julho 01, 2007

junho 30, 2007

Explicando

Detalhando melhor o post anterior, estivemos visitando o portal de entrada dos imigrantes nos Estados Unidos durante o século XIX. Ellis Island fica bem próxima de onde está a Estátua da Liberdade e servia como um "centro de triagem" dos imigrantes que vinham da Europa. Hoje, o forte se transformou no Museu da Imigração, onde, entre outras curiosidades, é possível consultar o cadastro de todos os imigrantes legais que entraram no país.


Daí a minha surpresa, ao digitar os nomes "Angelo Marsiglia" e "Angelo Fasolo" e encontrar algumas pessoas com este nome que entraram no país, especialmente no início do século XX.



Também foi legal acessar um espaço para fotos de famílias que se estabeleceram por aqui. Tentei alguns sobrenomes conhecidos meus (além de "Marsiglia" e "Fasolo", tentei "Franzoni", "Menin", "Ravanello", "Shikida", entre outros), mas a única foto foi do Fasolo abaixo. Pena não ter o nome completo do "primo" exibido.


Abraços!

junho 26, 2007

Última Semana de Férias: NY

Destaques da última semana de férias:

  1. Angelo Fasolo já esteve em NY. E não sou eu...

  2. Angelo Marsiglia já esteve em NY. E não sou eu...

  3. Fasolo já tirou foto em NY com a esposa, e não é a foto que está abaixo...

Detalhes, só quando tiver tempo para escrever. Vamos sair para jantar agora.



Abraços!

junho 23, 2007

NASM 2007 - Outras Sessões

Destacando aqui alguns detalhes sobre o evento. As sessões ordinárias têm um nível ótimo, tanto nos artigos quanto na discussão. Dá para aprender muito, tanto com quem apresenta quanto com quem comenta os trabalhos. Além disso, os temas das sessões estão muito bem distribuídos: de quinta-feira para cá, apenas hoje (sábado) na primeira sessão da manhã que não teve algum tema mais diretamente relacionado ao que pretendo estudar. Sobre os temas abordados, chama a atenção em macro o reaparecimento dos modelos de "search", agora para fazer a microfundamentação do comportamento dos agentes em modelos DSGE. Os modelos de "search" tiveram um auge de popularidade na primeira metade dos anos 90, e agora voltam com força.

Sobre as sessões convidadas, excetuando a palestra do Mark Watson (Princeton), que tentou dar aulas em duas sessões de uma hora e meia, todos os demais palestrantes partiram para estratégias mais interessantes e mais informativas de apresentação: ao invés de expor detalhes e minúcias a respeito de sua pesquisa, os outros apresentadores faziam mais comentários a respeito do que eles entendiam como a fronteira do conhecimento em sua área. Alguns exemplos:

- Fabio Canova (Pompeu Fabra) mostrou, com exemplos bem simples, alguns problemas de identificação da dinâmica dos modelos DSGE, quando comparados com as simulações apresentadas em VAR's. Depois de discutir os exemplos, partiu para explicar a sua visão sobre para onde vai a pesquisa na estimação dos parâmetros fundamentais dos modelos microfundamentados. Ao contrário da visão otimista de Chris Sims, para Canova, a estimação de modelos DSGE através de procedimentos bayesianos ainda se constitui em uma "wild beast".

- Frank Schorfheide (UPenn), por outro lado, voltou a enfatizar o uso do método bayesiano de estimação de modelos DSGE, apontando a grande variedade de modelos que podem ser tratados dentro do mesmo método. Ainda destacou a importância da comparação entre as simulações dos modelos microfundamentados com a sua "contrapartida empírica" estabelecida pelos modelos VAR.

- Na área de "atualidades" e um pouco de conjuntura, Enrique Mendoza (Maryland) fez um resumo muito interessante das discussões recentes sobre a economia americana e seus efeitos nos chamados "global imbalances". Finalizou com a advertência de que, infelizmente, economistas deveriam ser um pouco mais modestos e simplesmente reconhecer que não existem condições de avaliar com precisão se a economia americana vai partir ou não para o chamado "pouso forçado".

- Por fim, uma nota sobre a seriedade na condução da política monetária por aqui: Frederic Mishkin (Columbia), atualmente membro do "board" do Federal Reserve, na sua palestra sobre efeitos da globalização nos Estados Unidos e em economias emergentes, pediu licença para confidenciar à platéia que, originalmente, o convite tinha sido feito para uma palestra sobre política monetária nos Estados Unidos. Entretanto, como, na próxima semana, tem reunião do FOMC (o Copom daqui), ele se declarou em "blackout period", dizendo que qualquer declaração dele sobre a atual condução da política de juros no país poderia ser mal interpretada.

Grande conferência, ótimo nível.

Abraços!

NASM 2007 - Convidado Especial no Almoço

Christiane, Enestor e eu estávamos almoçando hoje, sexta-feira, depois das sessões ordinárias da manhã, quando chega um senhor com seu prato servido, mas sem companhia para o almoço. Perguntou se poderia sentar conosco, e se apresentou:

- Hi, my name is James Poterba.

Uau! Um dos grandes autores no mundo em economia do setor público e tributação, atual coordenador do programa de economia do M.I.T. chegou, pediu licença, se apresentou, e ficou batendo papo conosco durante todo o almoço! Depois de perguntar porque os brasileiros pararam de aplicar para o M.I.T., Poterba acabou fazendo um mea-culpa, lembrando que desde o falecimento do Dornbush que o M.I.T. não investiu nas relações com o Brasil, até para criar uma rede mais confiável de informações sobre os estudantes provenientes do país.

Perguntou se o governo brasileiro ainda financiava estudantes para programas de doutorado no exterior, e ficou curioso sobre a burocracia deste tipo de financiamento: segundo ele, as universidades americanas não entendem a demora para estabelecer a combinação universidade-financiamento que os estudantes brasileiros enfrentam. Quando comentei dos problemas que enfrentei até este acerto (a necessidade da CAPES de esperar até que todas as universidades para onde apliquei dessem uma resposta final para daí decidir para onde mandar o estudante), ele reconheceu que a política do governo estaria correta, e que era interessante ter a visão "do outro lado" até para oferecer uma resposta mais apropriada às necessidades dos candidatos.

No fim, a foto de registro. Grande presença!


Abraços!

junho 22, 2007

NASM 2007 - Bayesianos

Nível elevadíssimo das sessões ordinárias, comentários ácidos e provocações nas sessões extraordinárias. Christopher Sims (Princeton), na aula em homenagem a Harold Hotelling, tratou do tema "Bayesian Methods in Applied Econometrics". Este é o título oficial do seminário. Na abertura dos slides, o título verdadeiro do seminário:

"Bayesian Methods in Applied Econometrics - or Why Econometrics Should Always and Everywhere be Bayesian"

Seguiu-se uma análise das limitações da econometria clássica (a impossibilidade de testar "regiões de aceitação" em testes de hipótese, como o grande exemplo), a contraposição entre economistas teóricos e econometristas na perspectiva bayesiana ("econometrists only test our models and reject all of them", frase atribuída aos apreciadores da calibragem de modelos teóricos), provocações (a literatura sobre raízes unitárias e testes para quebras estruturais seria "a waste of time"), os sucessos da abordagem bayesiana (nos modelos de política macroeconômica) e os desafios de fronteira de pesquisa (análise de cross-section, interpretações novas para IV-LIML e modelos não-paramétricos).

Por fim, duas provocações:

"Good frequentist practice has bayesian interpretation - it is a definition, not a theorem."

"Lose your inhibitions: put probabilities in your parameters!"

Excelente palestra.

Abraços!

NASM 2007 - Reencontros

Encontros de economia também servem para colocar de novo em contato dois caminhos bem distintos. O que torna especial certos reencontros são as circunstâncias. Na foto abaixo, Enestor e eu. Trajetórias:

- Setembro de 1999: ele, o juramentista da turma do primeiro semestre de 1999 de economia da UFRGS; eu, o orador da turma.

- 2000: Enestor inicia o mestrado na FGV-RJ

- 2001: começo o mestrado na UFRGS

- 2002: Enestor volta para o sul, trabalhando no BRDE

- 2003: termino o mestrado, vou para Brasília trabalhar no BC; Enestor vem para os EUA, iniciar o doutorado na UPenn

- 2006: venho para os EUA, doutorado em Duke

- 2007: Encontro de Verão da Sociedade Americana de Econometria, Durham, Duke University. Dois colegas da graduação se reencontram. Ele, apresentando o trabalho de conclusão de curso; eu, lembrando da turma de 1995: "Aqui ninguém é galinha morta".

Abraços!

Música: Ontem e Hoje

Música no primórdio: "Música é uma sequência de sons agradáveis arranjados em tons, ou sons e tempo, de forma a construir uma melodia, ode ou hino." (tradução livre)

Foto do livro "Rudiments of Music", à mostra no Museu de História do Estado da Carolina do Norte, Raleigh, NC


Música no auge:


Abraços!

Show de Rock em País de Primeiro Mundo

Um luxo para poucos, tenho que dizer. Primeiro, a compra de ingressos: tudo pela internet, com descrição detalhada sobre o lugar do show, os preços dos ingressos por setor (lugares marcados), o que os ingressos davam e não davam direito (o estacionamento do local já estava incluído no preço), o que podia e não podia levar para o show (câmera fotográfica podia, desde que não fosse profissional, guarda-chuva podia, mas bebidas e comida não), além de enviar os ingressos por e-mail para serem impressos onde eu quisesse.

