setembro 04, 2008

"Ele Só Estuda: Trabalho Nem Pensar"


"Às vezes, um cidadão se forma na USP, na Unicamp, na Universidade Federal de Recife, depois ele ganha uma bolsa e vai passar dois anos em Paris, fazendo pós-graduação, fazendo mestrado. Depois, se ele ganhar mais uma bolsa, passa mais dois anos em Berlim. Depois, ele ganha mais uma 'bolsinha', tem gente que vive de bolsa também, e vai para Londres ficar mais dois anos, ou seja, nunca há um tempo para ele retribuir com trabalho aquilo que foi o pagamento que o povo brasileiro garantiu para ele."

 blog it

Aí eu fico irritado, depois de ser chamado de babaca, de metido a besta, e o povo não sabe por quê. Ele parece com uns amigos da minha mãe que perguntavam para ela o que ia fazer depois de formado. Ela dizia que eu ia para o mestrado, e eles não entendiam ("como assim? Ele vai ficar estudando até quando?"). Coisa tacanha, mesmo, coisa de país que não valoriza educação...

Mais uma coisa: vivo de bolsa, sim. Bolsa por mérito. Bolsa porque estudei, porque fiquei entre os melhores da avaliação tanto da CAPES quanto do Banco Central quando apliquei para sair. Mas não ganho bolsa eterna por ter sido preso por 20 dias durante a ditadura: teria vergonha de pedir por isto.

E chega, senão a úlcera se cria.

Abraços!

Hanna Vem Aí

Vai ser um final de semana para ficar em casa.

Abraços!

Alasca Perto da Rússia



Logo, governadores do Rio Grande do Sul são automaticamente especialistas em Argentina e Uruguai???? De acordo com Cindy McCain, sim! Aqui também se ouve muita bobagem durante a campanha...

Abraços!

setembro 02, 2008

Amigo Punk – O Mundo Encantado de Bebele, Parte 1

Ah, a pré-adolescência e suas fases criativas. De tempos em tempos, vou postar aqui algumas notas sobre uma pré-adolescente que eu conheço, que vou identificar como Bebele. Bebele está descobrindo o namoro, ainda que pela internet. Fica aqui, então, o meu conselho/homenagem para o mais recente namorado dela...

Amigo Punk

Graforréia Xilarmônica

Amigo punk,
escute este meu desabafo
que, a esta altura da manhã,
já não importa o nosso bafo

Pega a chinoca,
monta no cavalo e desbrava essa coxilha!
Atravessa a Osvaldo Aranha
e entra no Parque Farroupilha

Amanhecia,
e tu chegavas em casa, com asa!
A tua mãe dá bom dia
e se prepara pra marcar o gado com o ferro em brasa

E não importa se não tem lata de cola
eu quero agora é sestear nos meus pelego
com meu cavalo galopando campo afora
o meu destino é Woodstock mas eu chego

Aonde eu ouço a voz da cordeona
já escuto o gaiteiro puxando o fole
vai animando a gauderiada no bolicho
enquanto eu sigo detonando o hardcore!!!


O quê? O amigo punk de Bebele ouve hip-hop? Mas ele não se diz "punk"?!?! Puxa, homenagem errada! Foi mal, mas eu achei que ele tivesse bom gosto para música também...

Abraços!

agosto 31, 2008

Do E-Mail

Como quase todo mundo, costumo receber muita bobagem pelo e-mail, em especial as detestáveis correntes. Entretanto, esta mensagem que reproduzo parcialmente abaixo reflete bem o lamentável estado do ensino da matemática nas escolas do Brasil:


"Semana passada comprei um produto que custou R$17,75. Dei à balconista R$20,00 e peguei na minha carteira 75 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A moça do caixa pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer. Tentei explicar que ela tinha que me dar R$3,00 de troco, mas ela não se convenceu e chamou o Gerente para ajudá-la.

Por que estou contando isso? Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática, que gradativamente foi se degenerando pouco-a-pouco, assim:

1. Ensino de matemática em 1950: Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970: Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção desse carro de lenha é igual a 80% do preço de venda. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980: Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção desse carro de lenha é R$80,00. Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990: Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( ) R$20,00 ( ) R$40,00 ( ) R$60,00 ( ) R$80,00 ( ) R$100,00

5. Ensino de matemática em 2000: Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção desse carro de lenha é R$80,00. O lucro é de R$20,00. Está certo?
( ) Sim ( ) Não

6. Ensino de matemática em 2008: Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção desse carro de lenha é R$80,00. Se você conseguiu ler, coloque um X no R$20,00.
( ) R$20,00 ( ) R$40,00 ( ) R$60,00 ( ) R$80,00 ( ) R$100,00"

Enquanto isto, a Chris, nesta semana, estava me descrevendo um trabalho que um dos chefes dela no serviço teve que ensinar uma criança a fazer. Este chefe dela recebe famílias de refugiados políticos de países "desenvolvidos", como o Cambodja, Vietnam, Coréia do Norte e afins, e auxilia na adaptação destas famílias ao novo país. Entre as tarefas que o chefe dela executa está o acompanhamento das crianças na escola, já que os pais, por não saberem falar inglês, não têm condições de aparecer nas reuniões com professores.

Mas, voltando ao trabalho da criança, ela precisava apresentar um cálculo que explicasse, aproximadamente, o número de barbeiros existentes na cidade de Durham. Para mostrar como fazer o cálculo, o chefe da Chris fez a criança pegar a lista telefônica da cidade e contar quantos barbeiros existiam. Considerando a população de Durham, e o número de cortes de cabelo que uma pessoa média faz por ano, e o número de cortes de cabelo que um barbeiro faz por mês, seria possível fazer uma aproximação razoável deste número.

A pobre criança vietnamita não entendia como desenvolver este raciocínio para chegar a um número como este: ela estava acostumada ao ensino de regras que deveriam ser repetidas à exaustão até que fosse entendida.

Alguém teria coragem de colocar a balconista do e-mail para fazer esta atividade que a criança vietnamita estava enfrentando no ensino primário? Não duvido, também, que a balconista que não sabe calcular o troco esteja se esforçando para obter um diploma de terceiro grau, em alguma universidade que tenha exigências extremas, como cálculo de regra de três, percentagens, e outras "complexidades" matemáticas...

Abraço!

agosto 28, 2008

É o Lucro, Estúpido!!!

Em tempos de eleições americanas, nada como lembrar James Carville, assessor democrata que cunhou a frase famosa "It's the economy, stupid!", depois de ler a declaração do Ministro da Agricultura brasileiro no NYT:


clipped from www.nytimes.com

Rising food prices mean many farmers around the world are reaping record profits. And South America’s agricultural powerhouses, Brazil and Argentina, are responding to the farming windfall in opposite ways.

The government in Brasília wants it to stay that way. Last month, it announced a $49 billion credit line for farmers, up 12 percent from last year’s total. Officials said farmers needed the credit to buy tractors and other machinery, pay for seed and fertilizer — which have also risen in price — and to increase productivity.

