maio 04, 2008

O Ressurgimento do Camelo

"Há uma questão que a muito tempo me incomoda:
Qual será a vantagem de se ter uma ou duas corcovas?
O que iremos formular é somente um questionário:
Qual diferença haverá entre o dromedário e o camelo?
E entre o camelo e o dromedário?"


(Fromer, Bellotto, Reis e Miklos - "O Camelo e o Dromedário")

Talvez em um delírio típico dos anos 80, os Titãs já se perguntavam sobre as características destes animais em vias de extinção. Pois quem disse que o preço alto do petróleo não serve para alguma coisa? Saiu no Financial Times:
clipped from www.ft.com
As the cost of running gas-guzzling tractors soars, even-toed ungulates are making a comeback, raising hopes that a
fall in the population of the desert state’s signature animal can be reversed.
“It’s excellent for the camel population if the price of oil continues to go up because demand for camels will also go up,” says Ilse Köhler-Rollefson of the League for Pastoral Peoples and Endogenous Livestock Development. “Two years ago, a camel cost little more than a goat, which is nothing. The price has since trebled.”
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Vejam a grande análise econométrica possível: a substitutibilidade entre tratores e camelos na agricultura do Rajasthan. Já vejo sistemas de equações estimados tendo o preço do petróleo como variável explicativa da demanda por camelos no interior da Índia.

Também merece uma menção a sutileza da taxa de câmbio estabelecida pelo entrevistado: um camelo valia um pouco mais que um bode!!!! E agora, notem a tendência de apreciação da mercadoria, um camelo vale cerca de três bodes ("The price has since trebled.")!!! Para que eu vou gastar meu dinheiro aplicando em Reais contra o Dólar: o grande negócio do mundo é comprar camelos no interior da Índia!

Espero que este "boom" esperado na reprodução dos camelos resulte em alguns exemplares para os zoológicos. Seria muito mais útil do que o espaço gasto em um jornal como o FT.

Este doutorado ainda me mata.

Abraços!

maio 01, 2008

Mensagem ao Sr. Presidente

"O que é importante é que não é o real que está se valorizando diante do dólar, o que é importante é que o dólar está se desvalorizando diante de todas as moedas do mundo. (...) Eu até brincava, outro dia, qual é a agência que está medindo o risco americano? Porque com a crise do suprime que, na verdade, não passa de uma dívida imobiliária, ninguém mediu risco o americano, o FMI não foi lá dar um único palpite na economia americana. E o que nós recebemos agora é apenas o aval de que nós passamos a ser donos do nosso nariz em determinarmos as políticas que acharmos convenientes para o Brasil."


Presidente,

Com todo o respeito que o seu cargo merece, e que os seus assessores também merecem, vou me conceder uma pequena liberdade. Sei que o Estado brasileiro paga pelos meus estudos aqui, em troca de quatro anos de serviços e pesquisas junto ao Banco Central do Brasil - ao que sou muito grato - mas têm certas coisas que eu acredito que meus colegas de serviço público não estão fazendo direito. E por não fazerem direito é que me concedo a liberdade de gastar parte do meu tempo aqui para lhe explicar alguns conceitos e falar um pouco de história. Eu sei que o senhor pode achar o tema chato, mas mais chato ainda, como cidadão, é ver um representante do povo mal assessorado.

Presidente, o "risco-Estados Unidos", mencionado em seu discurso nas Alagoas, por conceito, é igual a ZERO. Pretendo, primeiro, explicar a convenção, e depois tratar dos motivos que levam a esta convenção. Tratando do primeiro ponto (o conceito), o risco de um país é medido através da diferença entre as taxas de juros reais do país e uma taxa de juros real que possua risco de calote, "default", igual a zero. E aqui vem a convenção: os economistas adotam, como taxa de juros sem risco de calote, a taxa de juros dos Estados Unidos. Logo, o "risco-Estados Unidos" corresponde à taxa de juros dos Estados Unidos subtraída da taxa de juros dos Estados Unidos! Se minha matemática não falha, esta conta é igual a ZERO, como afirmei no começo do parágrafo.

Agora, um pouco de história. Por que os economistas escolheram os juros americanos como medida de taxa de juros sem risco de calote? Presidente, eu sei que isto lhe parece estranho, mas recessões e crises fazem parte de países capitalistas. Muitos assessores seus (não os do Estado, mas aqueles que lhe acompanham faz tempo) dizem, a cada recessão daqui, que o fim do capitalismo está próximo, pois os Estados Unidos darão um grande calote no resto do mundo (se o senhor tiver tempo, pode ler o meu comentário sobre isto aqui). Entretanto, os Estados Unidos nunca "pediram auditoria na dívida externa", nem "propuseram plebiscito sobre o pagamento do acordo com credores", entre outras medidas "alternativas" diante de uma recessão.

Por que estas medidas não prosperaram por aqui? Fico com a opinião de um ex-professor daqui com nome famoso, que em sala de aula declarou: "A coisa mais importante que os fundadores da república fizeram neste país ao escrever a Constituição não foi este monte de bobagens sobre liberdades e direitos civis. A coisa mais importante escrita na Constituição Americana foi a obrigação do governo americano em pagar todas as dívidas das colônias junto à Inglaterra. Por isto os Estados Unidos não são..." E aí ele desandou a falar impropérios não publicáveis a respeito de certas economias ao sul do Equador.

A despeito de sua incontinência verbal, meu professor levantou um ponto importante: se um novo país estava sendo constituído a partir daquela Constituição, por que as dívidas de cada membro que forma o novo Estado deveria ser reconhecida? De fato, existia uma pressão muito forte por parte dos industriais do novo país em usar os recursos emprestados pela Inglaterra para satisfazer suas necessidades sem precisar efetuar o pagamento em retorno. Aí veio o Artigo Sexto da Constituição Americana:

clipped from www.law.cornell.edu
All debts contracted and engagements entered into, before the adoption of this Constitution, shall be as valid against the United States under this Constitution, as under the Confederation.
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Ops, desculpe, Presidente: faço a tradução. "Todas as dívidas contraídas e compromissos firmados, antes da adoção desta Constituição, devem ser válidos contra os Estados Unidos sob esta Constituição, tal como sob a Confederação". Acho que não é possível ser mais claro, não é?

Agora, comparemos com o histórico de um país hipotético, localizado ao sul do Equador, ainda na América. Este país possui um brilhante economista que resolve documentar o seu histórico do endividamento externo nos dez primeiros anos a partir da fundação da República. O que ele encontra como primeira medida do novo governo republicano? Calote. Outros economistas resolvem fazer estudos sobre este país hipotético e constatam que o país hipotético deu calote, só na dívida externa, SETE vezes em espaço de 175 anos. Note que o número se refere apenas à dívida externa: se verificarmos que também existem calotes da dívida interna, este número sobe mais um pouco.

Assim, Presidente, trazendo de novo para o mundo real, se o senhor tivesse um dinheirinho sobrando, onde aplicaria? Em um país cuja a lei o obrigou a cumprir todos os seus contratos desde o seu nascimento, ou no nosso país hipotético, onde mudanças costumam gerar comportamentos "revolucionários" por parte dos novos ocupantes do palácio de governo? Acho que a resposta é óbvia, não? Não? (Presidente, acorde, Presidente!!! Eu sei que não estou falando do Corinthians, mas estou me esforçando nas metáforas, Presidente! Obrigado!)

Por isto, Sr. Presidente, não fale mais em "risco-Estados Unidos": além de uma bobag..., ops, um erro pela falta de informação dos seus assessores, isto só reflete um recalque diante da história de um país que deu certo. Espero que seus assessores sejam mais cuidadosos ao preparar seus discursos. Fico envergonhado ao ver o senhor falando estas coisas, seja pelos seus assessores (que não lhe explicam estes detalhes), seja como contribuinte (que exige que o senhor seja bem assessorado para não fazer papel de bobo).

Grato pela atenção, e desculpe tomar-lhe o tempo.

Abraços!

Grandes Momentos do Investment Grade

Fazer as coisas da forma correta costumam dar bons resultados. Também deixar de fazer coisas erradas ajuda a não fazer coisas erradas. Nesta semana, todo mundo sabe, o Brasil passou as ser considerado "investment grade" pela agência Standard & Poors. De acordo com a diretora da agência, "a política econômica pragmática do Brasil indica que o País tem uma perspectiva de crescimento mais forte no futuro e que deve ser sustentável". Além disso, de acordo com a matéria do Estadão:

Lisa afirmou que acredita que a política econômica desenvolvida pela administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve continuar no longo prazo. Tal política é sustentada pelo regime de metas de inflação, austeridade fiscal e câmbio flutuante. "Essa ação do governo gera as bases para mitigar o tamanho da dívida pública em relação ao PIB no Brasil, que é maior do que em outros países que já são investment grade", disse.


