubou helicóptero da polícia, é criminoso; "só" queimou ônibus, é morador fazendo protesto. Será o helicóptero efetivamente o limite? Se, além dos ônibus queimados, um carro da polícia fosse danificado também, os marginais seriam ainda chamados de "moradores", ou já seriam "criminosos"? E se fossem dois carros da polícia? Ou, se ao invés de um helicóptero, os marginais tivessem explodido um dos "caveirões" do BOPE, seriam ainda "criminosos" ou passariam a "moradores"? Quantos ônibus precisam ser queimados para um "morador" equivaler a um "criminoso", na terminologia da Folha Online? (Com certeza, mais do que sete, pela notícia de 2002...)

Sinceramente, não quero muitos exemplos para que a Folha possa testar as suas classificações de dicionário de jornalismo: ficaria bem contente se criminosos fossem chamados de "criminosos", e moradores fossem chamados de "moradores".

Abraços!

outubro 16, 2009

Mais Nobel

Para mostrar que não precisa ser mulher que escreve em O Globo, que não precisa aparecer no Bom Dia Brasil com cara de velório*, ou que não precisa conhecer os melhores economistas do país a ponto de chamá-los em entrevistas pelo primeiro nome, para escrever um texto competente sobre o prêmio Nobel de economia deste ano: Sandra Paulsen.

Abraços!

(*)Peguei pesado nesta, já que fazer jornalismo às 6 da manhã é ruim, ainda mais tendo que aparecer na tevê, não é fácil. Mas ela merece.

outubro 14, 2009

outubro 13, 2009

Nobel de Economia: Hein?

Gosto muito de churrasco. Por isto, comi pizza hoje à noite.

Não entendeu a frase? Ei, estou falando de comida. Ainda não entendeu? Então pergunte para Mírian Leitão. Ela conseguiu, de alguma forma, juntar umas frases (não, não é um texto) tratando da premiação do Nobel deste ano onde sugere, no título, alguma discriminação contra mulheres no prêmio de economia. Entretanto, no meio do amontoado de frases (ia escrever "corpo do texto"), não aparece uma única justificativa para o fato, uma análise sobre fontes da suposta discriminação, nada. É o exemplo claro do que já tinha escrito tempos atrás sobre a cobertura brasileira da premiação: se não tem o que falar a respeito, o silêncio torna-se sabedoria.

A propósito, parabéns para Oliver Williamson e Elinor Ostrom. Nunca tive a oportunidade/curiosidade de ler seus trabalhos, mas tenho certeza da relevância: Shikida e Monastério gostaram.

Abraços!

outubro 11, 2009

"Veja" Sobre Bebês

Sim, sim, o super-pai já leu a matéria de capa da Veja desta semana (14-10-2009). Boas e más notícias. Pela ordem:

1) Sim, nós já tratamos as cólicas da Bia com bolsas de água quente e massagens na barriga. Ela sofre um monte, mas já sabíamos que não temos muito o que fazer.

2) Bia só dorme de lado se tem alguém cuidando. No berço, só de barriga para cima.

3) Agora, a má notícia: "mamada guiada"???? Para a preservação da sanidade mental da Chris, será bom aumentar o estoque de leite materno na geladeira. Apetite deve ser genético, e Bia não deixa nada disponível para trás.

Agora, ela não parece mal, não?


Abraços!

outubro 06, 2009

Crise: Acerta Mais Quem Previu Antes

Nota interessante do Jesús Fernández-Villaverde sobre o paper de Hyun Song Shin, professor de Princeton, sobre regulação financeira e a sua relação com a crise econômica atual. E a conclusão evidente: com certeza, acertou mais sobre a crise quem falou sobre os problemas financeiros em 2001, e não em 2004 ou 2005. Ainda que, garanto, as falsas Cassandras do capitalismo TAMBÉM diziam, em 2001, que haveria uma crise, como também diziam em 2000, 1999, 1998. Não era esta crise que temos atualmente, mas alguma crise viria... Para estes, a crise é como a morte, a chuva, ou o Celso Roth treinando o Grêmio: pode demorar, mas é certo que, mais dia, menos dia, vai acontecer.

Mais um artigo para minha lista de leituras.

Abraços!

setembro 30, 2009

Pensamento

Deve ter algo muito, mas muito errado ao meu redor quando faço o papel de grosso e mal-educado, mas não consigo nem sentir remorso por isto. O que é pior: ainda tenho certeza absoluta que o errado não sou eu!!!

Abraços!

setembro 27, 2009

Conselho de Segurança: Uvas Verdes

Só posso me lembrar de Esopo lendo esta notícia. Para resumir, a raposa está dizendo: se o clube me aceitar, sou um mestre; se não permitir a minha entrada, as uvas estão verdes, mesmo.

Abraços!

setembro 25, 2009

Índio Vai Ser Preso...

... ou o STF foi feito de trouxa. É só o que eu posso entender desta matéria. Senão, vejamos:

1) De acordo com a decisão do STF, "a utilização das terras deve ser limitada, com respeito ao meio ambiente e às riquezas naturais, e também com a presença de forças policiais e Armadas."

2) Logo, plantar arroz, como faziam os fazendeiros, seria, entre outras coisas, um "desrespeito ao meio ambiente", como afirmariam grupos católicos.

3) Desta forma, se os arrozeiros foram colocados para fora porque, entre outras coisas, esgotavam os recursos ambientais com suas plantações, existe algum motivo para aquilo que os índios pretendem ser considerado legal?