“We need to give incentives to producers because people are buying and eating more,” said Reinhold Stephanes, Brazil’s agriculture minister. “This is our opportunity to produce and export more, and help to reduce hunger in the world.”

 blog it

Custa muito entender que, quando os produtores aumentam a sua produção, é porque eles querem lucrar mais, e não "acabar com a fome do mundo"?!

Esta bondade compatível com a Madre Tereza de Calcutá ainda acaba com o Brasil...

Abraços!

agosto 25, 2008

Ganhou o Melhor

E fica aqui o registro com o comercial da Nike com Marvin Gaye interpretando o hino americano no All Star Game de 1983. Os jogadores americanos treinavam ao som deste remix todo o dia.

Abraços!

agosto 23, 2008

Apresentação – 2

Último post sobre a babaquice presidencial: vale a pena ler o texto de Rui Fabiano no Blog do Noblat. Disse tudo, e disse bem.

Não falo mais pois tenho que aprender a controlar a raiva. Acabei me dando conta que guardo desnecessariamente certos rancores por tempo demasiado (exemplo aqui). Não deve fazer bem, ainda que a provocação seja grande.

Abraços!

P.S.: a propósito de guardar rancor, não sou só eu que estou nessa. Calma, Shikida!

agosto 21, 2008

Apresentação

Este é o blog do Duke "babaca" of Hazard. Porque dinheiro público não pode financiar fábricas de diplomas.

Abraços!

agosto 20, 2008

Debates em Economia

No blog do Freakonomics, Justin Wolfers relembra um texto de George Stigler, publicado no Journal of Political Economy. Deixo um desafio aos meus amigos economistas: da lista elaborada em 1977 (sim, 31 anos atrás), quantos tópicos descritos por Stigler você ouve com frequência nos seminários que participa? Eu ainda ouço com muita frequência os itens 1 (talvez trocado por outro autor), 3, 7, 8, 9, 11, 12, 17, 18, 19, 22, 23, 25, 26, 27, 28, 29 e 30 (18 dos 32 listados). Se eu participasse de discussões mais voltadas à microeconomia, outros itens seriam incorporados à lista.

Um comentário, entretanto, do post de Freakonomics me fez lembrar de uma discussão bem elaborada ocorrida pouco tempo atrás na blogosfera (ver uma síntese dos posts aqui, no Degustibus). Justin Wolfers escreve, com propriedade, que é a rigidez e clareza do framework neoclássico que faz com que as perguntas sejam atuais: colocar uma idéia nova dentro de um paradigma reconhecido pela maioria implica, evidentemente, provar que esta idéia cumpre os requerimentos de um mesmo conjunto de condições (e, caso não cumpra, mostrar por que isto não ocorre).

Aí aparece, na minha opinião, a importância da matemática na organização das idéias, e a grande falha da formação do economista no Brasil. Não vou entrar nos exemplos listados pelo Márcio, pela complexidade, mas trazer algo mais associado ao que lemos em jornais. É impressionante como o debate, no Brasil, confunde com muita frequência o que deve ser visto como endógeno ao sistema daquilo que é absolutamente exógeno (as chamadas "driving forces" dos estudos de business cycles). E esta separação, mais do que uma questão metodológica, é um problema matemático: é impossível obter uma solução para um problema se "tudo está interligado". Se todas as variáveis são endógenas, eu não tenho solução! O melhor exemplo que encontrei está aqui, onde alguém descreve um problema que, por conceito, não pode ser resolvido: se a inflação hoje diminui a renda de amanhã, fazendo com que a inflação futura caia, então a inflação de hoje surgiu do vapor, já que, supostamente, a renda real de hoje depende da inflação passada, que estava controlada.

Entretanto, ao invés de trabalhar conceitos abstratos nos primeiros anos do curso de economia, para daí evoluir para os modelos aplicados, os cursos de graduação preferem gastar tempo desenvolvendo estritamente a matemática necessária para os problemas imediatos que os alunos encontrarão (é o cálculo para os problemas de otimização de Micro I, a álgebra matricial para Econometria e as equações diferenciais para Macro), e olhe lá! (Estou sendo muito generoso com a estrutura da maioria dos programas, admito.)

A discussão entre blogs evoluiu para a matemática como linguagem, e as supostas limitações da matemática, consideradas pela Escola Austríaca, para expressar fenômenos econômicos. Eu admito que boas idéias possam ser transmitidas fora da linguagem matemática (o próprio Keynes, na Teoria Geral, usava de conceitos básicos de cálculo, como a propensão marginal ao consumo, ainda que o livro não tenha uma equação). Entretanto, idéias somente sobrevivem se não forem falseadas pelos fatos. Aí, um mínimo de estatística e econometria é fundamental. E econometria bem feita, só com uma boa base matemática. Podemos discutir a matemática como método para apresentar idéias, mas não há discussão que a boa base matemática comprova a validade de uma idéia.

Por fim, voltando a Stigler, um pedido aos colegas: não usem a lista para fazer "perguntas inteligentes"!!! Todo mundo conhece aquele tipo que faz sempre a mesma pergunta em todo o seminário que participa, e sempre com aquela pose de "agora vai a minha pergunta inteligente". Em 99% dos casos, a "pergunta inteligente" está contida nesta lista. Então, por favor, mais uma vez, um esforço não vai mal nos debates, ok?

Abraços!

Mundo Cão TV

A causa é boa, mas este é um programa que eu não assistiria, de forma alguma!

Abraços!

agosto 19, 2008

Sem Conspiração

Interessante a seqüência de fotos publicadas no site da Sports Illustrated sobre a chegada da prova dos 100 metros, nado de borboleta, onde Phelps ganhou a medalha de ouro por apenas 1 centésimo de segundo. Notem, na foto número 5, como os dedos da mão direita de Phelps estão completamente curvados, configurando o toque na parede. Enquanto isto, a mão de Milorad Cavic ainda está completamente aberta, esticada.

É para acabar com qualquer teoria conspiratória sobre o assunto.

Abraços!

agosto 17, 2008

Jogos no Brasil: Complementando

Além dos detalhes de organização que o "nosso" Hans Donner pode promover, Jogos Olímpicos no Brasil poderiam incluir novas modalidades, como bem destacado aqui no "Reality is out there".

A propósito, já notaram que andei revisando (e ampliando) a barra lateral de links? Está ficando bem legal a coleção, muita gente boa.

Abraços!

Nessun Dorma

"Dilegua, o notte! Tramontate, stelle! Tramontate, stelle! All'alba vincerò! Vincerò! Vincerò!"

Abraços!

Assim Se Perde Uma Eleição

Notícia na Folha Online ajuda a explicar por que a candidatura Obama não apresenta a larga vantagem esperada pela maioria dos analistas políticos ao redor do mundo. Segue trecho:

Os dois falaram também sobre o casamento homossexual e o aborto.

O moderador perguntou a Obama quando ele acreditava que um bebê começava a ter direitos humanos.