Vamos, então, aos depoimentos de atores fundamentais para a obtenção de tamanho reconhecimento dos mercados:

— "Vou citar cinco diretrizes programáticas, sobre as quais há um razoável grau de consenso na frente e das quais emergirão decisões técnicas, de governo, quando governarmos: 1) redução drástica das importações supérfluas e predatórias, com o impulsionamento da produção de máquinas e equipamentos, para privilegiar a criação de um mercado interno de massas; 2) renegociação e reescalonamento da dívida pública, interna e externa, combinando essas ações com a denúncia do acordo atual com o FMI; 3) reforço do sistema financeiro público e adoção de um circuito de crédito, por fora do sistema bancário tradicional, para estimular novas empresas e proporcionar a qualificação tecnológica das pequenas e médias empresas já existentes; 4) reforma agrária e política agrícola, que combinem a produção de alimentos para o mercado interno com uma agricultura mais competitiva (e protegida, como fazem os EUA e a França) para disputar o mercado externo; 5) reforma fiscal e tributária para adotar forte progressividade e também acabar com a guerra fiscal e simplificar o sistema." (Tarso Genro - Folha de São Paulo - 14/09/1999)

— "Nunca houve uma palavra minha contra o Copom. O Copom é um órgão eminentemente técnico. A única coisa que eu falo é que a decisão não é técnica, é política. Por quê? Porque, por princípio, responsabilidade não se transfere. Você pode delegar autoridade a um ministro e ao Copom, mas não lhes transfere a responsabilidade pelos resultados." (José de Alencar - Folha Online - 15/12/2005)

— "Esse instrumento é danoso para a nossa economia. É responsável pelo fato de estarmos gritando aqui ou nas casas onde não há pão. E precisamos crescer e reduzir esses juros a um patamar de padrão internacional. Estamos pagando dez vezes a taxa média básica real do mundo. Dez vezes. Isso é um crime." (Ainda José de Alencar, sobre os juros no Brasil - Folha Online - 15/12/2005)

— "Essas taxas de juros elevadas, despropositadas, têm contribuído para esse câmbio, que é um câmbio burro, que prejudica a economia brasileira, prejudica a capacidade competitiva da indústria nacional, porque ele está errado". (Mais José de Alencar, Folha Online - 28/11/2005)

— "As políticas monetária e cambial são restritivas, e a TJLP não estimula o investimento". (Guido Mantega, então presidente do BNDES - 26/11/2005)

— "Esses bancos de investimentos têm se equivocado com frequência e orientado mal seus clientes. Antes da crise argentina, o risco daquele país, na avaliação deles, era menor que o do Brasil, o que se provou errado." (Guido Mantega, então professor da FGV/SP e assessor do PT - Folha Online - 30/04/2002)

— "O Morgan Stanley era o banco ao qual pertencia o Francisco Gros [ex-presidente da Petrobras e ex-presidente do BNDES, na gestão tucana], por exemplo. Esses bancos costumam mais é especular e ganhar dinheiro com suas avaliações, como ocorreu recentemente com as taxas de juros." (Aloízio Mercadante - Folha Online - 30/04/2002)

— "O trabalho do ex-ministro Palocci e do Meirelles foi fundamental para o país. Nós não estaríamos podendo debater crescimento econômico hoje se não tivesse feito ajuste fiscal severo, reforma previdenciária e tributária. Só que, daqui para frente, nós não temos que continuar aumentado superávit primário, temos que fazer ajuste fiscal para aumentar o investimento público." (Aloízio Mercadante - Folha Online - 10/11/2006)

— "Se nós queremos migrar para uma economia saudável, precisamos necessariamente focar o nosso futuro na redução da relação dívida/PIB, mesmo que isso signifique meta de inflação um pouco menos apertada." (Ricardo Berzoini - Folha Online - 18/02/2005)

E teriam muitas outras declarações deste nível. Às vezes, deixar de fazer a coisa errada é a melhor solução para os problemas.

Abraços!

abril 30, 2008

Novidade

Olha aí, pessoal: na barra direita do blog, um aplicativo para ouvir uma pequena seleção musical minha. Prometo mantê-la mais atualizada que o blog... rsrsrsr

Abraços!

abril 29, 2008

Chatice

Já que me cobraram uma opinião sobre futebol, segue.

Alguém assistiu Barcelona e Manchester United hoje à tarde? Não sei se é o fato de não ver futebol a muito tempo, mas achei o jogo uma das coisas mais chatas já transmitidas pela televisão nos últimos tempos! Excetuando os últimos três minutos de jogo, com a (quase) pressão do Barcelona, o resto foi uma dor de assistir.

Abraços!

abril 24, 2008

Novas Aquisições

Pacote da Amazon chegou hoje, e isto é sempre uma boa notícia. Duas aquisições:

1) Do show que fomos assistir no ano passado, o álbum ao vivo: Rush, no cd da turnê Snakes and Arrows de 2007. Grande pedida, complemento para a coleção, além das versões ao vivo de músicas mais antigas (Witch Hunt, Circumstances, entre outras).


2) Definido na capa como uma "monografia", o novo livro do Galí, "Monetary Policy, Inflation, and the Business Cycle" é um excelente guia para estudo de política monetária. Linguagem menos rebuscada que o Woodford, mas com certeza um livro muito completo nos fundamentos dos modelos com sticky-prices. Também explora muito as comparações entre função de impulso-resposta a cada evolução do modelo básico, além de questões de bem estar no uso de regras de política monetária. Um "must have", com certeza.



Abraços!

Mais "Haroldo Oficioso"

Mais uma vez,texto excelente do Sérgio Malbergier, Editor de Economia da Folha. Quando falo de instituições de Estado, ele dá um bom resumo das consequências do que pode dar errado.

Abraços!

abril 19, 2008

China vs Tibet em Duke

Já escrevi uma vez, creio, que o condomínio onde moro é chamado, ironicamente, de Chinatown, devido à quantidade de famílias orientais que moram por aqui. Os chineses daqui possuem uma noção muito particular de propriedade no que diz respeito ao espaço compartilhado do condomínio. Exemplo do que digo, é normal ver brinquedos infantis, poltronas velhas e instrumentos de trabalho jogados no pátio do condomínio. Como as crianças chinesas compartilham os brinquedos, os pais se dão o direito de mantê-los à disposição de todos, à vista de todos, mesmo que esteja na área comum. Da mesma forma, as poltronas velhas, como são ocupadas pelos idosos para suas conversas, ficam em áreas que deveriam ser de livre trânsito dos moradores. Outro exemplo são as hortas cultivadas pelos idosos nos fundos da casa. Christiane odeia isto, mas um pedaço do nosso jardim foi ocupado por nosso vizinho para a sua horta de tempero verde e salsinha. Eu não reclamo: não cuido, não tenho tempo para cuidar do jardim. Entretanto, sim, me sinto atingido, pois, afinal, é um espaço a que tenho direito por estar alugando a casa.

Toda esta longa introdução serve para contar um episódio que ainda dá o que falar por aqui. No dia dos protestos contra a passagem da tocha olímpica por São Francisco, um grupo de estudantes de Duke resolveu organizar um protesto contra a violação dos direitos humanos no Tibet. Ao saber do protesto, a Associação de Estudantes Chineses da universidade organizou um movimento a ser realizado na mesma hora, no mesmo local (em frente à igreja da universidade) e com um número muito maior de participantes, buscando, nas palavras de um dos seus organizadores, "expressar o desacordo quanto às intenções de misturar política com Olimpíadas e boicotar as Olimpíadas de Beijing com base em desculpas políticas baseadas em fatos distorcidos".

Sinceramente, não me incomoda o fato de existir um protesto pró-China, um protesto pró-Tibet, ou qualquer protesto. De fato, não dou a menor importância para a questão China-Tibet, outros assuntos me interessam mais. Agora, a reação dos chineses ao protesto me incomodou, não por ter sido feita, mas por se sobrepor à manifestação em uma área pública que havia sido originalmente reservada para isto. Os gritos de "liars, liars" e a sobreposição de bandeiras, por mais que argumentem o contrário, eram uma forma agressiva de mostrar o seu ponto de vista: se sou contra uma posição, por que tenho que impedir meu oponente de falar?

E aqui volto ao ponto do comportamento chinês em áreas comuns: a despeito da área em frente à igreja da universidade ser pública, ela tinha sido reservada pelos protestantes pró-Tibet para aquele dia, aquele horário. Da mesma forma que uma área da minha residência foi ocupada para que uma horta fosse plantada (possivelmente, os meus vizinhos idosos não concordam com o uso que dou para a terra), colegas chineses invadiram uma área reservada (a partir do instante em que foi reservada, o ato caracteriza uma invasão) para que o ato fosse abafado. Mais do que isto, notícias dão conta que uma das garotas chinesas que participou do protesto apoiando o lado tibetano sofreu ameaças, e sua família teve a casa atacada por vândalos em função de sua participação nos protestos. De acordo com notícias, em diversos fóruns de chineses, a garota é tratada como traidora, vigarista e alguém apenas interessada em obter um green-card.

A reação dos chineses já foi comparada, em algum fórum de discussão, a crianças que nunca comeram doce e que, subitamente, encontram 100 dólares em seu bolso no meio de uma fábrica de chocolates. Ter a chance de expressar as suas opiniões contra ou a favor do Tibet sem sofrer pressões em contrário parece afetar o julgamento a respeito de reações apropriadas quando as opiniões são confrontadas. Tivessem organizado uma manifestação para o dia seguinte, ou mesmo para a hora imediatamente após o final do protesto pró-Tibet, e a reação não teria sido tão contestada como está sendo.

Por fim, devo começar a considerar o cultivo de alguma coisa no quintal da minha casa.

Abraços!

abril 16, 2008

A Preferência Por Jiló

Fechada a pesquisa, quero acreditar que os meus DEZ leitores (alguém deve ter aparecido por aqui por engano, só pode ser isto) possuem preferências estritas A FAVOR do consumo de jiló. Só isto para justificar a vitória sólida da opção contra os palpites econômicos da sra. MCT.

Qualquer dia desses, nova pesquisa no ar.

