Um observador atento pergunta se, ao trazer o debate sobre os modelos de equilíbrio geral nas versões neo-clássica e novo-keynesiana (ou a quase equivalência das suas metodologias), eu não estaria legitimando o processo de rotulação das idéias e, indiretamente, aprofundando as (ou "solidificando o nó" das) diferenças dentro do espectro econômico.
Na verdade, não, não estou reafirmando as diferenças, tendo em vista que, nesta literatura, a designação "neoclassical" e "new-keynesian" é mais usada como um "transmissor de idéias" do que um rótulo ideológico. Assim, na apresentação de um paper na área, sempre se lê uma frase do tipo "o modelo que desenvolvemos é uma variante do modelo de real business cycles" (exemplo aqui, na página 3, segundo parágrafo: "we feed the estimated stochastic volatility process for real interest rates in an otherwise standard small open economy business cycle model"), ou "o modelo segue a linha novo-keynesiana" (exemplo aqui, na página 2, terceiro parágrafo: "The paper is structured as follows. Section 2 outlines two versions of a five-equation New Keynesian DSGE model along the lines of Woodford (2003) that differ with respect to the monetary policy rule."). No primeiro exemplo, mesmo sem ler o resto do artigo, já tenho a idéia do trabalho com preços totalmente flexíveis. No segundo exemplo, já sei que, além das equações de Euler descrevendo os comportamentos inter e intratemporais, vai ter alguma curva de Phillips falando da dinâmica de preços.
E as diferenças metodológicas terminam por aí. Não se lê, ao longo do paper, referências a algum livro de 1936, ou um paper do início dos anos 70, tentando reescrever aquelas idéias.
É bem diferente, por exemplo, deste texto aqui (ok, o exemplo pode não ter sido muito feliz, mas faz a linha ideológica da rotulação), onde cada equação é justificada por um parágrafo de um texto de 70 anos atrás. Nada contra os textos antigos, mas será que a ciência ficou parada nos últimos 70 anos?
Abraços!
"Hazard - 1. A hazard is something which could be dangerous to you, your health or safety, or your plans of reputation. (...) 2. If you hazard or if you hazard a guess, you make a suggestion about something which is only a guess and which you might be wrong." - Do Dicionário "Collins Cobuild"
abril 28, 2009
Ainda dos Rótulos
abril 26, 2009
Da Inutilidade dos Rótulos
"Você é neo-clássico, monetarista, keynesiano, novo-keynesiano, pós-keynesiano ou austríaco?"
Os blogs de economia, especialmente no Brasil, têm se transformado em uma guerra de rótulos, ao invés de idéias. A pauta mais comum em muitos debates econômicos, ao invés do problema em questão, é assumir (e atribuir ao debatedor) a participação em alguma seita cujos membros lêem os mesmo livros dos mesmos autores. O problema econômico, muitas vezes, é deixado de lado, e o debate converge para o enquadramento do oponente em alguma outra seita que, por conceito (na visão do proponente do debate), está errada na sua análise.
O debate entre neo-clássicos e novos-keynesianos, por exemplo, me parece de uma irrelevância fora do comum. O modelo básico novo-keynesiano (pense na estrutura de preços à la Calvo (1983), por exemplo) nada mais é do que o modelo neo-clássico de crescimento com um processo estocástico derivado de micro-fundamentos para o comportamento de preços e inflação. Tanto isto é verdade que, diante do ajuste do "parâmetro de Calvo" para um valor específico, o modelo todo converge para a estrutura neo-clássica, com otimização intertemporal na alocação entre consumo e investimento, as mesmas restrições a esquemas Ponzi e a mesma alocação no equilíbrio competitivo.