"Acho que, enxergando tanto por uma perspectiva teológica quanto por uma perspectiva científica, responder a esta pergunta específica está além de meu alcance", declarou o candidato democrata.


McCain, que é contra o aborto, respondeu à mesma pergunta de modo direto: "A partir do momento da concepção".


"Serei um presidente pró-vida, e esta presidência terá políticas pró-vida", concluiu.

 blog it

É famosa a história do debate Bush-Kerry, em que a questão do aborto foi discutida, e a resposta de Kerry deu a deixa para que Bush o massacrasse no debate. Depois de uma longa divagação de Kerry sobre o conflito que ele terá enquanto presidente, em função de suas origens católicas, entre outras enrolações, Bush deu a primeira estocada na réplica:

clipped from www.debates.org

GIBSON: Mr. President, minute and a half.


BUSH: I'm trying to decipher that.


My answer is, we're not going to spend taxpayers' money on abortion.


This is an issue that divides America, but certainly reasonable people can agree on how to reduce abortions in America.


I signed the partial-birth -- the ban on partial-birth abortion. It's a brutal practice. It's one way to help reduce abortions. My opponent voted against the ban.


I think there ought to be parental notification laws. He's against them.


I signed a bill called the Unborn Victims of Violence Act.


In other words, if you're a mom and you're pregnant and you get killed, the murderer gets tried for two cases, not just one. My opponent was against that.

 blog it

Depois da estocada, Bush seguiu falando sobre seus projetos e o que o seu governo tinha feito até aquele ano. Foi dada uma tréplica a Kerry, que tremeu e ficou reclamando das "acusações" que o adversário lhe fazia. Aí Bush liquidou a parada:

clipped from www.debates.org

GIBSON: And 30 seconds, Mr. President.


BUSH: Well, it's pretty simple when they say: Are you for a ban on partial birth abortion? Yes or no?


And he was given a chance to vote, and he voted no. And that's just the way it is. That's a vote. It came right up. It's clear for everybody to see. And as I said: You can run but you can't hide the reality.

 blog it

Obama pode ter uma ótima retórica, mas se não firmar posição em pontos prezados pela maioria dos americanos, perde. E isto não tem nada a ver com raça: tem a ver com a firmeza que o americano exige de seu presidente.

Não vou estabelecer paralelos com a última eleição presidencial no Brasil porque meu humor está muito bom hoje. Só vou dizer que, aqui, cada candidato veste a sua jaqueta, e não a dos outros. Pronto, já me irritei...

Abraços!

P.S.: para quem se interessar pela íntegra do debate, ler aqui. O site é da Commission of Presidential Debates, uma instituição responsável pela organização dos grandes debates nas eleições para presidente nos Estados Unidos. O site tem a transcrição dos maiores debates para a presidência desde as eleições de 1960 aqui. Imperdível.

agosto 16, 2008

Façam Suas Apostas

Se você confia em fontes "do governo", compre dólar. Agora. Neste instante. Quem diz isto não sou eu: é "o governo" (amanhã deve aparecer uma matéria dizendo que "a Folha apurou que o presidente Lula...", exatamente com estas palavras. Preste atenção no autor das matérias.).

Vale a pena, mesmo, seguir a recomendação "do governo" e comprar dólar? Façamos as contas. De acordo com a última cotação disponível, um dólar custa R$1,6196 (peguei a cotação no IPEADATA, já que o site do BC estava fora do ar). De acordo com a matéria, um dólar custará, em 31 de dezembro deste ano, R$1,70. Isto daria um rendimento de 4,96% neste período. Fazendo um arredondamento grosseiro (assumindo que estamos no último dia de agosto, só para contarmos o número de meses restantes até o final do ano), isto daria, em uma taxa anualizada, um ganho de 15,64% (= (1 + 0.0496)^(12/4), se tiver curiosidade de jogar no Excel). Como a taxa Selic está em 13%, você deve ter um ganho de 2% acima do mínimo que o mercado pagaria neste período. Legal, né?

Agora, preste atenção: compre se você confia "no governo"!!! Eu acho impressionante como certos jornalistas resolveram aparecer recentemente com matérias a respeito da condução da política econômica (não notaram? Então vejam aqui, aqui, aqui e aqui). O mais legal, mesmo, é notar como certas expressões usadas nas reportagens se parecem muito com as usadas em outra matéria, de outra revista, com um auxiliar do governo que tem nome e sobrenome, mas não tem nada a ver com a área econômica.

Eu não acredito que o câmbio termine a R$1,70 este ano. Para falar a verdade, acho que qualquer economista com um mínimo de humildade diria que dar um palpite sobre a taxa de câmbio daqui a quatro meses é bastante arriscado. Mas, saiba, se você confia "no governo" (e lembre-se que "a Folha apurou" isto), compre dólar. Agora.

Abraços!

Da Força do Esporte Universitário... Americano

Quando o principal assunto das Olimpíadas parece ser o avanço chinês no quadro de medalhas, matéria da Folha falando de Cesar Cielo me chamou a atenção. O trecho abaixo foi tirado de um site que reproduz a matéria na íntegra:


clipped from www.swim.com.br
Os primeiros treinos de César Cielo com Gustavo Borges no clube Pinheiros, em São Paulo, aconteceram porque a mãe (...) queria tirar da cabeça do filho adolescente a idéia de se mudar para os EUA.

Anos mais tarde, entretanto, a ida do rapaz para o exterior se tornou uma opção necessária, apoiada pela família. O nadador não encontrava no Brasil o que teria em Auburn: uma bolsa para estudar e treinar.


Em tempos de aporte estatal de recursos cada vez maior no esporte, César Cielo chegou ao pódio olímpico seguindo caminho contrário ao que cartolas da natação almejavam.


Em 2006, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos cortou o patrocínio de quem treinava no exterior. Queria suas estrelas sendo trabalhadas no país. Os Jogos de Pequim encerram o primeiro ciclo olímpico completo do Brasil com recursos da Lei Piva.

Neste ano, na reta final de preparação olímpica, Cielo foi incluído na "tropa de elite" da seleção brasileira e recebeu atenção e verba especiais para disputar competições.

blog it

Além de servir, por motivos óbvios, para mostrar mais uma vez que a intervenção estatal não funcionou para que o Brasil garantisse uma medalha de ouro nestas Olimpíadas (mesmo com dinheiro público, Cielo resolveu se mudar para os EUA para treinar), a matéria revela também mais uma face da estrutura do esporte universitário americano: movidos pelo dinheiro de patrocinadores e pela possibilidade de gerar heróis olímpicos, universidades (na sua maioria privadas, diga-se) investem muito dinheiro na formação de atletas por aqui.

