outubro 14, 2007

Luiz Caversan

O texto é do dia 6 deste mês, só consegui ler agora graças à porcaria do site da Folha que resolve mostrar colunas antigas, ao invés dos textos mais atuais. Serviu para alguma coisa. Vai na íntegra, mesmo.

Abraços!

Invasão de privacidade

Por Luiz Caversan.

- Boa noite! Posso falar com o sr. Luiz Carlos?

Xi, boa coisa não é, porque só minha mãe me chamava de Luiz Carlos, mesmo assim quando estava muito brava. Mas resolvo atender.

- Pois não, é ele. Quem está falando?

- Antes de mais nada eu gostaria de informar que nossa conversa está sendo gravada?

- Como assim, gravada?

- Questão de segurança...

- Mas eu estou em perigo?

- Não, não. Olha, primeiro de tudo eu gostaria de lhe parabenizar (sic) pelo seu ótimo relacionamento com o comércio de sua cidade.

- Como assim, ótimo relacionamento? Você quer dizer que eu não sou caloteiro?

- Isso mesmo! Quer dizer, não, não. Apenas estou dizendo que o senhor é um ótimo cliente...

- É, quem te contou?

- Como assim?

- Quem te contou que eu chamo Luiz Carlos, que este é meu telefone, que estou em casa às 10 da noite, que compro, pago? Como você me descobriu?

- Ah, o senhor está em nossa base de dados?

- É mesmo? E quem me colocou na sua base de dados?

- Bem, isso eu não posso dizer...

- A nossa conversa está sendo gravada?

- Está? Para sua segurança...

- Então eu estou em perigo?

- Não, não... eu só preciso falar com o senhor alguns minutos...

- Senão você não ganha nada, né?

- Como assim?

- É, você tem que me prender no telefone pelo menos x minutos para ganhar alguma coisa. E ganha mais se me vender... o que você está me vendendo mesmo?

- Cartão de crédito... Não! Desculpe, estou ligando primeiro para cumprimentá-lo...

- Isso você já falou, vamos aos finalmente, depois você me explica como eu entrei na sua tal base de dados.

- É um cadastro...

- Quer dizer que eu estou cadastrado? Tem nome, endereço, RG, essas coisas todas?

- Sim?

- E quem me cadastrou?

- O outro cartão de crédito...

- Ah, quer dizer que vocês pegaram meu cadastro num cartão para me vender outro cartão? Espertinhos, heim?!

- Não, o senhor não está entendendo...

- Alô, alô, nossa conversa está sendo gravada?

- Sim!

- Então eu quero falar para quem ouve a gravação, se é que alguém ouve a gravação: olha aqui, pessoal, isso é muito feio, viu? Vocês pegaram meus dados do meu cartão de crédito sabe-se lá como, sabem tudo a meu respeito, certo?, RG,CP, telefone, endereço. Sabem, até que eu pago direitinho minhas contas, certo? Daí mandam essa moça simpática ligar pra minha casa às 10 da noite, com essa conversinha de 'parabéns pelo meu ótimo relacionamento com o comércio da sua cidade' (de fato, eu me dou super bem com a dona Francisca da mercearia...) e tudo e tal e acham que está tudo bem, que é assim mesmo?

- Por favor, senhor Luiz Carlos...

- Peraí, Luiz Carlos era minha mãe que me chamava; agora espera aí que eu estou falando com o moço da gravação. Então, isso é feio, imoral, antiético e sobretudo invasão de privacidade. Você sabia, moça, que você está invadindo minha privacidade?

- O senhor está falando comigo agora?

- Sim!

- Não sabia, não...

- Desculpe, querida, eu sei que você está tentando ganhar o seu, mas sua tarefa é inglória e está a serviço de interesses espúrios...

- Peraí, espúrios, não!

- Sim, espúrios, minha filha, isso não é nenhum palavrão, embora pareça: quer dizer alguma coisa que não está de acordo com as leis ou a ética, é ilegal, desonesto, ilegítimo.

- Ah, bom...

- Bom nada, eu estava quietinho aqui no meu canto e você me liga sabendo tudo a meu respeito e querendo dar um golpe no meu cartão do crédito para eu ficar com o seu?!

- Não!

- Sim! E sabe o que é pior pra você? Faz dez minutos que a gente está conversando e você nem conseguiu falar qual é o seu cartão de crédito!

- Senhor Luiz Carlos, o cartão é...

- Boa noite...

*
Discute-se em São Paulo se colocar chips para monitorar os automóveis da cidade seria ou não invasão de privacidade. Polêmica ultrapassada, esta: como demonstra o diálogo acima, eles já sabem tudo.

Nobre Al Gore?

Um excelente artigo no Boston Globe questionando o prêmio Nobel da paz concedido ao ex-vice presidente americano Al Gore deixa implícito no final uma questão importante: qual a importância de um trabalho concluído para a obtenção de um prêmio Nobel da paz? Em outras palavras, uma obra puramente idealista é merecedora deste prêmio Nobel?

A resposta, até a premiação deste ano, parece indicar que não. O vencedor do prêmio de 2006, Muhammad Yunus, construiu uma instituição bancária de crédito popular em Bangladesh - uma obra concreta e acabada. Mohamed ElBaradei e a International Atomic Energy Agency (IAEA), vencedores do prêmio de 2005, efetivamente tiveram a sua participação na construção da política nuclear atual - ainda que de qualidade questionável, é uma obra concreta. A ativista política Wangari Maathai ganhou o prêmio de 2004 pelo combate à ditadura no Quênia. A luta pelos direitos humanos, especialmente de mulheres e crianças, em países islâmicos, na figura de Shirin Ebadi, talvez seja outra causa menos concreta agraciada com a premiação, em 2003. Todavia, as obras de Kofi Anan (a despeito dos escândalos com seu filho), Jimmy Carter, Nelson Mandela, Henry Kissinger, Yasser Arafat, Ytzhak Rabin, Madre Tereza, entre outros, apresentaram resultados concretos.

O prêmio dado a Gore refere-se a um problema existente, mas note que até mesmo a instituição que compartilha o prêmio afirma que a manutenção do estado atual causará efeitos bem menos nefastos que os alardeados pelo ex-vice-presidente. Será que agora, para ser premiado, basta estar "apaixonado" por uma causa, ou resultados concretos voltarão a ser considerados?

Abraços!

Furo de Notícia

Eu tinha comentado, algumas semanas atrás, sobre um acidente em partida de futebol americano onde um jogador teve uma lesão na coluna cervical. Pois não é que parece que o cara está se recuperando bem? :-)))))))



Fora de brincadeira, Kevin Everett está se recuperando em um hospital de Houston, com boas perspectivas em termos de voltar a caminhar.

Abraços!

BOPE, o PhD da Polícia

Frase do Comandante do BOPE, Coronel Pinheiro Neto, na Veja desta semana:

"Nesse curso, a rotina do aluno é quebrada. Ele dorme muito pouco, se é que dorme, alimenta-se muito pouco, quando se alimenta, e é submetido a tarefas extenuantes"

Por um instante achei que ele estava falando de algum bom programa de PhD em economia.