Ainda que as interpretações de alguns fenômenos sejam diferentes, a maior parte das recomendações sobre políticas derivadas destes modelos é muito parecida. Uma boa resenha das diferenças pode ser encontrada em Chari, Kehoe e McGrattan (2008). Ainda que o texto seja uma avaliação dos modelos novo-keynesianos a partir de uma perspectiva neo-clássica, os autores reconhecem:
"This critique should not diminish the fact that the areas of agreement among macroeconomists are now significant. In terms of methodology, we agree that in order to do serious policy analysis, we need a structural model with primitive, interpretable shocks which are invariant to the class of policy interventions being considered. In terms of the models themselves, most macroeconomists now analyze policy using some sort of dynamic stochastic general equilibrium (DSGE) model. This type of model can be so generally defined that it incorporates all types of frictions, such as various ways of learning, incomplete markets, imperfections in markets, and spatial frictions. The model’s only practical restriction is that it specify an agreed-upon language by which we can communicate, a restriction hard to argue with. An aphorism among macroeconomists today is that if you have a coherent story to propose, you can do it in a suitably elaborate DSGE model.
Macroeconomists are also beginning to agree on the nature of the reduced-form shocks needed to be included in a model in order for it to fit the data. In our 2007 work (...), we have argued that two particular reduced-form shocks play a central role in generating U.S. business cycle fluctuations. The efficiency wedge, at face value, looks like time-varying productivity. The labor wedge distorts the static relationship between the marginal rate of substitution of consumption for labor and the marginal product of labor. A consensus appears to be emerging on the importance of these two reduced-form shocks over the business cycle. This emerging consensus implies that we need to develop structural models which generate these wedges from primitive, interpretable shocks.
Macroeconomists also now broadly concur on two desirable properties of monetary policy. One is that the success of policy depends on policymakers’ commitment; the other, that interest rates and inflation rates should be kept low on average. More practically, most macroeconomists are comfortable with some form of inflation target with well-defined escape clauses."
A síntese da crítica neo-clássica se encontra nas hipóteses novo-keynesianas a respeito da origem dos choques, do tamanho dos modelos e da mensuração de alguns choques. Quem não é muito fã de modelos de otimização intertemporal encontra-se fora do debate, basicamente por falar uma "linguagem estranha", onde o mundo se dá o direito de não respeitar (ou o modelo, de esconder) restrições elementares e identidades macroeconômicas básicas (sim, este recado se aplica ao já famoso artigo do professor Buiter).
No Brasil, esta divisão assume uma desproporção incomum. Não vou citar exemplos, mas quem anda pela blogosfera econômica brasileira sabe do que falo. O debate se resume aos seguintes passos:
1) Proposição do problema, feita pelo autor do texto, com uma resposta parcial à questão;
2) Um contra-argumento de algum leitor baseado naquilo que seu grupo leu, muitas vezes ignorando por completo a argumentação original.
3) Uma resposta do autor, citando autores da "sua turma".
4) O enquadramento de ambos debatedores em algum grupo, e a conclusão (sofrível) que o problema não terá uma resposta porque, obviamente, os participantes vêem o mundo de maneira muito diferente e, conclusão derivada, acham que o outro estará sempre errado, por definição.
O debate, neste caso, assume uma dinâmica altamente ineficiente: por um lado, problemas novos lançados à discussão resultam na recuperação do debate anterior entre as "seitas" ("você nunca vai entender isto porque é da seita X"); por outro lado, os problemas antigos não encontram nunca uma resposta relevante, ou um denominador comum de análise, porque o debate sobre o problema em questão foi abandonado, ainda no estágio metodológico, em favor da rotulação mútua. E, o que é pior, muitas vezes o abandono do debate ocorre mesmo quando as diferenças metodológicas são imperceptíveis, como destacado no trecho de Chari, Kehoe e McGrattan (2008).
E que fique claro: a rotulação inútil ocorre não apenas na economia, mas na política, na sociologia, no futebol... tudo se reduz não ao que se pensa, mas ao que consta na carteirinha de sócio do clube.
"Você é neo-clássico, monetarista, keynesiano, novo-keynesiano, pós-keynesiano ou austríaco?"
Macroeconomista.
Um abraço!
abril 23, 2009
Susan Boyle
"Dear Mommy and Daddy - I am running away. I am sorry but I can no longer handle the monotony of middle class life. Everyone at school is a fucking idiot and if one more person talked to me about that Susan Boyle performance of Les Miserables I was going to puke my balls out through my mouth. I love you all, but I have to move on: I am going to Somalia to be a pirate."