Abraços!

abril 15, 2008

"Haroldo Oficioso" Ataca Novamente

Eba! A coisa está ficando legal: quanto mais o sr. Haroldo Lima, Diretor-Presidente da ANP fala, mais ele se enrola. Desta vez, Haroldo, aquele que usou dados "oficiosos" da Petrobrás para fazer declarações sobre o campo de petróleo, resolveu se justificar. E aí veio a pérola:
"Não fiz anúncio de nada. Eu sou autoridade, não sou subordinado à Comissão de Valores Mobiliários. Sou membro do governo e estava falando para um público especializado"
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E aqui fica evidente a confusão muito presente, no Brasil, entre Governo e Estado. Vamos para o exemplo mais simples: toda a vez que publicamos um artigo na série de Working Papers do Banco Central, sai um aviso, de todo o tamanho, dizendo que "As opiniões expressas neste trabalho são exclusivamente do(s) autor(es) e não refletem, necessariamente, a visão do Banco Central do Brasil". Por que é feito isto? Porque o trabalho, a despeito de ter sido produzido durante o Governo do Presidente A, B ou C, é um trabalho gerado para o Estado brasileiro: o Presidente (da República, do Banco Central, da Petrobrás, ou do órgao do Governo que seja) passa, mas o trabalho fica.

Qual a confusão que faz "Haroldo Oficioso"? Ao dizer que "é membro do Governo", ele coloca uma agência reguladora no mesmo nível do governante do momento, quando, na verdade, ela se encontra acima, em termos da execução de políticas de Estado (aquelas que o Governo do turno não consegue alterar com facilidade). Quando o "Haroldo Oficioso" falou aquilo, ele estava representando o Estado brasileiro: sendo Lula, Fernando Henrique, Collor, Sarney, o Diabo-que-me-carregue o Presidente da República, a informação divulgada por ele é uma informação de Estado. O que ele fez é o equivalente a um artigo do Banco Central que saísse, por exemplo, em meu nome, escrito a partir de informações que apenas eu teria acesso como funcionário do Banco Central. E, pior, que fosse dito que a crítica era ao Governo de Fulano ou Cicrano.

Para simplificar, mais uma vez, a confusão entre Governo e Estado no Brasil, pergunto: ao se colocar como "membro do Governo", quando Lula encerrar o seu mandato, "Haroldo Oficioso" vai pedir o boné também? Não deveria, por princípio, mas acredito que vá.

Abraços!

abril 14, 2008

O Comunista e o "Oficioso"

Li a notícia que o diretor geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) deu declarações sobre pesquisas de um campo de petróleo no Rio de Janeiro: o campo Carioca pode ser um dos três maiores campos do mundo, e a exploração preliminar e pesquisas estão a cargo da Petrobrás, British Gas e Repsol. No instante da declaração, as ações das empresas, negociadas tanto em seus países quanto no mercado americano, dispararam, fechando o dia em forte alta. Ao ler apenas as manchetes, achei que fosse um anúncio programado, ou mesmo feito com base em dados que as empresas oferecessem garantias para a agência reguladora.

Entretanto, outras notícias me chamaram a atenção, em especial as notícias com opinião da CVM e do Ministro do Planejamento criticando a divulgação dos dados. Lendo as informações, descubro que o senhor Haroldo Lima, com base em informações "oficiosas" (expressão utilizada na justificativa publicada pela ANP), resolveu falar sobre o tamanho do campo de petróleo, fazendo uso de informações preliminares que a Petrobrás teria coletado no campo. Ao falar, com base em informações "oficiosas", o senhor diretor tornou a ação da Petrobrás uma das 30 mais negociadas no pregão americano naquele dia.

Mas, afinal, qual o problema da declaração? Companhias abertas possuem certas regras para a divulgação de informações importantes. Operar no possível terceiro maior campo de petróleo do mundo é uma informação relevante. Entre as regras, é praxe que as companhias esperem pelo fechamento do mercado para divulgar informações relevantes, e informações com credibilidade. O que o diretor da ANP fez, com poucas palavras, foi movimentar bilhões de dólares em mercados de todo o mundo, com informações "oficiosas". Ou seja, se as informações "oficiosas" não se confirmarem, quem vendeu as ações agora que o preço estava alto faturou um bom dinheiro no mercado.

E quem é o diretor? Procurei alguma informação técnica relevante sobre o senhor Haroldo Lima em seu currículo no site da ANP. O incrível: eu não consegui saber muito mais além do fato que ele foi presidente do Diretório Acadêmico de sua universidade, da União dos Estudantes da Bahia, que ele fugiu da ditadura, que em algum momento de 1967, "sentindo que iria ser preso, Haroldo Lima decidiu entrar na clandestinidade" (sim, isto está no seu currículo). Além disso, o senhor Haroldo Lima participou da campanha das Diretas Já, pelo MDB, elegendo-se deputado federal. Assim que o partido sai da clandestinidade, ele se filia ao PC do B. Ainda em seu currículo, consta que as suas publicações relevantes estão na área de "assuntos de política nacional", além de "assuntos de petróleo, de águas, de direitos humanos e de história brasileira."

Esperando que, finalmente, aparecesse alguma informação técnica sobre as suas publicações, sua biografia na Wikipedia mostra que foi candidato a senador derrotado em 2002, recebendo depois a indicação do presidente eleito Luis Inácio Lula da Silva para o cargo de presidente da ANP. Que coincidência, né? E é este revolucionário que provocou uma movimentação incrível no mercado acionário mundial. Com tamanha credencial técnica, nada além do esperado.

Abraços!

Macumba Made in USA

Estádio novo em construção, e uma denúncia anônima é confirmada: existe uma camiseta do time rival enterrada em algum ponto do estádio. Se fosse na Bahia, talvez em Pelotas (onde o Candomblé é muito forte), talvez se entendesse a história. Mas em NY???

Eu creio que o máximo que se chegou em termos de superstição em estádios por aqui é a chamada "Maldição do Bambino", onde os torcedores do Yankees, time que está construindo o novo estádio, tiravam sarro dos fãs do Red Sox dizendo que seu time tremia nas finais em função de uma maldição rogada por Babe Ruth, um dos maiores de todos os tempos, ainda nos anos 20, ao ser negociado do time de Boston para o time de NY.

Pelo visto, os torcedores de Boston resolveram tentar algum troco sobrenatural sobre o rival.

Abraços!

abril 13, 2008

O Grande Esquecimento

Tinha alguma coisa para falar sobre este artigo... mas esqueci.

Abraços!

Bandeira

Bandeira

Autor: Zeca Baleiro

Eu não quero ver você cuspindo ódio
Eu não quero ver você fumando ópio, pra sarar a dor
Eu não quero ver você chorar veneno
Não quero beber o teu café pequeno
Eu não quero isso seja lá o que isso for
Eu não quero aquele
Eu não quero aquilo
Peixe na boca do crocodilo
Braço da Vênus de Milo acenando, tchau

Não quero medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro, se bem me lembro
O melhor futuro este hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo
Eu não quero ter o Tejo escorrendo das mãos
Quero a Guanabara, quero o Rio Nilo
Quero tudo ter, estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo água e sal

Nada tenho vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida vida, noves fora, zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver
(Se é assim quero sim, acho que vim pra te ver)

abril 07, 2008

Tiger Woods e Incentivos Adversos

Um estudo que apareceu na tv por aqui chamou muito a atenção, e os resultados são interessantíssimos para quem se interessa pelo papel dos incentivos na organização e desempenho econômico individual (alô Shikida!!!!). Jennifer Brown, estudante de doutorado de Berkley, comparou e mediu, com uma econometria até bem básica (quem disse que econometria avançada é condição indispensável para testar hipóteses mais complexas?) o efeito da presença de um competidor de desempenho esperado muito acima da média entre os demais. O caso não poderia ter sido melhor: Brown constata que o desempenho médio de jogadores de golfe de elite é significativamente piorado quando Tiger Woods está presente nas competições.

Por que o exemplo é bom? Três motivos básicos:

1) Desempenho em golfe é facilmente mensurável: o desempenho de um jogador é medido através do número de tacadas que o jogador gastou para fazer todo o percurso. Como as exigências em termos de número de tacadas para cada jogador é a mesma, a comparação entre jogadores é óbvia. Além disso, tal como no tênis, a premiação é feita por torneio a partir da colocação. Ou seja, avaliar o ganho esperado é bem mais fácil, porque mensurável.

2) O desempenho de um jogador não é condicionado às ações dos outros: fazer a mesma comparação em outros esportes não avalia, exatamente, o desempenho e o esforço individual, já que o desempenho dos seus adversários pode anular o seu esforço. Exemplo disso é o basquete: alguém poderia argumentar que o mesmo estudo poderia ser repetido nos jogos em que Michael Jordan esteve na quadra. O problema é que, com ele em quadra, a exigência em termos de esforço individual para produzir os mesmos números é muito maior, não apenas por ele jogar muito bem no ataque, mas por ser um excelente marcador. Assim, um jogador que, sem ele na quadra, fazia em média 20 pontos por partida, poderia fazer 15 pontos e sair satisfeito, se ele impedisse que Jordan fizesse os seus 30 pontos de média. No golfe, não existe esta interação: Tiger Woods não vai acertar uma tacada na cabeça de um jogador que o ameace no torneio.

3) Tiger Woods é o cara: talvez em nenhum esporte um jogador foi tão dominante quanto Tiger Woods está sendo para o golfe. Qualquer comparação, tanto entre seus pares atuais, quanto ao longo do tempo, favorece o fenômeno. No basquete, existe sempre a discussão sobre o quanto os outros times eram mais fracos a ponto de constituir o fenômeno Michael Jordan; no futebol, Pelé foi um fenômeno, mas em uma época que a preparação física não era exigida dos jogadores; no futebol americano, Peyton Manning e Tom Brady estão quebrando sucessivos recordes até então inimagináveis (número de touchdowns por temporada, número de jardas passadas, etc), e ainda existe o debate sobre quem é o melhor. No golfe, é Tiger Woods e o resto. Ponto.