Abraços!

outubro 07, 2007

Apostas para o Nobel de Economia

Shikida já colocou no seu site algumas apostas sobre o prêmio Nobel de economia deste ano. Deixei um comentário por lá, mas resolvi trazer para cá as idéias um pouco mais elaboradas, além de outros palpites, bem mais calibrados que o meu.

É óbvio que a minha preferência para o prêmio é viesada pela área de estudo, mas eu creio que sejam poucos os economistas que nunca leram alguma obra do Thomas Sargent nos seus estudos de macroeconomia. De toda forma, já que foi o Phelps que ganhou no ano passado, também com trabalhos em macroeconomia, acho difícil que o Sargent leve desta vez.

Também ligado em macroeconomia, poderíamos citar David Romer e Robert Barro. Todavia, de novo, seus nomes ficam prejudicados pela tendência de alternância das áreas de pesquisa na distribuição dos prêmios.

Seguindo uma tendência da academia de premiar os autores que, de alguma forma, complementaram pesquisas originais (Debreu, depois de Arrow; Miller, depois de Modigliani; Phelps, depois de Friedman), poderia puxar a brasa para a sardinha de Duke, e dizer que Tim Bollerslev teria chances. Entretanto, dois fatores pesam contra a sua escolha: 1) fazem apenas quatro anos que Engle ganhou o seu prêmio com os modelos GARCH; 2) Bollerslev é ainda bastante novo (seu trabalho mais famoso é de 1986).

Outros palpites interessantes já apareceram: Mankiw, além de Barro, cita Fama, Feldstein e Schleifer, com base em citações. Entretanto, estes também estão marcados pelo viés do campo de pesquisa. Além disso, com base em rankings de citações, não podemos nos esquecer de Paul Krugman, ainda que ele já tenha se esquecido da academia faz algum tempo...

Seguindo o link que Mankiw indica, da Thomson Scientific, os palpites já se tornam muito mais razoáveis: Paul Milgrom já mereceria o prêmio; Jean Tirole já entra em categoria muito parecida com o que Sargent é para a macroeconomia.

Por fim combinando a contribuição com o número de citações, além da tendência das áreas de pesquisa em economia não se repetirem, acho que Jean Tirole é um excelente palpite para este ano.

Abraços!

On Any Given Saturday

Hoje tentamos seguir a tradição americana dos sábados de outono nos Estados Unidos, especialmente em cidades universitárias do país: ao invés de ficar presos na televisão, Chris e eu decidimos assistir ao jogo de futebol americano universitário de Duke. Tudo bem, o time é uma porcaria (conseguiu a proeza de perder todos os doze jogos da temporada passada), mas o programa em si é legal.


Talvez seja difícil, no Brasil, ter uma noção mais exata do que é o esporte universitário por aqui, já que, mesmo tendo acesso à ESPN, o número de transmissões é muito pequeno (nos sábados, por exemplo, a ESPN internacional transmite o Campeonato Espanhol para o resto do mundo). Entretanto, a experiência daqui é muito interessante. Para se ter uma noção, em todo o sábado de temporada é possível ficar da uma da tarde até a uma da manhã do domingo plantado na frente da televisão assistindo futebol americano, com jogos universitários que começam na costa leste e vão terminar no último jogo da noite de alguma universidade da Califórnia.

No estádio, o clima de jogo é bem diferente. Não sei se é por causa da (baixa) qualidade do time de Duke, mas a torcida mais animada era a visitante, da universidade de Wake Forest. Na foto abaixo, uma curiosidade: a foto destaca a banda de Duke, tocando para as cheerleaders; entretanto, olhando com um pouco mais de atenção, notem com as cores azul e branca de Duke vão sendo trocadas, nas roupas da torcida, para o preto e dourado de Wake Forest, à medida em que olhamos as arquibancadas mais para o fundo. Sim, é isto mesmo: as torcidas ficam misturadas nas arquibancadas, sem divisórias, sem provocações, sem pancadaria. Cada família vai para o estádio vestindo as cores da sua universidade, compra o seu cachorro-quente, refrigerante para os filhos, e torce para o seu time preferido, sem ser incomodada por torcedores adversários.


Entre os pontos altos do dia, a exibição da banda marcial da universidade antes do jogo e no show do intervalo (ver na foto abaixo, atrás da Chris); a entrada em campo do time de Duke, com alguns fogos e uma festa que até lembra a entrada dos times de futebol no Brasil em jogos decisivos; o sanduíche de lombo de porco com pimentão vermelho e cebola que comi estava ótimo; a velocidade com que a Chris entendeu as regras do jogo, o que me permitiu prestar atenção no jogo (o que mais eu posso pedir da vida? Minha mulher conhece a lei do impedimento e topa ir comigo a jogos de futebol americano!!!!); e, lógico, o fato de Duke ter ao menos dado um calor na partida contra a universidade campeã da conferência do ano passado (placar final: WF 41 x 36 Duke).


O sábado foi divertido, deu para descansar bastante e curtir um pouco do que o americano médio entende por programação de final de semana.


Abraços!

outubro 06, 2007

Duke X Illinois: os Latinos

Já estou para escrever este post faz algum tempo, mas por ser apenas uma provocação, fiquei adiando, talvez esperando uma boa oportunidade. Depois de ler a última frase do ante-projeto de ditador equatoriano, não resisti:

"Com o Congresso é muito difícil de atuar e creio que o pronunciamento do povo equatoriano foi contundente: o Congresso tem de ir para casa."


Sabem onde Rafael Correa, o autor da preciosidade caudilhista latino-americana citada, estudou? Segundo a biografia disponível, o atual presidente equatoriano é PhD em economia pela Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign. A mesma universidade onde muitos brasileiros estudaram estimulados pelo contato com o professor Werner Baer.

Agora, me permitam o contraponto. Lembram de Ricardo Lagos, ex-presidente do Chile, antecessor da atual presidente Bachelet? Entre os seus feitos: a assinatura de acordos de livre comércio com a União Européia e a China, além de negociações para tratados com os Estados Unidos, aumentando drasticamente o fluxo de comércio do país; a obrigatoriedade de 12 anos de estudos para as crianças no país; as reparações dos crimes cometidos durante a ditadura de Pinochet. Agora, depois de concluído o mandato, vai estar junto de um conhecido nosso, dando aulas em Brown. Sabem onde Ricardo Lagos estudou para o PhD em economia? Sorry, Illini friends...

Por fim, uma observação: antes de jogarem na cara os alumni de Duke, quero lembrar que estou comparando ex-alunos do PhD em economia, ok? Não me venham citar o Nixon, que este foi da Law School...

