janeiro 25, 2009

69 Períodos

Madrugada fria, levantamento de bibliografia. Encontro um paper apresentado em importante congresso. Algo que me interessa, simulações de modelos dinâmicos. O modelo tem acumulação de capital, política monetária, setor externo... mas por algum motivo que eu ainda não entendi, ele é simulado por apenas 69 períodos.

69 períodos. Por que 69? Por que não 70? 68? 25? 4165151? Não é que o modelo apresente alguma convergência depois de 69 períodos: ele é simulado por 69 períodos, e chega! O mundo acaba, para o(s) autor(es) depois de 69 períodos. A chamada Idade Contemporânea, de acordo com a descrição nos livros de história que eu lia no primeiro e segundo graus (agora é ensino básico e médio, não?), começou em 1789. Teríamos, considerando informações anuais, 219 anos. É mais do que 69. Se invertermos o calendário, estamos falando do início dos tempos em 1939. Pode ter relação, quem sabe. Mas, para o(s) autor(es), o mundo acaba depois de 69 períodos.

E se forem, ao invés de 69 anos como assumo, 69 trimestres, 69 meses, 69 quinzenas, 69 dias, 69 segundos? Mas o mundo acaba, para o(s) autor(es) depois de 69 períodos. Nenhuma simulação que dure mais tempo.

O que você faria se soubesse que a sua existência duraria exatos 69 períodos?

E eu aqui, me preocupando com modelos de duração infinita, buscando steady-states, convergência, dinâmicas não-explosivas... para quê??? O mundo acaba em 69 períodos.

Minha cabeça dói. Não consigo entender esta limitação – minha, ou do(s) autor(es). E o paper foi apresentado em importante congresso. Boa noite.

Abraços!

3 comentários:

Cláudio disse...

Pô, de repente o cara é meio taradão e só tem 69 na cabeça...

Angelo M. Fasolo disse...

Quando mostrei o texto para minha esposa, ela fez o mesmo comentário. Muita maldade no ar... risos

Abraço!

Chris disse...

A qualidade das coisas apresentadas naquele "importante" congresso me surpreende ha' tempos... E' cada barbaridade aprovada ali que a gente ate' chora!
Chris