Segundo, o local: afastado do centro da cidade, o Walnut Creek Amphitheater possui dois tipos de estacionamento. Um, VIP, para quem se dispõe a pagar US$20.00 a mais no preço do ingresso para estacionar mais perto da saída do local do show; outro, incluído no preço do ingresso, mais afastado, em um gramado imenso, onde uma tropa de funcionários fica postada para organizar filas de carros, de tal forma que ninguém fique trancado e a saída fique facilitada para todos. Chegamos no horário da abertura dos portões (17:30hs), mas se chegássemos uma hora depois, só ficaríamos um pouco mais longe do carro, ao invés de ficar sem vaga. Flanelinhas? Por favor...

Terceiro, a estrutura do local. Na foto abaixo, já estamos dentro do anfiteatro. Uma praça de alimentação completa em todo o entorno do local onde fica o público, além de banheiros (limpos), local de venda de material oficial da banda (aceitam cartão de crédito!!! Comprei a camiseta da turnê). A escada que aparece à direita dá o acesso ao gramado, onde ficam os ingressos mais baratos, mas por onde todos entram.


Subindo as escadas, a vista do palco é a da foto abaixo. Olhando com algum cuidado, dá para ver o pessoal chegando com cadeiras de praia, para não sentarem na grama. Como este show é daqueles que só ocorrem uma vez na vida, resolvi investir um pouco a mais, e ficamos na parte de baixo, onde estão as cadeiras.


Nas cadeiras, funcionários do anfiteatro conferindo o ingresso e nos levando até os lugares marcados. Pouca gente tinha chegado até aquela hora, mas foi bom para ficar apreciando a movimentação do palco: instrumentos todos devidamente instalados, protegidos da chuva leve no meio da tarde, poucos testes de iluminação e som, ao invés do clássico "Dois, teste, dois, um dois, testando...", tão comum nos shows programados para o Brasil. A foto abaixo dá a noção exata sobre onde estávamos em relação ao palco, além da média de idade do público que vai para um show do Rush... eheheheheh


Por fim, a foto do palco pronto para o show: instrumentos montados, telão funcionando. A nave estava pronta para partir.


Abraços!

P.S.: para quem prestou atenção nos detalhes da última foto, e se lembra do palco da última turnê do Rush, observa-se que as secadoras de roupa, que ficavam atrás do Geddy Lee, à direita, foram trocadas pelas "televisões de cachorro".

Os Vídeos, Os Vídeos...

Colocando as primeiras observações sobre o show, para quem se interessar por dois vídeos "caseiros", favor mandar o e-mail: o YouTube proíbe a veiculação pública deste tipo de conteúdo. Logo, estou mantendo o material sob estrito controle.

Dicas do que vai ser visto:
- O Mestre, no primeiro minuto solo.
- "Eric Lee"? Ou será "Geddy Cartman"? Abertura para Tom Sawyer.

Abraços!

M.I.T. com Duke???

James Poterba? Almoço? Sim, tem isto e muito mais. Daqui a pouco eu escrevo mais. Tenho que falar do show e dos dois primeiros dias do encontro da Econometric Society.

Abraços!

junho 21, 2007

Pré-Estréia

Cumprindo com o prometido em outro post, só uma primeira imagem do grande concerto de ontem.



Dreamline


Muitas fotos, descrição da viagem, um pouco do estado da Carolina do Norte, grande show, grande show. Mas, agora, eu vou dormir, porque amanhã começa o segundo compromisso: a cobertura do Encontro de Verão da Econometric Society, direto de Durham.

Abraços!

P.S.: Ah, e tem os vídeos, os vídeos...

junho 16, 2007

Teoria dos Jogos e Política Monetária

Uma aula em poucas palavras por Mankiw:

"Suppose the Fed has a long-term inflation target. And suppose the Fed followed this rule:


Look at the market's forecast of interest rates and inflation over the next few years. If the market expects inflation above target, set a path for interest rates a bit higher than the market expects. If the market expects inflation below target, set a path for interest rates a bit lower than the market expects. If the market expects inflation to come in on target, set a path for interest rates equal to what the market expects.

This might seem circular: The Fed is responding to the market, and the market is responding to the Fed. But there is nothing wrong with that. Economists are used to simultaneity."


Poucas palavras, e uma citação breve do que seria um ponto fixo, e está estabelecida uma regra razoável de política monetária.

Abraços!

Economistas do Vinho

Muita falta do que fazer, e muita vontade de ter motivo para beber.

Abraços!

P.S.: site descoberto a partir do link disponível no blog do Freaknomics.

A Calmaria

Sentado no sofá, sem compromissos, sem correr, sem preocupações, sem nada na tevê, sem nada na cabeça, sem fome, sem comida, sem ânimo para escrever, sem razão para pensar, sem tarefas para o dia. Nada, vazio súbito. Depois da tempestade, o tempo de olhar ao redor e verificar que, o que tinha que ser feito, já foi cobrado.

Primeiro final de semana sem compromissos. As escolhas? Mudar de canal, escolher o jantar, imaginar as atividades da semana que vem, programar viagens. Depois de um ano que voou, é estranho sentar no sofá e não ter que pensar nos termos da rotina anterior.

Abraços!

junho 14, 2007

Aniversariante do Dia!!!

Os parabéns para a aniversariante do dia: muitos registros a partir de amanhã no fotolog da mana!!!



A gatinha aí de cima está fazendo 25 anos. Candidatos, somente mediante aprovação prévia do irmão.

Te amo, mana!

Abraços!

Primeiro Setlist

Setlist do primeiro show da nova turnê do Rush, realizado ontem, em Atlanta. Senti falta de músicas como "Red Sector A", "2112" e "Bravado", mas ainda assim a lista é ótima, inclusive ressuscitando algumas mais antigas, como "A Passage to Bangkok" e "Mission". Além disso, destaca-se a grande quantidade de músicas do último álbum, "Snakes and Arrows" - 9 no total. Como comparação, a última turnê baseada em disco de inéditas - "Vapor Trails" - tinha apenas 4 músicas do novo disco.

Também entre os destaques, a introdução de "Tom Sawyer" feita com um clipe baseado em South Park!!! Eric Cartman chamando por Tom Sawyer!!!!!

Segue a lista, álbum de origem entre parênteses:

Limelight (Moving Pictures)
Digital Man (Signals)
Entre Nous (Permanent Waves)
Mission (Hold Your Fire)
Freewill (Permanent Waves)
The Main Monkey Business (Snakes and Arrows)
The Larger Bowl (Snakes and Arrows)
Secret Touch (Vapor Trails)
Circumstances (Hemispheres)
Between The Wheels (Grace Under Pressure)
Dreamline (Roll The Bones)

(-Intermission-/video intro)

Far Cry (Snakes and Arrows)
Workin’ Them Angels (Snakes and Arrows)
Armor And Sword (Snakes and Arrows)
Spindrift (Snakes and Arrows)
The Way The Wind Blows (Snakes and Arrows)
Subdivisions (Signals)
Natural Science (Permanent Waves)
Witch Hunt (Moving Pictures)
Malignant Narcissism (Snakes and Arrows)
Drum Solo
Hope (Snakes and Arrows)
Summertime Blues (Feedback)
The Spirit of Radio (Permanent Waves)
Tom Sawyer (Moving Pictures)

Encore:
One Little Victory (Vapor Trails)
A Passage to Bangkok (2112)
YYZ (Moving Pictures)

Abraços!!!

junho 11, 2007

Academic Free Lunch, By Apple

Tenho amigos que são professores no Brasil e que precisam aguentar-tolerar-padecer com turmas de graduação gigantescas. Se eu consigo imaginar direito o roteiro das aulas, alguns poucos alunos, impossíveis de serem reconhecidos na multidão, costumam aparecer do nada perguntando sobre a terceira aula da segunda semana do mês passado, quando se falou de um tema que ele (pobre aluno) não entendeu direito...

Pois bem, para os donos de computadores, a coisa começa a ficar mais interessante: a Apple criou uma sessão na sua loja de vendas de músicas onde universidades americanas colocam palestras, seminários e apresentações para serem baixadas - de graça!!!! - através do iTunes. O iTunes U já inclui universidades como o MIT, Stanford, Duke e UC Berkley oferecendo, para os interessados, inclusive audios e vídeos de aulas.

Como um exemplo, UC Berkley oferece o áudio das aulas de Microeconomia e Macroeconomia para graduação; Stanford colocou no ar, na área de estudos em relação internacionais, palestra com o professor Naércio Menezes (USP), sobre realocação de fatores de produção após liberação comercial. Duke e MIT estão apenas começando no meio, mas já existem bons conteúdos em suas páginas.

Nas aulas que tive por aqui, um professor de macro costumava gravar as aulas e disponibilizar para os alunos no sistema interno da universidade. Possivelmente ele passe a colocar o material no ar daqui algum tempo.

Vale a pena explorar, ainda que seja um sistema dependente do uso do iTunes.

Abraços!

junho 10, 2007

Macunaíma

Vendo as notícias do dia, trombei com dois posts de blogs que costumo visitar com alguma freqüência: um, muito bem escrito pelo David Zylbersztajn, ex-presidente da Petrobrás (já acrescentado nos links ao lado), tratando de revisitar Mário de Andrade na construção de Macunaíma, em um prefácio não-publicado; e outro, uma notícia do O Globo OnLine, destacada no Blog do Noblat.