Abraços!

outubro 04, 2007

Troca-se Big Mac por iPod

Um dos mais famosos indicadores da paridade do poder de compra entre moedas pode entrar em desuso: o "Índice Big Mac", da revista The Economist, está sendo desafiado como indicador da valorização das moedas nacionais pelo "Índice iPod", desenvolvido pelo banco australiano Comsec. A teoria por trás da construção dos índices é a boa e velha PPP: na sua síntese, o que ela afirma é que produtos iguais, depois de ajustados pela taxa de câmbio, devem ter preços iguais em qualquer país onde o produto seja comercializado. Assim, se o preço em dólares do Big Mac no Brasil é 15% maior que o preço do Big Mac nos Estados Unidos, afirma-se que o Real brasileiro está 15% sobrevalorizado em relação ao dólar.

Partindo deste princípio, duas perguntas se fazem necessárias: 1) Por que o Big Mac para comparar os preços? 2) Por que medir os preços pelo iPod seria mais eficiente?

Para a primeira resposta, fico com as palavras de um saudoso professor, que em suas aulas de economia internacional para a graduação na UFRGS elaborava o raciocínio de forma brilhante. A comparação entre as taxas de câmbio deveria ser feita usando um produto que todos os habitantes, em média, de um país consomem. Assim, o produto ideal deveria considerar mão-de-obra, capital, gastos com comida, além de impostos. Qual é a mistura mais uniforme destes produtos, de forma que um consumidor de Taiwan esteja comprando o mesmo objeto que um consumidor de Buenos Aires, e que leve em conta todos estes produtos básicos? O Big Mac!!! Logo, o Big Mac não é sequer uma refeição, mas uma grande mistureba de bens que todo mundo consome.

Para responder por que o iPod seria uma medida melhor para a paridade do poder de compra, basta constatar um fato: quando os brasileiros voltam de viagem da Europa, ou dos Estados Unidos, qual o produto que eles trazem na bagagem? Um iPod, que custa US$ 149,00 por aqui, contra US$ 327,71 no Brasil, ou um Big Mac, que custa US$ 3,22, contra US$ 3,60 no Brasil? É óbvio que, mesmo sendo mais barato, e mesmo sendo constituído por bens comercializáveis, ninguém vai trazer um hamburguer americano para a sua refeição. E aí está a grande vantagem do iPod como medida: por ser produzido na China, seus custos de transporte são mais ou menos equalizados ao redor do mundo, e os custos de produção absolutamente uniformes; também é um produto que possui as mesmas características onde quer que seja vendido; além disso, o "status" de ter um iPod ao redor do globo é mais ou menos o mesmo ao redor do mundo - o mesmo não se pode dizer do Big Mac em lugares onde ir para o Mc Donalds seja uma espécie de luxo, ao contrário daqui.

Para maiores informações sobre o "Índice iPod", ver aqui.

Abraços!

outubro 03, 2007

Como Diz Meu Pai...

Notícia interessante em O Globo Online de hoje: nem a Supernanny deu jeito nestas pestes. O mais interessante é a condição em que a casa começou a pegar fogo: a mãe no telefone, com um filho de três anos andando com um acendedor de fogão nas mãos, passeando em meio às cortinas da casa!

Eu ainda vou ver alguém fazer isto com a Supernanny.

Como diz meu pai: "bater, nem pensar?"

Um abraço!

outubro 01, 2007

Outra Pesquisa!!!

Gostei da brincadeira!!! Nova pesquisa no ar, e depois, sob recomendação da maioria qualificada dos oito leitores, "volto para estudar e não encho o saco" de mais ninguém.

A nova pesquisa trata, mais uma vez, de tema relevante para a sociedade brasileira, quiçá para o resto do mundo. O tema é economia: para onde vai o dólar no Brasil? Deixe o seu palpite!

Abraços!

setembro 30, 2007

Sorvete

Tenho um colega no banco, o HVYMTL (já deu as caras por aqui em alguns comentários), que costuma dizer que eu não sou, exatamente, um referencial muito razoável em termos de comida, tendo em vista algumas preferências exóticas (na opinião dele) sobre iguarias únicas que gosto de apreciar quando estou no sul. (Sim, pai, estou falando "daquilo").

Para colocar a tese dele em prova, resolvi trazer para vocês a foto do último pote de sorvete comprado aqui em casa - uma edição especial da Edy's, em comemoração ao Halloween que se aproxima.


Sim, o sorvete tem este sabor mesmo. Lembra mais o gosto da torta, a famosa "pumpkin pie", servida por aqui no feriado do Thanksgiving. Tenho comido o sorvete com calda de chocolate, já que este sabor não é exatamente muito doce. No resumo, não é um sorvete que eu sairia pela madrugada procurando um lugar para tomar, mas também não é nada desprezível.

Um abraço!

setembro 28, 2007

Pobre São Francisco

Perdoai, São Francisco, padroeiro do Escotismo, a frase infeliz do Senador Wellington "Sem Voto" Machado, ardoroso defensor de Renan Calheiros. Uma pessoa sem voto algum (é senador suplente!!!), abraçando as causas mais mórbidas que o Parlamento já encarou, agora chama por teu nome em troca de uns caraminguás!!!

É como eu falei: Renan e seus cúmplices vão durar no Senado até a hora em que a CPMF for aprovada. Depois disto, Lula vai cuspi-los como fez com todos os outros que usou para alcançar seus objetivos. E aí aparece o "Salvador da Pátria", aquele que investiga e manda prender os bandidos. Antes da CPMF, é "o meu aliado, a sustentação do governo"; depois "quem tem culpa, que pague na justiça". E a oposição vai, mais uma vez, ficar vendo navios...

E já que eu estou revoltado hoje, vai mais lenha: o senadorzinho sem voto é tão picareta que, nas notícias em seu site, ele não relaciona nada sobre a sua "destacada atuação" em defesa dos bois e vacas do Presidente do Senado.

E a oposição vai ficar vendo navios...

Abraços!

setembro 24, 2007

Dedo-Duro

O governo agora resolveu mandar para o Serasa os devedores de tributos federais. Da primeira vez que li que o governo pensava em fazer isto, li um comentário interessante, que dizia mais ou menos assim:

"Governo coloca no Serasa devedor de imposto? Ótimo. E a quem eu recorro quando o governo não presta os serviços que os meus impostos deveriam pagar? Para o Procon? E quando o governo demora quase um ano para pagar restituição de imposto, posso apelar para o mesmo Serasa?"


À parte a brincadeira espirituosa e com forte fundo de verdade, a medida não seria de todo ruim se o Serasa tivesse o tão discutido "cadastro positivo": se o consumidor pudesse mostrar ao banco que não apenas tenho a ficha limpa no mercado de crédito, mas também junto ao governo, poderia barganhar um custo menor no financiamento de longo prazo. Da forma como está, sem o cadastro, é só um pavor a mais sobre o contribuinte.

Abraços!

Pesquisa Nova

... e resultado da primeira pesquisa do blog: houve empate entre quatro dos oito leitores do blog (os outros quatro fizeram como os senadores do PT que ajudaram a absolver Calheiros, se abstendo), entre as opções de proteção sanitária (com o reforço no estoque de papel higiênico) e a opção "larga de ser fresco, já que tu é de Bento, pô!".