Abraços!
abril 22, 2009
Mistificação? Quem?
Fim de carreira é isto aí!!! Gera até aquele que deve ser o post mais cheio de aspas que já escrevi.
Delfim Netto, na Folha de hoje (22/04), escreve uma coluna chamada "Mistificação". Nela, o ex-ministro desencava do fundo do baú a velha tese da inflação como "lubrificante" da atividade econômica. Vejam a beleza estruturalista do trecho, já no primeiro parágrafo:
"A taxa de 'inflação mínima' de um país é uma espécie de radiador que dissipa o calor (os aumentos de custo) produzido pelos atritos operacionais do sistema econômico: funcionamento inadequado das instituições (segurança, Justiça), falta de infraestrutura (estradas, comunicações), nível de competitividade (controle do poder econômico e regulação da concorrência) etc.
São dificuldades 'estruturais', que precisam ser removidas para que a 'taxa mínima de inflação' se aproxime das vigentes nos seus competidores externos."
O parágrafo seguinte começa com a sua "estimativa" da "taxa mínima de inflação":
"Nas condições atuais de temperatura e pressão vigentes no Brasil, essa 'taxa mínima de inflação' parece situar-se entre 4% e 5% ao ano, compatível com a atual meta de inflação, de 4,5%."
De onde veio o número de Delfim? Ninguém sabe, ninguém viu. Mas que se dê um desconto, por agora, pois colunas de jornal possuem regras muito estritas quanto ao número de caracteres.
O observador mais atento deve prestar atenção na sutileza da frase: dizer que "nas condições atuais de temperatura e pressão vigentes no Brasil" a "taxa mínima de inflação" (socorro!) é bem ajustada em 4,5% implica dizer que, se as "condições" mudarem, a taxa também muda! Quer dizer, se a economia sair da recessão atual, é possível, então, que esta "taxa mínima de inflação" seja maior que os 4,5%. Basta, por exemplo, assumir que o aumento de nível de utilização da capacidade instalada, natural em processos de recuperação do nível de atividade, gere um aumento do custo marginal de produção que sobrecarregue o "radiador", para usar a linguagem do primeiro parágrafo.
Mas aí vem o pior. Para fazer uma crítica à política monetária atual, Delfim larga a seguinte pérola:
"Envolvido no cipoal incestuoso do 'produto potencial' estimado pelo passado (que ele mesmo [Banco Central] construiu com sua política monetária), só obtém sucesso passageiro com a oportunística supervalorização do real, explorando o diferencial de juros interno e externo."
Na visão do ex-ministro, então, por um lado, o produto potencial da economia não deveria ser estimado "pelo passado". Mas, por outro lado, a "taxa mínima de inflação" veio de alguma observação empírica, por conceito também gerada... no passado!!! Ou isto, ou para ambos os conceitos, na visão "estruturalista-delfiniana", Deus desce à Terra, posta-se à frente do colunista e, por Sua Vontade, revela os números mágicos de inflação e produto que guiam a economia no longo prazo.
"Mistificação" usar os números do passado? E isto, onde fica?
Abraços!
abril 20, 2009
Não Confunda
Dada a repercussão do vídeo, vale a lembrança:
— "The Man" = "O cara", "o mais importante".
— "My Man" = "Meu chapa", "meu amigo".
Tirem suas conclusões.
Abraços!
abril 18, 2009
Comerciais de TV: Baú de Antiguidades
Os comerciais de tv por aqui costumam usar regravações de músicas antigas (cof, cof, cof) como trilha sonora, trazendo algumas pérolas esquecidas em algum canto da memória. Bons exemplos:
1) Reconhece a música deste comercial do Lincoln MKZ? Não? Onde fica Peter Schilling na sua lista dos anos 80?
2) Também do Lincoln MKZ, uma música em voz feminina. Em voz masculina agora, mas é David Bowie, so...
3) Para quem se lembra de "Risky Business", com Tom Cruise, a música "Old Time Rock and Roll", com Bob Seger, foi reaproveitada em uma paródia para o jogo Guitar Hero.
4) A seguradora Geico tem esta propaganda (meio assustadora) do dinheiro com "olhos", e a música de Rockwell, "Somebody's Watching Me".