César Cielo talvez seja agora um dos exemplos mais evidentes, mas deve-se lembrar, na natação brasileira, que Gustavo Borges, quando ganhou a medalha de prata, treinava na Universidade de Michigan. Outros exemplos?

a) Ainda na natação, Michael Phelps também treinou em Michigan;
b) Nestas Olimpíadas, como já falei, o treinador da seleção americana de basquete masculino, formada inteiramente por profissionais, é Mike Krzyzewski, de Duke (thank you, very much!);
c) Mesmo fazendo parte de uma geração em que, para entrar na NBA, não era necessário passar pelo esporte universitário, apenas três jogadores da seleção americana não tiveram passagem por universidades daqui (o time é formado por 12 jogadores);
d) Fora do circuito olímpico, Tiger Woods é formado (em economia, diga-se de passagem) por Stanford.

Enquanto isto, no paralelo inevitável, o Brasil completa o primeiro ciclo olímpico com dinheiro público correndo diretamente nas veias. Que tal o desempenho do país até agora? Muito diferente de quando não existia a Lei Piva? Acho que não. Dá para sonhar com um bom desempenho olímpico sem pensar em algum tipo de retorno capaz de atrair dinheiro que financie estruturas de treinamento? Também acho que não. E vale lembrar aos defensores de esportes "amadores": as maiores chances restantes de medalha para o país estão, justamente, naqueles esportes que ou possuem uma liga profissional razoavelmente organizada (futebol, vôlei, vôlei de praia), ou se expõem fortemente à competição no exterior (ginástica e vela). Quem recebe o leite de pata na veia, está estagnado ou decadente (natação, judô e, principalmente, o basquete).

Abraços!

agosto 14, 2008

Breakfast of Champions

Michael Phelps redefine a expressão do título acima. Em entrevista recente, Michael descreveu o seu cardápio diário (eu disse DIÁRIO) de café da manhã:

1) Três sanduíches com ovo frito, alface, tomate, queijo, cebola frita e maionese;

2) Dois copos de café;

3) Um omelete de cinco ovos;

4) Três fatias de pão torrado com açúcar de confeiteiro;

5) Uma tigela de grits, que pela descrição parece ser algo próximo de uma polenta;

6) Três panquecas com chocolate.

A refeição tem um total de 4000 calorias, que corresponde ao dobro do que uma pessoa média na idade dele deveria consumir em um dia.

Anormal.

Abraços!

agosto 12, 2008

Papa Essa, Brasil!!!!

É isso aí!!! Agora vai! Depois da notícia a respeito da cerimônia de abertura das Olimpíadas, falando que alguns efeitos especiais só foram vistos por quem estava em casa, me dei conta que o Brasil tem tudo para fazer as melhores Olimpíadas da história: basta seguir o padrão chinês! E o grande coordenador, organizador, empreendedor do modelo chinês já está no país: com Hans Donner, não tem prá ninguém!

Já imaginaram? Com o talento tupiniquim-austríaco, dá para não apenas fazer uma cerimônia de abertura muito superior à chinesa, mas também corrigir muitos problemas que o país ainda enfrenta:

a) que tal um Photoshop para colocar a floresta amazônica no meio do Rio de Janeiro, para tornar verdadeira a impressão da maior parte dos estrangeiros que vão para o Brasil?

b) não rola uma montagem de vídeo para fazer a Rebeca Gusmão um pouco menos deformada, e assim poder competir sob influência de substâncias não permitidas? Se Hans Donner desenhou a Globeleza, um ajuste destes é uma barbada...

c) com uma abertura para o Fantástico como esta, medalhas no salto no trampolim sincronizado, nado sincronizado e alguns aparelhos da ginástica olímpica estarão garantidos. Outras coisas sincronizadas também podem ser feitas, até para melhorar a infra-estrutura deficiente do país: transporte público no horário, aeroportos com chegadas e saídas pontuais, eventos com o público chegando na hora certa (ao invés de 5 minutos antes do começo do evento)...

d) diante da qualidade sonora de suas apresentações, o barulho da torcida brasileira poderia ser abafado nas transmissões de televisão, enquanto na real a galera, comandada por senhores sem noção da realidade, como Oscar Schmidt (alguém lembra disto?) e o corneteiro com aquele senhor gordo que estão sempre nos jogos do vôlei de praia, mandam ver nas vaias e apupos para os nossos rivais ("usamericanu não podi levá na nossa casa!!!!").

e) por fim, diante da grandeza do evento, não dá para repetir o ocorrido no Pan: favor selecionar apenas colegas do Partido para a platéia na cerimônia de abertura, já que o Presidente de então não pode nunca ser vaiado.

Agora vai! Papa essa, Brasil!!! Rumo a 2016!

Abraços!

P.S.: link em português para uma matéria sobre as invenções chinesas.

agosto 09, 2008

Ele Voltou



Homem de preto, qual é tua missão?

ENTRAR NA FAVELA E BOTAR CORPO NO CHÃO!!!

Homem de preto, o que é que você faz?

EU FAÇO COISAS QUE ASSUSTAM SATANÁS!!!

Abraços!!!

As Melhores Fotos Olímpicas

Nada como um "lame duck" para proporcionar estes momentos!!! Com direito até a atleta do vôlei de praia dando agachadinha para receber um tapinha presidencial na bunda (diga-se, correta e polidamente recusado pela - ainda - autoridade presidencial).

Como disse uma vez o Letterman: nós ainda vamos sentir falta deste cara para nos fazer rir.

Mais fotos aqui.

Abraços!

P.S.: entretanto, diga-se, a visita de Bush às Olimpíadas entra para a história, como a primeira ida de um presidente a jogos olímpicos sediados fora do território americano.

agosto 06, 2008

Expectativas Já Frustradas

Ontem, assistindo a um pedaço do programa do Larry King, na CNN (a tv, nesta época, é uma porcaria, não tem nada que preste), vi um pouco da entrevista dele com os três principais âncoras do noticiário nacional da televisão americana: Brian Williams, da NBC, Katie Couric, da CBS, e Charles Gibson, da ABC. Eles estão reunidos para uma campanha que busca levantar fundos para a pesquisa contra o câncer. Mas este não é o ponto do post, desviei, desculpa...

Em dado ponto da entrevista, Larry King pergunta aos seus convidados se eles irão a Beijing. Brian Williams responde:


clipped from transcripts.cnn.com
Yes, I am. I'm leaving shortly. We'll be in place by Thursday night for "Nightly News". And, you know, "The Today Show" and "Nightly News," in all of the years we've had the Olympics, traditionally go. And there's a lot going on, a lot to report on. Boy, I could make a bigger case this year that we're going to be standing dead center at a huge global news event when we arrive there and go on the air every night, which will be interesting at 6:30 in the morning for a 6:30 p.m. Air time in the States.

But I can't wait to get over there. We're going to keep the trip open-ended. See how China does. See how the visitors do. Everything from the environment to protests and all of that. So I'm very anxious to get over there and get in place.
 blog it

Pobre jornalista americano. Se depender da polícia chinesa, as suas expectativas quanto à cobertura de eventos serão frustradas, já que a última coisa que ele verá por lá serão protestos. Ainda que, pelo visto, a polícia terá um bocado de trabalho.