Agradecendo aos participantes da primeira pesquisa, a nova enquete entra no ar abordando um tema de grande alcance filosófico: Tostines vende mais porque é mais fresquinho; ou é mais fresquinho porque vende mais?

Abraços!

setembro 22, 2007

Semana Farroupilha Salva

Tia Izete esteve nos EUA, e Christiane foi encontrá-la. Qual o resultado disto? A Semana Farroupilha foi salva aqui em casa, graças ao presente da Tia Izete: tínhamos a erva (argentina, presente do Enestor quando esteve aqui em casa), mas faltavam a cuia e a bomba. Agora, não falta mais.


Obrigado, Tia Izete!

Abraço!

setembro 21, 2007

Parabéns!

As minhas fontes costumam ser bem confiáveis em certas áreas, e a deste post não tenho dúvidas que é das melhores. Ainda mais quando se trata de um dos oito leitores do blog, referidos abaixo. Assim, fica registrado os parabéns ao casal Karen e Ricardo, por terem oficializado no civil o que já existia na prática!

Na foto acima, encontro lá em casa, com o casal ainda esperando pelo filho Gabriel

Abraços!

Educação de Banco Central

Vi um cartaz na faculdade hoje e achei interessante a proposta: os Feds regionais promovem, uma vez por ano, um concurso para estudantes de graduação onde estes, em última instância, simulam uma reunião completa do FOMC (o Copom deles). Os estudantes devem montar uma apresentação com uma exposição clara sobre a conjuntura do país, estabelecer os principais problemas e, por fim, dizer qual deve ser a trajetória dos juros que o Fed deveria escolher como consequência dos problemas apontados.

No Brasil, acho que o máximo que chegamos a ter foi o Concurso de Monografias, de 2003, e as ações do "BC e Universidade", onde funcionários do Banco dão palestras sobre as principais funções de um Banco Central.

Imagino o dia em que chegaremos a ter uma promoção como esta, e... Não, na verdade, eu não imagino o dia em que chegaremos a ter algo neste sentido: do jeito que estão as universidades no país, vai aparecer uma meia dúzia de bobo-alegres, erguendo cartazes contra a privatização da Vale, dizendo que o BC dá dinheiro para os banqueiros, e apresentando, por fim, o trabalho como se fosse um jogral (alguém se lembra do significado disto, ou já ouviu esta palavra na vida? Quem conhece, sabe exatamente o que eu estou falando). Tudo para, no fim, dizerem que o resultado foi manipulado para dar o prêmio para alguma das grandes universidades em economia que fosse alinhada com o pensamento neo-liberal privatizante. No limite, chegaríamos a uma CPI... Deixa para lá.

Abraços!

setembro 17, 2007

Pesquisa no Ar!!!

Novidade no blog: pesquisa no ar. Depois de um ano de experiência por aqui, ainda não me acostumei com a possibilidade de ver um furacão passando junto da minha orelha. Ajude-me a decidir o que fazer diante de tamanha possibiidade.

Um abraço!

setembro 16, 2007

Mudanças no Segundo Ano

Ainda não tive tempo de comentar com mais calma sobre como está o segundo ano do doutorado, apesar de já ter reclamado da carga de aulas. Continuo sem tempo para fazer comentários mais elaborados, mas dá para mostrar aqui uma das GRANDES, IMENSAS vantagens de não ser mais do primeiro ano (além de não ter mais o qualy, óbvio): com vocês, minha sala na faculdade!!! Notem, ampliando a foto, o detalhe do meu nome junto com o dos colegas que dividem a sala comigo.


Tudo bem, não dá para dizer que é uma sala gigantesca, nem que a mesa é muito grande, ou que é muito ventilada (na verdade, é um cubículo sem janela que divido com três colegas). De toda forma: 1) a cadeira da minha mesa é muito boa; 2) é um lugar onde posso deixar os livros sem ter que ficar trazendo muita coisa para casa; 3) dá até para deixar o computador por lá; e, 4) é um lugar onde dá para ficar isolado do resto dos colegas, bastando fechar a porta (no "grad lounge", onde o povo do mestrado e do primeiro ano do doutorado briga por um espaço todo o santo dia, tinha sempre a distração de gente entrando e saindo da sala).


Abraços!

setembro 14, 2007

Pergunta ao doutor Renan

Era uma vez um senador americano que foi pego no banheiro de um aeroporto assediando um outro rapaz. Este senador, do Idaho - sexto estado mais pobre do país - renunciou ao cargo, ainda que esteja negando a acusação. Uma frase, no seu discurso de renúncia me chamou a atenção:

“The people of Idaho deserve a senator who can devote 100 percent of his time and effort to the critical issues of our state and of our nation.”

Pergunta ao doutor Renan Calheiros: Alagoas não merece um senador que devote 100% do seu tempo e esforço aos problemas críticos do seu estado e do seu país? O Brasil não merece um Presidente do Senado que devote 100% do seu tempo e esforço aos problemas críticos do seu país?

A votação de quarta-feira foi uma piada macabra.

Abraços!

setembro 12, 2007

Por que ele chegou onde chegou?

Muita gente ainda se pergunta como pode uma pessoa sem qualificação técnica ou preparo intelectual chegar onde Lula chegou. Vou tentar rabiscar uma resposta aqui, aproveitando como exemplo o patético de comportamento do Congresso Nacional e das oposições na absolvição de Renan Calheiros.

O presidente atual, por mais incrível que isto possa parecer, não é uma pessoa dotada de pouca inteligência. Ao contrário do que se costuma associar, inteligência não é uma virtude criada a partir da leitura de livros, ou do tempo dentro de uma escola – o máximo que livros e horas de estudo fazem é aprimorar o material já existente. Nesta perspectiva, Lula pode, naturalmente, ter chegado onde chegou: horas de estudo não é pre-condição para o cargo de Presidente da República. Por outro lado, nenhum ignorante em política, por maior que seja o título acadêmico, é capaz de ser eleito para cargo de tamanha relevância.

Onde eu quero chegar com isto? Vou citar exemplos da trajetória do presidente durante as eleições e no governo para mostrar a existência de um "padrão Lula" nas atividades políticas que justifica a sua popularidade atual.

Lembram da propaganda na campanha, quando ele aparecia em meio ao comitê do PT, cercado de técnicos, dando a clara idéia que ele tinha assessores muito capazes e com propostas sérias para todos os problemas do país? Pois bem: quantos daqueles assessores ainda continuam no governo? Qual era o objetivo de mostrar aquele bando de gente (todos do PT) trabalhando? Basicamente dois: a) mostrar à classe média e alta, que é quem decide eleição no país, que Lula poderia não ser bem preparado, mas tinha um bom suporte ao seu redor; e, b) mostrar ao pessoal do PT que, em última instância, mesmo estando em uma coligação, o governo seria um governo "do PT".

Pois bem. Passados todos os escândalos, quantos daqueles "técnicos preparados" continuam por ali? Se tirar alguns da Fazenda, Casa Civil e alguns poucos ministérios de menor relevância, não sobra nada. O que houve? Lula "se enganou" a respeito da competência do partido? Não. Lula, como faz com todos, usou o partido para chegar onde chegou. Quem saiu da (sua) linha, foi triturado.

