setembro 12, 2007

Mais algumas notas

Tudo bem, ficar um tempo sem postar implica o acúmulo de notícias que acabam por se transformar em pequenas notas, já que não dá tempo de desenvolver todas as idéias com mais calma. Mas vamos lá: tentarei fazer com que seja a última sessão de "curtas e grossas":

1) Começaram as aulas do segundo ano do doutorado. Está muito corrido, mas está muito bom. O calendário está irregular, já que o programa de PhD decidiu separar as cadeiras de um semestre em módulos menores, de meio semestre, para dar maior flexibilidade aos alunos para selecionar os cursos que lhes são mais interessantes. Entretanto, parece que esqueceram de avisar os professores: todos os que estão oferecendo cadeiras de um módulo optaram, óbvio, por dar aulas na primeira metade do semestre. Qual a consequência disto? Estou fazendo 4 matérias até o início de outubro (macroeconomia internacional, economia monetária, econometria III e economia computacional), depois passarei a fazer apenas 2 (macroeconomia internacional e economia computacional), já que dois dos cursos foram reduzidos de um semestre para apenas um módulo. Paciência.

2) Teve jogo da Seleção por aqui, não é? Sabe qual foi o destaque? Nenhum. Fora a transmissão ao vivo em um canal de esportes secundário, não se falou mais nada por aqui da passagem da Seleção no país.

3) Nos esportes, o que foi forte mesmo neste final de semana foi a abertura da temporada de futebol americano profissional (NFL). Uma das cenas mais impressionantes foi de um jogador do Buffalo Bills, Kevin Everett (número 85 no video) que teve lesão na coluna cervical logo após o impacto com outro jogador. As notícias mais recentes dão conta que Everett, quando teve reduzidos os níveis de sedativos, conseguiu fazer movimentos voluntários de braços e pernas. Esta reação, considerada fantástica por muitos médicos deve-se, segundo matéria que li, à injeção de uma solução salina gelada no corpo do jogador logo após a lesão, levando-o ao estado de hipotermia. Segundo pesquisas recentes, este tipo de atendimento no local do acidente reduziria os danos das lesões na coluna cervical.

3) Pela milésima vez, falando de trocas no governo. Podem achar que é perseguição minha, mas os primeiros resultados já começam a aparecer. Primeiro saiu o Marcos Lisboa, depois saíram o Joaquim Levy, Murilo Portugal, Loyo, Afonso Bevilaqua, e não se falou mais nada. Substituindo estes, entre outros, estão Guido Mantega, Luciano Coutinho, Arno Augustin, Mangabeira Unger (responsável pelo IPEA agora), além de figuras efêmeras, como o Júlio Gomes de Almeida (que voltou para o IEDI, depois de passagem na Secretaria de Política Econômica). E não se fala nada! Aí, abro o jornal e leio a seguinte notícia (Painel - Folha de São Paulo - 7/9/2007):

"Não se sabe o que Mangabeira Unger fará no longo prazo, mas, de imediato, decidiu acabar com o Grupo de Conjuntura do Ipea, que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, desde sempre hostilizou por considerar repleto de tucanos. O grupo, no qual se destacam nomes como Fábio Giambiagi, existe há cerca de 30 anos no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que em junho passado migrou do guarda-chuva do Ministério do Planejamento para o da recém-criada secretaria do professor de Harvard. Embora já tenha recebido aval do governo, Mangabeira enfrentará reação externa. Um dos que se movimentam na tentativa de salvar o Grupo de Conjuntura é o ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso."

Isto me lembra de um destes poemas que circulam na internet, de autoria que se tornou desconhecida (se alguém souber, favor enviar) que diz assim:



"Primeiro, eles vieram buscar os comunistas. Não disse nada, pois não era comunista; Depois, vieram buscar os judeus. Nada disse, pois não era judeu; Em seguida, foi a vez dos operários. Continuei em silêncio, pois não era sindicalizado; Mais tarde, levaram os católicos. Nem uma palavra pronunciei, pois não sou católico. Agora, eles vieram-me buscar a mim, e quando isso aconteceu, não havia mais ninguém para protestar."

Bom, estamos chegando perto da hora em que não será mais possível protestar...

4) Ah, sim: obrigado aos amigos do Brasil que me cumprimentaram, ainda que envergonhadamente (através de e-mail, ao invés de post no blog) pelos resultados dos exames de qualificação. A mensagem de vocês foi muito valiosa para mim!