Abraços!

agosto 05, 2008

Pelado, Mas de Bicicleta!

Excelente o texto, mais um do pessoal do Apostos, desta vez do Mauro, do Diacrônico. Uma coisa que eu não consigo entender neste pessoal que propões pautas políticas alternativas, buscando "um outro mundo possível" e coisas do gênero, é por que toda a manifestação deve ter algum ponto chocante. Será que organizar um passeio com milhares de ciclistas, em uma cidade com problemas severos de trânsito como São Paulo, já não seria suficiente para provar a viabilidade da bicicleta como meio de transporte? A pauta é tão fraca que, para aparecer, tem que submeter os manifestantes ao ridículo de andar pelado? Tenham dó.

Abraços!

agosto 03, 2008

Passeio Pela Blogosfera Dominical

1) Competição de ipês: onde estão os mais belos ipês do Brasil? Belo Horizonte ou Teresina? Veja as fotos e decida o "debate" entre Shikida e S.

2) Sobre debate, boa discussão no blog de Freakonomics a respeito da externalidade negativa gerada por estudantes que sofrem de violência doméstica. Além da discussão de um paper com dados relevantes, que quantificam estes efeitos, o bate-boca na área de comentários entre um professor com 15 anos de experiência de sala de aula dizendo que "precisaram de tudo isto para dizer o que todo mundo já sabe" e o resto da lista, argumentando que (também) é assim que se faz ciência, mostrando e quantificando o que se tem por senso comum.

3) Fui convidado, mas infelizmente não tive tempo para contribuir, para escrever um dos textos que formaram este e-book, organizado pelo Shikida, sobre a famigerada "lei seca" que regula atualmente a relação entre o consumo de álcool e o trânsito no Brasil. Ainda não li, mas uma passada rápida de olhos recomenda.

4) Ah, as séries de tempo... Alexandre cita um exercício que ele fez para tentar entender os fatores que influenciaram a trajetória do câmbio desde a adoção do regime flutuante no Brasil. Fatalmente, ele deve ter utilizado alguma composição de instrumentos para fazer a estimação, e aí o meu "desânimo" com o exercício: a) que combinação de instrumentos usar? b) eles são mesmo "exógenos" para que o exercício seja "validado" pela teoria econométrica? c) Ainda que sejam válidos, o estimador 2SLS é apenas consistente: qual a influência do tamanho da amostra? Pelos dois últimos aspectos que eu tenho gostado cada vez mais dos procedimentos bayesianos para avaliar a verossimilhança de um modelo mais geral. A partir de uma estrutura imposta pelo modelo, os dados passam a refletir o quão "próximo da realidade" ("próximo da realidade" = "verossimilhança") o modelo se encontra, e daí saem os parâmetros desejados. É mais uma face da discussão entre GMM vs bayesianos para a estimação de modelos de equilíbrio geral. E a minha experiência com GMM para séries brasileiras me leva a crer cada vez mais no método alternativo.

5) Economia e humus??? Eca! Não gosto de humus... Mas a piada é boa. Do Blog do Mankiw.

6) Sobre meninas: girando pelo pessoal do Apostos, como escreve a Nariz Gelado, ou A Postos, como escreve a Janaína, encontrei este cartaz precioso. Cuidado mesmo é com a Amanda!!!

7) Belíssima animação no site do Estadão, na matéria que trata das macrometrópolis do futuro.

8) Contra fatos, não há discussão.

9) Sobre esportes, "His Airness" resolveu dar uma aula para a criançada... Aos 45 anos, ele ainda é capaz de enterrar a bola. Acho que seria um bom momento para chamar os próprios filhos para um "um-contra-um", e mostrar como é que se faz.

10) Ainda esportes, expectativa em Duke: Coach K no comando do "Redeem Team". A impressão que a imprensa passa é que, se a seleção americana de basquete masculino não ganhar o ouro em Pequim, o mundo acaba.

Abraços!

julho 30, 2008

Redescobrindo: Tempo Rei

Dando sequência aos posts da série "Redescobrindo", nunca uma letra foi tão atual... Só com Gil saindo do ministério que pude lembrar da existência da música.

Tempo Rei

Por Gilberto Gil

Não me iludo
Tudo permanecerá
Do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando
Todos os sentidos...

Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva
E pelo eterno vento...

Água mole
Pedra dura
Tanto bate
Que não restará
Nem pensamento...

Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me
Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo
Socorrei!...

Pensamento!
Mesmo o fundamento
Singular do ser humano
De um momento, para o outro
Poderá não mais fundar
Nem gregos, nem baianos...

Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas
De repente ficam sujas...

Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo
Pode estar por um segundo...

Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me
Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo
Socorrei!


Chris e eu concordamos que a melhor interpretação da música não foi a do ex-Ministro, mas, sim, a gravação feita por Lobão. Infelizmente, não encontramos nenhum site para colocar a música no ar.

Abraços

Alguém Viu Isto?

A imprensa no Brasil falou bastante sobre André Martins, o brasileiro que foi baleado pela polícia de Yarmouth, Massachusetts, com destaque aos procedimentos da polícia (abordar um carro com tiros, sem saber da condição do motorista, etc). Também foi entrevistado o pai do rapaz morto, que, com toda a dor de pai que perde filho, declarou que "imigrantes são esquecidos naquele país".

Agora, depois que a investigação começou a andar, eu não encontrei mais referência alguma, por exemplo, a isto:

Andre Luiz de Castro Martins was in and out of court more than a dozen times in the past six years for charges including assault and battery with a car, malicious destruction of property, and threatening to kill his girlfriend.

Most recently, he had been charged Friday for driving without a license. It was the fourth time since 2002 that he had been charged for driving without a license. Another time, he had been charged with driving on a suspended license.

But despite a history of run-ins with the law and having overstayed a tourist visa, the 25-year-old Brazilian man, who was shot to death by a Yarmouth police officer after a high-speed chase early Sunday morning in West Yarmouth, had never been deported.

In fact, the federal government did not have a warrant of deportation out for him, Immigration and Customs Enforcement spokeswoman Paula Grenier said.

 blog it

Ou seja, a "polícia malvada, assassina de imigrantes honestos" não tinha um mandato de deportação do brasileiro, mesmo depois das frequentes passagens pela polícia do pobre. Sendo irônico, e peço perdão pela ironia na hora difícil, este fato também contribui para confirmar a afirmação do pobre pai: se a polícia desse atenção para o "imigrante esquecido", André estaria no Brasil a estas alturas, deportado e com o passaporte todo carimbado pela imigração americana, avisando que ele estaria proibido de entrar de novo no país. Além disso, quantos deram atenção para o fato que ele estava com maconha dentro do carro, confirmado pela própria namorada?

Todo brasileiro acha que a vida do imigrante é difícil, e eu concordo: a adaptação a uma nova cultura é muito complicada, as condições de trabalho nem sempre são as ideais. Mas quando se parte de uma situação ilegal no país; quando se passa mais tempo na delegacia de polícia do que no trabalho; quando se provoca uma perseguição policial por causa de um cigarro de maconha; aí os limites estão tão extrapolados quanto os da polícia que atirou em André Martins.