Na política econômica, lembram quando Lula deixava recados que "estava descontente com as taxas de juros"? Cheguei a falar disto em outro post, onde tratava da relação entre jornalistas e políticos em Brasília. Pois não é que a imprensa (e parte do PT) ficou absolutamente estarrecida quando descobriu que foi Lula quem forçou uma meta de inflação mais baixa, ainda que a custos de juros mais altos? A técnica aqui se aplica de novo. Lula faz o que considera correto. Se for algo que desagrada ao PT, manda recados, dizendo que não gosta do que está sendo feito. Mas para o público externo, fica a imagem do timoneiro que adotou as medidas duras para garantir o crescimento do país.

Mais exemplos da técnica? Onde está José Dirceu? Reapareceu, agora, em função do julgamento do Mensalão. Mas, fora disto, é um blogueiro de excelentes contatos. E só. Quando Dirceu foi flagrado no caso Waldomiro, Lula fez que não ouviu. Quando Dirceu foi pilhado no escândalo do Mensalão, Lula adotou a posição mais dúbia possível: ficou quieto, aceitou uma carta de demissão, deixou o seu partido ser triturado; quando a maré baixou, afirmou que "os companheiros devem ser perdoados pelos seus erros", mas, quando pressionado, afirmou, publicamente, que demitiu todos os envolvidos no escândalo. Ou seja, saiu bem com todos: para o PT, ofereceu o perdão; para o público, "demitiu" a todos que "o traíram".

Outro caso relevante: Palocci. Uma surpresa na área econômica, ministro de projeção que sustentava todas as brigas contra o próprio partido – afinal, o governo tinha que ser "do PT", como dizia a propaganda, não? – Palocci foi pilhado no escândalo do caseiro. O que fez Lula? Mais uma vez, ficou quieto, cercou-se de todas as certezas que a economia não iria ser afetada, para daí aceitar a carta de demissão do então ministro. Para o público interno (o PT), mais um "perdão pelos erros"; para o público externo, a "demissão" de quem faltou com o decoro.

Também serve de exemplo o acidente com o avião da TAM. Onde estava Lula na hora do acidente? Ninguém sabe, ninguém viu. Qual foi a ação política do Presidente nesta hora? Demitiu um ministro (que não era do PT, diga-se) e encontrou alguém deslumbrado com a vitrine que o cargo da Defesa daria (Jobim). Lula mexeu em alguém ligado ao partido? Não. Zuanazzi (indicado por Dilma) ainda está na ANAC; a diretora indicada por Dirceu pediu demissão (como o chefe, não foi exonerada). Mais uma vez, a técnica: para o "partidão", o perdão pelos erros; para o povão, o "rigor do líder". O ônus da reorganização do setor (se é que será reorganizado) ficará todo nas costas do novo ministro deslumbrado.

E Renan com isto?

Aí o leitor que ainda não me largou - como todos sabem, este blog tem oito leitores, sendo que apenas dois deles lêem tudo até o final - vai estar perguntando: e o que o Renan tem a ver com toda esta história?

Renan foi absolvido por seis votos. Quem está comemorando com isto, além de Renan? Sarney, grande aliado do atual Presidente, sinalizou com todos os seus votos pró-Renan. Relatos chegam dizendo que Mercadante e Ideli Salvatti fizeram discursos em plenário em favor de Renan. Por que toda esta mobilização dos aliados para salva-lo? Respondo com outra pergunta: para que Lula precisa do Senado neste ano, que nem é ano eleitoral ainda? Que coincidência: não é que está para ser votada a prorrogação da CPMF? E não é que Lula não conseguirá aprovar o imposto sem o apoio do PMDB, uma das maiores bancadas do Senado? Que coisa, não?

Fica a previsão, para encerrar o texto. Renan fica até a CPMF ser aprovada. Depois disto, vai aparecer um novo escândalo, e as "forças populares", capitaneadas pela máquina do PT, vão invadir o Congresso exigindo que o Presidente do Senado seja deposto. Depois de Renan ser cassado, Lula virá a público, alegre e faceiro, dizendo que "nunca neste país tanta gente com tanto poder foi investigada". E a oposição, ao invés de denunciar a manobra desde já, como deveria ter feito repetidas vezes nos outros escândalos (lembram da tese corrente, durante o Mensalão, de "deixar o Lula agonizar para ganhar dele nas eleições"? Pois é...), vai ficar com cara de otária, vendo Lula aparecer para o povão como o salvador da moralidade brasileira.

Que tristeza.

Abraços!

P.S.: não acredito na tese de que o PT votou para absolver Renan porque estava com medo do que ele poderia fazer se condenado. Muitos outros, e em piores situações, poderiam já ter colocado a boca no trombone e não fizeram. Para mim, o que existe é método: Lula tem o seu método de fazer política, e está dando certo. Renan já está condenado, podem apostar. O que vai fazê-lo ficar mais ou menos tempo no cargo é a demora na aprovação da CPMF. E só.

Mais algumas notas

Tudo bem, ficar um tempo sem postar implica o acúmulo de notícias que acabam por se transformar em pequenas notas, já que não dá tempo de desenvolver todas as idéias com mais calma. Mas vamos lá: tentarei fazer com que seja a última sessão de "curtas e grossas":

1) Começaram as aulas do segundo ano do doutorado. Está muito corrido, mas está muito bom. O calendário está irregular, já que o programa de PhD decidiu separar as cadeiras de um semestre em módulos menores, de meio semestre, para dar maior flexibilidade aos alunos para selecionar os cursos que lhes são mais interessantes. Entretanto, parece que esqueceram de avisar os professores: todos os que estão oferecendo cadeiras de um módulo optaram, óbvio, por dar aulas na primeira metade do semestre. Qual a consequência disto? Estou fazendo 4 matérias até o início de outubro (macroeconomia internacional, economia monetária, econometria III e economia computacional), depois passarei a fazer apenas 2 (macroeconomia internacional e economia computacional), já que dois dos cursos foram reduzidos de um semestre para apenas um módulo. Paciência.

2) Teve jogo da Seleção por aqui, não é? Sabe qual foi o destaque? Nenhum. Fora a transmissão ao vivo em um canal de esportes secundário, não se falou mais nada por aqui da passagem da Seleção no país.

3) Nos esportes, o que foi forte mesmo neste final de semana foi a abertura da temporada de futebol americano profissional (NFL). Uma das cenas mais impressionantes foi de um jogador do Buffalo Bills, Kevin Everett (número 85 no video) que teve lesão na coluna cervical logo após o impacto com outro jogador. As notícias mais recentes dão conta que Everett, quando teve reduzidos os níveis de sedativos, conseguiu fazer movimentos voluntários de braços e pernas. Esta reação, considerada fantástica por muitos médicos deve-se, segundo matéria que li, à injeção de uma solução salina gelada no corpo do jogador logo após a lesão, levando-o ao estado de hipotermia. Segundo pesquisas recentes, este tipo de atendimento no local do acidente reduziria os danos das lesões na coluna cervical.