Abraços!

setembro 22, 2009

Companhia

Escrevo a tese. Nunca escrevi sozinho: ia para a faculdade, tinha os amigos e colegas para debater idéias; vinha para casa, e Chris sempre me atendeu, muitas vezes com ótimas idéias e me ajudando a organizar o raciocínio até a hora que cansava e ia dormir.

Continuo sem escrever sozinho: Bia dorme do meu lado, pela segunda noite seguida, enquanto escrevo a tese.

Um colírio quando os olhos cansam da tela do computador.

Não escrevo mais sozinho, em nenhuma parte do dia.

Abraços!

Duke Football Update - New Season

Começou a duas semanas atrás a temporada de futebol universitário. Queria ter escrito um post antes sobre as expectativas a respeito de Duke, agora no segundo ano com o treinador David Cutcliffe. Entretanto, Bia começou a exercer sua influência sobre os pais antes mesmo de nascer: quando nos preparávamos para ir ao campo para a estréia, Chris começou a sentir as contrações. Como consequência, ao invés de irmos ao estádio, fomos para o hospital.

Duke começou de forma regular o campeonato. Perdeu na estréia para Richmond (time do equivalente a segunda divisão do futebol universitário, campeão do ano passado), em partida que, segundo os comentários, os "special teams" acabaram decidindo. Na segunda partida, uma vitória importante contra o time de Army, jogando fora de casa. Coach Cut colocou para jogar o freshman Sean Renfree por algum tempo, e o garoto decidiu a partida. No último sábado, uma derrota já esperada na visita contra Kansas, atualmente número 22 do ranking nacional do futebol universitário. De fato, Duke ainda não tem condições para enfrentar estes times com maior tradição no futebol.

De alguma forma, espera-se que o jogo deste próximo sábado seja um refresco para Duke: pela primeira vez, Duke recebe NC Central University para um jogo de futebol valendo pelo campeonato nacional. NC Central é a outra universidade de Durham, também disputa a segunda divisão do futebol universitário, e a cidade está mobilizada para o jogo.

Se não estiver muito cansado, vou ver se dou uma passada no estádio para ver como anda o time. Pelas notícias que li, deixo aqui o meu palpite sobre a campanha para a temporada. No ano passado, Duke terminou com 4 vitórias e 8 derrotas, sendo apenas uma vitória contra os times da ACC (a liga local). Para este ano, são quatro jogos fora da ACC (os três primeiros, mais o jogo contra NC Central) e oito locais. Como até agora o resultado é 1-2, e dado o que eu tenho visto dos jogos de outras universidades, acho que Duke pode terminar com uma pequena evolução: 5-7.

Um abraço!

setembro 13, 2009

Assim, Não, Canzian

Já elogiei por aqui algumas colunas na Folha Online do jornalista Fernando Canzian, correspondente do jornal aqui nos Estados Unidos (aqui e aqui). Na coluna deste domingo, não dá. Mesmo.

Comemorando (???) o primeiro aniversário da crise econômica, o jornalista propõe uma análise de "vencedores x vencidos" desde o início da recessão. Na lista dos "vencedores", três vilões eternos das esquerdas: os banqueiros, os bancos e os investidores do mercado financeiro (sim, a coluna está ruim deste jeito). Os banqueiros ganharam, pois não foram presos; os bancos ganharam porque foram salvos; e os investidores que mantiveram posições em ações ganharam porque as ações começaram a subir de novo.

Na lista dos vencidos, o "povo" (chamado pelo jornalista de "a grande maioria") e Barack Obama. "A grande maioria" perde porque terá que pagar mais impostos para financiar o salvamento dos bancos e porque vai conviver com mais tempo de desemprego elevado. Barack Obama perde porque a economia fraca derruba os seus índices de popularidade.

Por partes:

1) banqueiros devem ser presos por empréstimos alavancados tanto quanto políticos de Washington que criaram leis permitindo que Fannie Mae e Freddy Mac fizessem empréstimos sob critérios (e riscos) semelhantes. Ou seja, não devem ser presos, basicamente, porque, por mais imoral que seja a conduta, seus comportamentos foram legais. A diferença pode ser sutil no hemisfério sul, mas faz toda a diferença sob o chamado "Estado democrático de direito".

2) os bancos se recuperaram porque o valor de seus ativos parou de cair, e por tomar vantagem em transações que apenas grandes operadores têm acesso (não subestime o crescimento do faturamento das instituições sob o chamado "high-frequency trading" neste período de estabilização/retomada dos preços dos ativos). Cabe lembrar que alguns dos bancos ajudados já pagaram pelo auxílio governamental, para não ter supervisão governamental adicional.

3) os investidores que mantiveram posições estão tão bem quanto os bancos. Fizeram uma aposta, mantiveram posições. Se tivessem vendido, estariam mal. Qual o problema em especular corretamente? Se não foi feito através de operações ilegais (informações privilegiadas, etc), qual o problema?

4) "a grande maioria" está perdendo, mas ganhou quando pode fazer os empréstimos para comprar casas maiores; "a grande maioria" está perdendo, mas ganhou quando pagou menos impostos para financiar um nível de gastos do governo claramente incompatível; "a grande maioria" está perdendo, mas aqueles que mantiveram suas posições em ações (ver o item 3) estão ganhando uma folga no valor dos seus ativos.