Qual a explicação para o desempenho inferior dos demais jogadores de elite quanto Tiger Woods está no campeonato? A autora se concentra na questão da premiação esperada. Fatores como maior número de jogadas de risco para tentar atingir o nível de Tiger são facilmente controláveis em análise de regressão. Além disso, outros fatores que interferem em um campeonato, como condições do tempo, também são controlados.

Em que o estudo é útil? Imagine que você coordene uma equipe de funcionários, e resolva implementar um esquema de premiação por desempenho para sua equipe. O resultado é sempre positivo? A resposta é um sonoro "DEPENDE". Se a premiação levar em conta a heterogeneidade da qualidade da equipe, os resultados podem ser bons. Senão, as chances pequenas de atingir a maior premiação podem desmotivar toda a equipe e sobrecarregar o seu melhor funcionário.

Abraço!

abril 01, 2008

Capitão Nascimento no Fed

O repórter da Folha deve ter assistido "Tropa de Elite" recentemente. Só isto justifica o trecho da reportagem descrevendo a nova estrutura de fiscalização do sistema bancário americano:

"Pelo apresentado na manhã de ontem em Washington pelo secretário Henry Paulson Jr., o Fed ganha poderes para regular também outras áreas financeiras que não só bancos comerciais, como bancos de investimento e financeiras. Além disso, o órgão presidido por Ben Bernanke contaria com uma espécie de "polícia financeira" -agentes de elite que seriam enviados a investigar bancos cuja situação possa representar riscos ao sistema financeiro."


Eu e Chris até imaginamos o diálogo:

— E aí, banqueiro de merda, o senhor vai me contar onde está aquele subprime vagabundo?

— Eu não sei de subprime nenhum, não senhor...

— Onde foi que tu escondeu a merda da hipoteca, senhor banqueirozinho? O senhor vai falar?

— Eu não sei de hipoteca nenhuma, Capitão Bernanke...

— Como não sabe de hipoteca nenhuma???!!! Acha que eu não sei daquele mexicano pé-rapado que recebeu empréstimo para comprar casa para as próximas 8 gerações???

— Eu não estive com mexican...

— Ah, não teve com mexicano? O senhor sabe voar, senhor banqueiro? Sabe voar, banqueirozinho de merda? 02, traz o vagabundo para cá!!!

— Mas senhor...

— O senhor está vendo esta papelada podre em cima da sua mesa??? O senhor está vendo? Quem foi que espalhou esta porcaria no mercado?

— Eu não sei, senh...

— QUEM FOI QUE ESPALHOU ESTA PORRA DE CRÉDITO PODRE NO MERCADO?!??!??!

— Eu não sei...

— FALA, VAGABUNDO, QUEM FOI QUE ESPALHOU ESTA MERDA NO MERCADO?!?!?!?

— Foram vocês, que mantiveram os juros baixos por muito tempo, na época do Greenspan...

— Um de vocês, o caralho!!! Um de vocês, o caralho!!! O senhor é um moleque, senhor banqueiro!!! Um moleque!!! O senhor faz esta merda de pacote de crédito, espalha seu risco por todo o mercado, aí nós temos que subir a Wall Street prá corrigir a cagada que vocês fizeram! FOI VOCÊ QUE CRIOU ESTA MERDA, FOI VOCÊ!!!

— Mas capitão...

— Teu lugar não é aqui em Wall Street, banqueirozinho de merda, teu lugar não é aqui, não. Pede prá sair, pede prá sair, criador subprime de merda!!!! Teu lugar é operando título de dívida externa de país de terceiro mundo!!! Teu lugar é em coluna econômica de jornalzinho fuleiro dizendo que a moeda tá apreciada!!! PEDE PRÁ SAIR, VAGABUNDO!!!!

— Capitão Bernanke, e o meu bônus de fim de ano?

— 02, traz o saco.

março 31, 2008

E Não Podia?

Que coisa: agora a ex-ilha de Fidel permite que cubanos frequentem os seus hotéis!!! Talvez a proibição não faça diferença alguma: com o rendimento médio de um cubano, como diz a reportagem, não dá para passar uma noite em um dos hotéis onde a "inteligentzia" brasileira costuma ficar para render homenagens ao ditador.

Dado que a ditadura levou cerca de 30 anos para permitir que seus cidadãos frequentem os próprios hotéis, talvez leve mais 30 para permitir algo simples como o acesso à internet. Da coluna de Elio Gaspari de quarta-feira (26 de março):

"Dos 11 milhões de cubanos, só 200 mil têm acesso à rede, passando pelo único provedor, que pertence ao governo. Essa modalidade de bloqueio é burlada por um mercado negro de senhas e de acessos noturnos em empresas estrangeiras ou mesmo em agências estatais. Até parabólicas clandestinas já apareceram e a maior parte delas é usada para baixar músicas ou filmes."

Tristeza.

Abraços!

Prostituta, Traficante...

... e mentirosa. Eu já tinha escrito a este respeito, o fato dela ter se declarado culpada do crime de prostituição e tráfico de drogas não batia com a história que a infeliz contava.

Se fosse verdade metade do que Andréia afirma, ela ainda estaria presa por aqui. No Brasil, ela vai sair na Playboy.

Abraços!

Obama: Quanto Mais Rezo, Mais Assombração Aparece

Olhem só que beleza chicaneira e burocrática a proposta de Barack Obama para o mercado de trabalho americano. Em discurso no Senado, em Abril de 2006, ele tratava do problema da imigração e do uso de trabalhadores ilegais na força de trabalho americana. Começou bonito, não tem como não concordar com este trecho:
"We need guestworkers instead of undocumented immigrants. Toward that end, American employers need to take responsibility. Too often illegal immigrants are lured here with a promise of a job, only to receive unconscionably low wages. In the interest of cheap labor, unscrupulous employers look the other way when employees provide fraudulent U.S. citizenship documents. Some actually call and place orders for undocumented workers because they don't want to pay minimum wages to American workers in surrounding communities. These acts hurt both American workers and immigrants whose sole aim is to work hard and get ahead. That is why we need a simple, foolproof, and mandatory mechanism for all employers to check the legal status of new hires. Such a mechanism is in the Judiciary Committee bill."

Depois de falar dos empregadores, o cara mostra que não entende nada de mercado de trabalho:
"And before any guestworker is hired, the job must be made available to Americans at a decent wage with benefits. Employers then need to show that there are no Americans to take these jobs. I am not willing to take it on faith that there are jobs that Americans will not take. There has to be a showing. If this guestworker program is to succeed, it must be properly calibrated to make certain that these are jobs that cannot be filled by Americans, or that the guestworkers provide particular skills we can't find in this country."

Neste parágrafo, aparecem as bruxarias e definições nada precisas:
  1. O que é um salário "decent with benefits"? Se a economia entrar em recessão, o salário "decent with benefits" é o mesmo da economia em crescimento?
  2. Como provar, para um empregador da Carolina do Norte, que não tem um cara perdido no meio do Iowa que aceitaria o emprego pelo que ele está oferecendo? Cheiro de burocracia extra...
  3. Ele não acredita que existem empregos que os americanos não queiram? Então que entre dentro da cozinha de qualquer restaurante nos Estados Unidos e verifique a origem dos cozinheiros e garçons.
  4. A respeito do uso de "guestworkers" que possuam "particular skills", ou ele está sendo elitista, no sentido de permitir imigração apenas dos trabalhadores com altíssima qualificação (se a imigração destes fosse proibida, eu não estaria aqui, já que pelo menos oito dos dez professores com quem tive aula por aqui são estrangeiros), ou ele acredita que os "latinos" possuam uma aptidão especial para serviços como "Construction and extraction", "Office support" e "Service ocupations" em geral.
É incrível, mas quanto mais leio e observo Obama, menos eu gosto dele.

Abraços!

março 23, 2008

Pesquisa: "O Grande Calote"

O último texto me deu inspiração para trazer uma nova pesquisa para o meus NOVE leitores (sim, mais um se manifestou de forma anônima! São nove, são nove). Quero saber de vocês qual a pior consequência do "Grande Calote" que, como todos sabemos a partir da palavra dos profetas, ainda virá.

Respostas, aí do lado. E me deixem voltar para o campeonato universitário de basquete, que, mesmo com Duke eliminado, está muito bom!

Abraços!

Aos Profetas do Fim dos Tempos

Em tempos normais, muitos profetas carregando suas "bíblias" vagam pelas ruas prevendo o fim dos tempos, o apocalipse, a fome, o flagelo e o jiló como elemento essencial da cesta básica alimentar da população pós-crise. Nas crises, os profetas ganham os holofotes, e as publicações que concedem espaço aos profetas parecem aliviadas por terem mantido "o debate" aceso.

Citando suas palavras de ordem contra "o capital transnacional" (onde os fundos de hedge são chamados de "cassinos internacionais"), as "bolhas especulativas", a "incerteza fundamental do processo de decisão econômica" (onde o 11 de setembro, na sua visão distorcida, é o grande exemplo), para os profetas tudo representa uma fonte iminente de colapso do sistema. Aos países menores, chamados de "economias periféricas" (eles adoram esta denominação), não restaria outra prescrição de política que não seja o calote, a moratória e o controle de toda a movimentação econômica com o exterior. De fato, na visão dos profetas, a economia capitalista não parece se constituir de muito mais que uma sucessão de calotes, onde o "Grande Calote" ainda está por vir, de acordo com o previsto em um livro de 1936 ou outro de 1887.

A pergunta essencial que os profetas não respondem: a despeito das bolhas especulativas, a despeito dos fundos de hedge não-fiscalizados, a despeito dos "fluxos financeiros incontroláveis", a despeito da "incerteza fundamental", por que a maior economia do mundo nos últimos 18 anos teve apenas uma recessão de 9 meses, e as "economias periféricas" que seguiram em grande parte os bons manuais de política econômica são vistas justamente como a sustentação para a crise atual? Ou ainda, reformulando última parte da pergunta, tivessem as "economias periféricas" seguido as recomendações proféticas de política econômica, estariam elas em condições de ao menos amenizar a recessão atual?