Um dos irmãos, em outro episódio, "não sabia de nada", o outro é "desqualificado intelectualmente". Ninguém fala do caráter da família "macunaímica". Como diria Mário de Andrade, "gozei".

Abraços!

Provérbios 15:23

"O homem se alegra em responder bem, e quão boa é a palavra dita a seu tempo!"


Amém!

Abraços!

maio 28, 2007

A Pseudo-Ignorância Oriental

E aí, Shikida? Acho que a Veja não explorou a matéria como devia, né? Afinal, se é para passar na frente assim...

Sem brincadeira agora, este caso de cola na Fuqua (Escola de Business de Duke) está dando um bocado que falar por aqui. Para dar mais detalhes, era o exame de uma cadeira de finanças e era permitido que o exame fosse levado para casa (ou seja, era, na verdade, um trabalho que cada aluno precisava fazer sozinho), e uma parte do exame consistia em montar uma planilha em Excel para que a questão fosse respondida. Foi aí que apareceu a cola: a maior parte dos arquivos de Excel apresentadas pelos alunos tinham no registro do arquivo o nome de apenas um dos alunos.

Pois bem. Agora, o argumento do advogado de defesa dos alunos que foram pegos apareceu com a seguinte pérola: as violações das normas da universidade foram menores e não intencionais, tendo em vista que muitos dos estudantes orientais (a maioria que foi atingida pela cola) não entende a importância do código de honra da universidade, nem dos procedimentos judiciais envolvidos em caso de violação do código.

Que Duke seja chamada de "universidade de brancos", "de ricos", "de estupradores" (como se dizia até pouco tempo atrás), eu entendo. Agora, se o cidadão passou no processo de seleção, então é porque um mínimo de conhecimento de inglês ele possui. Mais do que isto: todo o estudante de pós-graduação, antes de começar as aulas, faz novos exames de inglês, independentemente de resultados de TOEFL e IELTS apresentados, para verificar a consistência do texto acadêmico e da fluência na conversação. Se os resultados destes exames não são bons, o aluno pode passar até dois anos fazendo cadeiras complementares para aperfeiçoar o inglês. Desta forma, se os alunos leram o que consta de todo o exame como sendo o código de honra da universidade, então eles têm perfeita consciência do que se está falando ali.

E que não me venham com argumentos sobre diferenças culturais: em terra que ministros se matam ao reconhecer culpa em casos de corrupção, o entendimento sobre as consequências de fraude em exames é bem claro.

Só uma perguntinha, para encerrar: se a maioria dos alunos fosse latino-americana, o comportamento do advogado seria o mesmo?

Um abraço!

P.S.: para ver como os programas da Microsoft registram o criador do arquivo, abra um arquivo qualquer e clique no menu Arquivo-Propriedades. Deve aparecer o nome do proprietário do programa que criou o arquivo na opção Resumo.

maio 27, 2007

Ocupado

O blog está meio parado em função dos estudos para o qualifying. Para quem não entende o sistema americano de ensino, o resumo é o seguinte: depois de um ano de aulas, você tem que fazer um exame geral, com todo o conteúdo do primeiro ano, de forma a determinar se você tem condições de continuar no Ph.D. Em caso de reprovação, não há mais nada a fazer que não seja voltar para casa. Portanto, os próximos dias (semanas) serão de poucos posts.

De toda forma, após os exames na metade de junho, três temas serão dominantes no blog:
  1. Registros e fotos do show do Rush, no dia 20 de junho.
  2. Boletins diários do Encontro da Sociedade Americana de Econometria, em Duke.
  3. Registros e fotos das férias que pretendo tirar. Ainda não sei para onde vamos, mas a tendência é fazer um pequeno giro pela costa leste americana (Nova Iorque, com quase toda a certeza; talvez Filadélfia e Washington no caminho de volta para Durham).

Agora, de volta para os livros.

Abraços!

maio 19, 2007

Basquete - Último Post

Último post sobre a temporada de basquete: cansei de fazer fiasco com os meus palpites furados. Dos quatro confrontos das semi-finais, acertei apenas um!!!

Mas vamos lá, bola para frente.

Finais de conferência: DETROIT sobre Cleveland (4x2) e SAN ANTONIO sobre Utah (4x2).

Final do campeonato: SAN ANTONIO sobre Detroit (4x2).

Abraços!

maio 18, 2007

Drive

By R.E.M.

Smack, crack, bushwhacked.
Tie another one to the racks, baby.

Hey kids, rock and roll.
Nobody tells you where to go, baby.

What if I ride ?
What if you walk ?
What if you rock around the clock ?
Tick-tock. Tick-tock.
What if you did?
What if you walk ?
What if you tried to get off, baby?

Hey, kids, where are you?
Nobody tells you what to do, baby.
Hey kids, shake a leg.
Maybe you're crazy in the head, baby.

Maybe you did.
Maybe you walked.
Maybe you rocked around the clock.
Tick-tock. Tick-tock.
Maybe I ride.
Maybe you walk.
Maybe I drive to get off, baby.

Hey kids, shake a leg.
Maybe you're crazy in the head, baby.

Ollie, ollie.
Ollie ollie ollie.
Ollie ollie in come free, baby.

Hey, kids, where are you?
Nobody tells you what to do, baby.

Smack, crack.
Shack-a-lack.
Tie another one to your back, baby.
Hey kids, rock and roll.
Nobody tells you where to go, baby.

Maybe you did.
Maybe you walk.
Maybe you rock around the clock
Tick-tock. Tick-tock.
Maybe I ride.
Maybe you walk.
Maybe I drive to get off, baby.

Hey kids, where are you?
Nobody tells you what to do, baby.

Hey kids, rock and roll.
Nobody tells you where to go, baby.


maio 11, 2007

B.S.

Existe um termo considerado pesado usado por aqui para dizer que algo é uma bobagem sem tamanho, cujas iniciais são B.S. O professor de teoria do crescimento costuma fazer uma brincadeira, dizendo que determinado assunto é "B.S. - for Business Stuff". Bom, de fato, esta notícia aqui é B.S., e não no mau sentido, mas por ser coisa da Escola de Administração, mesmo.

Abraços!

P.S.: notícia descoberta aqui.

maio 10, 2007

Ícones Reunidos

Um dos grandes vídeos disponíveis no YouTube: três monstros sagrados da TV.



Abraços!

maio 08, 2007

Gosto Inglês

Concordo com a opinião inglesa, ainda que não seja o número 1 da minha lista: nada bate um Xis Bocão ou um Xis Cavanhas. E caso encerrado.

E segue a minha lista de dez marcas mais odiadas:

  1. Fanta Uva;
  2. Quick morango;
  3. McDonald's (deveria existir apenas pelo sorvete de casquinha);
  4. Kaiser (cervejinha sem-vergonha);
  5. Caxias do Sul (subúrbio da "Grande Bento" que se acha cidade grande);
  6. Qualquer marca de mortadela;
  7. Qualquer rede de comida natural, ou que dê nome de carne para produtos naturais (exemplo: "hamburguer de soja");
  8. Qualquer marca de café de país desenvolvido (café devia vir com atestado de pobreza como selo de qualidade);
  9. Coca-Cola Light (aplica-se a todos os variantes "Light" e "Diet" de outras marcas de refrigerante);
  10. Nissin Miojo.


E tenho dito!

Abraços!

maio 07, 2007

"Moção de Apoio"

Como diz o Reinaldo Azevedo, "cabeça desocupada é moradia do capeta"... Resolvi usar estas primeiras horas de descanso pós-provas (e pré-preparação para o qualifying) para me informar um pouco mais sobre o que se passa no rincão. Pois não é que eu descubro a "ocupação" da reitoria da USP por estudantes, em protesto contra a política neoliberal-privatista-elitista-conservadora-comedora de jiló-fora FMI do governo José Serra.

"Que coisa! O que, de tão grave, fez o Serra para que a reitoria da USP fosse invadida?" pensei eu, inocente, por aqui. Decidi me informar sobre, afinal, qual era a reivindicação. O que os estudantes reclamam:

- Contra um contingenciamento de verbas feita no início do ano pelo governo estadual, consequência do atraso na votação do orçamento para 2007 (problema resolvido);

- Contra a formação de uma "Secretaria Estadual de Ensino Superior", com direito a voto e a presidência no Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (um novo decreto do governo mantém a presidência do Conselho com os reitores, e o ensino universitário sempre esteve a cargo de alguma secretaria estadual, seja a de Educação, Ciência e Tecnologia, ou qualquer outra. Logo, problema resolvido);

- Contra a incorporação dos gastos das universidades estaduais no SIAFEM (Sistema Integrado de Administração Financeira de Estados e Municípios). Hummmm... Por que será que os estudantes não querem isto? Será que o barulho feito pelo seu equivalente federal incomoda tanto? Que gastos que são feitos nas universidade de São Paulo que não podem aparecer no sistema de contas públicas? Se eu fosse paulista, morasse em São Paulo, e não tivesse acesso à universidade "pública, gratuita e de qualidade para todos", eu gostaria de saber para onde está indo o dinheiro pago com ICMS, IPVA, etc, etc, etc... Onde é que isto fere a "autonomia universitária"?