5) Barack Obama está perdendo por causa das discussões sobre o sistema de saúde. A proposta do governo, talvez mais do que toda a ajuda que foi oferecida aos bancos, é capaz de levantar o endividamento americano para níveis aí sim substanciais. Saúde é um problema sério no país, consome uma parcela cada vez maior do orçamento das famílias americanas, mas a forma como o governo conduz o debate é, para dizer o mínimo, catastrófica. E aí está a raíz da impopularidade de Obama.

Além disso, para seguir a lógica deturpada de Canzian, Obama estaria se dando um tiro no pé, ao reapontar Bernanke para o novo mandato no Fed - justamente o arquiteto da ajuda governamental aos bancos. Ou seja, a culpa pela falta de popularidade de Obama seria... Barack Obama!

Ai, ai, ai... assim, não, Canzian.

Abraços!

setembro 12, 2009

Nada Es Gratis

Está aí do lado, na barra de links, um blog muito bom de um grupo de economistas espanhóis, muitos deles professores de universidades aqui dos Estados Unidos: "Nada es Gratis".

Vale a pena a leitura.

Um abraço!

His Airness

A cerimônia mais esperada pelos apreciadores do bom basquete: Michael Jeffrey Jordan, o maior de todos, conduzido ao Hall da Fama. Três pontos notáveis da cobertura da ESPN sobre o evento:

1) Uma das tantas listas pela web das 23 melhores jogadas do maior de todos os tempos.

2) Entrevista com um dos melhores jornalistas esportivos do país, Michael Wilbon, onde ele fala, entre outras coisas: a) sobre a importância do baseball na sua primeira aposentadoria, para a sua carreira; b) sobre o famoso "jogo de Monte Carlo", quando o Dream Team se trancou em um ginásio na preparação para as Olimpíadas de Barcelona, sem treinadores, sem juízes, para um grande acerto de contas dentro da quadra.

3) O início do discurso de aceitação no Hall da Fama.

Abraços!

Agradecemos

Bia, Chris e eu recebemos mensagens carinhosas de todos os amigos que passaram aqui pelo blog, páginas de Orkut, Facebook, telefone, sinais de fumaça, entre outros meios não-convencionais de comunicação, celebrando o nascimento da pequena.

Agradecemos a todos com este post, única e exclusivamente por falta de tempo para responder pessoalmente a todos.

Muito obrigado!


Abraços!

setembro 06, 2009

setembro 01, 2009

Aviso

Este blog está em ritmo de tese trancada por falta de soluções. Os picos de produtividade do autor já foram traçados, e, dada a descrição, não se deve esperar novos posts, salvo eventos excepcionais (ainda que ansiosamente aguardados).

GET OUT OF MY CLOUD!!! Sai prá lá, coisa-ruim!!! Vira o olho-gordo para o outro lado! (Desenvolvimentos nada científicos para um cientista. Nesta hora, vale.)

Abraços!

agosto 09, 2009

Get Off of My Cloud

"I live in an apartment on the ninety-ninth floor of my block
And I sit at home looking out the window
Imagining the world has stopped
Then in flies a guy who's all dressed up like a Union Jack
And says, I've won five pounds if I have his kind of detergent pack

I said, Hey! You! Get off of my cloud
Hey! You! Get off of my cloud
Hey! You! Get off of my cloud
Don't hang around 'cause two's a crowd
On my cloud, baby

The telephone is ringing
I say, "Hi, it's me. Who is it there on the line?"
A voice says, "Hi, hello, how are you
Well, I guess I'm doin' fine"
He says, "It's three a.m., there's too much noise
Don't you people ever wanna go to bed?
Just 'cause you feel so good, do you have
To drive me out of my head?"

I said, Hey! You! Get off of my cloud
Hey! You! Get off of my cloud
Hey! You! Get off of my cloud
Don't hang around 'cause two's a crowd
On my cloud baby"



Chega de confusão, sai para lá coisa-ruim, "get off of my cloud!". Só posso me sentir bem com isto. Agora, é esperar o servidor me dar os parâmetros certos.









Abraços!

agosto 05, 2009

Ambientalistas Brasileiros Rebaixados à George Costanza

Vocês se lembram de George Costanza, o personagem de Seinfeld muito bem definido como dono de um grande número de características pessoais, como sovina, egoísta, desonesto, inseguro e neurótico? Ele ficou imortalizado na história dos sitcoms em diversas cenas. Um de seus diálogos que ficou famoso é o que vai abaixo:




Pois bem. Agora, ambientalistas brasileiros resolvem fazer campanha pregando justamente o que o sovina, egoísta, desonesto, inseguro e neurótico personagem descreve no clipe: faça xixi no chuveiro! Logicamente, como em qualquer lugar civilizado, isto aparece aqui na imprensa como "notícias bizarras" de algum canto do mundo.

Talvez não passe disto, algo bizarro. Ainda que seja neurótico, tal como Costanza. Ao menos ele era engraçado.

Abraços!

agosto 04, 2009

Emprego: 12 Anos e Nada Mais

Pesquisadores de séries de tempo brasileiras, tremei! O IBGE resolveu, de novo, alterar a metodologia de cálculo da série de desemprego brasileira. De acordo com os técnicos do IBGE, a nova série de desemprego será calculada a partir da junção com os dados da PNAD, abrangendo um número maior de cidades, o que é, de fato, relevante.