O tom e o discurso monocórdicos e sinistros destes profetas não é mais do que uma forma de auto-preservação: se não for esta crise que condenará todos ao consumo diário de jiló, vale sempre lembrar que o "Grande Calote" ainda virá. E, com ele, a punição de todos os pecadores que acreditam no mercado e em sua boa (auto-)regulação como o melhor mecanismo de alocação de riquezas pelo mundo.

Abraços!

março 22, 2008

Game Over (De Novo!)

Sem comentários. Apenas uma observação: mantida a tendência, quando eu for embora daqui, o time estará chegando entre os oito melhores do país no torneio nacional (ano 1 em Duke, derrota na primeira rodada do nacional; ano 2 em Duke, derrota na segunda rodada do nacional...).

Abraços!

"Ela é uma heroína no Brasil."

Pena que o uso da palavra "heroína" não tenha a conotação (narco-traficante) que eu gostaria para Andréia Schwartz. Uma prostituta presa por "porte de drogas e outros crimes" (diga-se: lavagem de dinheiro, coordenação de rede de prostituição de luxo e tráfico de drogas) só poderia se tornar heroína no Brasil. É incrível, também, como a versão da prostituta de luxo se desmanchando em lágrimas depois de reconhecer o crime (ela se declarou culpada na corte de NY) não teve nenhuma repercussão no país. Alô, Justiça Brasileira: ELA SE DECLAROU CULPADA! E sob juramento!

A propósito, a pesquisa que foi feita em Portugal possivelmente daria resultados muito semelhantes se aplicados por aqui. De acordo com minhas fontes (e estou muito seguro delas), prostitutas na Inglaterra se dizem brasileiras para poder cobrar mais de seus clientes. E depois não se entende por que brasileiras, em especial, são mal vistas no exterior, ou têm dificuldades para entrar na Espanha, por exemplo.

Heroína? Não: cocaína.

Abraços!

março 18, 2008

Samantha Power

Aqui o video da entrevista da ex-auxiliar de Obama para o grande Stephen Colbert.



Abraços!

Brasil e Obama

Programas importantes são assim: depois de chamar Hillary Clinton de monstro, Samantha Power, ex-assessora de assuntos internacionais da candidatura Obama, apareceu em público pela primeira vez desde o seu pedido de demissão em "Colbert Report" desta noite. O interessante, a despeito das piadas sobre a frase infeliz da assessora, foi o motivo da entrevista: ela está lançando um livro com a biografia de Sérgio Vieira de Mello, diplomata brasileiro assassinado no Iraque depois de um atentado à bomba no hotel onde se hospedava.

Se Obama for eleito e não fizer nada daquilo que as vozes de apoio da imprensa brasileira pregam, não terá sido por ignorância completa a respeito do país.

Nation, quando alguém aqui precisa fazer as declarações sérias em público, também já se sabe a quem procurar.

Abraços!

março 17, 2008

Vítimas da Crise Americana

Jim Cramer foi um dos primeiros caras que eu vi na tevê daqui, logo que cheguei no hotel em Durham. Achei muito engraçado o estilo dele. Entretanto, acho que ele não vai mais durar muito como apresentador depois desta.



Economia: fulmine a sua carreira com poucas palavras!

Abraços!

PS de 19 de março: a resposta dele (e, de fato, bate com o que ele diz em parte do video) é que a recomendação era para "não retirar o dinheiro do Bear Stearns", no sentido de manter a carteira de ações no banco, ao invés de levá-la para outra corretora. Entretanto, aqui você vê ele dando outra explicação, mas usando a mesma expressão ("had the money in Bear") no contexto de mercado acionário. Como ele usou a mesma expressão nas duas situações...

março 16, 2008

Sobre o Governador de NY

Uma pergunta bem pensada vale às vezes muito mais do que uma resposta elaborada. Sobre os problemas do Governador de NY, quem fez a melhor pergunta sobre o caso foi o Noblat.

Abraços!

março 12, 2008

Agradecimento

Agora que ganhei um (pequeno) tempo para respirar, um agradecimento ao grande Cláudio Shikida, que gerou um bem público inestimável (informação) ao citar uma base de dados gratuita que eu não conhecia (a Polity IV), e que estava me fazendo falta para um dos papers de final de semestre.

Blog também serve para isto. Basta ler os melhores.

Abraços!

março 07, 2008

Separados no Nascimento

Meu avô comenta futebol na ESPN com sotaque irlandês. É um barato!!!! Abaixo, a foto dele com os netos na festa de Ano Novo.


Veja a foto dele no trabalho aqui!

Abraço, vô!

Abraço a todos!

março 06, 2008

Conheça o Novo Imposto: IP

Ok, digamos que a proposta não seja absurda (como diz um professor meu daqui, é o tipo da coisa que não pode ser nem dita como errada, porque é simplesmente uma bobagem), que o Congresso coopere e que o IP - Imposto Pochmann - entre em vigor. Algumas perguntas:

1) Como estudante financiado pela CAPES, eu terei isenção por estar obrigado a voltar ao Brasil - e assim compartilhar a minha "riqueza imaterial"? Ou serei duplamente tributado, já que o Estado me deu recursos que o Imposto de Renda não consegue tributar corretamente?

2) Crianças que apresentem boas notas em boas escolas pagarão alíquotas mais altas - afinal, o potencial de conhecimento concentrado nas mentes brilhantes é quase infinito, não?

3) O fato de eu eventualmente publicar artigos (no caso, por enquanto, um) na página do Banco Central (um órgão público), me dá abatimento sobre a minha contribuição, já que estou socializando o meu conhecimento?

4) Se eu publicar apenas livros, ao invés de colocar artigos em páginas de internet, não pagarei o IP, já que o problema é a difusão de conhecimento através de uma mídia acessível e de poucas restrições (no Brasil, no Brasil...) como a internet?

5) Se eu publicar pesquisa em sites do exterior, estarei isento do imposto já que o domínio não será ".br"? Ou pagarei dobrado, enquadrado no crime de "evasão de divisas mentais"?

6) O IPEA, em conjunto com a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo e a Receita Federal, manterão equipes em plantão permanente nas universidades (talvez um convênio com a CAPES) para vigiar alunos que fazem pós-graduação no exterior, e assim evitar a sonegação?

É incrível como, mesmo depois de quase 20 anos de estudos em teorias de crescimento endógeno e capital humano, alguns ainda parecem que não aprenderam nada.

Brincadeira.

Abraços!

março 05, 2008

Obama

Ouvem-se vozes do Brasil oferecendo palpites a respeito das eleições americanas, e uma não disfarçada simpatia pelo pré-candidato Democrata Barack Obama. Talvez por uma hipotética (e bota hipotética nisto!!!!) semelhança em termos de história pessoal com o atual Presidente brasileiro, ou por uma eterna simpatia pelas causas mais vinculadas aos direitos humanos dos Democratas, os comentaristas políticos no Brasil, tal como seus companheiros americanos, parecem embasbacados pelo "fenômeno Obama". O que não se sabe, e é um mistério mesmo para analistas daqui, é qual o efeito de uma eventual presidência Obama para a América Lat(r)ina.

Estive procurando algumas declarações de Obama a respeito da metade sul do hemisfério e encontrei com algumas pérolas, frequentemente ignoradas pela imprensa da pátria-mãe gentil. Vejam este trecho de um discurso no Senado, da época em que Bush esteve no país para visita oficial:

"In Brazil, it has been reported that President Bush is expected to join with President Inacio Lula de Silva to announce greater ethanol cooperation between the United States and Brazil. Together, the United States and Brazil are the world’s largest ethanol producers and consumers. Brazil’s more than 30 years of renewable fuel technology investments allowed it to achieve energy independence last year. Ethanol now accounts for 40 percent of Brazil’s fuel usage. More than 80 percent of cars sold in Brazil today are flex fuel vehicles—capable of running on gasoline, ethanol, or a mixture thereof."

Só elogios. Legal, né? Mas olhem este trecho, mais à frente:

"As it relates to our country’s drive toward energy independence, it does not serve our national and economic security to replace imported oil with Brazilian ethanol. In other words, those who advocate replacement of US-based biofuels production with Brazilian ethanol exports however well intentioned they may be, are both misunderstanding our long term energy security challenge and ignoring a valuable foreign policy opportunity. The U.S. needs to dramatically expand domestic biofuels production, not embrace a short term fix that discourages investment in the expansion of the domestic renewable fuels in industry. Also, accelerating technology advances and transferring the technology to our neighbors in the Caribbean and South America will help them employ their own resources to produce environmentally clean ethanol to reduce their imported oil bill, thereby promoting economic stability in the Caribbean and South and Central America and strengthen the U.S.-Brazil relationship.

Mr. President, it is vital that President Bush keeps the Congress involved each step forward in a U.S.-Brazil relationship based on renewable fuels. This relationship must be structured so as not to hamper the domestic production of renewable fuels, or the development of new technologies here at home that can enhance our energy security."


Hummm... então quer dizer que Obama apóia a exportação de etanol do Brasil para os outros países da América Latina, de forma a reduzir a importância de Chavez-pobre-Chiquinha. Mas aumentar a exportação para os Estados Unidos, nem pensar: isto afeta "a segurança energética de longo prazo" do país. É óbvio que, pragmáticos que são, se o Brasil efetivamente criar condições para produção de etanol em grande escala e a preço muito baixo, os americanos irão importar o produto. Entretanto, acreditar que, por serem Democratas, e por ser Obama de origens humildes, que as negociações comerciais serão facilitadas, isto parece um tremendo engano, para não dizer ingenuidade.