Ainda intrigado, resolvi pesquisar um pouquinho mais, e descobri o link para o "Blog da Ocupação da USP". Ou seja, os "estudantes" se mantém informados do que ocorre lá dentro através de um blog. Ao contrário do Reinaldo Azevedo, acho que o problema maior não está aí, afinal de contas é fácil escrever textos e colocar no ar um blog de qualquer lugar do mundo, e desligar o acesso à internet do prédio da reitoria poderia prejudicar o acesso em outros prédios. O problema maior é a "criação", sabe-se Deus como, de uma rádio transmitindo, em FM, de dentro da reitoria!!! Qualquer pessoa sabe que rádio, no Brasil, é concessão pública. Assim, dado que não saiu nenhuma portaria liberando a frequência 106.7 para os ocupantes da USP, acho que, além de "perturbadores da ordem burguesa", os manifestantes agora se tornaram ilegais.

Mais intrigado ainda, continuei lendo o "Blog da Ocupação" ("cabeça desocupada..."). Além das "moções de apoio" e "chamamento para as plenárias", o blog lista a vasta programação cultural realizada pelos ocupantes, lista todas as visitas de professores aos ocupantes do prédio. Acho que vou voltar para o Brasil para ser estudante da USP: tenho casa, comida, festa, telefone, rádio, internet banda larga e ninguém para me incomodar com provas, listas de exercícios, cobrança com desempenho, relatórios de atividade do semestre... É uma vergonha!

Abraços!

maio 06, 2007

Basquete: Tentando de Novo

Bom, terminada a primeira rodada dos playoffs da NBA, fica marcado o fiasco deste palpiteiro: dos oito times que apontei como vencedores da primeira rodada, apenas cinco seguiram para a segunda fase. O maior erro foi cometido junto com talvez 99% do país, quando o Golden State (oitavo colocado do Oeste) eliminou o Dallas Mavericks, time de melhor campanha de todo o torneio. Por esta, quase ninguém esperava, nem mesmo os profissionais das estatísticas, ainda mais pelo placar razoavelmente dilatado (4 a 2).

A minha segunda decepção foi Toronto: depois de encerrar muito bem a temporada, pegando um New Jersey com um bando de jogadores voltando de lesão, acabou tremendo pela falta de experiência e entregou uma série que parecia razoável. A terceira bomba eu tomei na série Houston X Utah. Esperava que a dupla Yao Ming - Tracy McGrady tomasse conta do Utah que vinha decadente nas últimas duas semanas de campeonato.

Agora, seguem os meus palpites para a segunda rodada. Faço estes palpites já sabendo do resultado de um dos jogos (ontem, Detroit ganhou o primeiro jogo do Chicago). Hoje teremos mais duas partidas. Palpites: no Leste, CHICAGO sobre Detroit (4 a 3), NEW JERSEY sobre Cleveland (4 a 2); no Oeste, PHOENIX sobre San Antonio (4 a 3), UTAH sobre Golden State (4 a 3). Das quatro séries, estou seguro em apenas uma (não acredito que o Anderson Varejão, do Cleveland, possa fazer a marcação sobre Vince Carter, do New Jersey, em condições normais, ainda mais neste ano com o último em ano de renovação de contrato). Todas as outras séries estão sujeitas a grandes erros.

Abraços!

maio 01, 2007

Sua Esposa Não é Economista como Você?

Então bem-feito!!!! Quem mandou casar com alguém que não te entende? Acabo de ganhar como presente de aniversário de casamento o livro "Inside the Economist's Mind: Conversations with Eminent Economists": uma excelente coleção de entrevistas com grandes economistas, organizada pelo não menos mitológico Paul Samuelson em conjunto com William Barnett. O interessante do livro está justamente na combinação entrevistador/entrevistado: todos são economistas do mais alto gabarito. Exemplos: John B. Taylor entrevistando Milton Friedman, Bennet McCallum entrevistando Robert Lucas Jr, Olivier Blanchard entrevistando Stanley Fischer, além, claro, de William Barnett entrevistando Paul Samuelson.

Duas notas a mais sobre o livro: 1) eu poderia arrotar grandeza agora, dizendo que no Brasil este tipo de livro já existia faz muito tempo (com as publicações de "Conversas com Economistas Brasileiros", volumes 1 e 2). Entretanto, se a memória perturbada não está atrapalhando de novo, acredito que o projeto brasileiro já teve base um outro livro mais antigo, com a mesma idéia. Além disso, algumas das conversas brasileiras ou não possuíram uma parceria tão forte, ou acabaram servindo para fofoquinhas entre colegas de teoria de botequim. 2) parece que não existe previsão ainda para o lançamento da edição brasileira. Logo, "eu tenho, você não tem...", apesar da relação Real/Dólar sinalizar para altos lucros da Amazon.com.

Abraços!

P.S.: Thanks, Kiki!

abril 30, 2007

Surtos

Tenho escrito pouco. Boas razões: chegou a época dos exames. Depois de uma semana concentrado nos estudos para as provas finais, uma semana de provas. Como se uma semana fosse o suficiente para recuperar o que se estudou em um semestre, como se o semestre do ensino americano fosse parecido com o semestre brasileiro... Uma semana em que se extrai tudo, o conhecimento que não aparece, aquele que aparece sem sabermos de onde. Uma semana em que descansar é impossível, e relaxar depois do dever cumprido é um luxo de poucos, quase de ninguém. O martírio semestral segue. Semestres americanos não são parecidos com os brasileiros. Seguem os surtos.

Abraços!

abril 24, 2007

Basquete e Economia

Um aspecto destacado quando se discute por que o futebol não é popular nos Estados Unidos é a baixa contagem dos placares em jogos do esporte bretão. Existe um outro aspecto, técnico, que acredito ser pouco explorado quando se compara a popularidade entre esportes por aqui: os três esportes mais populares dos Estados Unidos, quando jogados em alto nível, caracterizam-se pela clara definição sobre a posse de bola durante a partida. No basquete, o time que está atacando possui 24 segundos para fazer o seu arremesso, e o controle de bola é vital para o andamento da jogada; no futebol americano, a posse de bola é tão bem caracterizada que existe o time de ataque, o time de defesa e os times especiais (que fazem a transição da posse de bola entre ataque e defesa); no baseball, o time que está rebatendo ataca, enquanto que o time que arremessa trata de se defender. No futebol, situações comuns de jogo envolvem, por exemplo, após um erro no andamento da jogada de ataque, o zagueiro dar um chutão na bola para fora do campo, e a posse de bola volta para o time que estava originalmente atacando.

Onde eu quero chegar com isto? Pois bem, o fato dos esportes daqui possuírem uma caracterização muito precisa sobre qual time (e qual jogador) possui o controle da bola gera uma externalidade apreciada pelos ianques: as estatísticas. Por mais que a Globo se esforce, por mais que os plantões de rádio façam os levantamentos, nada se compara à oferta de números a respeito de um esporte como o que qualquer mortal tem disponível por aqui. E aí chegamos ao uso das estatísticas: um jornalista resolveu juntar um grupo de especialistas em econometria, estatística e esportes para que fizessem as suas projeções sobre os playoffs do basquete profissional de acordo com os seus números e índices. O resultado foi este, claramente inspirado, como o próprio texto diz, no fenômeno Freakonomics. Não deixa de ser interessante a comparação de projeções (ainda que a técnica utilizada não seja explicitada), já que os palpiteiros são, por exemplo, um professor de economia da California State University, um professor de estatística de Ohio State, dois criadores de sites com estatísticas sobre basquete, e a mãe de um dos jornalistas. Ou seja, desde a opinião dos profissionais do basquete, da estatística e um palpite completamente amador.

A paixão do americano pelo esporte acho que só pode ser diretamente comparada com a sua paixão pela estatística.

Abraços!

abril 23, 2007

Boletim do Basquete - Breaking News

"Lee-AN-dro BAR-bow-sa" is on fire!!! O "Brazilian Blur" venceu o prêmio de melhor reserva da temporada 2006/07 da NBA. Talvez os jornais no Brasil não dêem o devido destaque, já que o prêmio de melhor reserva do campeonato pode ter para alguns um aspecto menor. Mas vale pensar o seguinte: quantas substituições são feitas em um único jogo de basquete? Vale lembrar que Leandrinho está jogando em um dos favoritos para o título e é sempre o primeiro dos reservas a ir para a quadra.
Uma noção mais exata sobre o que significa o prêmio são as declarações feitas por gente como Kobe Bryant e Phil Jackson a respeito de Leandrinho.
Um orgulho!

Abraços!

abril 19, 2007

Boletim do Basquete

- Preparação para os play-offs da NBA: meus palpites em letras maiúsculas. No leste, BULLS sobre o Heat (4-2); PISTONS sobre o Magic (4-0); RAPTORS sobre o Nets (4-3); CAVALIERS sobre o Wizards (4-0). No oeste, ROCKETS sobre o Jazz (4-2); SUNS sobre o Lakers (4-1); SPURS sobre o Nuggets (4-3, a melhor série da primeira rodada!); MAVERICKS sobre o Warriors (4-1). Começa neste sábado!