O problema é que esta não é a primeira mudança importante que o IBGE faz no método de pesquisa das estatísticas de emprego: em 2001, o IBGE fez uma mudança substancial na pesquisa, que resultou em uma mudança de nível e no padrão sazonal na taxa de desemprego, quando comparado com os números da pesquisa antiga. Confirmada as datas apresentadas para a nova pesquisa, os dados antigos formariam uma série de tempo de não mais de doze anos. E doze anos, para quem trabalha com dados de séries de tempo, ainda mais irregulares como os brasileiros, é terrível.

Em termos de análise macroeconômica, o quadro é ainda pior. Se considerarmos apenas o período de estabilização econômica, iniciado na metade de 1994 com o Plano Real, a série de tempo do desemprego terá três momentos completamente distintos:

1) o período entre junho de 1994 e outubro de 2001, iniciado com a estabilização econômica e terminado com a implementação da série atual de emprego do IBGE;

2) o período entre outubro de 2001 e algum mês de 2013, quando a atual pesquisa seria substituída pela metodologia nova;

3) o período que começa em 2013, que durará até o IBGE resolver atualizar novamente a metodologia de pesquisa de emprego sem manter nenhuma correlação com as séries anteriores, como feito nos outros dois casos anteriores.

Que problemas estas mudanças trazem? Óbvio que, para a análise de conjuntura, muito pouco. Entretanto, análises um pouco mais elaboradas, mesmo regras de bolso, como a "Lei de Okun", ficam com as estimativas prejudicadas.

Os dados produzidos pela nova pesquisa, repito, com certeza terão mais qualidade que os atuais. Entretanto, seria muito interessante se o IBGE pudesse manter a pesquisa atual por um período superior aos dois anos que o instituto pretende, de acordo com o seu planejamento.

Não surpreende, de fato, que pesquisadores brasileiros façam pesquisa de boa qualidade com dados transversais (normalmente da PNAD), mas fiquem tanto a dever no quesito séries de tempo.

Abraços!

agosto 02, 2009

Recapitulando

Para retomar o fio da meada (uia, expressão antiga), já que os meus oito leitores fiéis insistem em visitar o cantinho aqui, mais algumas notas, muitas no estilo "Carangos e Motocas" (uia, mais antigo ainda!).

1) "Eu te disse, eu te disse", que Obama não dava a mínima para o etanol brasileiro. Não adianta fazer beicinho e procurar jornalista para dar discurso para justificar os próprios fracassos.

2) "Eu te disse, eu te disse" que a mensagem da caneca fazia sentido, ainda que o "I love my country" seja uma proposição cada vez menos defensável.

3) Muito bons os programas da Qtv no YouTube (também disponível para download via iTunes). Destaques para a entrevista com o Lewis Black, comediante americano, onde se fala do papel da crítica política feita por comediantes, e o video abaixo, com uma hora de entrevista com o pessoal do Rush. Nesta entrevista, uma olhada pela carreira da banda, a influência de Ayn Rand nas letras, o quase-fim da banda e a retomada das turnês.




4) Tomara que as buscas dêem certo, que o pior não tenha acontecido, e que Gabriel Buchmann possa ser resgatado com vida. Agora, para o problema que o Cláudio destaca, só existe uma correção possível: o reembolso. Qualquer coisa diferente disto gera dois problemas econômicos bem conhecidos: "rent-seeking" (a apropriação por particulares de bens e recursos que são públicos) e o "moral hazard" (para que evitar viagens de risco se é sabido que o governo brasileiro vai mandar equipes de resgate?). Estou "viajando" na solução? Não.

5) Outro dia, o Jon Stewart tirou sarro de alguém, dizendo que, se até o Glenn Beck pediu para o interlocutor manter um pouco da calma, já é um sinal do quão aloprado o interlocutor é. Pois bem, agora até o Paul Krugman pediu para o ídolo da heterodoxia econômica brasileira, Willem Buiter, um pouco de comedimento nas suas opiniões sobre Larry Summers. Quando até Paul Krugman pede um pouco de calma...

6) Ainda sobre o Jon Stewart, no link que eu coloquei acima, quando até Jon Stewart faz críticas à forma que um governo democrata tratou a questão do racismo na prisão do professor de Harvard, é porque tem algo muito "f* up" na atuação deste governo neste episódio...

7) Pesquisa andando. Devagar. Mas está andando. Eu juro! Estou falando sério!!!!! Pare de rir!!!! Cada vez mais me sinto como a pobre estudante nesta tira do PhD Comics.

Fico por aqui. Não prometo regularidade, mas eu volto.

Abraços!

julho 28, 2009

julho 27, 2009

Gripe Suína, Impostos e a Internet

Li a notícia que agora já são 38 mortos no Brasil por causa da gripe suína. Por uma curiosidade, entrei no Google do Brasil e digitei a procura pelo termo "gripe suína". O primeiro resultado cujo website tinha terminação ".gov" apareceu na segunda página da procura: era do Governo Americano, mais especificamente do estado de Massachusetts, para um folheto explicando (em um português à primeira vista muito bom) detalhes sobre a doença. O primeiro link vinculado ao governo brasileiro (".gov.br") só foi aparecer na página 4, com uma notícia da Agência Brasil, falando sobre a segunda vítima da doença na cidade de Osasco.

Repeti a mesma pesquisa no site original do Google, com a expressão "swine flu". O primeiro site que apareceu como resposta foi do CDC: Centers for Disease Control and Prevention, do governo americano, em uma página totalmente dedicada às informações sobre a doença. A página inclusive oferece um mapa atualizado, cuja versão parecida (estou chamando "rudimentar" de "parecida" por educação) para o Brasil eu só encontrei na matéria da Folha que coloquei no primeiro link.