Por enquanto, é isto. Volto para os livros.

Um abraço!

setembro 03, 2007

Ei, Olha Só...

... a gatinha aqui do meu lado está de aniversário!

Beijão para ela! Ela merece!!!

Abraços!

agosto 30, 2007

Camarão, Sushi... e Churrasco!!!

O Shikida postou no seu blog uma nota sobre a discussão no blog de Lewitt a respeito do aumento do consumo de camarão nos Estados Unidos. O problema foi apresentado por um apreciador do "Sushinomics" a respeito das questões do "Shrimponomics" – junto-me aos dois: sashimi de camarão é ótimo! Depois de ler o comentário do Lewitt, me peguei escrevendo quase um texto inteiro na área de comentários do Degustibus. Achei melhor trazer aquelas observações para cá.

Lewitt levanta uma hipótese sobre o lado da oferta de camarão como justificativa para o aumento do consumo do mesmo. Segundo ele, a melhor tecnologia para pesca e criação de camarão por aqui permite que a oferta aumente, fazendo com que os preços caiam. Entretanto, quero deixar aqui um exemplo – experiência própria – que traz justamente um reforço para o lado da demanda. Existe um restaurante de comida asiática aqui perto de casa que serve um ótimo macarrão chinês. É possível escolher se o macarrão vem com carne, camarão ou galinha. O importante aqui é o preço: pedir o macarrão com camarão custa a mesma coisa que com carne – com galinha, é um dólar mais barato. Dado (a ausência de) o gosto da carne por aqui – dizem que é por causa do excesso de hormônios – a minha escolha acaba sempre sendo pelo camarão.

A hipótese de mudança dos gostos é reforçada justamente pelo sucesso que outro restaurante faz por aqui: a Chamas Churrascaria, restaurante de donos brasileiros, importa parte da sua carne com os cortes exatamente iguais aos do Brasil, e ainda complementa o cardápio com cordeiro trazido da Nova Zelândia. Ou seja, uma melhora no gosto da carne servida por aqui, ainda que com um preço mais elevado, é suficiente para manter uma clientela cativa.

Voltando para a microeconomia, é como se tivéssemos a escolha do consumidor entre três produtos: camarão, carne boa (brasileira) e carne ruim (americana). Quando colocado para escolher entre carne ruim e camarão, o consumidor americano escolhe camarão. Quando entra na lista de possibilidades a carne boa, o consumidor diversifica entre carne boa e camarão. A carne americana, assim, é um exemplo clássico de bem inferior: os mais pobres, que não possuem condições para ir à churrascaria, ficam com o camarão, e os muito pobres limitam-se à escolha de carne.

Um abraço!

agosto 28, 2007

Recordando

Duas notas curtas, relembrando temas que eu já tinha falado por aqui:

1) Lembram quando eu falei de uma página que eu tinha na universidade? Agora está atualizada, inclusive com o endereço da minha sala no prédio!!! Veja aqui.

2) Lembram que eu falei do free lunch que a Apple estava oferecendo com o iTunes U? Pois bem, a primeira contribuição à pagina da Universidade pelo Departamento de Economia veio em altíssimo nível: faça o download pelo iTunes e ouça no seu iPod, computador ou outro mp3 player o discurso de Frederic Mishkin sobre globalização durante o NASM 2007.

É necessário o iTunes para isto, mas vale muito a pena.

Abraço!

agosto 27, 2007

O Mundo me Vendo pela Janela

As minhas férias de verão de um dia: vim, vi, estou vencendo.


Abraços!

agosto 25, 2007

Renan Calheiros e Chewbacca

As respostas do atual presidente do Senado tentando se defender de inúmeras acusações está me lembrando um episódio bastante antigo de South Park, quando o Chef faz uma acusação de plágio de suas músicas contra uma gravadora, e esta contrata o advogado de O.J. Simpson para defendê-la na corte. No dia do julgamento, o advogado Johnnie Cochran usa a "defesa Chewbacca" para derrotar o Chef. Em uma tradução livre, a defesa foi a seguinte:

"Senhoras e senhores do suposto juri, o advogado do Chef gostaria certamente que vocês acreditassem que o seu cliente escreveu "Stinky Britches" dez anos atrás. E eles têm uma boa causa. Diabos, eu quase fiquei com pena! Entretanto, senhoras e senhores deste suposto juri, eu tenho uma consideração final para fazer. Senhoras e senhores, este é Chewbacca. Chewbacca é um Wookiee do planeta Kashyyyk. Mas Chewbacca vive no the planet Endor. Agora, pense sobre isto; ISTO NÃO FAZ SENTIDO! Por que um Wookiee, um Wookiee de oito pés de altura, quer viver em Endor, com um bando de Ewoks de dois pés? ISTO NÃO FAZ SENTIDO! Mas mais importante, vocês devem se perguntar: o que isto tem a ver com o caso? Nada. Senhoras e senhores, isto não tem nada a ver com este caso! Isto não faz sentido! Olhem para mim. Eu sou um advogado defendendo uma grande gravadora, e eu estou falando sobre Chewbacca! Isto faz sentido? Senhoras e senhores, eu não estou fazendo sentido algum! Nada disto faz sentido! E então vocês têm que lembrar, quando estiverem deliberando e recitando a Emancipation Proclamation, isto faz sentido? Não! Senhoras e senhores deste suposto juri, ISTO NÃO FAZ SENTIDO! Se Chewbacca vive em Endor, vocês devem inocentar a gravadora! A defesa encerra."


Renan parte para o argumento de intromissão na sua vida particular, seguido das explicações sobre os ganhos com gado, para em seguida tratar das casas que compraram carne das suas fazendas. Tudo isto para justificar a questão original: é ético usar um lobista para pagar em dinheiro vivo as suas contas? Senador, lamento, mas ISTO NÃO FAZ SENTIDO!

Abraços!

P.S.: para lembrar a "defesa Chewbacca", ver aqui e aqui.

Atrasado

Muita coisa ficou para trás, tive que abrir mão do tempo de blog para dedicação exclusiva aos livros. Assim, algumas notas, com comentários breves:

1)
"Vocês vejam que absurdo, tem gente que critica o Bolsa Família como um programa assistencialista, porque a gente está dando o direito dos mais pobres comerem. Agora, essas mesmas pessoas que criticam o Bolsa Família não criticam uma bolsa de 2 mil dólares que a gente paga para um doutor se formar no exterior."
Aviso ao senhor Presidente da República: eu ganho mais do que este valor para estar aqui – e nem por isto fico sem dizer que o programa Bolsa Família, da forma como está desenhado hoje, é um esmolão caçador de votos.

2) Shikida lembrou, no dia 21 de agosto, 7:42am, que as notas de aula em economia internacional do Professor Uribe estão disponíveis na internet: aulas começam na segunda-feira, 8:30 da manhã.

3) Ainda da viagem a NY, no final de julho, uma foto que eu queria ter postado, da entrada do "Museu do Sexo". Detalhe para o aviso na placa: "Favor não tocar, lamber, acariciar ou montar nas peças".



4) Se um gaúcho afirma que o por-do-sol abaixo, em New Jersey, não se compara ao que vemos no rio Guaíba, é bairrismo. E quando um carioca tenta estabelecer alguma comparação entre Times Square e o calçadão de Copacabana, deixando subentendido que a diferença entre os dois lugares é apenas a violência? E olha que este comentário não é dor de cotovelo por ele ter experimentado a sopa do nazista de Seifeld: outras pérolas aparecem ao longo dos posts sobre sua estadia em NY, tal como a "intolerância" do americano que não mora na cidade. Se ele tivesse noção do respeito que as pessoas têm por quem vem para cá, por exemplo, para estudar, a opinião dele seria bem diferente.



5) A seleção americana de basquete está dando uma lavada em Las Vegas no torneio pré-olímpico masculino das Américas. Se eu tivesse tempo, daria uma chegada por lá: ida para Las Vegas, com hotel e avião, é muito mais barato do que para NY.

6) O blog deve passar por algumas mudanças, resultados de recursos novos que o Blogger está disponibilizando. Entre elas, a ampliação dos links na barra lateral e pesquisas de opinião para os meus três leitores decidirem sobre o futuro da humanidade em questões de extrema relevância.

Um abraço!

P.S.: Desculpe, Shikida, mas tá ruim de indicar posts do teu site.

Uma Pequena Vitória

Depois de um ano, finalmente, três conquistas:

1) Reconhecimento (ainda que a bolsa da CAPES, por opção do departamento, não me permita assumir o posto).


2) O alívio de ver o trabalho recompensado:


3) A certeza de que os amigos sempre estiveram comigo neste que foi o pior mês da minha vida.