3) Pela milésima vez, falando de trocas no governo. Podem achar que é perseguição minha, mas os primeiros resultados já começam a aparecer. Primeiro saiu o Marcos Lisboa, depois saíram o Joaquim Levy, Murilo Portugal, Loyo, Afonso Bevilaqua, e não se falou mais nada. Substituindo estes, entre outros, estão Guido Mantega, Luciano Coutinho, Arno Augustin, Mangabeira Unger (responsável pelo IPEA agora), além de figuras efêmeras, como o Júlio Gomes de Almeida (que voltou para o IEDI, depois de passagem na Secretaria de Política Econômica). E não se fala nada! Aí, abro o jornal e leio a seguinte notícia (Painel - Folha de São Paulo - 7/9/2007):

"Não se sabe o que Mangabeira Unger fará no longo prazo, mas, de imediato, decidiu acabar com o Grupo de Conjuntura do Ipea, que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, desde sempre hostilizou por considerar repleto de tucanos. O grupo, no qual se destacam nomes como Fábio Giambiagi, existe há cerca de 30 anos no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que em junho passado migrou do guarda-chuva do Ministério do Planejamento para o da recém-criada secretaria do professor de Harvard. Embora já tenha recebido aval do governo, Mangabeira enfrentará reação externa. Um dos que se movimentam na tentativa de salvar o Grupo de Conjuntura é o ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso."

Isto me lembra de um destes poemas que circulam na internet, de autoria que se tornou desconhecida (se alguém souber, favor enviar) que diz assim:



"Primeiro, eles vieram buscar os comunistas. Não disse nada, pois não era comunista; Depois, vieram buscar os judeus. Nada disse, pois não era judeu; Em seguida, foi a vez dos operários. Continuei em silêncio, pois não era sindicalizado; Mais tarde, levaram os católicos. Nem uma palavra pronunciei, pois não sou católico. Agora, eles vieram-me buscar a mim, e quando isso aconteceu, não havia mais ninguém para protestar."

Bom, estamos chegando perto da hora em que não será mais possível protestar...

4) Ah, sim: obrigado aos amigos do Brasil que me cumprimentaram, ainda que envergonhadamente (através de e-mail, ao invés de post no blog) pelos resultados dos exames de qualificação. A mensagem de vocês foi muito valiosa para mim!

Por enquanto, é isto. Volto para os livros.

Um abraço!

setembro 03, 2007

Ei, Olha Só...

... a gatinha aqui do meu lado está de aniversário!

Beijão para ela! Ela merece!!!

Abraços!

agosto 30, 2007

Camarão, Sushi... e Churrasco!!!

O Shikida postou no seu blog uma nota sobre a discussão no blog de Lewitt a respeito do aumento do consumo de camarão nos Estados Unidos. O problema foi apresentado por um apreciador do "Sushinomics" a respeito das questões do "Shrimponomics" – junto-me aos dois: sashimi de camarão é ótimo! Depois de ler o comentário do Lewitt, me peguei escrevendo quase um texto inteiro na área de comentários do Degustibus. Achei melhor trazer aquelas observações para cá.

Lewitt levanta uma hipótese sobre o lado da oferta de camarão como justificativa para o aumento do consumo do mesmo. Segundo ele, a melhor tecnologia para pesca e criação de camarão por aqui permite que a oferta aumente, fazendo com que os preços caiam. Entretanto, quero deixar aqui um exemplo – experiência própria – que traz justamente um reforço para o lado da demanda. Existe um restaurante de comida asiática aqui perto de casa que serve um ótimo macarrão chinês. É possível escolher se o macarrão vem com carne, camarão ou galinha. O importante aqui é o preço: pedir o macarrão com camarão custa a mesma coisa que com carne – com galinha, é um dólar mais barato. Dado (a ausência de) o gosto da carne por aqui – dizem que é por causa do excesso de hormônios – a minha escolha acaba sempre sendo pelo camarão.

A hipótese de mudança dos gostos é reforçada justamente pelo sucesso que outro restaurante faz por aqui: a Chamas Churrascaria, restaurante de donos brasileiros, importa parte da sua carne com os cortes exatamente iguais aos do Brasil, e ainda complementa o cardápio com cordeiro trazido da Nova Zelândia. Ou seja, uma melhora no gosto da carne servida por aqui, ainda que com um preço mais elevado, é suficiente para manter uma clientela cativa.

Voltando para a microeconomia, é como se tivéssemos a escolha do consumidor entre três produtos: camarão, carne boa (brasileira) e carne ruim (americana). Quando colocado para escolher entre carne ruim e camarão, o consumidor americano escolhe camarão. Quando entra na lista de possibilidades a carne boa, o consumidor diversifica entre carne boa e camarão. A carne americana, assim, é um exemplo clássico de bem inferior: os mais pobres, que não possuem condições para ir à churrascaria, ficam com o camarão, e os muito pobres limitam-se à escolha de carne.

Um abraço!

agosto 28, 2007

Recordando

Duas notas curtas, relembrando temas que eu já tinha falado por aqui:

1) Lembram quando eu falei de uma página que eu tinha na universidade? Agora está atualizada, inclusive com o endereço da minha sala no prédio!!! Veja aqui.

2) Lembram que eu falei do free lunch que a Apple estava oferecendo com o iTunes U? Pois bem, a primeira contribuição à pagina da Universidade pelo Departamento de Economia veio em altíssimo nível: faça o download pelo iTunes e ouça no seu iPod, computador ou outro mp3 player o discurso de Frederic Mishkin sobre globalização durante o NASM 2007.

É necessário o iTunes para isto, mas vale muito a pena.

Abraço!

agosto 27, 2007

O Mundo me Vendo pela Janela

As minhas férias de verão de um dia: vim, vi, estou vencendo.


Abraços!

agosto 25, 2007

Renan Calheiros e Chewbacca

As respostas do atual presidente do Senado tentando se defender de inúmeras acusações está me lembrando um episódio bastante antigo de South Park, quando o Chef faz uma acusação de plágio de suas músicas contra uma gravadora, e esta contrata o advogado de O.J. Simpson para defendê-la na corte. No dia do julgamento, o advogado Johnnie Cochran usa a "defesa Chewbacca" para derrotar o Chef. Em uma tradução livre, a defesa foi a seguinte:

"Senhoras e senhores do suposto juri, o advogado do Chef gostaria certamente que vocês acreditassem que o seu cliente escreveu "Stinky Britches" dez anos atrás. E eles têm uma boa causa. Diabos, eu quase fiquei com pena! Entretanto, senhoras e senhores deste suposto juri, eu tenho uma consideração final para fazer. Senhoras e senhores, este é Chewbacca. Chewbacca é um Wookiee do planeta Kashyyyk. Mas Chewbacca vive no the planet Endor. Agora, pense sobre isto; ISTO NÃO FAZ SENTIDO! Por que um Wookiee, um Wookiee de oito pés de altura, quer viver em Endor, com um bando de Ewoks de dois pés? ISTO NÃO FAZ SENTIDO! Mas mais importante, vocês devem se perguntar: o que isto tem a ver com o caso? Nada. Senhoras e senhores, isto não tem nada a ver com este caso! Isto não faz sentido! Olhem para mim. Eu sou um advogado defendendo uma grande gravadora, e eu estou falando sobre Chewbacca! Isto faz sentido? Senhoras e senhores, eu não estou fazendo sentido algum! Nada disto faz sentido! E então vocês têm que lembrar, quando estiverem deliberando e recitando a Emancipation Proclamation, isto faz sentido? Não! Senhoras e senhores deste suposto juri, ISTO NÃO FAZ SENTIDO! Se Chewbacca vive em Endor, vocês devem inocentar a gravadora! A defesa encerra."