Pensei no tempo decorrido desde que as notícias sobre a doença começaram a correr, pensei nos impostos que são pagos no Brasil e pensei nos custos (ínfimos) de abrir um site com a quantidade e qualidade de informações disponíveis no CDC.

Meu bolso doeu.

Abraços!

julho 23, 2009

As Bolas de Shaq na China

Gosta de basquete? Acha Shaquille O'neal um grande jogador? O que sentiria se ganhasse uma bola autografada do seu ídolo?

Quatro crianças chinesas tiveram um gostinho disto. Mas foi só um gostinho: os funcionários da escola (obviamente, funcionários do estado chinês) trataram de acabar com a alegria dos meninos, sobreviventes do grande terremoto do ano passado.

Não acredita? Tudo bem. Você deve preferir acreditar em coisas mais concretas, como o Papai Noel, o Coelho da Páscoa e a Ressurreição de Elvis e Michael Jackson.

Abraços!

julho 22, 2009

Nome não é Destino

A Maria Beatriz daqui vai ter que se esforçar um bocado para conseguir algo na vida, já que o avô não é Senador. Nome não é destino, esforço é.

Abraços!

julho 21, 2009

Rant: "The Economist", DSGE e a "Junção das Águas"

Segue o texto para botar uma lenha no debate que o Shikida resolveu estimular.

Conforme o esperado, outros textos começam a surgir avaliando o papel da teoria macroeconômica moderna no desenrolar da crise atual. A revista "The Economist" deste final de semana faz uma análise do estado da macroeconomia moderna, e o retorno do debate "clássicos vs keynesianos" depois de um período em que alguma convergência no método era aparente através dos modelos DSGE. Também existe uma matéria sobre o papel dos modelos em finanças na crise, mas desta parte eu me abstenho, por completa e assumida ignorância para gerar algo original em termos de opinião.

A matéria faz uma excelente revisão histórica, um bom resumo da crítica, e um início de entendimento sobre a inutilidade de muitas das críticas que apareceram neste período recente. Falando primeiro da história, cita a convergência no método trazida pelo desenvolvimento dos modelos DSGE, estabelecendo entre os economistas de "água salgada" (Harvard, MIT, Berkley) e os economistas de "água doce" (Chicago, Minnesota) uma linguagem padrão por onde a ciência andou nestes últimos anos. Cita também o uso recente destas ferramentas por bancos centrais ao redor do mundo e a importância dada aos seus resultados. Sobre esta parte histórica, acredito apenas ter faltado um detalhe importante, que pretendo retomar ao final do texto: por que os modelos DSGE se tornaram a base da macro moderna? A "junção das águas" não seria possível se o método não fosse atraente para ambos os grupos. Não é, como diz a matéria, uma questão de macroeconomistas "recovering their composure", como se os grupos tivessem fumado o cachimbo da paz em algum instante e simplesmente concordado em usar estas ferramentas.

A respeito das críticas keynesianas dos modelos modernos, a revista cita, obviamente, Krugman e o autor da nova Bíblia heterodoxa em forma de post, Willem Buiter (já notaram como todo economista heterodoxo, em especial os brasileiros, quando querem criticar os modelos DSGE, citam o texto de Buiter?). Shikida traz o texto de Mario Rizzo, e aponta, com precisão, o quão batida já é a conversa da "matemática excludente, censora, neo-liberal e castradora da criatividade acadêmica". A matéria segue com a história da crítica aos mercados completos de ativos do Buiter (argumento de quem está no fim de carreira, ou não entendeu o modelo, como falei aqui), o papel do setor financeiro nos modelos DSGE, pitadas de Keynes e Davidson por todos os lados.

Mas é na parte da "contra-crítica" que a matéria entra no seu melhor. A revista cita três motivos para a difusão destes modelos:

1) o modelo, por mais básico que seja, organiza idéias. É importante ter uma base de partida, um lugar onde as evoluções podem ser testadas. Afinal de contas, Krugman pode citar Keynes, mas economistas atuais citando os modelos DSGE básicos não pode?!?!?!

2) todo mundo (que se interessa) entende o modelo. A difusão da academia para o mercado (bancos centrais, bancos e outros centros de pesquisa) foi fundamental para que o modelo ganhasse popularidade.

3) sendo simples, quanto maior o trabalho desenvolvido, maior o "pulo" em termos de capacidade de explicação do modelo. A revista não entrou em detalhes, mas o modelo DSGE mais básico pode ser escrito em três equações, sendo que uma é um processo estocástico para um choque que move a economia.

No final da matéria, lê-se:
clipped from www.economist.com

It takes a model to beat a model


The benchmark macroeconomic model, though not junk, suffers from some obvious flaws, such as the assumption of complete markets or frictionless finance. Indeed, because these flaws are obvious, economists are well aware of them. Critics like Mr Buiter are not telling them anything new. Economists can and do depart from the benchmark. That, indeed, is how they get published. Thus a growing number of cutting-edge models incorporate one or two financial frictions. And economists like Mr Brunnermeier are trying to fit their small, “blackboard” models of the crisis into a larger macroeconomic frame.
But the benchmark still matters. It formalises economists’ gut instincts about where the best analytical cuts lie. It is the starting point to which the theorist returns after every ingenious excursion. Few economists really believe all its assumptions, but few would rather start anywhere else.

blog it

O título da seção no box é o melhor resumo possível: o modelo é ruim? Todo o modelo é falho, todos sabemos. Qual a alternativa? Hummm... A "devolução do problema" para o colo dos críticos é uma pergunta fundamental, ainda que possa parecer um escape da responsabilidade em escrever modelos melhores. Os modelos keynesianos antigos falharam, clamorosamente, na década de 70, além de serem complicadíssimos de lidar. Os modelos DSGE, a despeito de sua simplicidade nas versões mais básicas*, possui um poder de explicação apreciável (cerca de 70% das flutuações do produto, em alguns casos). Sentados na cadeira do Fed, ou na cadeira do Treasury, qual a alternativa preferível: o modelo que faz "truly boneheaded arguments", mas acerta 70% do que se propõe explicar, ou modelo nenhum?