Abraços!

Crime e Castigo

Hoje saiu a punição para um árbitro da NBA que "armava" resultados de forma a faturar com apostas feitas sobre os jogos que ele próprio apitava. Tim Donaghy foi condenado a 15 meses de prisão, menos da metade do máximo que poderia pegar pela acusação de conspiração para influenciar resultados de jogos. A pena menor que a máxima é resultado da cooperação do ex-árbitro com as investigações do FBI.

Esta matéria dá uma linha de tempo interessante em um pequeno quadro: em junho de 2007, o FBI pediu à NBA permissão para seguir com uma investigação a respeito de jogos de azar; em julho de 2007, Tim Donaghy pede demissão do seu posto de juiz na NBA, por estar sendo investigado junto com uma máfia de Nova York; hoje, 29 de julho de 2008, saiu a sua condenação. Agora, organizamos um paralelo, de um evento parecido no Brasil: em 28 de setembro de 2005, edição da revista Veja traz estampada na capa matéria tratando da máfia do apito, onde o árbitro Edílson Pereira de Carvalho é acusado de manipular o resultado de jogos do Brasileirão; no mesmo final de semana, no dia 27 de setembro de 2005, a CBF pede o afastamento de Edílson do quadro da FIFA (não foi ele que solicitou a própria remoção do quadro de arbitragem); em 17 de outubro de 2005, o STJD afasta Edílson do quadro de arbitragem; em matéria no site do GloboEsporte de 2007, Edílson se revela administrador de bar e ponteiro esquerdo de final de semana. Está em liberdade.

Quase três anos, e a punição recebida por Edílson Pereira de Carvalho passou bem longe da cadeia, a despeito de, já naquela época, ele ter aparecido algemado por uma ação da Polícia Federal (imagens aqui, por volta do minuto 5:50 do video).

Tendo este ladrão de galinhas um destino completamente diferente do seu equivalente americano, e tendo a ação da Polícia Federal também não funcionado para um ladrão de galinhas, algum leitor aqui do blog espera que Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta venham a receber alguma condenação, ainda que tenham passeado de camburão usando algema prateada? Se a PF gastasse um pouco mais de dinheiro organizando melhor os inquéritos, ao invés de ficar levando candidatos à vaga na prisão para passear, talvez a situação fosse um pouco diferente, não? É impossível entender como pode um juiz envolvido em escândalo federal nos Estados Unidos ser condenado em menos de um ano (logo, em um processo sem falhas no inquérito), enquanto o seu equivalente brasileiro é atacante de time de várzea nos finais de semana depois de três anos da acusação.

A relação crime-castigo está completamente deturpada no Brasil.

Abraços!

julho 28, 2008

O Que Houve com o Mundo???

Para as pessoas interessadas em fenômenos paranormais, astrologia e outras explicações fora dos padrões da ciência moderna: existe alguma razão para o comportamento bestial das pessoas ao redor do mundo especificamente no dia de hoje? Olhem só o que eu coletei hoje à tarde visitando quatro sites:

1) No blog do Shikida, um comentário que ele recebeu dizia: "que indeotise é asea isso é coco", escrito desta forma mesmo.

2) No blog do Reinaldo Azevedo, dois comentários que ele recebeu onde os comentaristas não têm a menor capacidade de ao menos entender o que foi escrito.

3) Na Folha Online, reportagem diz que rapaz bêbado, sem carteira, foi condenado a quatro meses de prisão condicional por ser pego dirigindo. O detalhe da matéria: o rapaz é cego!!!!

4) Ainda na Folha Online, duas inglesas forçaram um avião a pousar em Frankfurt, desviando-se de seu trajeto entre a Grécia e a Inglaterra, porque, depois de tomar algumas, elas queriam "respirar um pouco de ar fresco"!!! A 10.000 metros de altitude!!!!

5) Por fim, no Blog do Ancelmo Gois, em O Globo, mais uma cena tipicamente brasileira (não apenas carioca, lamento dizer).

Assim dá até medo de sair de casa.

Abraço!

julho 27, 2008

Comportamento de Massas: Economia e Política

De Alan Greenspan, no livro "The Age of Turbulence - Adventures in a New World", falando sobre o comportamento individual do consumidor em relação aos padrões de vida da sociedade:


"As the data show, we are all competitively sensitive to what our peers earn and spend. (...) Individuals are demonstrably happier and less stressed as their incomes rise with a rising national economy, and rich people, surveys show, are generally happier than those lower down the income scale. But human psychology being what it is, the initial euphoria of a higher standard of living soon wears off as the newly affluent adjust to their better status in life. (...) Any gain in human contentment is transitory."


Talvez o mais interessante aspecto destas observações, todas largamente conhecidas e documentadas na literatura econômica (o conhecido "keeping up with the Joneses"), venha justamente na nota de rodapé deste parágrafo:


"Fortunately, this psychology also works in reverse. Sharp financial adversity brings deep depression. But people not otherwise psychologically incapacitated rebound with time. Their smile returns."


O que, em última instância, se coloca como padrão individual é um comportamento "conformado", sem reação, do consumidor em relação aos choques eventualmente enfrentados: quanto maior o número de pessoas atingidas pelo choque, menor a contrariedade individual em relação ao evento. É possível que isto explique, por exemplo, a passividade individual diante de algumas tendências tristes na sociedade, como, por exemplo, o controle de traficantes de drogas em grandes regiões do Rio de Janeiro; a pouca reação contra o aumento contínuo da carga tributária no Brasil; a pequena manifestação contra a paralização completa do serviço público quando seus funcionários resolvem fazer greve; entre muitos outros.

Em todos os casos que listei, o que existe em comum? Um grupo de pessoas que permanece inerte diante da brutalidade de certos eventos. Parafraseando Greenspan, desta vez, infelizmente, por pior que sejam as depressões, os sorrisos das pessoas retornam.

Abraços!

julho 25, 2008

Retorno? Sim.

Aquele que me identifica como único leitor notou que tenho escrito muito pouco, quase nada, a respeito do Brasil. Ele possivelmente acredita que minhas "viagens pelo mundo" façam com que eu pense em ficar por aqui (segundo ele, o "movimento de fuga de capital humano"). De fato, com as viagens, o tempo disponível para tomar conhecimento das notícias do Brasil se tornou pequeno.

Entretanto, mais do que a ausência de tempo, talvez certo desânimo tome conta. Insistir que os juros são, em última instância, tão somente um reflexo da economia, e não uma proposição ativa de política, é uma tarefa tão inglória quanto explicar para amigos americanos como pode um Ministro da Justiça ir para a imprensa dizer que grampo telefônico (legal e/ou ilegal) é algo natural, e ele não perder o cargo. O esforço para explicar o Brasil está cansando. Mas voltar, por enquanto, é uma necessidade: muito preso, financeiramente, ao país para pensar em pulos maiores. A estas alturas posso dizer, com certeza, que vontade de ficar, não falta. Mas muita coisa ainda tem que ser resolvida no Brasil antes de pensar nisto.