Renan parte para o argumento de intromissão na sua vida particular, seguido das explicações sobre os ganhos com gado, para em seguida tratar das casas que compraram carne das suas fazendas. Tudo isto para justificar a questão original: é ético usar um lobista para pagar em dinheiro vivo as suas contas? Senador, lamento, mas ISTO NÃO FAZ SENTIDO!

Abraços!

P.S.: para lembrar a "defesa Chewbacca", ver aqui e aqui.

Atrasado

Muita coisa ficou para trás, tive que abrir mão do tempo de blog para dedicação exclusiva aos livros. Assim, algumas notas, com comentários breves:

1)
"Vocês vejam que absurdo, tem gente que critica o Bolsa Família como um programa assistencialista, porque a gente está dando o direito dos mais pobres comerem. Agora, essas mesmas pessoas que criticam o Bolsa Família não criticam uma bolsa de 2 mil dólares que a gente paga para um doutor se formar no exterior."
Aviso ao senhor Presidente da República: eu ganho mais do que este valor para estar aqui – e nem por isto fico sem dizer que o programa Bolsa Família, da forma como está desenhado hoje, é um esmolão caçador de votos.

2) Shikida lembrou, no dia 21 de agosto, 7:42am, que as notas de aula em economia internacional do Professor Uribe estão disponíveis na internet: aulas começam na segunda-feira, 8:30 da manhã.

3) Ainda da viagem a NY, no final de julho, uma foto que eu queria ter postado, da entrada do "Museu do Sexo". Detalhe para o aviso na placa: "Favor não tocar, lamber, acariciar ou montar nas peças".



4) Se um gaúcho afirma que o por-do-sol abaixo, em New Jersey, não se compara ao que vemos no rio Guaíba, é bairrismo. E quando um carioca tenta estabelecer alguma comparação entre Times Square e o calçadão de Copacabana, deixando subentendido que a diferença entre os dois lugares é apenas a violência? E olha que este comentário não é dor de cotovelo por ele ter experimentado a sopa do nazista de Seifeld: outras pérolas aparecem ao longo dos posts sobre sua estadia em NY, tal como a "intolerância" do americano que não mora na cidade. Se ele tivesse noção do respeito que as pessoas têm por quem vem para cá, por exemplo, para estudar, a opinião dele seria bem diferente.



5) A seleção americana de basquete está dando uma lavada em Las Vegas no torneio pré-olímpico masculino das Américas. Se eu tivesse tempo, daria uma chegada por lá: ida para Las Vegas, com hotel e avião, é muito mais barato do que para NY.

6) O blog deve passar por algumas mudanças, resultados de recursos novos que o Blogger está disponibilizando. Entre elas, a ampliação dos links na barra lateral e pesquisas de opinião para os meus três leitores decidirem sobre o futuro da humanidade em questões de extrema relevância.

Um abraço!

P.S.: Desculpe, Shikida, mas tá ruim de indicar posts do teu site.

Uma Pequena Vitória

Depois de um ano, finalmente, três conquistas:

1) Reconhecimento (ainda que a bolsa da CAPES, por opção do departamento, não me permita assumir o posto).


2) O alívio de ver o trabalho recompensado:


3) A certeza de que os amigos sempre estiveram comigo neste que foi o pior mês da minha vida.

Obrigado a todos!

Abraços!

agosto 21, 2007

Numb

By U2

Don't move
Don't talk out of time
Don't think
Don't worry
Everything's just fine
Just fine

Don't grab
Don't clutch
Don't hope for too much
Don't breathe
Don't achieve
Or grieve without leave

Don't check
Just balance on the fence
Don't answer
Don't ask
Don't try and make sense

Don't whisper
Don't talk
Don't run if you can walk
Don't cheat, compete
Don't miss the one beat

Don't travel by train
Don't eat
Don't spill
Don't piss in the drain
Don't make a will

Don't fill out any forms
Don't compensate
Don't cower
Don't crawl
Don't come around late
Don't hover at the gate

Don't take it on board
Don't fall on your sword
Just play another chord
If you feel you're getting bored
I feel numb
I feel numb
Too much is not enough
I feel numb
Don't change your brand Gimme what you got
Don't listen to the band
Don't gape Gimme what I don't get
Don't ape
Don't change your shape Gimme some more
Have another grape
Too much is not enough
I feel numb
I feel numb
Gimme some more
A piece of me, baby
I feel numb
Don't plead
Don't bridle
Don't shackle
Don't grind Gimme some more
Don't curve
Don't swerve I feel numb
Lie, die, serve Gimme some more
Don't theorize, realise, polarise I feel numb
Chance, dance,dismiss, apologise Gimme what you got
Gimme what I don't get
Gimme what you got
Too much is not enough
Don't spy I feel numb
Don't lie
Don't try
Imply
Detain
Explain
Start again I feel numb
I feel numb
Don't triumph
Don't coax
Don't cling
Don't hoax
Don't freak
Peak
Don't leak
Don't speak I feel numb
I feel numb
Don't project
Don't connect
Protect
Don't expect
Suggest
I feel numb
Don't project
Don't connect
Protect
Don't expect
Suggest
I feel numb
Don't struggle
Don't jerk
Don't collar
Don't work
Don't wish
Don't fish
Don't teach
Don't reach
I feel numb
Don't borrow Too much is not enough
Don't break I feel numb
Don't fence
Don't steal
Don't pass
Don't press
Don't try
Don't feel
Gimme some more
Don't touch I feel numb
Don't dive
Don't suffer
Don't rhyme
Don't fantasize
Don't rise
Don't lie
I feel numb
Don't project
Don't connect
Protect I feel numb
Don't expect
Suggest

Don't project
Don't connect
Protect I feel numb
Don't expect
Suggest

I feel numb

agosto 02, 2007

50 Vezes

Caiu uma ponte em Minneapolis, norte dos Estados Unidos, como vocês já devem estar sabendo. Por enquanto, estão confirmadas quatro mortes. Bush já falou na tevê (dia seguinte à tragédia), oferecendo solidariedade à família das vítimas e dizendo que ligou para o governo do estado de Minnesota.