Vamos mais longe. O que Obama pensa sobre os líderes da América Latina? Uma dica nesta matéria do Miami Herald:

"On the minus side, Obama has never been to Latin America, as he told me in an interview last year. And when I asked him who are the three Latin American leaders he respects the most, it took him a while to scan through his mental C-drive and respond, ''the president of Chile,'' whom he correctly identified as a woman but failed to mention by name. (I didn't press him about the remaining two.)"


Que tal? Um dos favoritos na campanha americana apenas reconhece a presidente do Chile como uma pessoa de respeito, ainda que sequer se lembre do nome de Michelle Bachelet. Onde fica o líder-maior da pátria-mãe gentil?

Se a imprensa brasileira não gosta de McCain por ser Republicano, se não gosta de Hillary por ser a esposa de Clinton, então a decepção com Obama tem tudo para ser muito grande.

Abraços!

março 04, 2008

América Lat(r)ina

Quem sabe com a revelação a respeito do programa "Urânio Zero - Quem Combate Neoliberais-Porcos-Capitalistas-Comedores-de-Jiló tem Pressa", o governo daqui resolve dar um pouco mais de atenção à região, diferentemente do acontecido até agora.

Ainda vou ler mais sobre o assunto antes de emitir opinião.

Um abraço!

março 02, 2008

Tudo Azul

Para este inglês, só faltou ficar "tudo bem, tudo zen", tal como na música do Lulu Santos. Até porque eu acredito que, em algum momento, ele de fato tenha ficado nu depois da dose cavalar do comprimido azul...

Abraços!

Da Pesquisa

Aceito democraticamente a opinião dos meus (rigorosamente, como falei em outros posts) oito leitores, mas não concordo: nos últimos dois jogos, duas vitórias de Duke. Bem que eu tinha sugerido que poderia ser só uma ressaca, mas vocês preferem polemizar. Paciência.

Entretando, por via das dúvidas, ficarei longe do Cameron Indoor Stadium no próximo sábado, quando ocorre o jogo de volta entre Duke e UNC...

Um abraço!

fevereiro 25, 2008

Eu Falei com Ele...

Sabe quem é o novo presidente do NBER? Dica: eu já estive com ele...

Soube da notícia através do blog de outro grande professor.

Abraços!

Dores da Pesquisa

Tem certas coisas que doem muito quando se faz pesquisa em alto nível. Uma delas é descobrir que o mercado de idéias efetivamente funciona: se você acha que o artigo no tema desejado, com a abordagem que você considera apropriada, ainda não foi escrito, então é porque ou o tema é muito difícil de ser trabalhado, ou você ainda não encontrou o artigo através do Google.

Por que estou escrevendo sobre isto? Bom, é que eu tenho gasto o pouco tempo disponível para pesquisa tentando coletar artigos para o projeto de tese. Algumas idéias foram se consolidando na cabeça ao longo destes dois anos, muitas foram excluídas. Entre as que sobraram, uma renderia um tremendo artigo, base fundamental do que eu pretendia que fosse a minha tese. O que aconteceu? O Google me trouxe um artigo exatamente com os mesmos fundamentos que queria aplicar, com praticamente os mesmos métodos e avaliando os mesmos problemas.

Duas palavras sobre isto: que dor!

Abraços!

fevereiro 21, 2008

Nova Pesquisa

... e dependendo da resposta de vocês, eu não falo mais de basquete, ok?

Abraços!

fevereiro 20, 2008

Fidel

O melhor texto que li na imprensa sobre os fatos recentes envolvendo Fidel: Sérgio Malbergier. O resto fica naquela de "Fidel fez coisas boas, apesar da ditadura" (ou melhor, "da prática política repressora das liberdades individuais" - como diz José Simão, tucanaram a ditadura). Queria saber por que, quando de sua morte, não se dizia "Pinochet fez coisas boas, apesar da ditadura". Para este, a frase mais comum era "Pinochet foi um ditador tirano, ainda que o governo tenha resultado em coisas boas".

Para mim, o lugar de ambos é a lata de lixo da história.

Abraços!

P.S.: a respeito do segundo texto, notaram como a associação Fidel-ditadura só aparece para falar do regime que ele derrubou? Um cara que fica no governo durante 49 anos é considerado o quê?

fevereiro 16, 2008

Cadê o Papa?!?!?!?!

Vocês devem, obviamente, ter lido sobre a recepção de "Tropa de Elite" no Festival de Berlin, e agora estão sabendo que o filme conquistou o maior prêmio da mostra. Quando estivemos no Brasil, e antes de ver o filme, um amigo nosso comentou que o filme seria visto como uma espécie de filme de ficção científica a partir de um determinado momento, já que as cenas não seriam vistas dentro do que se entende por "sociedade" para quem mora fora do país.

Pois, durante a exibição de Berlin, resolvi coletar algumas resenhas sobre o filme e verificar qual foi o entendimento que os críticos tiveram sobre o filme. Na medida do possível, tentei separar o que era juízo de valor sobre o filme, e fiquei concentrado apenas no entendimento que os críticos tiveram da história em si. A melhor pérola foi encontrada na crítica do site "Hollywood Reporter".

Ainda que tenha achado o filme divertido para quem procura um pouco de ação, o crítico deixou de entender partes importantes da história. Exemplo disto é o trecho sobre os novatos na polícia, Matias e Neto, afirmando que "por algum motivo, seu trabalho envolve empregos secundários, de tal forma que Neto trabalha na 'auto shop' da polícia, enquanto Matias estuda Direito". Ou seja, o crítico não entendeu que a oficina é parte da corporação policial (lógico, em países desenvolvidos, a polícia paga alguém para fazer a manutenção das viaturas, ao invés da própria polícia fazer os serviços), e que fazer faculdade é uma forma de, no futuro, procurar um emprego que tenha remuneração melhor que a oferecida pela polícia.

Além disso, o crítico se surpreende, pois mesmo depois de muitos flashbacks, ainda que a trama esteja toda em torno do evento, "nada do Papa aparecer ao final do filme". Possivelmente, como disse a Chris, ele devia estar esperando uma imagem do Papa desembarcando no Rio de Janeiro e trazendo a paz para toda a humanidade. Tenha dó!!!

Foi a crítica mais divertida que li sobre o filme. E o mais interessante é que foi reproduzida em diversos sites. Espero ansioso pela recepção do filme por aqui.

Um abraço!

fevereiro 09, 2008

#2 Duke, e Subindo

A temporada de basquete universitário deste ano está divertidíssima: depois do fiasco do ano passado, quando teve uma campanha "un-Duke-like" e acabou sendo eliminado na primeira rodada dos play-offs, o treinador de Duke, Mike Krzyzewski, resolveu chutar o pau da barraca. Depois de passar o verão treinando a seleção americana de basquete que venceu o Pré-Olímpico das Américas e conversar muito com o seu auxiliar técnico, o treinador do Phoenix Suns Mike D'Antoni, Coach K resolveu implementar no time da universidade um sistema ofensivo parecido com o utilizado pelo time do Arizona.

Para resumir como funciona o esquema, um time de basquete normalmente se organiza, ofensivamente, com um armador, dois alas e dois pivôs. O Phoenix Suns, sob a batuta do grande Steve Nash, geralmente abre mão de um dos pivôs em favor de mais um ala, de forma a ganhar muita velocidade na transição. O tipo de jogo com o uso de um ala a mais recebeu o apelido por aqui de "small-ball", em referência à média reduzida de altura dos times sem um dos pivôs. Em termos estatísticos, o Suns é o time da NBA que menos gasta tempo de posse de bola para fazer um arremesso.

Pois Coach K, tendo em vista o recrutamento do último ano, combinado com a lesão de um dos poucos pivôs do time, resolveu trazer o sistema para a universidade. Muitos questionaram a medida, afirmando que Duke teria problemas para enfrentar times fisicamente mais fortes e mais altos, como, por exemplo, o rival local, a UNC. De fato, a única derrota até agora de Duke foi no início da temporada, para Pittsburgh, que possui um time fisicamente forte.

Pois não é que o time foi tomando gosto pelo esquema, e, desde a derrota para Pitts, Duke se manteve invicto, inclusive passando a ex-número 1 (no início da temporada) UNC, assumindo assim o segundo posto do país? Mais do que isto: no primeiro clássico local, disputado nesta quarta-feira em Chappel Hill, Duke ganhou por onze pontos de vantagem da UNC, em um jogo que o país parou para assistir (sim, Duke vs UNC é considerado, por muitos, como a maior rivalidade no país em termos de basquete universitário).

Destaques do time? É interessante dizer isto, mas não dá para apontar "o" destaque de Duke. O "small-ball" resulta em uma pontuação muito espalhada entre os jogadores. No jogo contra a UNC (Duke 89 a 78), por exemplo, seis jogadores fizeram mais do que dez pontos, e nenhum dos jogadores de Duke fez mais do que vinte pontos. Na comparação, a UNC teve quatro jogadores com mais de dez pontos e o cestinha da partida (Tyler Hansbrough, muito bom jogador) com 28 pontos.

Para que vocês possam acompanhar Duke no torneio universitário, está instalado, na barra lateral do blog, bem embaixo, dois pequenos aplicativos: um deles oferece o ranking dos times de basquete universitário, atualizado semanalmente; o outro dá as últimas notícias de Duke, com os resultados dos jogos e análises pelo site da ESPN.

Ainda tenho que ir a algum jogo da universidade neste ano. Mas que está muito divertido ver a correria dos jogadores de Coach K em quadra, ah, isto está, com certeza!

fevereiro 04, 2008

Mercado de Trabalho: Socorro!