- Já pensando no ano que vem, dois jogadores para serem observados no próximo recrutamento: Greg Oden e Kevin Durant. Achei que fosse papo de jornalista para valorizar a cerimônia do recrutamento, mas depois de ver o campeonato universitário... que coisa!
Oden é pivô, está deixando a universidade após apenas um ano de curso para a NBA, teve no único ano de universidade médias de pontos e rebotes superiores ou equivalentes a jogadores como Patrick Ewing e Hakeen Olajuwon em período equivalente. Detalhe: jogou todo o primeiro ano com o pulso da mão direita enfaixada por uma lesão. Com isto, ele se obrigava a fazer arremessos de lance livre com a mão trocada, além de se preservar alguns movimentos mais bruscos.
Durant já recebeu diversos adjetivos para compará-lo com outros profissionais: Kevin Garnett com arremesso de três pontos, Tracy McGrady com melhor físico, Dirk Nowitzki com melhor controle de bola... É um fora de série. Como diz um colunista daqui, ele joga com aquela cara de "estou acabando com o jogo, destruindo a defesa adversária sozinho, tudo isto em rede nacional de televisão, e eu não estou nem aí: vou continuar fazendo".

- Fantasy Basketball: acabou a temporada junto com a temporada regular. Vocês conhecem Willie Green? Nem eu. E querem saber? Ontem, ele (terceiro reserva da rotação do Philadelphia) fez 37 pontos e 5 cestas de três pontos, me dando o título da liga de Fantasy dos alunos do primeiro ano de economia de Duke! Foi o movimento mais bizarro que qualquer um dos meus colegas já viu: a série final estava empatada, tudo seria decidido no último dia; resolvi apostar na vitória através do número de três pontos marcados, e achei que Green poderia contribuir com uma ou duas cestas para ajudar na soma das cestas. Pois ganhei o campeonato com sobras por causa de um cara que jogou a partida da vida dele! Andrew, meu colega que enfrentei na final, só dizia que não tinha problema algum perder, já que o meu time foi melhor que o dele durante a temporada toda, mas perder deste jeito era que doía!!!

Abraços!

abril 16, 2007

Perguntinha

Para quem acha que crime é uma questão de renda (pessoas pobres "vão" para o crime), uma pergunta: por que em uma universidade localizada em um Estado rico (nono lugar em renda per capita nos US), cuja composição étnica é comparável diretamente com os "brancos" de Duke ou de Harvard, além da qualidade na formação de cadetes, um estudante pega uma arma e mata ao menos 33 de seus colegas? Se a pobreza leva para o crime, por que isto acontece?

Abraços!

Para os Apaixonados por Apostas

Que coisa ridiculamente inútil!!!! É tão ridículo que chega a ser divertido. E tem gente por aqui que está fazendo apostas com isto...

Abraços!

abril 13, 2007

Durham, Um Ano Atrás

A cidade ferveu com o caso dos garotos do time de lacrosse de Duke, acusados de estuprar uma stripper negra, que agora, depois de toda a comoção, chega ao fim de forma surpreendente para quem estava aqui na época: existia a certeza de que eles eram culpados, e que a pobre garota negra estava apenas fazendo o seu trabalho. Síntese da história aqui.

E depois vem ministra brasileira dizendo que o Brasil tem problemas de racismo...

Abraços!

P.S.: não quero aqui afirmar que os rapazes também são santos. Porém é forçar muito a barra trazer um problema racial para encobrir e dar peso a uma investigação que deveria ter sido rápida.

abril 12, 2007

Imbatível

Que beleza esta notícia!!! E estes rankings não aparecem com a mesma naturalidade que outros comparando o crescimento do Brasil com outros da América Latina. Tinha um ex-presidente de Banco Central que escreveu uma nota tempos atrás, na VEJA. fazendo o mesmo tipo de argumento. Ele era taxado de louco, mas o ponto principal ainda vale: parece que falar que tivemos uma hiper-inflação nos anos 90 e atribuir a isto muitos de nossos atuais males econômicos é algo tão grave quanto falar da "peste" (lepra) nos tempos medievais - apenas em voz baixa, tom pesaroso, como se a morte já estivesse decretada, e não repete esta palavra senão atrai...
O detalhe é que, ainda que tenha melhorado muito, com todas as condições externas favoráveis ultimamente, ainda estamos na 24ª posição no painel de países avaliados pelo Bradesco. Falta muito para eliminar de vez as cicatrizes "da peste"...

Abraços!

abril 08, 2007

With a Little Help From My Friends

Uma música que acho que diz muito do que estou passando por agora. Lógico que a interpretação que tenho na cabeça é a de Joe Cocker (uma versão menos "trash" aqui), ao invés da original por Ringo Starr nos Beatles. Oh, a propósito, a única correção na letra que eu faria: I DO have someone to love now...

With a Little Help From My Friends

Por Ringo Starr

What would you think if I sang out of tune,
Would you stand up and walk out on me ?
Lend me your ears and I'll sing you a song
And I'll try not to sing out of key.

Oh, I get by with a little help from my friends
Mm, I get high with a little help from my friends
Mm, gonna try with a little help from my friends

What do I do when my love is away
(Does it worry you to be alone ?)
How do I feel by the end of the day,
(Are you sad because you're on your own ?)

No, I get by with a little help from my friends
Mm, I get high with a little help from my friends
Mm, gonna try with a little help from my friends

Do you need anybody
I need somebody to love
Could it be anybody
I want somebody to love.

Would you believe in a love at first sight
Yes, I'm certain that it happens all the time
What do you see when you turn out the light
I can't tell you but I know it's mine,

Oh, I get by with a little help from my friends
Mm, I get high with a little help from my friends
Mm, gonna try with a little help from my friends

Do you need anybody
I just need someone to love
Could it be anybody
I want somebody to love.

Oh, I get by with a little help from my friends
with a little help from my friends.

Obrigado aos amigos, tanto dos EUA quanto os do Brasil.

Abraços!

abril 06, 2007

Aprendendo...

... a conhecer (e reconhecer) meus limites.

... a fazer amizades como conseqüência das horas trancados em sala de estudos lendo.

... a curtir mais um lugar que me recebeu para fazer o que gosto, estudando o que mais aprecio.

... a fazer sacrifícios para que o objetivo maior seja alcançado.

... que a mente, muitas vezes, precisa de mais descanso que o corpo.

... que o exercício físico é um excelente descanso para a cabeça.

... que fazer o máximo, o tempo todo, recompensa.

Estou feliz. Minha melhor fase nos EUA.

Abraços!

Rush in Raleigh


Estaremos lá!


Abraços!

abril 01, 2007

Racismo

A atual ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, sra. Matilde Ribeiro, está me fazendo o desfavor de acabar com um dos (atualmente poucos) motivos que tenho para me orgulhar do Brasil: a declaração dela a respeito do desgosto contra "quem o açoitou" é apenas mais um exemplo da (des)organização social e política estabelecida desde o início do atual governo.

Por que falar nisto era um orgulho? Não me lembro exatamente como a conversa começou na sala de estudos, mas meus colegas estavam discutindo algo como política de quotas em universidades, e a convivência entre negros e brancos nos Estados Unidos. Tudo em um nível de normalidade, como se não fosse (e é) chocante a separação entre raças no convívio social americano. Nunca fiz referências antes, mas uma das cenas mais impressionantes no ônibus que circula no campus é exatamente a separação de grupos de estudantes a partir da raça: entram os negros, ficam todos juntos conversando entre si; entram os brancos, ficam todos juntos conversando entre si; entram os asiáticos, ficam todos conversando entre si (lembram? Chineses falam chinês...); e não existe contato algum possível entre eles, além de um eventual "sorry" por um esbarrão, ou um "excuse me" pedindo espaço para chegar até a porta de saída do ônibus.

Costumo, até, fazer uma brincadeira sobre a divisão racial na Carolina do Norte que reflete bem a visão "de fora" do povo daqui: na maioria dos estabelecimentos comerciais, o branco é o dono do lugar, o negro é o gerente, o chinês é o cliente, enquanto o latino é o funcionário de mais baixo nível possível da organização, e que ainda fica contente por estar aqui! Parece bem simplificado, mas experimente ir em alguma lancheria de fast-food daqui para entender direito do que estou falando.

A imagem do contraste, especialmente para quem vem do Brasil, é incrível. E tão incrível, que quando fiz esta referência para meus colegas, todos eles disseram que nunca tinham observado a separação por este ângulo (povo jovem, com instrução, mas ainda assim voluntariamente se apartando por raça), e me perguntaram como era no Brasil. Para meu orgulho, pude descrever que venho de um país onde a miscigenação é muito grande, onde quase ninguém pode se identificar como descendente de uma única raça. Óbvio que disse que o preconceito existe (e quem nasceu onde eu nasci, na região onde o povo se refere pejorativamente aos "brasileiros", para se diferenciar dos "italianos" que seríamos, sabe bem do que estou falando – como se a Itália tivesse algum entreposto especial, além da influência lingüistica, sobre aquela região do Brasil), e que é de ambas as partes, mas pude dizer que, mesmo assim, existe a "mistura" e graças à Deus que é assim!