O capital humano não voará tão cedo... (risos)

Abraços!

julho 24, 2008

Rush in Charlotte

Mais um dia de show nos EUA. Como a foto mostra, eu devia ser um dos mais novos no show do Rush:


Aqui a preparação e aquecimento: pizza e Coca-cola. Bem americanizado...


O início do show: Limelight.


Mesmo cenário da turnê do ano passado: as "televisões de cachorro" atrás do Geddy Lee (no lugar das secadoras de roupa da turnê Vapor Trails) e três telões ao fundo:


Como perguntou um famoso entrevistador daqui: vocês não se cansam de "kick ass that much"?


Como sempre: excelente!!!


Abraços!

"I Left My Heart..." (5)

Mais algumas imagens de San Francisco:


"Sharks in my head!!!" - Visita ao aquário da cidade. Este lugar é um túnel dentro de um aquário onde várias espécies circulam sobre nossas cabeças.


Pouco antes da polícia me recolher para uma das celas da prisão... Brincadeira! Esta é a entrada principal para a prisão da ilha de Alcatraz. E, como a foto abaixo mostra, só boa gente por lá (clique na foto para vê-la ampliada e ler sobre os crimes que as criaturas cometeram).


Na foto, o primeiro à esquerda é Al Capone. O fato dele ter ficado preso em Alcatraz por um tempo rende uma ampla exploração de sua imagem em produtos à venda para os visitantes. Nós compramos uma caneca com uma foto e a ficha do "elemento"...


E tudo começou em San Francisco (leia o que está na placa para entender). O pior é que vimos a "pioneira" circulando no bairro, mas não tiramos foto dela: digamos que ela está, para usar expressão daqui, um pouco "creepy".

Por fim, uma bela paisagem a partir do pier, junto ao restaurante onde Chris e eu jantamos na última noite por lá.



Abraços!

julho 21, 2008

Férias das Férias

Eu preciso descansar... Esta vida de estudante em férias é cansativa. Chegamos agora pela manhã de Charlotte, onde assistimos ontem o show do Rush. Para o blog, ainda devo mais fotos e comentários sobre San Francisco, algumas fotos do show e mais comentários sobre assuntos de pouca relevância, como sempre.

Mas, agora, vou dormir.

Boa noite, ou melhor, bom dia... ah, que seja. Escolha!

Abraços!

julho 19, 2008

Rush in... Colbert?!?!?!?!?!?

Não percam aqui: o grande Stephen Colbert entrevista Alex, Geddy e Neil, na primeira apresentação do Rush em televisão americana nos últimos 33 anos. Alguns irritadinhos não gostaram dele ter quase interrompido a execução de Tom Sawyer ao final, mas o episódio inteiro está hilário! Eu, que sou fã de ambos, adorei.

Abraços!

P.S.: o show é amanhã!!!!!

"I Left My Heart..." (4)

Entre os passeios, um dos mais legais com certeza foi o feito no final da tarde usando o Segway como meio de transporte. Cumprindo com o esperado (e anunciado aqui), o passeio de Segway saiu do ponto de encontro por volta das 6 da tarde e terminou pouco antes das 9 da noite. Abaixo, a dupla devidamente fardada e já dominando a máquina.


O trajeto passou pelos principais pontos turísticos de San Francisco no lado norte da cidade, andando pelo Fisherman's Wharf, Pier 39 e um pedaço de North Beach. Óbvio que a maior parte da diversão foi mesmo andar sobre o Segway, mas ainda assim o passeio rendeu fotos legais, como este pôr-do-sol com a Golden Gate Bridge ao fundo.



Já escrevo sobre outros passeios, e o retorno para Durham.

Abraços!

"I Left My Heart..." (3)

Do trivial da cidade, e do que nem é tão trivial assim...

— Li em algum site de turismo que é praticamente impossível comer mal em San Francisco. É fato. Chris e eu tentamos todo o tipo de comida por lá, em todas as faixas de preço, e sempre se comeu muito bem. Vale a pena, inclusive, fugir do circuito tradicional de turistas para descobrir onde os locais comem. Muita coisa boa!

— A população de San Francisco parece ter algum problema, alguma desconfiança, ranço, sei-lá-o-quê, com relação à outras cidades dos Estados Unidos, em especial no que se refere à arquitetura e urbanismo. Entre as muitas referências ouvidas a outras cidades, ouvimos, de dois guias diferentes, frases como:
(1) "Não sei como o pessoal em NY não teve esta idéia antes, era algo tão evidente." (ao tratar de um bar que ficava no alto de um prédio no centro administrativo da cidade. De acordo com o guia, a idéia do bar no alto do prédio servia para burlar uma lei que estabelecia uma distância mínima entre bares e igrejas — o bar ficava acima da igreja, além da distância mínima exigida)
(2) "Aqui em San Francisco nós não temos receio em copiar projetos de outras cidades, ou mesmo de aproveitar projetos que não foram desenvolvidos em outras cidades." (a guia se referia ao prédio da foto abaixo, cujo projeto teria ficado em segundo lugar em um concurso para uma obra em Chicago)
(3) "O objetivo da lei de urbanismo dos anos 80 era evitar que San Francisco se tornasse igual à Manhattan, daí as construções diferentes no topo dos prédios." (sobre uma lei que buscava evitar uma padronização entre os prédios construídos no centro financeiro de San Francisco)


— Casamento homossexual? Sim, existe. Vimos o final de uma cerimônia na prefeitura, seguida de outro casamento, desta vez "tradicional" (heterossexual).

— Hippies? Também existem, mas parece que a grande maioria se tornou mendigos. A quantidade de mendigos na cidade é impressionante, muito maior do que eu pude notar em NY ou Washington, por exemplo. A grande maioria dos mendigos usavam roupas típicas de hippies e fumavam seus cigarros de maconha como tais. A este propósito, a discussão na cidade sobre os mendigos era o quanto se gastava com eles, e com um retorno bem abaixo do esperado.

— Não se engane: apesar de estar na Califórnia, as temperaturas em San Francisco são baixas. Em poucos momentos pegamos temperaturas acima dos 20 graus Celsius. Segundo um dos guias, esta temperatura é a mesma ao longo de todo o ano, com pequenas variações entre inverno e verão.

Nos próximos posts, alguns passeios.

Abraços!

julho 17, 2008

"I Left My Heart..." (2)

Pelo visto, agora é tradição dos verões nos Estados Unidos: filas em frente da loja da Apple para o povo comprar a última versão do iPhone. Eu já tinha registrado isto no ano passado, em NY, e chamado a atenção que as filas já tinham começado uma semana antes do lançamento oficial. Eu só não contava que a febre tinha se espalhado por todo o país. Na foto abaixo, notem a fila terminando na loja de fachada prateada com a maçã na frente. Detalhe: já faziam dois dias que o novo iPhone tinha sido lançado, e ainda tinha gente esperando para comprá-lo.