Por fim, por que houve a "junção das águas", e o fim das discussões "clássicos vs keynesianos" com a adoção dos modelos DSGE? O modelo DSGE ofereceu uma linguagem comum, ao agregar alguns princípios básicos de otimização que todos concordaram; grande flexibilidade, permitindo grandes acréscimos sobre a estrutura básica; suas conclusões são verificáveis, dado que o modelo é estimável; é facilmente aplicável para a análise de políticas mais complexas. Neste último ponto, até mesmo Paul Krugman se rendeu, ao gastar alguns posts (aqui e aqui) para tratar de multiplicadores fiscais. Ainda que ele não goste das hipóteses, os resultados de um dos papers estão bem em linha com o que ele escreve no blog sobre o tema. Ora, se até Paul Krugman gasta tempo lendo e comentando estes modelos, inúteis eles não são, certo?

Não, não, a macroeconomia moderna não morreu, Shikida. Ela apenas (ainda) não é computável de uma maneira adequada. Seja para clássicos, seja para keynesianos.

Abraços!

(*) Se todo o modelo DSGE fosse "simples e básico", eu já teria a minha tese pronta...


P.S.: como vocês podem notar pelo horário de publicação, este não foi um texto escrito nas melhores condições para cuidar da ortografia e revisão. Acredito que muita coisa não tenha ficado clara, mas não podia deixar de escrever sobre o tema. Deixe o seu recado aí, que seguiremos a conversa.

julho 17, 2009

Falando em Coisas Bizarras

Depois do estrago do aeroporto de Miami, mais uma. Esta história eu ainda não entendi: tara por rasgar bolas de plástico para exercícios. Parece alegação para diminuir pena na cadeia. Entretanto, cada louco com a sua mania.

Abraços!

julho 14, 2009

Miami Summer Break

Algumas notas sobre um final de semana de verão em Miami:

1) Em apenas uma volta na quadra, na primeira noite em Miami, foi observado: um caso de prostituição (com direito a ver a negociação, bem disfarçada, até a entrada da garota no carrão do cliente), um caso de beijo gay entre senhores acima de 40 anos (o beijo foi no estilo novela das oito, caprichado), uma mesa de restaurante com mais de quinze rapazes reunidos jantando, todos gays. Estávamos em South Beach. Normal, como pudemos constatar depois.

2) Passeio em Little Havana: velhinhos jogando dominó, "esperando pela morte de Fidel para retornar ao país de origem", de acordo com a guia. Um McDonald's no meio da rua principal do bairro, e uma pintura de parede no prédio vizinho:



3) Ouço com frequência que Miami não faz parte dos Estados Unidos. Ouço, também, que o Rio Grande do Sul não faz parte do Brasil. Ambos os casos, por diferenças na composição demográfica dos Estados. Prefiro dizer que Miami faz parte dos Estados Unidos tanto quanto o Rio Grande do Sul faz parte do Brasil.

4) Praia de South Beach: tudo o que Copacabana e Ipanema gostariam de ser, mas não são pois, como diz o hino, estão "deitadas eternamente em berço esplêndido". Mas, peraí, South Beach também tem um visual legal. Fiquem, então, apenas com a primeira parte da frase.


5) Calor, muito calor em Miami. A diferença entre a sensação térmica e a temperatura registrada chegava a sete graus centígrados!!! Ou seja, se o termômetro dava 30ºC, a sensação térmica girava em torno de 37ºC. E com poucas alterações entre o dia e a noite.

6) Por causa do calor, sou obrigado a declarar: o cara mais foda deste mundo (não, não é o homem mais interessante do mundo) é Horatio Caine! Para trabalhar usando terno preto em todo o santo episódio de CSI Miami, tem que ser muito foda.


7) Por fim, uma nota sobre MIA, o aeroporto internacional de Miami. Eu já tinha feito um registro antes, sobre a confusão de um embarque para o Brasil que fiz por lá. Bom, depois deste final de semana, com confusão nas filas de inspeção e raio-x, com gente gritando e correndo por todos os lados, com os locutores falando melhor em espanhol do que em inglês, só posso concluir que o aeroporto é uma merda. Literalmente. Veja você mesmo.


O que foi? Não acredita no que está vendo? A foto foi tirada na frente do portão D-30, ala de embarque da American Airlines. Tem dúvidas sobre o que estou mostrando? Então segue versão ampliada:


Isto que só conseguimos tirar a foto depois que o conteúdo foi pisado algumas vezes por passageiros distraídos, olhando para o teto. Lamentável. E se você duvida que o conteúdo é o que parece, não perca seu tempo: o cheiro no local não deixava margem para erro. O aeroporto é uma merda.

Abraços!

julho 10, 2009

Camiseta de Quem?