Falei a vocês que estou fazendo duas cadeiras de econometria de séries de tempo. Enquanto a cadeira onde o Bollerslev dá aula é eminentemente teórica (Hamilton é meu pastor, e nada me faltará até o exame), a outra se concentra em aplicações empíricas e técnicas mais avançadas em séries temporais. Pois bem, a professora quer um paper como avaliação para o semestre, e o ingênuo resolveu replicar um texto que está bastante em voga por aqui para começar os estudos (para os interessados, identificação de choques de política monetária em Christiano, Eichenbaum e Evans (2005) "Nominal Rigidities and the Dynamic Effects of a Shock to Monetary Policy").

Fiquei hoje parte do domingo coletando as séries para o trabalho. Em síntese, o paper começa com a estimação de um VAR com 9 variáveis em um período de 30 anos de dados. Tudo bem, imaginei que estimar um modelo destes com ao menos 99 parâmetros (9 X 9 = 81 dos coeficientes autorregressivos, assumindo apenas um lag, com mais 9 referentes às constantes e mais 9 referentes às variâncias) fosse impossível para a amostra disponível para a economia brasileira. Vale notar que, na melhor das hipóteses, fechando os olhos para muitas observações e críticas que devem ser feitas, o período de inflação baixa começou em 1995, o que totaliza 12 anos de informações - menos da metade do utilizado pelos autores americanos.

Entretanto, o que me chamou a atenção, e me deixou contrariado, foi constatar que não existem séries de qualidade e tamanho suficiente para começar algum estudo de séries de tempo incorporando medidas de mercado de trabalho para a economia brasileira. Precisava de duas medidas básicas: salários pagos e horas trabalhadas. Pensei na hora nas duas fontes tradicionais: IBGE e CNI. No IBGE, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) foi reformulada e os dados começam em 2001; apelando para a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), querendo aproximar a economia a partir do comportamento da indústria, também as séries começam em dezembro de 2000. Na CNI, as séries de horas trabalhadas na produção e massa salarial foram interrompidas ao final de 2006 para reformulação.

Qual o resultado disto em termos de pesquisa? Sinceramente, agradeço, de coração, o trabalho esforçado de quem está nestas instituições, coletando números, muitas vezes arrancados à força das empresas (e eu sei do que falo pois já fui estagiário e coletava estes números para uma das pesquisas). Agora, é uma barbaridade, um escândalo não ser mantida alguma série que possibilite uma análise decente das condições do mercado de trabalho ao longo do tempo. Mesmo que fosse uma série inferior, com menos informação que novas metodologias permitam produzir, algum número tinha que estar disponível.

É óbvio que vai ter gente da análise de elevador que vai dizer: "ei, mas eu posso continuar dizendo que a massa salarial subiu, que o número de horas trabalhadas caiu, com base em números do IBGE." É óbvio que sim. Mas análise econométrica séria pressupõe um conjunto de dados mínimos que não existem no país hoje. Falar de tendências, ciclos, efeitos de choques, decomposições de variância, tudo isto assume, sempre, que a série disponível seja longa o suficiente para que o mapeamento entre causas e efeitos seja devidamente estabelecido.

Fica o pedido: se alguém conhece alguma série que caracterize a evolução dos salários e das horas trabalhadas no Brasil que comece ao menos no início dos anos 90, por favor, um pobre bolsista precisa da sua ajuda.

Abraços!

fevereiro 03, 2008

Meu Post de Carnaval...

... coincide com a volta das pesquisas do blog. E o Carnaval não merece de minha parte muito mais do que isto.

Abraços!

Parado

O blog andou um pouco parado, já que a semana foi um pouco puxada. Também contribuiu a ausência de notícias interessantes para comentar. Agora, mais um acumulado de pequenas notas:

1) Domingo de Superbowl. A final do campeonato de futebol americano é hoje, com os seus comerciais de milhões de dólares e um jogo interessante, já que, pela primeira vez desde o Miami Dolphins de 1972, um time pode completar a temporada invicto: o New England Patriots assombrou a todos ao longo da temporada e pode coroar o que seria uma temporada perfeita, não apenas em função dos jogos ganhos, mas dos recordes quebrados. Resolvemos ficar em casa, ainda que muitas festas devem estar ocorrendo ao redor do país para acompanhar o jogo.

2) Um dos motivos para ficar em casa foram as listas de exercícios, que continuam sobrando, mesmo ao longo do segundo ano de curso. Entretanto, duas motivações a mais nas listas deste semestre: a) foco em séries de tempo, um dos meus temas preferidos: das três cadeiras que estou fazendo neste semestre, duas são em séries de tempo; b) uma das cadeiras é ministrada por Tim Bollerslev, o mais próximo do que pode ser chamado de "candidato a prêmio Nobel de economia" pela faculdade. A aula dele é muito boa, muito boa mesmo!!!

3) Perguntam sobre a "crise americana". Na boa, não dá para "sentir" nada. Não sei se tem a ver com o fato de eu andar apenas no circuito casa-universidade, ou se o auge ainda não apareceu, ou se "crise" aqui é algo bem mais suave do que no Brasil. O que eu sei é que a chamada "crise americana" não passa de um tema de debates para a televisão.

4) É interessante acompanhar o processo eleitoral daqui. Tenho gastado algum tempo acompanhando os debates e as apurações das primárias. Processo bem elaborado, e debates de altíssimo nível. Sobre as preferências da região, o jornal da universidade publicou levantamento sobre as doações dos funcionários para os pré-candidatos a presidência. O dinheiro arrecadado não é muito (cerca de US$41 mil até o final de setembro do ano passado), mas a distribuição parece dizer muito sobre o que acontece hoje: apenas Barack Obama recebeu quase a metade de todo este dinheiro, que inclui as doações para nove candidatos, entre republicanos e democratas. Seria legal se esse levantamento fosse atualizado, até para ver se o acirramento da campanha entre os democratas resultou em aumento das doações para o partido.

5) Ainda sobre política, excelente frase em uma caneca que vimos em Washington (vou comprá-la na próxima vez que for para lá): "I love my country. It's the government I am affraid of".

Um abraço!

janeiro 26, 2008

A Vida Sob a Lei

O prédio da Suprema Corte dos Estados Unidos traz a seguinte incrição:

"Equal Justice Under Law" (Justiça Igual Sob a Lei).

A frase parece trivial em termos da noção que temos de justiça: dadas as leis, todos deveriam ser iguais no tratamento recebido pelo judiciário, independentemente de outros condicionantes, como origem, raça, renda, etc. Mais do que um slogan bonito para um prédio do governo, a frase sintetiza bem a aplicação da lei no país. Se entramos de forma ilegal no país, a lei pune, mesmo se não cometemos nenhuma irregularidade durante a permanência no país. Se o aluguel está atrasado, a imobiliária não tem por que se preocupar com o despejo dos caloteiros, já que o governo garante a aplicação do assinado no contrato. Se o Senador assediou um garoto menor de idade em um banheiro público, vai preso e, por vergonha do que fez, renuncia.


No Brasil, às vezes parece que uma parte da frase é esquecida, ou não aplicada: a igualdade da justiça tenta ser aplicada, a despeito da observação prévia da lei. Entre muitos exemplos encontrados nos jornais, o último deles é esclarecedor do meu ponto: quando o Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, diz que invasor de terra pode contar o tempo de trabalho nas terras invadidas para fins de aposentadoria, ele está se sobrepondo à lei para tratar igualmente todos os cidadãos. Ao invés de penalizar quem descumpre a lei, oferece-se o incentivo.

Além disso, o parecer do consultor jurídico do ministério é falho, quando argumenta que não é responsabilidade do INSS averiguar se a terra onde o invasor trabalha é de sua propriedade ou não. O Estado não pode se responsabilizar por quem não cumpre os seus deveres legais. A igualdade oferecida diante da lei, e garantida a partir do cumprimento da lei. Se o indivíduo está violando a lei, ele não pode ser tratado como igual. E o melhor exemplo é justamente do imigrante ilegal nos Estados Unidos: aqui, o imigrante ilegal não pode solicitar assistência, pelo simples fato dele ser ilegal. O imigrante pode ter o melhor comportamento possível desde que chegou no país, mas não pode ser assistido pelo Estado, justamente por ser, conceitualmente, um cidadão ilegal.

A frase estampada na Suprema Corte é aplicada como modo de vida e de conduta. No Brasil, não seria mais do que enfeite de prédio.

Abraço!

janeiro 24, 2008

O Silêncio de Davos

Clóvis Rossi, na Folha de hoje (trecho aqui), escreveu que o Brasil não é tópico quente dos assuntos debatidos no Fórum Econômico Mundial de Davos, a despeito do desempenho econômico positivo dos últimos dois anos. O jornalista escreve como se o debate em torno do que se passa na pátria-mãe fosse sempre muito disputado, com argumentos polarizados em torno de idéias sobre o desenvolvimento da nação.

Clóvis Rossi, ACORDA!!!! Excetuando o ano da eleição de Lula e a sua primeira ida para o Fórum, e talvez em algum dos anos em que o governo Fernando Henrique entrou em crise, o Brasil nunca foi tema de debate no Fórum de Davos! Mais do que isto: o Brasil não é tema de debate em fórum internacional algum! Quando se fala de América Latina, fala-se de Chavez (como exemplo do processo político padrão), fala-se da Argentina (como exemplo do desempenho econômico padrão) e fala-se do México (como exemplo do que seria o país que abrisse as fronteiras de comércio com os Estados Unidos). Quando se fala de países emergentes, fala-se de Taiwan, Cingapura, Coréia do Sul, vez por outra do exemplo de Portugal e Espanha (para os que ainda os enquadram nesta categoria). E É SÓ!!!!