Abraços!

"I Left My Heart..." (1)

Posts parados por um excelente motivo: férias. De acordo com o prometido, uma semana em San Francisco para esquecer de vez do cansaço. Este pequeno diário, daqui para a frente, registra (ainda que não de forma diária) o que aconteceu por aqui nesta semana. Voltaremos na sexta-feira (dia 18) para Durham, chegando por lá quase no sábado (dia 19).

De fato, viajar "a favor" do fuso tem as suas vantagens: para vir para San Francisco, gastamos seis horas dentro de um avião, dividido no meio em uma escala em Dallas. A vantagem do fuso? Apesar de ter viajado seis horas, mais duas horas de aeroporto, chegamos em San Francisco com o relógio apenas algumas poucas horas à frente do horário que deixamos Durham - saímos de NC às 13:50hs, chegamos no hotel quase às 19hs no hotel.

Da viagem, de interessante, a maquininha do aeroporto de Dallas, que, ao invés de vender refrigerante ou salgadinhos, vende iPods. Não acredita? Olha aí o brasileiro abobado tentando colocar nota de US$1 para comprar um...


Abraços!

julho 09, 2008

A Morte de Carlo Rizzi - The Godfather

Uma das grandes cenas do cinema de todos os tempos: a morte de Carlo Rizzi. Reparem nas sutilezas: a negação de Mike quando Carlo tenta um abraço na despedida; o som dos corvos antes do condenado entrar no carro.

Uma maravilha!

Abraços!

julho 05, 2008

Financiamento Público?

Um caso como este, ainda que muito engraçado, deixa bem claro porque sou contra o financiamento público de campanha (incluindo aí o horário público gratuito existente): já imaginaram esta ex-facção do PT com dinheiro e tempo de tevê igual à dos grandes partidos? Que grande mensagem os nossos amigos do PCO podem nos deixar?

Financiamento público de campanha consiste em tornar iguais os desiguais, além de desestimular a política de partido - basta ser um "insatisfeito com a condução do partido", chamar seus líderes de caciques e criar uma nova agremiação para ganhar a bufunfa dos impostos.

Abraços!

E o Brasil Descobre Durham

... através do Kevin Costner!!! ahahahaha

Abraços!

Redescobrindo: Live

Abro aqui uma série de posts sobre música para discutir um pouco do que tenho ouvido recentemente. Na verdade, não tenho ouvido nada de muito novo, mas tenho, com o tempo que as férias me dão e que as rádios daqui permitem, ouvido muita coisa que até já tinha esquecido que existia.

O post de hoje é sobre uma banda da Pensilvânia, chamada Live. Eles apareceram no cenário em 1991, com o bom disco Mental Jewelry. No Brasil, esta época marcava uma fase de popularização da MTV, e dois clipes deste disco eram bem tocados (de fato, as duas melhores músicas do álbum): Pain Lies on the Riverside e Operation Spirit. Depois do álbum de lançamento, veio em 1994 o álbum Throwing the Cooper, com dois hits em Selling the Drama (melhor música do álbum) e Lighning Crashes.

Após estes dois álbuns, a banda entrou em uma fase mais calma (e mais chata, ainda que não exista correlação entre calma e chatice). O vocalista Ed Kowalczyk se converteu ao budismo, trazendo ainda mais um lado espiritual às letras. De toda forma, a agressividade que a banda tinha nos dois primeiros álbuns (em especial nas músicas que destaquei) se perdeu.

Aqui, o vídeo oficial de uma apresentação de Pain Lies on the Riverside de 1992, bem antes da fase light da banda. Muito bom!

Abraços!

P.S.: tentei postar o video do YouTube no blog, mas estava dando problemas.
P.S.2: fiquei sabendo que no meio de agosto, os caras estarão fazendo show em Cary, cidade a poucos quilômetros daqui. Se eles não estivessem em fase tão palha, talvez eu fosse.

Meu Mundo Acabando

Agora descobrem que Pringles não é batata frita!!! O que mais falta? Cookies cancerígenos? Sorvete com salmonela? Café sem cafeína? (ops, esta desgraça já existe...)

Querem que eu vire as madrugadas estudando movido a quê? Assim o PhD não acaba!!!

Abraços!

julho 04, 2008

Começou Cedo

Neste ano, as filas na frente da loja da Apple na 5a Avenida em NY começaram mais cedo: uma semana antes do lançamento da versão 3G do iPhone, já tem gente esperando para ser os primeiros a comprar o gadget.

Lembrando que, no ano passado, já tivemos acesso à primeira versão da pequena maravilha da Apple.

Abraços!

julho 02, 2008

Pobre de Educação de Pobre

A Folha tem a mania de utilizar trechos de matérias de jornais estrangeiros para ilustrar as suas reportagens da cobertura internacional. Espero que o editor da área também traduza trechos do que saiu hoje no NYT sobre a falta de trabalhadores qualificados no Brasil. Trecho da matéria:

clipped from www.nytimes.com
The problem is that Brazil’s educational system is in disarray.

The average Brazilian worker has six years of schooling, compared with 10 years in South Korea, 11 in Japan and 12 in the United States and Europe, according to the National Confederation of Industry study.

Of the few Brazilians who go to a university, fewer than one in five take engineering, science, mathematic or computing, according to a recent World Bank study on the links between education and economic growth.

“In Brazil, most people that go to university do social science programs and this happens not because people desire to study philosophy, anthropology, geography, history,” said the study’s author Alberto Rodriguez, “but because private universities, where the growth has taken place, offer these courses because they are cheaper than offering engineering.”

 blog it

(I)Logicamente, ao invés de reforçar os talentos necessários mais básicos para que os estudos universitários apresentem maior rendimento nas áreas carentes, nossos alunos de ensino médio agora estarão mais expostos aos conhecimentos fundamentais de sociologia e filosofia. Os futuros acadêmicos, estimulados por sua apurada e precoce formação em humanas encontrarão seu mercado de trabalho em... ciências humanas!

Falar de crescimento potencial de 5% a.a., com uma educação destas, não é uma piada?

Abraços!

julho 01, 2008

Lei de Trânsito

Os argumentos que leio a favor da nova lei penal para crimes de trânsito no Brasil usam um argumento do tipo "vamos jogar fora a água da banheira com o bebê dentro, para ver se resolve": dado que o trânsito mata milhares de pessoas por ano no Brasil, vamos punir todos ao máximo pela menor das infrações possíveis para ver se o número de mortes diminui. Um exemplo do argumento é este texto.

Eu pergunto: se a fiscalização fosse aumentada, com um número maior de operações de blitz pela madrugada, punindo com rigor os que efetivamente merecem tal tratamento, o número de acidentes não cairia de qualquer maneira, sem precisar da mudança de lei?

Abraços!