A cara do Obama recebendo a camiseta velha da Seleção dá bem a noção da importância do futebol por aqui. Também vale notar como está magro o presidente brasileiro... ah, desculpe: era o tradutor oficial. Sobre a aparência presidencial, vale a observação do repórter da ABC que cobria o evento na Itália, ao final da matéria.

Brazil Gives Obama Soccer Jersey

Abraços!

julho 09, 2009

O Google é um Bom Companheiro

Ninguém pode negar! Olhem só a pesquisa que alguém de Hortolância fez no site, e qual a primeira opção oferecida como resposta. Eu não entendi o que a pessoa procurava, eu não entendi por que o blog foi a primeira resposta, mas gostei!



Abraços!

julho 07, 2009

Escrevendo Pouco

Tenho escrito pouco no blog, admito. Alguns motivos:

1) Estou me informando sobre novas opções de carreira quando voltar ao Brasil. Mais alguns passos (sindicato + salário mínimo), e uma nova perspectiva se abre. Óbvio que poderiam também pegar leve neste negócio de fiscalização, que ninguém é de ferro.

2) Falta de notícias. Não vale a pena ficar inventando assuntos, quando não existe nada para se conversar.

3) Seu Idalino, meu avô, é muito importante para mim, mas não vai garantir o meu futuro, já que o meu diploma não será de Harvard. Será um diploma de doutorado, onde passei por critérios de seleção tanto por aqui quanto no Brasil (ou seja, não é um programa onde basta ter dinheiro para se matricular e cursar), mas não será de Harvard.

4) Por fim, e de novo relacionado à títulos, o grande motivo para eu estar escrevendo pouco é justamente por não querer me tornar Ministro-Chefe da Casa Civil, ou Ministro das Relações Exteriores. Tenho um doutorado para terminar.

E ainda há quem diga que vale a pena falar sobre o Brasil. Pfui.

Abraços!

julho 05, 2009

Crise: A Culpa é do Subprime?

Eu já tinha comentado, no ano passado, como eu achava estranho o fato de colegas terem comprado casas, ainda que, aparentemente, as suas condições de entrar em uma compra destas era relativamente restritas. Depois, lendo esporadicamente sobre o problema, fui alertado para a existência de políticas de incentivo do governo para estimular a compra da casa própria, reduzindo o papel do mercado de aluguéis para habitação. Como estímulo, o governo estaria induzindo a redução do downpayment (a entrada) na hora da compra. Entretanto, o foco das críticas está toda voltado para os contratos teaser, na sua maioria formado por subprime, onde o banco oferece um financiamento com juros muito baixos no início, subindo a taxa depois de alguns anos.

Um economista do Fed de Chicago, Gadi Balervy, esteve no último semestre por aqui apresentando um paper onde, na introdução (a leitura do artigo é difícil, aviso de amigo), ele destaca:


"My model reveals several new insights. First, it shows that contracts offering low rates for early repayment emerge endogenously when creditors expect some of their borrowers to speculate. These credit arrangements are thus a response to, rather than a cause of, speculation. Precluding lenders from offering these financial products will not only fail to curb speculation, but may end up exposing creditors to greater risk. (...) [T]he model shows that a reduction in the real Federal Funds rate need not generate bubbles if it is temporary. This contradicts the argument cited above that the historically low rates set by the Fed in 2003 was the main culprit for the bubble in housing markets. Regardless of the true culprit, the model suggests that certain policies can be used to eliminate one if it emerges. In particular, raising rates or imposing down payment (or margin) requirements can both be used to prevent bubbles, although the latter policy is only effective if it is applied systematically rather than temporarily as is sometimes advocated. While these policies may curtail speculation, the model suggests they might also discourage beneficial trades, so that curbing speculation may be socially costly."


Ou seja, o autor não apenas livra a cara dos empréstimos subprime, como também a política monetária do Fed, que teria estimulado a compra de casas através de uma redução de juros que durou além do necessário. Ok, uma primeira reação ao paper é que isto não passa de uma construção teórica, sem suporte nos dados, e que, por consequência, certas generalizações e determinações de política não poderiam ser feitas. Entretanto, hoje eu li um comentário no Wall Street Journal que colabora através de evidências empíricas com o modelo discutido no artigo de Balervy: de acordo com Stan Liebowitz, depois de compilar dados individuais de contratos de empréstimo em nível nacional, apesar de apenas 12% dos contratos apresentarem dívidas maiores que o valor das casas, estes contratos correspondem a 47% do total de casas retomadas para cobrir o não-pagamento da hipoteca (foreclosures). Sobre os contratos teaser, apenas 8% dos foreclosures estavam relacionados a aumentos maiores que 4% nas taxas de juros cobradas ao longo do tempo.

É um bom "food for thought" quando os dados começam a bater com uma análise tão abstrata quanto a do artigo de Balervy.

Abraços!

O Lado Bom da Crise

Ou "mais uma fonte de ineficiência do serviço público brasileiro, por causa da estabilidade no emprego": nem dos chatos dá para se livrar em tempos de crise.