5) A vassoura Swiffer também desencava as suas. "Baby, Come Back", da banda Player, é muito fundo do baú.
6) Também da Swiffer, outra propaganda na linha vassoura-abandonada tem a música da banda "Human League", com "Don't You Want Me, Baby". Esta, não achamos o video.
Tem muitos outros exemplos por aí, mas só pela amostra já dá para ver quão fundo o pessoal vai catar suas trilhas sonoras.
Abraços!
UPDATE: Lembrei de mais uma música, cantada na sequência das propagandas do "trading baby" do E*Trade: "Mr. Mister", com "Broken Wings".
Mais Algumas Notas
1) Depois da apresentação da quarta-feira, o cérebro parece um pouco derretido, está difícil voltar à rotina normal de trabalho, quanto mais escrever no blog. Mas vamos levando.
2) Sobre esportes, uma nota rápida sobre Duke, que eu não comentei desde o título da ACC. Fez uma participação decente no Nacional, passando pelas duas primeiras rodadas, e perdendo para Villanova, um time muito mais forte fisicamente. Muito chato o fato do rival local, a UNC, ter ganho o torneio nacional, mas, paciência. Expectativas para o ano que vem estão condicionadas à decisão de Gerald Henderson a respeito da NBA: se ele resolver terminar os estudos e completar os quatro anos de curso, Duke no ano que vem tem tudo para apresentar um time de ponta.
3) E termina o basquete, recomeçam os rumores sobre futebol: hoje eu e Chris fomos ao Spring Game da universidade, com os titulares jogando contra os reservas. Pouca coisa de interessante, a não ser as homenagens para os jogadores antigos do programa, que estão na cidade para a reunião de formandos.
4) Ainda sobre o doutorado, o Shikida chamou a atenção para um trabalho que apresentei como conclusão de uma cadeira. É uma peça que vai ser importante, mais na frente, para comparar resultados. Mas o que está por vir, e que estará publicado na minha página acadêmica, parece ser bem legal.
5) Ah, e antes que eu esqueça: FORA ROTH!!! ... Hã? O quê? Atrasado de novo??? Tá bem, deixa assim, então.
Abraços!
abril 15, 2009
ONU e Columbine
Para recuperar o tempo fora do ar, duas matérias no USA Today de ontem dão o que pensar:
1) Não interessa onde: dê o dinheiro sem a fiscalização necessária, e a porcaria está feita. Depois os EUA reduzem a importância de agências multilaterais, como a ONU, e isto vira "imperialismo", "arrogância", e outros adjetivos bastante lidos na imprensa brasileira. E vale dizer: a ONU torrou dinheiro do governo americano em planos de apoio no Afeganistão; será que o Brasil vai se importar se o dinheiro que está depositando no FMI tiver destino parecido?
2) Ao invés de "revoltados contra colegas", "desprezados da turma", "motivos de chacota" e "nerds de videogame", assassinos. Isto é o que sobra das investigações depois de 10 anos da tragédia em Columbine.
Abraços!
Uma Manhã Interessante
Desculpe a demora para voltar a escrever, mas estive bem ocupado. Claramente plagiando outro blogueiro, algo muito engraçado aconteceu hoje de manhã. Cada um na sua, mas que é legal, isto é!!!
Abraços!
P.S.: Se ainda não caiu a ficha, o site antes tinha esta abertura.
abril 02, 2009
março 26, 2009
Processo de Decisão no U.S. Treasury
Vejam como anda o processo de decisão do Tesouro Americano sobre salvar empresas do setor financeiro. Bem latino-americano. Por South Park.
Abraços!
P.S.: a pedidos, o link para o episódio inteiro.
março 24, 2009
"Das Kapital": O Musical
Suprema ironia, poço de contradições que só mesmo uma economia que começa a se abrir pode permitir: a obra maior de Karl Marx virará um musical estilo Broadway, na China!!! Diz a matéria:
"O estudo político-econômico sobre o capitalismo deverá se transformar em uma colorida narrativa ambientada em uma empresa onde os operários estão insatisfeitos com as condições de trabalho.