Obrigado a todos!

Abraços!

agosto 21, 2007

Numb

By U2

Don't move
Don't talk out of time
Don't think
Don't worry
Everything's just fine
Just fine

Don't grab
Don't clutch
Don't hope for too much
Don't breathe
Don't achieve
Or grieve without leave

Don't check
Just balance on the fence
Don't answer
Don't ask
Don't try and make sense

Don't whisper
Don't talk
Don't run if you can walk
Don't cheat, compete
Don't miss the one beat

Don't travel by train
Don't eat
Don't spill
Don't piss in the drain
Don't make a will

Don't fill out any forms
Don't compensate
Don't cower
Don't crawl
Don't come around late
Don't hover at the gate

Don't take it on board
Don't fall on your sword
Just play another chord
If you feel you're getting bored
I feel numb
I feel numb
Too much is not enough
I feel numb
Don't change your brand Gimme what you got
Don't listen to the band
Don't gape Gimme what I don't get
Don't ape
Don't change your shape Gimme some more
Have another grape
Too much is not enough
I feel numb
I feel numb
Gimme some more
A piece of me, baby
I feel numb
Don't plead
Don't bridle
Don't shackle
Don't grind Gimme some more
Don't curve
Don't swerve I feel numb
Lie, die, serve Gimme some more
Don't theorize, realise, polarise I feel numb
Chance, dance,dismiss, apologise Gimme what you got
Gimme what I don't get
Gimme what you got
Too much is not enough
Don't spy I feel numb
Don't lie
Don't try
Imply
Detain
Explain
Start again I feel numb
I feel numb
Don't triumph
Don't coax
Don't cling
Don't hoax
Don't freak
Peak
Don't leak
Don't speak I feel numb
I feel numb
Don't project
Don't connect
Protect
Don't expect
Suggest
I feel numb
Don't project
Don't connect
Protect
Don't expect
Suggest
I feel numb
Don't struggle
Don't jerk
Don't collar
Don't work
Don't wish
Don't fish
Don't teach
Don't reach
I feel numb
Don't borrow Too much is not enough
Don't break I feel numb
Don't fence
Don't steal
Don't pass
Don't press
Don't try
Don't feel
Gimme some more
Don't touch I feel numb
Don't dive
Don't suffer
Don't rhyme
Don't fantasize
Don't rise
Don't lie
I feel numb
Don't project
Don't connect
Protect I feel numb
Don't expect
Suggest

Don't project
Don't connect
Protect I feel numb
Don't expect
Suggest

I feel numb

agosto 02, 2007

50 Vezes

Caiu uma ponte em Minneapolis, norte dos Estados Unidos, como vocês já devem estar sabendo. Por enquanto, estão confirmadas quatro mortes. Bush já falou na tevê (dia seguinte à tragédia), oferecendo solidariedade à família das vítimas e dizendo que ligou para o governo do estado de Minnesota.

No Brasil, morreram duzentos em um acidente aéreo. Tendo em vista que morreu um número de pessoas 50 vezes maior no acidente da TAM que no acidente americano, isto significa que a resposta de Lula deveria ser 50 vezes mais rápida? Não, já que, no extremo, um atentado como o do 11 de setembro deveria levar a manifestações quase imediatas, o que é fisicamente impossível.

Entretanto, a vergonha que sentimos vendo a solidariedade oficial prestada de forma tão pronta é 50 vezes maior que a que sentimos ao falar com amigos daqui, explicando como é possível dois aviões caírem em um espaço de dez meses no mesmo país.

Abraços!

P.S.: atualização: não apenas Bush apareceu no dia seguinte, como ele vai ao local do acidente.

julho 27, 2007

Infeliz

Somente aqueles que são colonizados intelectualmente, somente aqueles é que chegam no exterior pensando em fazer discurso em estrangeiro. Quando você vê, na televisão, alguém num fórum internacional, um brasileiro falando a língua do outro, primeiro, é um metido à besta.


Luiz Inácio Lula da Silva - 27/07/07


Eu falo inglês porque estudei. Ele não fala nem português porque é arrogante o suficiente para nunca ter feito o esforço de aprender!

Abraços!

Engarrafamento Aéreo é Coisa de Pobre

Quanta diferença!