Abraços!

julho 03, 2009

Mais Sobre a Vitória do Bom Senso

O NYT de hoje traz uma matéria muito interessante e reveladora sobre a decisão da Suprema Corte a respeito da promoção dos bombeiros de New Haven. Ela trata do caso do Tenente Ben Vargas, o único bombeiro de origem hispânica a participar da ação contra a chefia dos bombeiros, mesmo sem saber que era um dos poucos membros de minorias que foi promovido. Um trecho que mostra como as "minorias organizadas" nos EUA operam (vai soar bem familiar para quem acompanha o noticiário do Brasil):


clipped from www.nytimes.com

But Lieutenant Vargas bore more than his share of the criticism, said Lt. Matthew Marcarelli, who was among the plaintiffs and has known Lieutenant Vargas since they were classmates at the fire academy. “Why the other guys viewed him as a turncoat I really don’t understand. He did it because he’s principled and he thought it was the right thing to do. Benny’s nobody’s token.”

Chief Marquez said his old protégé was “an easy target because he didn’t fall in line.”

“It seems that if you’re not the right type of minority, you get hammered,” he said.

The president of the black firefighters’ group in New Haven did not return calls seeking comment.

Gesturing toward his three young sons, Lieutenant Vargas explained why he had no regrets. “I want them to have a fair shake, to get a job on their merits and not because they’re Hispanic or they fill a quota,” he said. “What a lousy way to live.”

 blog it

De novo, é um sinal de que ainda existe bom senso no mundo.

Abraços!

julho 01, 2009

Gorjeta

Fernando Canzian fala da "estatização" da gorjeta para garçons em restaurantes no Brasil. É uma piada fazer uma lei sobre isto, ainda mais em um mercado que tem tudo (em condições sérias) de ser extremamente competitivo: os garçons aqui nos EUA se esforçam ao máximo para agradar, de forma a garantir o seu troco no final da noite. Qualquer falha no atendimento, e só falta eles beijarem as mãos dos clientes para pedir desculpas. A contrapartida? Os poucos que ficam no mesmo serviço muito tempo (os melhores são contratados por outros restaurantes) são "promovidos" dentro do restaurante para coordenar outros trabalhos.

Mas, como é óbvio, um Congresso que cuida bem do seu dinheiro vai saber como lidar com o dinheiro dos outros...

Abraços!

Soccer???

Nation, no meio das minhas tarefas diárias, encontrei um tempo para deixar dois ou três palpites na área de comentários d'A Torre de Marfim, em post que tratava da visão do americano sobre o futebol (o soccer, não o daqui). Entretanto, apenas o meu guia espiritual americano poderia sintetizar com tamanha precisão o sentimento nacional a respeito do esporte bretão. Colbert, nos ilumine, por favor!

The Colbert ReportMon - Thurs 11:30pm / 10:30c
Is it Time to Care About Soccer?
www.colbertnation.com
Colbert Report Full EpisodesPolitical HumorJeff Goldblum


The Colbert ReportMon - Thurs 11:30pm / 10:30c
Is it Time to Care About Soccer? - Alexi Lalas
www.colbertnation.com
Colbert Report Full EpisodesPolitical HumorJeff Goldblum


Abraços!

junho 30, 2009

The Chapel

É quente no verão, mas dá para conseguir boas imagens do campus em Durham nesta época.




Abraços!

Governadores Sumidos

Depois do ocorrido com o Governador dos vizinhos da Carolina do Sul, recomendo que se procure o Vice-Governador do Maranhão a partir da fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina...

Abraços!

junho 29, 2009

Bom Senso 1 x 1000000000 Politicamente Correto

E finalmente o Bom Senso ganhou uma do Politicamente Correto. São os sinais de esperança para o resto do mundo: igualdade de oportunidade é sempre a melhor política.

Abraços!

junho 25, 2009

Michael Jackson: Gonzaguinha Errou

Bom, dadas as recentes notícias, só me resta dizer que Gonzaguinha errou quando escreveu "O Que É, O Que É":


"Eu fico com a pureza das respostas das crianças:
É a vida! É bonita e é bonita!
Viver e não ter a vergonha de ser feliz,
Cantar, e cantar, e cantar,
A beleza de ser um eterno aprendiz.
Ah, meu Deus! Eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será,
Mas isso não impede que eu repita:
É bonita, é bonita e é bonita!"


Lamento, mas eu NÃO FICO com a pureza das respostas das crianças. Afinal, nada mais puro que o canto e a dança do menino aí debaixo. Ele cantava sem ter vergonha de ser feliz, e nem por isto sua vida foi bem melhor. Não devia resultar nisto.





Abraços!

*P.S.: o post vale mesmo que esta história toda seja mais um golpe de marketing, ou alguma tentativa dele fugir dos credores.

junho 22, 2009

"No Balls" no Senado

Sarney ouviu hoje no Senado. E falou:

Depois de ouvir por mais de duas horas discursos de senadores cobrando uma "limpeza" no Senado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta segunda-feira que não foi eleito para "limpar a lixeira da cozinha" da instituição. Ao listar uma série de medidas que adotou em resposta à crise que atinge o Senado, Sarney disse que foi escolhido para presidir politicamente a instituição.


"Eu julguei que, quando fui eleito presidente, era para presidir politicamente a Casa e não para ficar submetido a procurar a dispensa ou limpar o lixo das cozinhas da Casa", afirmou Sarney.

 blog it

E neste momento, eu tenho certeza, nenhum distinto, honorável Senador solicitou um aparte e disse:


"De fato, o senhor não foi eleito para limpar lixeiras do Senado: renuncie, Senador Sarney, renuncie!"


E, assim, um distinto, honorável Senador perdeu, naquele instante, a chance de ser re-eleito com direito à gratidão do país por muitos anos. "No balls" no Senado, "no balls".

Abraços!