Na trama, eles descobrem que estão sendo explorados por um chefe inescrupuloso que só pensa em lucros e se revoltam.
Os trabalhadores decidem agir, mas não conseguem chegar a um acordo. Alguns empregados se amotinam, outros tentam barganhar coletivamente, e um terceiro grupo resolve continuar trabalhando."
Algumas perguntas pertinentes:
1) os atores do musical serão "explorados pelo dono do capital" da peça, gerando assim a "mais-valia" para o empresário?
2) a peça seria montada na China, nos mesmos moldes, se o regime econômico anterior ainda fosse vigente?
3) a peça tratará do destino de trabalhadores que se motinam em regimes não-capitalistas? (exemplos caseiros seriam bem-vindos, não?)
4) por fim, se o Ministério da Propaganda chinês vetar a montagem, poderemos saber os motivos?
Abraços!
março 23, 2009
"Óia Eu, Galvão! Tô na Globo"
A pose na foto, bem estilo estádio de futebol com cartaz pedindo pelo Galvão, mostrando o "sofrimento pelas horas perdidas com o excesso de trabalho", já justificaria o AUMENTO da carga horária.
A rima, muito rica, na mensagem, implora pelo AUMENTO da carga horária de literatura.
O "porque" e o "almenta" constituem uma súplica por mais aulas de português!
É o clássico tiro no pé. Se gastassem menos tempo no MSN, Orkut e afins, talvez tivessem evitado o mico.
Dica do Selva Brasilis.
Abraços!
P.S.: quem merece ser esculhambado pelo Galvão Bueno em estádio de futebol não precisa levar pedaço de papelão. Lembra, Sabino? :)
março 22, 2009
Rant: Uma Resposta Parcial
Muito boa a dica do blog do Mankiw sobre este texto do Prof. Scott Sumner, a respeito da hipótese dos mercados eficientes (EMH, em inglês), base da descrição dos mercados de ativos em modelos de equilíbrio geral. Parte da minha discordância em relação ao texto do Prof. Willem Buiter está exatamente na sua crítica à adoção da EMH. Ao comentar a solução dos modelos de equilíbrio geral, Prof. Buiter diz:
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Além de não entender o resultado sobre a equivalência entre a economia do "central planner" e a economia descentralizada no modelo neoclássico na sua forma mais básica (ver Stokey, Lucas & Prescott, 1999, capítulo 15, teoremas 15.3 e 15.4, mais conhecidos como o Primeiro e o Segundo Teoremas do Bem Estar), Prof. Buiter ignora também que, em economias onde a equivalência não se sustenta (caso da estrutura novo-keynesiana), ainda pode existir um equilíbrio suportando a convergência para um steady-state. Ou seja, mesmo que a formulação neoclássica não seja a mais adequada para o problema, a existência do equilíbrio pode ser provada a partir da análise das condições de primeira ordem dos agentes no modelo. E, para isto, uma estrutura de ativos ainda que parcialmente compatível com a EMH é necessária.
Assumindo-se, então, para satisfazer Prof. Buiter, que a EMH não se sustente de forma alguma, e que, ainda assim, seja possível estabelecer um equilíbrio para a economia, o que a ausência da hipótese traria de novo? Aqui entra o texto do Prof. Sumner, onde o grande resumo está aqui:
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Ou seja, seria ótimo, mesmo, ter modelos onde os trabalhos de Stiglitz, Akerloff, Shiller, entre outros, fossem incorporados. Infelizmente, como estes trabalhos não resultam em proposições gerais de política (uma vez que cada um destaca um aspecto dos mercados financeiros não tratados no "mainstream", o famoso equilíbrio parcial), o acréscimo de informação trazida para os modelos de equilíbrio geral acaba minimizado.
Além de não entender as proposições que derivam equilíbrios nos modelos de equilíbrio geral (como diria um famoso senador brasileiro, chamar estes modelos de "economias centralizadas" desperta em mim meus piores instintos...), Prof. Buiter atira trabalhos cuja generalidade dos resultados é mínima. Afinal, se o modelo dos autores acima citados é tão relevante, qual é a semelhança entre as crises de 1987, a de 2000 e a atual? "Ah, os investidores, em todos os casos, foram irracionais." E daí? A EMH permite explicar muitos eventos, mas não consigo explicar fatos esporádicos (um a cada 10 anos, na média dos três citados) sem partir para estudos de caso. E aí, onde fica a generalização que a teoria deve trazer?