Quando fizemos a viagem para New York, as passagens foram emitidas em nome da Chris, já que ela tinha um cartão fidelidade da Delta Airlines e poderia aproveitar as milhas. Hoje, ela recebeu um e-mail com os seguintes termos:


From: Delta Air Lines
Subject: Help Us Fly To The Far East

Delta has requested approval from the U.S. Department of Transportation to offer you the first and only nonstop flights between the Southeast's "capital" of Atlanta and China's financial and political capitals of Shanghai and Beijing. These new flights would fill a critical void in air travel today — the lack of service between the Southeastern United States and China.

What would our new China service mean for you? Improved access, convenience and service to one of the world's fastest growing leisure and business travel destinations, as well as:
    • Nonstop or one-stop access to China for customers in nearly 150 destinations across the U.S. — thanks to extensive connections available at the world's largest and fastest growing airline hub in Atlanta.

    • The latest in creature comforts, including completely flat seating planned for the BusinessElite® cabins of new Boeing 777 aircraft flying this route, beginning as early as March 2008.

We hope you will join us in supporting our efforts to make Delta and Atlanta the next gateway to China. You can do so by visiting nextgatewaytochina.com and signing our online petition. Thank you in advance for your support, and, as always, thank you for choosing Delta.

Ou seja, com a maior educação possível, seguindo todos os protocolos imagináveis, uma empresa aérea americana que quer colocar um vôo entre o sul dos Estados Unidos e a China tem que apresentar alguma medida da demanda por esta conexão.

Enquanto isto... em um certo país, aqueles que juravam estar diminuindo o fluxo de vôos para o aeroporto de maior movimentação da América Latina ainda não vieram a público explicar (talvez por falta de curiosidade da imprensa em perguntar, ou porque todo mundo já sabe que vai ouvir algum desaforo "top-top-top" de volta) porque este edital de 2006 ampliava o número de vôos circulando pelo dito aeroporto. Detalhe para a contradição: mesmo que os outros órgãos dessem condições técnicas para mais pousos e decolagens no aeroporto, se existisse uma política de redução do número de operações, este edital deveria, no máximo, fazer uma realocação dos horários de operação.

É incrível, mas o acidente da TAM só serviu para constatar uma tragédia: excesso de movimento em aeroportos é coisa de país pobre, que não tem condições de construir outros, e cujos responsáveis pela área distribuem vôos com a mesma naturalidade que se respira. Em país rico, no mínimo, um abaixo-assinado para medir a demanda pelo espaço aéreo solicitado pela empresa.

Abraços!

P.S.: Ah, e antes que se diga que era redistribuição dos espaços de outra empresa que faliu, note que foram adicionados vôos aos 50 originais que a falida tinha direito.

Angelo em Duke, Versão South Park



Figura criada aqui: http://www.sp-studio.de/

Abraços!

julho 24, 2007

Words of Wisdom

— Outside of a dog, a book is a man's best friend. Inside of a dog, it's too dark to read.
— Hey, what are you doing inside a dog, perv?!?!?!



Abraços!

julho 20, 2007

Medalhas?!?!?!?!

No Brasil, premia-se o construtor de restaurante de aeroporto com Medalha de Mérito Santos-Dumont - depois de um desastre aéreo. Durma-se com esta.

O último que sair, favor apagar a luz.

Abraços!

P.S.: estão achando que é piada, ou montagem de O Globo? Então olhem aqui.

julho 19, 2007

LFV - Vergonha!

Trecho lamentável da coluna de Veríssimo na Zero Hora e O Globo de Hoje:


Era notório o entusiasmo pelo nazismo em setores da aristocracia inglesa, por exemplo[...] Não tardou para Hitler desiludir seus apologistas e a guerra falsa se transformar em guerra mesmo, todos contra o fascismo. Mas por algum tempo os nazistas tiveram seu coro de admiradores bem-intencionados na Europa e no resto do mundo - inclusive no Brasil do Estado Novo. Mais tarde estes veriam, em retrospecto, do que exatamente tinham sido cúmplices sem saber. Na hora, aderir ao coro parecia a coisa certa.
[...]
Se esses dois exemplos ensinam alguma coisa é isto: antes de participar de um coro, veja quem estará do seu lado. No Brasil do Lula é grande a tentação de entrar no coro que vaia o presidente. Ao seu lado no coro poderá estar alguém que pensa como você, que também acha que Lula ainda não fez o que precisa fazer e que há muita mutreta a ser explicada e muita coisa a ser vaiada. Mas olhe os outros. Veja onde você está metido, com quem está fazendo coro, de quem está sendo cúmplice. A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece.