Caramba, como eu saí bem daquela conversa!!! Pude me orgulhar do lugar de onde vim, do que se fez para a formação de um povo em 500 anos, da nossa história. E agora, para o mundo inteiro saber (a entrevista foi feita pela BBC-Brasil), vem uma ministra dizer que, atualmente, o cidadão negro brasileiro pode naturalmente desgostar de um cidadão branco porque o tataravô do seu bisavô foi açoitado durante o período de escravidão. Além de inventar o "açoite intergeneracional", com direito a alto grau de persistência (não tem modelo de "overlapping generation" que possa explicar isto!), a infeliz ainda fica feliz de dizer que agora o Ministério da Saúde está solicitando a identificação de raça em seus formulários, para que "programas específicos" possam atender melhor a população. Como se o problema da saúde pública, agora, fosse também uma questão de raça, ao invés de atendimento. Só falta dizer, também, que negros possuem diferenças fisiológicas fundamentais que justifiquem tratamentos diferenciados. Por volta dos anos 30, apareceu um maluco austríaco na Alemanha falando alguma coisa neste sentido a respeito dos brancos, e contra os negros e judeus. Acho que não acabou em coisa muito boa...

Abraços!

P.S.: a propósito de linguística e o dialeto do Vêneto, para os orgulhosos da minha terra, fiquem sabendo que o "italiano" (língua) que veio para o sul do Brasil é muito mais próximo do espanhol do que do italiano própriamente dito. Ver aqui, comentários sobre algumas flexões verbais, no final da página 4.

março 31, 2007

Verão Promete...

Em junho, duas ótimas pedidas para quem ficar por Durham:
  1. Para quem curte economia, vale lembrar que estão abertas as inscrições para o Encontro Norte-Americano da Econometric Society. Quem vai estar por aqui, já confirmado? Mark Watson e Chris Sims (Princeton), Lars Hansen (Chicago), Fabio Canova (Pompeu Fabra - Espanha), Christopher Pissarides (LSE), Frederic Mishkin (Federal Reserve Board), além, lógico, dos anfitriões: Tim Bollerslev, George Tauchen, Martin Uribe, Juan Rubio-Ramirez, entre muitos outros.
  2. Para quem curte boa música ("boa", não! "Excelente", para dizer o mínimo), foi anunciada a nova turnê do Rush. Disco novo, os velhinhos pegam a estrada. E o que é melhor, um dos shows será em Raleigh, em um pavilhão que fica a 34 milhas de casa (siga o mapa da figura).


Para mim, que gosto das duas opções, acho que o verão tem tudo para ser legal por aqui.

Abraços!

março 25, 2007

De Novo, a Imprensa e o BC

Pelo visto, a imprensa do partidão e congêneres descobriram as reuniões de mercado, que o BC organiza a cada trimestre com representes do mercado financeiro para discutir conjuntura. Que coisa! Vamos aos fatos, então.

Em primeiro lugar, a reunião dos diretores do BC com o mercado é tão "secreta" que já foi noticiada algumas vezes na imprensa (exemplo aqui). Ou seja, a única versão possível para a palavra "secreta" que a matéria pode dar é no sentido de "fechada", "privativa".

Se o sentido que a matéria quis dar foi este, então, em segundo lugar, devo dizer que concordo com alguns pontos do que está ali. Já escrevi aqui que considero a relação institucional do Banco Central com os demais órgãos da República um pouco frágil, acabando por confundir muitas vezes o que é objetivo do BC daquilo que seja uma atribuição do governo em turno. Agora, daí a termos "um escândalo", são outros quinhentos: passar informações "privilegiadas" para 80 (!!!) pessoas, distribuídas ao longo de dois dias, ainda mais em um mercado de capitais que, globalmente, é pequeno como o brasileiro, é quase a mesma coisa que um anúncio público.

"Ah, mas os bancos ganham dinheiro com isto!" Que bom! Para quem tem dinheiro aplicado, saber que o banco está ganhando dinheiro é ótimo! Mas, sem ironias agora, da mesma forma que o mercado gosta de saber o que o BC pensa, também o BC ganha um panorama bem mais preciso a respeito do que o mercado acredita. O BC possui, sim, relatórios que mostram números coletados junto ao mercado, mas ter uma reunião onde se possa coletar impressões específicas a respeito das opiniões do mercado é uma ferramenta importante.

Só para comparar, o Banco da Inglaterra organiza encontros regulares com economistas de mercado para tratar, especificamente, de operações de câmbio, operações com a Libra Esterlina e operações com juros e empréstimos. Se procurarem as atas destas reuniões, vão encontrar nomes, por exemplo, de economistas do Barclay's, do J.P. Morgan, HSBC, Deutsche Bank. Infelizmente, mais uma vez, acho que o BC brasileiro peca por omissão: deveria chegar a público e dizer o que todo mundo sabe – fazemos as reuniões, que contaram com a presença de Fulano, do banco A, Beltrano, do banco B, Cicrano, do banco C...

Mais uma vez, o BC tem a chance de dar um passo sério no sentido de responder a seus críticos. Infelizmente, acho que mais uma vez não vai acontecer nada.

Abraços!

março 24, 2007

Operando no Mercado Financeiro

Direto das mesas de câmbio do Banco Central do Brasil... (brincadeira, Marcelo!)

Abraços!

Reunião de Família

Tudo bem, foi no aeroporto, não deu nem tempo de dar uma volta para mostrar a cidade, mas rever o outro pedaço da família que resolveu se perder no mundo foi legal. Guilherme é meu primo, está em Des Moines (Drake University) estudando ciência da computação. Ele veio para NC treinar com a equipe de tênis da universidade, além de curtir um pouco o spring break.

Pena que as nossas férias não coincidiram: quando ele iniciou o período de férias, eu estava voltando para as aulas. Só deu tempo para tirar uma foto de aeroporto, mesmo.


Abraços!

Brain Damage/Eclipse

Em homenagem ao show que São Paulo vai testemunhar hoje (o Rio já viu ontem, e que Chris, Ricardo, Gio, Tita, Ernani e eu vimos na minha segunda casa – faltou alguém na lista? O Messala estava também?), parte de uma visão do lado obscuro da lua.

Brain Damage/Eclipse

Por Roger Waters

The lunatic is on the grass
The lunatic is on the grass
Remembering games and daisy chains and laughs
Got to keep the loonies on the path
The lunatic is in the hall
The lunatics are in my hall
The paper holds their folded faces to the floor
And every day the paper boy brings more
And if the dam breaks open many years too soon
And if there is no room upon the hill
And if your head explodes with dark forbodings too
I'll see you on the dark side of the moon

The lunatic is in my head
The lunatic is in my head
You raise the blade, you make the change
You re-arrange me 'till I'm sane
You lock the door
And throw away the key
There's someone in my head but it's not me.

And if the cloud bursts, thunder in your ear
You shout and no one seems to hear
And if the band you're in starts playing different tunes
I'll see you on the dark side of the moon

"I can't think of anything to say except...I think it's marvellous! HaHaHa!"

All that you touch
All that you see
All that you taste
All that you feel
All that you love
All that you hate
All you distrust
All that you save
All that you give
All that you deal
All that you buy, beg, borrow or steal
All you create
All you destroy
All that you do
All that you say
All that you eat, everyone you meet
All that you slight, everyone you fight
All that is now
All that is gone
All that's to comeand, everything under the sun is in tune
But the sun is eclipsed by the moon.

Abraços!

março 19, 2007

Roteiro para o Caos dos Aeroportos

Para você que viaja bastante pelo Brasil, um roteiro sobre o que vai encontrar nos aeroportos:
  1. Depois de comprada a passagem e chegado no aeroporto, filas quilométricas, já que nenhuma companhia aérea possui funcionários suficientes no balcão para atender.
  2. Feito o check-in, vai passar em frente de algum protesto de funcionários ou da Varig (reclamando das demissões em massa), ou da Infraero (reclamando das condições de trabalho no balcão), ou da TAM (com funcionárias ameaçadas de levar uns tapas se não voltarem para o balcão). Desespere-se se o protesto for do pessoal da torre de controle, DAC e afins, porque aí existe a certeza de que o vôo não sai.
  3. Fila adicional: depois do check-in, a do cafezinho, já que tem o povo que está parado no aeroporto mais de seis horas, e ao invés de solicitar apenas o cafezinho, quer fazer as três refeições que faltaram de uma vez só.
  4. E mais uma fila, já que ninguém é de ferro: depois de chamado para a sala de embarque e colocado dentro do avião, aguarde pacientemente a decolagem, já que outros tantos estarão parados à sua frente.

Ah, e não esqueça: no meio do caos, você pode ter certeza que o Presidente determinará apuração imediata do caos aéreo. Não acontecerá mais nada depois da apuração, mas ele vai querer saber de tudo... E não vai aparecer nenhuma matéria depois, dizendo que ele ficou "profundamente irritado" com a situação dos aeroportos.

Abraços!

P.S.: Ao menos a última confusão nos aeroportos serviu para alguma coisa...

O Pobrema é os Americano!!!

Excelente o texto de Fernando Canzian publicado na Folha On-Line de hoje.

Abraços!

março 17, 2007

Recomendo

Para quem tiver a oportunidade de ler, recomendo fortemente a coluna de Roberto Pompeu de Toledo, na Veja desta semana. Um pequeno trecho:

Zé Roberto, durante um recente programa do canal SporTV, disse que estava indeciso entre ficar e ir embora, uma vez encerrado seu contrato de um ano com o Santos, em julho. Ele tem propostas da Europa. Perguntaram-lhe, no programa, se os salários pagos no Brasil a um jogador de primeira linha, como ele, não são capazes de lhe garantir a independência financeira. Ele disse que sim. Subentende-se que esse lado, no seu caso, não é o decisivo. A conversa mudou de rumo e Zé Roberto, que é inteligente e tão elegante fora quanto dentro de campo, abriu uma fresta para o que se passa em seu íntimo. Afirmou-se chocado com o Brasil que reencontrou – a violência, os crimes. Confessou-se inconformado com o fato de não poder usufruir no Brasil – "no meu país!" – aquilo que amealhou com seu talento e dedicação. Perguntaram-lhe se isso vai pesar na sua decisão. Respondeu que sim. Ficou a impressão de que será o que mais vai pesar.