Parte do meu "rant" está aqui. Com certeza, mais textos serão produzidos sobre as outras críticas feitas pelo Prof. Buiter, e que estão se espalhando sobre a técnicas de DSGE. Como estou sem tempo de produzir algo, vou colecionando estas observações aos poucos.
Abraços!
março 19, 2009
Overdose de Basquete
O país pára nesta época do ano, jogos todos os dias, do meio-dia até a meia-noite. E é apaixonante. Todo mundo dá os seus palpites, até o Presidente (se você acha que é um perfil falso que fez as escolhas, veja aqui). Para entender a paixão do americano pelo "March Madness", leia aqui. Até cirurgia de vasectomia é marcada com mais frequência nesta época, para os pacientes se recuperarem assistindo aos jogos.
Abraços!
março 15, 2009
Duke Basketball: ACC Champions!
Primeiro título que vejo Duke comemorar por aqui: Campeões do Torneio da ACC! Duke ganhou hoje de Florida State (que eliminou a universidade número 1 do ranking nacional, a rival UNC, nas semi-finais), com autoridade, em placar até relativamente dilatado.
Sinceramente, acho que se a UNC estivesse chegado na final, o resultado seria muito diferente. De toda forma, vale muito a comemoração. Agora, é esperar pelo início do torneio nacional, o famoso "March Madness", onde os 64 melhores times do país jogam partidas eliminatórias até o jogo final, que será disputado este ano em Detroit. É a melhor fase do ano em termos de basquete universitário.
Abraços!
março 14, 2009
Obama, Lula e Etanol: CQD
Como queríamos demonstrar: a abertura de Obama para o etanol da cana-de-açúcar não será aquela esperada pelos brasileiros mais ingênuos. Quem leu o blog, já esperava esta resposta.
Abraços!
março 12, 2009
Diálogo de Supermercado
— Chris, viu que o U2 vai iniciar uma nova turnê, e que vai ter show aqui nos EUA?
— Ah, que legal. Quais são as datas dos shows por aqui?
— Todos marcados para setembro, logo depois da criança nascer...
— Putz, que chato. Mas tudo bem, o Bono já virou Oreo agora...
— ???
— Sim, o Bono, antes, era como o biscoito: recheado, gostoso e vitaminado. Agora virou Oreo: só engorda.

Abraços!
março 11, 2009
Preferências
Estou passando por um dilema agora que, sempre acreditei, jamais passaria na minha vida. Explico.
A ESPN está passando os jogos eliminatórios do campeonato do Big East (uma das conferências, talvez a mais forte do país junto com a ACC, onde está Duke). Jogos eliminatórios, os garotos jogando no Madison Square Garden, tudo de bom para quem gosta de basquete. O jogo agora é entre Marquette (#21 no ranking nacional) contra St John's, que nem faz parte dos 25 melhores do país. Marquette está triturando St John's.
A ESPN2 está abrindo as transmissões de Inter de Milão e Manchester United. Copa dos Campeões da UEFA. Alguns dos melhores jogadores de futebol do mundo jogando no Old Trafford. Segunda partida da série, vale vaga nas quartas-de-final.
Até um tempo atrás, não haveria dilema algum sobre onde deixar a tevê ligada. É estranho, mas a tevê está no basquete, "and I feel fine".
Abraços!
Rant: A Origem
Apareceram solicitações para que a pancadaria começasse a correr solta aqui no blog. Um dos textos que me deixaram muito irritado foi este. Recomendo, a quem quiser entender o que vou postar nos próximos dias, que leia o texto com muito cuidado. Mas tome cuidado mesmo, já que tem muita infelicidade e, até diria, um tanto de rancor acadêmico no texto deste senhor. Fim de carreira deve ser uma fase triste da vida, mesmo.
Abraços!