Se eu entendi direito, os que vaiaram Lula no Maracanã poderiam estar iludidos em seus atos, tanto quanto os europeus que aplaudiram Hitler contra os comunistas. Ainda de acordo com o colunista, antes de vaiar, seria importante procurar as "companhias", que seriam "preconceituosas" e "reacionárias" auxiliando a vaiar o presidente. Pergunto: existe algo mais reacionário que Sarney, Renan, Delfim, Michel Temer, só para ficar nos mais notórios?

Tivesse eu a chance e olhasse para os lados, não teria dúvida sobre o que fazer no Maracanã. Veríssimo também não. Entretanto, não estaríamos do mesmo lado.

Abraços!

julho 18, 2007

Ele Disse...

"Esqueçam o que eu escrevi", na versão Lula:

Eu, Artur, pego a minha experiência de 20 anos no movimento sindical, e fico olhando a quantidade de coisas que eu falei e falava porque era moda falar, mas que não tinham substância para sustentar na hora em que você pega no concreto. Na hora em que você entra no “pão-pão, queijo-queijo” tem uma diferença, e tem determinadas coisas que não podem ser um debate eminentemente ideológico, ele é real.


Para consulta ao original, aqui, no meio da página 4. Com áudio disponível, aqui, na reunião do dia 17 de julho de 2007.

Abraços!

Macabra Gramática

Trecho de reportagem da Folha de São Paulo de hoje (18/07/07 – "Depois da "tristeza", presidente mostra bom humor e faz brincadeiras no Planalto"):

Por fim, Lula fez uma de suas tiradas prediletas, ao dizer que sempre repete muitas vezes uma palavra difícil, depois que aprende a dizê-la. Já houve a fase do "sine qua non" (essencial) e a de "transesterificação" (processo para a produção de biodiesel). Ontem, foi a vez de "inexorável", citada quatro vezes no discurso improvisado.
"Quero dizer para vocês que também é inexorável – de vez em quando eu aprendo uma palavra difícil e a repito muito, inexorável eu acho o máximo – a sustentabilidade do crescimento econômico brasileiro."


Olhando para a gramática governista, o adjetivo que o presidente aprendeu, infelizmente, parece qualificar apenas sujeitos como "incompetência governamental", "ocupação política de cargos", "corrupção" e, de forma trágica, "acidentes aéreos".

Triste.

Abraços!

P.S.: diga-se, para evitar problemas de entendimento, que a matéria trata da tristeza presidencial após as vaias no Maracanã, mas antes do acidente aéreo.

julho 17, 2007

Acidente Aéreo

Sempre senti um frio na barriga ao chegar em Congonhas: a sensação de mergulhar em meio a prédios e ver o avião fazendo toda uma sequência de esforços para tentar parar sobre a pista me deixava apreensivo. Só me restava agarrar forte o banco do avião e torcer pela perícia do piloto da aeronave. O frio na barriga foi sempre (felizmente) seguido do alívio do anúncio de "Bem-vindos a São Paulo".

Entretanto, nenhum aeroporto que eu tenha conhecido dá uma sensação combinada de pavor e admiração em um procedimento de decolagem/pouso do que o de Santiago, no Chile. Quando estivemos por lá, chegamos à noite, era impossível ver o que se passava no lado de fora do avião. Apenas na volta para o Brasil nos demos conta do que acontecia ao nosso redor. Antes, um pouco de geografia: a foto abaixo mostra a localização da cidade de Santiago, em torno das montanhas que formam os Andes.



Imaginem um avião no seu procedimento de subida: dá para ouvir os motores trabalhando forte, alguma tensão na cabine, já que não é permitido a ninguém, nem a tripulação, sair dos seus assentos... Agora, imaginem que este esforço segue por 15, 20 minutos, meia hora, 40 minutos... E, ao abrir a janela do avião, a visão das montanhas dando a impressão de que não saímos do chão, que as montanhas crescem na mesma velocidade em que o avião se desloca. A vista é absolutamente deslumbrante, os picos nevados são lindos, mas a sensação do avião fazendo o seu esforço para atingir a altitude necessária e ninguém se mexendo no vôo é agoniante.

Fiquei curioso: quantos acidentes ocorreram neste aeroporto, em que, mais do que em qualquer outro lugar, a falha humana não perdoa? Respostas aqui. Dica: eu não era vivo no último acidente em Santiago.

Abraços!