Outro dia, estava conversando com a minha mãe e, de passagem, ela disse que apenas as notícias ruins do Brasil chegam por aqui. O que a coluna mostra é que, na verdade, quem está aí, no Brasil, é conivente demais com a situação de insegurança geral do país: a notícia não é distorcida; é a reação à notícia que está errada.

Abraços!

março 16, 2007

Spring Break - Dia 6 - Lendo (e Entendendo) os Jornais

Aproveitando o dia de chuva por aqui, resolvi ler as notícias dos últimos dias no país. Diante de uma nota na Folha OnLine a respeito do livro do ex-Ministro, atual deputado federal, Antônio Palocci, resolvi organizar umas idéias por aqui. Como eu pretendo falar de economia, mais especificamente de jornalismo econômico, este post deve ficar grande. Mas, se você tiver interesse e quiser entender um pouco sobre como funciona a produção de notícias em Brasília, fique atento.

O valoroso jornalista Kennedy Alencar tem uma coluna nos finais de semana na Folha OnLine, além de escrever regularmente naquele jornal, a respeito de notícias de bastidores do Palácio do Planalto. Quase toda a semana ele trata de temas que circulam nos corredores, muitas vezes dando voz às "opiniões do Presidente Lula". Em quase 90% das suas publicações aparecem frases descrevendo como "o Presidente está profundamente irritado" com alguma coisa, ou está "decepcionado" com outro fato, ou ainda que ele "exigiu" que seus assessores parassem de discutir algum tema. O fato do Presidente não ser ouvido em quase a totalidade de seus pedidos mereceria um comentário em separado, mas a impressão que fica, para quem lê o noticiário político/econômico com frequência, é que o jornalista usa deste recurso para passar a impressão ao leitor que ele, de fato, está muito bem informado sobre o assunto. Algum tempo atrás, o Elio Gaspari já tinha chamado atenção para o uso indiscriminado deste recurso nos tempos de Governo Lula.

Pois bem, a nota publicada me lembrou de uma série de notícias publicadas entre 2004 e 2005 a respeito do descontentamento de Lula com o Banco Central. O pano de fundo, para quem não lembra, era o seguinte: a inflação estava girando na casa dos 6% ao ano, com tendência de queda forte; o Banco Central estava terminando um processo de alta dos juros, coisa que parte do governo (a ala "desenvolvimentista", como sempre) já vinha pressionando; com os sinais de que a economia não iria crescer muito naquele ano, o Presidente estaria cobrando severamente o então Ministro da Fazenda e o Banco Central uma maior queda nos juros.

Agora, vem a público a revelação que o Presidente, pessoalmente, determinou que a meta de inflação para aquele ano fosse de 4,5%, depois de convencido que 4% (a vontade dele) seria um objetivo muito ambicioso. Mais do que isto, a equipe econômica trabalhava com um número em torno de 5% para a meta de 2005. Lula teria sido, na visão do ex-Ministro, "mais conservador que a sua própria equipe econômica". Que bela notícia, hein?! Vamos recapitular o que foi publicado naquele período a respeito das opiniões do Presidente:

Em 20/04/2004:


Apesar de reiteradas declarações de apoio ao ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) na área fiscal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já deixou claro a ele que deseja mudar a meta de inflação de 2005. Pela meta do ano que vem, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) poderia chegar a 4,5%. Lula quer que ela possa ser alterada para até 5,5% ao ano --a meta de 2004.

Em 20/05/2004:


Apesar de ter sido avisado que o Copom poderia manter a taxa Selic em 16% ao ano devido à combinação de vários fatores negativos externos e internos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou decepção a interlocutores quando soube da decisão do Comitê de Política Monetária. "Erro grave" foi a expressão usada no Palácio do Planalto, segundo apurou a Folha.

Em 22/01/2005:


Para Lula, há um conservadorismo exagerado no órgão. Ele teme que isso prejudique o crescimento do PIB em 2005. Ao alterar a composição do BC, Lula deseja arejar a discussão e amenizar o suposto conservadorismo.
Meirelles alegou que, para cumprir a meta de inflação deste ano, é preciso elevar os juros. Lula gostaria que o BC trabalhasse dentro da margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo, o que limita o teto da meta a 7% ao ano. Meirelles disse que já abandonou o centro da meta (4,5%) e que mira em 5,1% para a inflação não disparar. (...)
A contrariedade de Lula cresceu nesta semana porque, no final do ano passado, Palocci e Meirelles disseram a ele que chegara ao fim o atual processo de alta dos juros. Lula deu a notícia em jantar com senadores do PT, o que desagradou aos membros do Copom, levando-os a mostrar novamente sua independência.

O que deu errado? Se o Presidente sabia dos efeitos de escolher uma meta de inflação mais baixa (menos crescimento e mais juros no curto prazo), por que ele "ficava irritado" com as decisões do Banco Central? Vamos listar algumas hipóteses:

  1. Lula não entende nada de economia, não tinha a menor noção do que tinha solicitado em 2004 (algo como a frase do Vice-Presidente José de Alencar na matéria inicial, dizendo "se dependesse dele, a inflação seria zero") e queria voltar atrás na sua decisão sobre a meta. Foi impedido porque o mercado interpretaria a decisão como fraqueza do Ministro da Fazenda e do BC.
  2. Lula tinha conhecimento de todos os efeitos, mas como precisava "jogar para o seu público", partiu para a tática mensalônica do "Eu não sabia, fui enganado".
  3. Lula sabia dos efeitos da decisão, mas seus assessores próximos, ligados a correntes alternativas do PT, faziam questão de ligar para a imprensa afirmando que o chefe estava descontente. Tudo para minar o poder da Fazenda e do BC.

A primeira hipótese pode ser descartada de saída: Lula entendia, sim, os efeitos da sua decisão. Mais do que isto, ele parece saber exatamente quais são as limitações de um Banco Central no controle de preços da economia. Duvida? Então por que ele afirmava, em abril de 2005, que "não foi o Banco Central que determinou [a meta de inflação], foi o governo"? Mais do que isto, por que ele afirmaria, na mesma matéria, que "para buscar a meta de inflação, o BC só tem o mecanismo de aumento das taxas de juros"? Ele sabia, sim, do que está falando, e estava informado, na época, sobre os efeitos da sua escolha da meta. (Interessante, nesta matéria do link, é que a manchete dá claramente a entender que Lula estaria criticando o uso dos juros para conter a inflação, mas o importante na matéria, como em muitas que circulam por aí, são as entrelinhas...)

Vamos para a segunda hipótese: Lula joga para a platéia, "estimula o debate entre as tendências" (credo, como eu odeio quando usam esta expressão!), e diz o que passa pela cabeça de acordo com a conveniência. Ainda que isto seja verdade, se o Presidente estivesse tão descontente como noticiado, por que ele não demitiu o Presidente do Banco Central? Ou melhor, por que ele não colocou claramente ao Presidente do Banco Central que estava descontente com a diretoria e que, se ele tivesse amor ao cargo, deveria trocar alguns diretores? Dado que todos os palcos por onde Lula desfilou o seu discurso estavam (e ainda estão) contra o Banco Central, se ele "foi enganado", poderia facilmente desfazer o seu erro.

Por fim, a última hipótese, e que eu considero a mais verdadeira. Jornalistas "do Planalto" não possuem acesso direto ao Presidente: falam com assessores, secretários, porta-vozes, puxa-sacos, empregados do Palácio, ... tudo para saber "como anda o humor do chefe". Ficam escrevendo picuínhas sobre o dia-a-dia do Palácio, falando do filme que o Presidente assisitiu na última noite, como se isto fosse um sinal de pessoa com acesso à boa informação. Agora coloque-se no lugar dos assessores. O que eles ganham passando estas informações para jornalistas? Ganham muito: 1) ganham um canal direto com a imprensa para limpar a barra em situações de crise - "se eu dei a informação sobre o filme que o Presidente assistiu, agora você publica que o Presidente não sabia nada sobre o mensalão, e que ele está muito chateado com a situação, ok?" 2) ganham uma fonte importante para antecipar o que vai sair nos veículos de comunicação alguns dias à frente; 3) ganham um painel para expressar os seus pontos de vista diante dos seus pares: usa-se a imprensa, através de uma suposta opinião da Presidência, para evidenciar as suas idéias a respeito da condução do governo.

Da próxima vez que alguém disser que "o Presidente está descontente" com alguma coisa, para descobrir se a informação tem fundamento, faça a seguinte pergunta: se ele está descontente, então por que não mudou? A resposta é o indicador fundamental sobre a veracidade da notícia.

Um abraço!

março 15, 2007

Spring Break - Dia 5

Overdose:

– Basquete na TV ontem à tarde: início do campeonato nacional universitário masculino.