O "silêncio de Davos" não é o silêncio de um grupo de banqueiros sobre o Brasil. É uma parte do desinteresse do mundo pelo que se passa na pátria-mãe gentil.

Abraços

janeiro 22, 2008

Em Tempos de Crise...

... é mais feliz quem tem um "banco" para se socorrer na esquina! (risos)

Olhem só onde fica a Embaixada do México, em Washington, e a conveniência do lugar nestes tempos de crise internacional.



Abraços!

P.S.: Obrigado, Chris, pela participação importante nas filmagens.

janeiro 21, 2008

Cano, De Novo!

Aí recebo o aviso: "é hoje!"

Fico postado no lugar marcado. Ia me encontrar com ele! Hora acertada, estou onde ficou combinado. Entretanto, mais uma vez, o Bush me deu os canos: preferiu ficar assistindo na tevê as semifinais do futebol americano ao invés de cumprir os seus compromissos.

Repare a cara de impaciente observando o relógio...


Que coisa! Agora, só me resta voltar para Durham e esperar pelo pedido de desculpas.

Abraços!

janeiro 20, 2008

Nation, Nation... Colbert Nation

"Nation, America is at war... and I am not talking about Iraq".

Com esta frase, Stephen Colbert abre a maioria dos episódios do seu programa diário de humor para "denunciar" aqueles que querem destruir a América. Seus alvos? Hollywood, com seus filmes; os cientistas ("inventam umas tais de placas tectônicas, que ninguém nunca viu, ao invés de admitirem que a Califórnia sofre terremotos como punição por Hollywood ter transformado o estado em Sodoma e Gomorra"); jornalistas ("nada deixa um homem tão infeliz quanto informações novas. Por exemplo: você sabia que milhares de cachorrinhos são executados todos os dias nos abrigos para animais dos Estados Unidos? Se você não tivesse esta informação agora, com certeza estaria mais feliz."); os aposentados ("nunca vi ninguém ganhar dinheiro sem trabalhar. Talvez fosse mais interessante colocar os aposentados ao longo da fronteira com o México para cuidarem da imigração com o mesmo interesse que cuidam dos gramados das suas casas. A fronteira ficaria muito mais protegida"); entre muitos outros grupos.

Pois bem, nation, a América está em guerra. Chris e eu fomos visitar a National Portrait Gallery, em Washington, esperando encontrar americanos em busca de seus ídolos, os "founding fathers", para guiá-los nesta época de incertezas. Quem foi o mais procurado?

Será George Washington, presidente eleito duas vezes que recusou uma proposta de mandato vitalício para que terminasse a vida no que sempre foi: um fazendeiro da Virgínia? Pela foto abaixo, não. Note como o casal à esquerda, apesar de postados em frente ao quadro, estão olhando em outra direção...


Abrahan Lincoln? Não, não: deixaram o pobre pensando sozinho no destino da nação, como se pode ver.


Talvez o presidente conhecido por seu idealismo. Também não: Kennedy está falando sozinho até agora na galeria.


Os mais modernos? Não, não: Bill Clinton não teve nem chance. Mais uma vez, seus "pseudo-observadores" olham para o outro lado. Alguma coisa diferente chama a atenção...


Subitamente, uma fila gigantesca. Descobrimos!!! É aqui que os americanos se juntam para pensar em seu futuro!!!


Mas tinha alguma coisa errada: a fila parecia terminar no retrato de Washington que eu tinha mostrado antes. Eu tinha que descobrir quem era a personalidade que atraía a atenção do povo americano. O vídeo abaixo resolve o enigma! Sim, era ele!!! Veja o local estratégico onde sua foto foi colocada! Sim, um local onde as necessidades do povo americano vem a superfície!!!



Nation, quando a América está em perigo, ela procura o seu grande defensor, o autor de "I am America, And So Can You!": Stephen Colbert!!!

Abraços!

janeiro 19, 2008

janeiro 18, 2008

Nóis Vai pra Capitar, Tá Bão?

Mas nóis vorta na segunda, porque ninguém é vadio aqui! DC nos espera.

Abraços!

janeiro 14, 2008

Mais Aleatórios...

1) Lobão. Achei que fosse o músico. Sempre levo um susto quando abro as notícias e leio, por exemplo, que "Jucá diz que Lula gostou da indicação de Lobão para Minas e Energia". Depois do Gil, Lobão?!?!?! Mas, depois de me informar, acho até que a indicação do compositor de Rádio Blá seria um pouco mais moral.

2) Faz frio aqui, mas bem menos que o esperado. Agora, duas da manhã, está fazendo 1ºC. Nada apavorante, na mesma época do ano passado, estava bem pior.

3) Faculdade vazia na primeira semana. Muita gente "enforcou" a primeira semana de aulas, ainda mais porque ela começava na quarta-feira.

4) Falando em ficar fora, vamos conhecer Washington neste final de semana. É feriado por aqui na segunda-feira (Martin Luther King Day), e vamos aproveitar para conhecer um pouco mais dos EUA, antes do semestre efetivamente ficar pesado.

5) Só por ter escrito que estava frio, mas não muito, a temperatura chegou a 0ºC no meu mostrador.

6) Estou estudando: 1) começando os famosos papers do segundo ano (o primeiro deve ser sobre crescimento econômico e política fiscal em economias pequenas e abertas); 2) lendo o livrinho para a prova de legislação da carteira de motorista daqui (interessante as regras para quem é pego com álcool; explico outro dia).

7) Das eleições daqui, ainda não consegui colher impressões. Sei que teve candidato fazendo campanha no estado vizinho, mas não teve, aparentemente, nenhuma influência por aqui. Vi que o Reinaldo Azevedo andou falando da "Obama Girl". Será que ele prefere a "Giuliani Girl", então? (risos) À parte a brincadeira com o vídeo, acho que brasileiros, muitas vezes, levam à sério demais algumas coisas que saem daqui. Por exemplo: fazer de cavalo-de-batalha (ou égua, se preferirem) uma garota que deu sorte de estar no clipe a favor de um candidato popular à presidência daqui é forçar demais a barra. Até a própria Amber Lee não tinha certeza se votará em Obama... Logo, tenham dó.

8) Vou tentar descobrir se por aqui os hospitais vacinam para "Yellow Fever". A oferta de vacinas, aqui, deve ser maior que a disponível no Brasil...

Abraços!

janeiro 07, 2008

Pensamentos Aletórios ao Deixar o Brasil

1) Do que não vai me fazer falta ao chegar nos EUA? As filas em aeroportos. As pessoas parecem ter prazer em fazer filas em aeroportos, para qualquer coisa (fazer o check-in - obrigado companhias aéreas pelos poucos atendentes -, entrar no portão de embarque, passar pela alfândega, entrar no vôo - alguém vai chegar mais cedo ao local de destino se entrar primeiro no avião?).

2) Do que vai me fazer falta ao chegar nos EUA? De todos os que fizeram esta visita ao Brasil a mais agradável possível. Não vou tentar, sob o risco de ter gente irritada comigo, fazer uma lista de todos os amigos com quem pude passar um bom tempo, mas obrigado a todos em São Paulo, Bento, Porto Alegre, Belo Horizonte e Barbacena.

3) O Brasil tem jeito: encontrei um sushi excelente no aeroporto para esperar o vôo, em um lugar onde posso ligar o computador e escrever estas porcas linhas.

4) Sim, sim, não serei hipócrita: também resolvi ligar o computador para carregar o iPod e ter o que ouvir durante o vôo.

5) Terminei mais um dos livros da minha lista proposta nas férias. Economista é uma raça muito mesquinha, mesmo. (risos)

6) O Brasil não tem jeito: o restaurante com um excelente sushi não oferece conexão à internet para os seus clientes. EM UM AEROPORTO!!!!

7) Minhas primeiras férias verdadeiras, depois de um ano e meio na correria. Férias?

8) Aulas na quarta-feira. Aulas?

9) Vou fechar a conta no Banco do Brasil. Precisei deles três vezes nesta viagem de férias, e o Banco falhou nas três. Prejuízo com as operações? Um cartão de crédito bloquedo e outro por vencer assim que chegar nos EUA. Menos mal que o banco dos Estados Unidos conseguiu cobrir algumas das falhas dos nossos burocratas salvos da degola por um aporte de bilhões de reais do governo Fernando Henrique em 1995.

10) Por que as companhias aéreas americanas nos entregam os bilhetes com check-in feito para todas as conexões do vôo, enquanto que as companhias brasileiras nos fazem passar por mais uma fila por não permitirem o check-in de um dia para outro, ou de todas as conexões?

11) Aconteceu: o acidente clássico do molho de soja ao comer sushi. Felizmente, na camiseta preta não aparece nada.

12) Estou indo para o segundo chope. Quem sabe, um pouco alcoolizado, dá para dormir durante o vôo.

13) No bar, está tocando Alanis, Hand on My Pocket.

14) Por que funcionários, e ex-funcionários do Banco do Brasil odeiam tanto o Fernando Henrique? Foi ele que salvou os empregos desta tropa de infelizes.

15) Por que os brasileiros, quando vão para o exterior, gostam de colocar camisetas com a bandeira do país? A identificação de estrangeiros se dá pelas camisas floridas e a pele vermelha. Brasileiros, pela roupa.

Ok, é hora de fechar o post, terminar de comer e ir para a sala de embarque, na esperança de conseguir uma conexão sem fio para o laptop. Nos próximos posts, mais algumas fotos do Brasil.

Abraços a todos!

P.S.: último pensamento, agora postando. Odeio a Telefônica. Tomara que ela perca a concessão para explorar a conexão wi-fi nos aeroportos de São Paulo. É quase impossível fazer a conexão por aqui, mesmo depois de já ter feito o cadastro dias atrás.