– Basquete na TV ontem à noite: NBA, Suns vs. Mavericks, um dos melhores jogos que eu já vi na vida. Duas prorrogações construídas a partir de arremessos de três pontos que pareciam impossíveis; Leandro Barbosa quase ganhando a partida no último arremesso na primeira prorrogação; Mark Cuban, dono do Mavericks, quase invadindo a quadra para bater nos juízes ao final do jogo. Um barato!

– Basquete hoje à tarde: jogo com os colegas que ficaram na cidade no ginásio da universidade. Três contra três, e todos contra a bola, coitada.

– Basquete na TV hoje à noite: Duke estreando no nacional. A tendência é que não vá muito longe. Pode ser que passe da primeira rodada, mas entre a segunda e a terceira já deve dar adeus ao campeonato. O time é muito novo, e os mais velhos não são jogadores que se projetam como destaque quando forem para a NBA. De toda forma, vale a torcida.

Abraços!

março 12, 2007

Onde Estão os Direitos Humanos?

Natalie Fernandez, 15 anos, pediu para parentes passarem um trote para a polícia de Durham dizendo que foi sequestrada – tudo para ficar um tempo com o namorado. Agora ela tem a foto exposta em um monte de sites sem estar com o rosto encoberto, sendo processada por obstrução à justiça e ainda, vejam só, corre o risco de ir para a cadeia!!! Onde estão os direitos humanos?!?!?! Ela nem arrastou uma criança até esta ter a cabeça dilacerada ao longo do caminho? Como é que estes americanos liberais-bobos-retrógrados querem educar suas crianças? Dizendo que não se deve desrespeitar as leis? E a liberdade que as crianças devem ter de descobrir o mundo?

E o que é pior: a discussão agora é o custo que este tipo de trote pode causar para a sociedade! Ou seja, ao invés de pensar no bem-estar da menina, estes comedores de hambuger só querem saber quanto custou a brincadeira da menina!

Que coisa! Deve ser horrível morar em país tão bárbaro e atrasado.

Abraços!

Perigoso

Proibido para Menores

Depois do "ponto G na Rodada de Doha", esta é de matar: tomam 40% do que ganhamos em imposto para indicar a sacanagem que podemos ver pela internet!!! Estou escrevendo isto uma hora depois de publicada a nota e a página continua no ar, nos links do governo. Lamentável.

Abraços!

P.S.1: Atualização: o link correto da tal da ONG é http://www.transasdocorpo.org.br/.

março 11, 2007

Spring Break - Dia 1

Primeiro dia do Spring Break - semana de férias no meio do semestre, para dar um descanso logo após as provas de meio de curso. Aproveitamos o domingo de sol e temperatura amena para passear no parque da universidade. Na verdade, o Sarah P. Duke Gardens é, como o nome diz, um jardim que o pessoal usa para descansar um pouco e aproveitar o final de semaana.

O jardim tem diversos espaços, dedicados a diferentes tipos de vegetação (um espaço só para rosas - que ainda não floriram, como a foto abaixo mostra - outro com vegetação natural, outro com plantas ornamentais, e assim por diante), além do campo gramado para o pessoal deitar e descansar.


Foi um bom dia para passear, caminhar, aproveitar o sol que não foi visto nos últimos dias, sentar no banco da praça só para ver a vida passar, ainda que por poucas horas. Um descanso merecido.

Abraços!

março 08, 2007

Latin America Trip? For Vacation???

Parei agora para dar uma olhada no noticiário geral e pude notar um tremendo descompasso entre a importância dada para a viagem do presidente americano ao país: enquanto os sites daqui apenas dão uma manchete padronizada sobre a viagem "para a América Latina", os jornais brasileiros parecem que enlouqueceram, destacando notas sobre o trajeto da comitiva, estrutura de segurança, comida que ele levou daqui, cor da cueca que ele vai vestir quando encontrar com o Lula...

De fato, tentando observar o fato mais friamente, a pessoa que está desembarcando no Brasil, ache-se isto bom ou ruim, seja ela brilhante ou completamente imbecil, é a autoridade mais importante do planeta na atualidade, e isto demanda uma estrutura compatível com o cargo. Ficar com raiva porque "a barraca de cachorro-quente teve que ser retirada" é algo tão provinciano e pequeno que acaba apenas por desmerecer o país. Entretanto, será possível imaginar a repercussão se algo der errado?

Convenhamos: o cara está pendurado de problemas diversos, que vão desde o Iraque e terminam com o caso de corrupção de um assessor do vice-presidente. Ele não vai para a viagem buscando fechar acordos mirabolantes de uma vez por todas sobre a cana-de-açúcar, não vai tentar destituir o Chavez com uma canetada, nem vai tentar ocupar o Uruguai com a venda de seus carros e computadores: ele está fazendo esta viagem para mostrar, aqui dentro, que ele se ocupa das funções designadas para um presidente dos Estados Unidos. Por causa disto, acho que seria de bom tom uma recepção decente, ao invés de faixas em frente ao Congresso Nacional (e os deputados que não são contra a visita, podem estender faixas?), protestos inúteis misturando Dia Internacional da Mulher com o "Fora Bush, FMI e jiló".

Como disse um colega meu, muito antes de saber da visita do seu presidente ao continente: "não gosto do Bush, mas eu ficaria muito irritado se algo acontecesse com ele em uma destas viagems. Afinal de contas, estarão atingindo o presidente do meu país".

Um abraço!

março 02, 2007

Exaustão

Não paro em pé, tal como papel fico caído, jogado pelos cantos. Relógio toca, me recomponho, vamos de novo, mais um esforço. O corpo grita, chora, mas a cabeça tem que funcionar, planejar, pensar. Programar o hoje (supermercado, contas para pagar, cadernos para ler, anotações a serem feitas), programar para amanhã (convergência, por favor!!!), programar o futuro. Perguntas: vale à pena? Quanto custou? Ainda dá tempo? A resposta parece ser a mesma, sempre: não sei. Aulas, doses de café líquido brasileiro-precioso, evito o americano-frio-lixo. Notas, exercício. Exercito a mente, tento compensar com a manutenção do corpo, mas não dá tempo, tenho que voltar logo para os meus companheiros eternos. Os livros não me abandonam, me procuram. Já conheço todas as suas esquinas, os seus atalhos. Mas ainda falta conhecer a sua alma, a minha alma, a minha vontade. Acaba o dia, caio exausto.


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Abraços!

março 01, 2007

Piada de Economista: Produtividade Marginal do Trabalho

Parece que a história é verdadeira: um economista brilhante terminou o seu PhD e foi contratado para trabalhar na UPenn. Depois de alguns anos de produção excelente, foi convidado para trabalhar em Princeton. Passado um tempo em Princeton, e mantida a produção, o chefe do Departamento de Economia da UPenn começou uma negociação para trazer o brilhante professor de volta. Conversa vai, conversa vem, eles acertam os termos de um novo contrato.

Primeira cerimônia dos professores da UPenn e o reitor da universidade está presente. No meio do jantar, o reitor resolve fazer um discurso a respeito dos progressos da universidade, e diz que "está muito feliz, já que o professor Fulano De Tal decidiu deixar Princeton para se juntar a nós, e isto demonstra a nossa capacidade acadêmica..." O novo professor, convidado a falar, responde seco:

"Dado que o reitor está feliz por ter me trazido de volta, só posso concluir que estou perdendo dinheiro, já que, depois de negociado o novo salário, ele deveria, no máximo, ser indiferente entre eu estar aqui ou na minha antiga universidade..."

Abraços!

P.S.: não adianta se esforçar: se você não for economista, não vai entender e/ou não vai achar graça na piada.

Pelotão, Sentido!

Um aspecto da vida americana que chama muito a atenção é a propaganda feita pelas forças armadas do país para recrutar gente. É de se imaginar que, em país que possua um bom nível de crescimento, as pessoas tendam a preferir empregos que não coloquem a sua vida em risco (especialmente com a possibilidade de ser mandado para lugares como o Iraque, Afeganistão e afins). Desta forma, para manter a atratividade, as forças armadas fazem o possível e o impossível para atrair candidatos a oficiais.

Exemplos disto: dêem só uma olhada na produção dos sites da marinha, exército, guarda nacional e reservistas. A primeira coisa que me chamou a atenção foi o próprio endereço dos websites: ao invés do final ".gov" ou ".mil", o final é ".com", mesmo, como qualquer empresa privada disputando mão-de-obra no mercado. Os sites apelam para o status de ser um soldado das forças americanas, algo que, de fato, eles têm muito orgulho, e se propõem a oferecer explicações aos pais dos candidatos a respeito da carreira que o filho está pretendendo seguir.

As propagandas na televisão não ficam muito atrás. Selecionei algumas no YouTube (ver aqui, aqui e aqui), e todas procuram influenciar as pessoas de forma a fazer parte de uma organização respeitada no país inteiro. Também nas universidades as forças armadas incentivam com bolsas de estudo alunos que façam cadeiras relacionadas à estrutura militar e estratégias de guerra – em Duke, as cadeiras de graduação oferecidas neste semestre podem ser vistas aqui.

Não surpreende, desta forma, que, mesmo com a possibilidade de ser jogado em um buraco qualquer junto do Taliban, muita gente ainda procure se alistar nas forças armadas. Estava assistindo hoje ao David Letterman entrevistando o senador John McCain. No meio das perguntas a respeito do Iraque, David citou uma frase (não me recordo de quem) que eu acho que resume bem o sentimento do americano com relação às forças armadas:

"We don't like the war. We like the warriors."


Abraços!