No Brasil, morreram duzentos em um acidente aéreo. Tendo em vista que morreu um número de pessoas 50 vezes maior no acidente da TAM que no acidente americano, isto significa que a resposta de Lula deveria ser 50 vezes mais rápida? Não, já que, no extremo, um atentado como o do 11 de setembro deveria levar a manifestações quase imediatas, o que é fisicamente impossível.

Entretanto, a vergonha que sentimos vendo a solidariedade oficial prestada de forma tão pronta é 50 vezes maior que a que sentimos ao falar com amigos daqui, explicando como é possível dois aviões caírem em um espaço de dez meses no mesmo país.

Abraços!

P.S.: atualização: não apenas Bush apareceu no dia seguinte, como ele vai ao local do acidente.

julho 27, 2007

Infeliz

Somente aqueles que são colonizados intelectualmente, somente aqueles é que chegam no exterior pensando em fazer discurso em estrangeiro. Quando você vê, na televisão, alguém num fórum internacional, um brasileiro falando a língua do outro, primeiro, é um metido à besta.


Luiz Inácio Lula da Silva - 27/07/07


Eu falo inglês porque estudei. Ele não fala nem português porque é arrogante o suficiente para nunca ter feito o esforço de aprender!

Abraços!

Engarrafamento Aéreo é Coisa de Pobre

Quanta diferença!

Quando fizemos a viagem para New York, as passagens foram emitidas em nome da Chris, já que ela tinha um cartão fidelidade da Delta Airlines e poderia aproveitar as milhas. Hoje, ela recebeu um e-mail com os seguintes termos:


From: Delta Air Lines
Subject: Help Us Fly To The Far East

Delta has requested approval from the U.S. Department of Transportation to offer you the first and only nonstop flights between the Southeast's "capital" of Atlanta and China's financial and political capitals of Shanghai and Beijing. These new flights would fill a critical void in air travel today — the lack of service between the Southeastern United States and China.

What would our new China service mean for you? Improved access, convenience and service to one of the world's fastest growing leisure and business travel destinations, as well as:
    • Nonstop or one-stop access to China for customers in nearly 150 destinations across the U.S. — thanks to extensive connections available at the world's largest and fastest growing airline hub in Atlanta.

    • The latest in creature comforts, including completely flat seating planned for the BusinessElite® cabins of new Boeing 777 aircraft flying this route, beginning as early as March 2008.

We hope you will join us in supporting our efforts to make Delta and Atlanta the next gateway to China. You can do so by visiting nextgatewaytochina.com and signing our online petition. Thank you in advance for your support, and, as always, thank you for choosing Delta.

Ou seja, com a maior educação possível, seguindo todos os protocolos imagináveis, uma empresa aérea americana que quer colocar um vôo entre o sul dos Estados Unidos e a China tem que apresentar alguma medida da demanda por esta conexão.

Enquanto isto... em um certo país, aqueles que juravam estar diminuindo o fluxo de vôos para o aeroporto de maior movimentação da América Latina ainda não vieram a público explicar (talvez por falta de curiosidade da imprensa em perguntar, ou porque todo mundo já sabe que vai ouvir algum desaforo "top-top-top" de volta) porque este edital de 2006 ampliava o número de vôos circulando pelo dito aeroporto. Detalhe para a contradição: mesmo que os outros órgãos dessem condições técnicas para mais pousos e decolagens no aeroporto, se existisse uma política de redução do número de operações, este edital deveria, no máximo, fazer uma realocação dos horários de operação.

É incrível, mas o acidente da TAM só serviu para constatar uma tragédia: excesso de movimento em aeroportos é coisa de país pobre, que não tem condições de construir outros, e cujos responsáveis pela área distribuem vôos com a mesma naturalidade que se respira. Em país rico, no mínimo, um abaixo-assinado para medir a demanda pelo espaço aéreo solicitado pela empresa.

Abraços!

P.S.: Ah, e antes que se diga que era redistribuição dos espaços de outra empresa que faliu, note que foram adicionados vôos aos 50 originais que a falida tinha direito.

Angelo em Duke, Versão South Park



Figura criada aqui: http://www.sp-studio.de/

Abraços!

julho 24, 2007

Words of Wisdom

— Outside of a dog, a book is a man's best friend. Inside of a dog, it's too dark to read.
— Hey, what are you doing inside a dog, perv?!?!?!



Abraços!

julho 20, 2007

Medalhas?!?!?!?!

No Brasil, premia-se o construtor de restaurante de aeroporto com Medalha de Mérito Santos-Dumont - depois de um desastre aéreo. Durma-se com esta.

O último que sair, favor apagar a luz.

Abraços!

P.S.: estão achando que é piada, ou montagem de O Globo? Então olhem aqui.

julho 19, 2007

LFV - Vergonha!

Trecho lamentável da coluna de Veríssimo na Zero Hora e O Globo de Hoje:


Era notório o entusiasmo pelo nazismo em setores da aristocracia inglesa, por exemplo[...] Não tardou para Hitler desiludir seus apologistas e a guerra falsa se transformar em guerra mesmo, todos contra o fascismo. Mas por algum tempo os nazistas tiveram seu coro de admiradores bem-intencionados na Europa e no resto do mundo - inclusive no Brasil do Estado Novo. Mais tarde estes veriam, em retrospecto, do que exatamente tinham sido cúmplices sem saber. Na hora, aderir ao coro parecia a coisa certa.
[...]
Se esses dois exemplos ensinam alguma coisa é isto: antes de participar de um coro, veja quem estará do seu lado. No Brasil do Lula é grande a tentação de entrar no coro que vaia o presidente. Ao seu lado no coro poderá estar alguém que pensa como você, que também acha que Lula ainda não fez o que precisa fazer e que há muita mutreta a ser explicada e muita coisa a ser vaiada. Mas olhe os outros. Veja onde você está metido, com quem está fazendo coro, de quem está sendo cúmplice. A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece.


Se eu entendi direito, os que vaiaram Lula no Maracanã poderiam estar iludidos em seus atos, tanto quanto os europeus que aplaudiram Hitler contra os comunistas. Ainda de acordo com o colunista, antes de vaiar, seria importante procurar as "companhias", que seriam "preconceituosas" e "reacionárias" auxiliando a vaiar o presidente. Pergunto: existe algo mais reacionário que Sarney, Renan, Delfim, Michel Temer, só para ficar nos mais notórios?

Tivesse eu a chance e olhasse para os lados, não teria dúvida sobre o que fazer no Maracanã. Veríssimo também não. Entretanto, não estaríamos do mesmo lado.

Abraços!

julho 18, 2007

Ele Disse...

"Esqueçam o que eu escrevi", na versão Lula:

Eu, Artur, pego a minha experiência de 20 anos no movimento sindical, e fico olhando a quantidade de coisas que eu falei e falava porque era moda falar, mas que não tinham substância para sustentar na hora em que você pega no concreto. Na hora em que você entra no “pão-pão, queijo-queijo” tem uma diferença, e tem determinadas coisas que não podem ser um debate eminentemente ideológico, ele é real.


Para consulta ao original, aqui, no meio da página 4. Com áudio disponível, aqui, na reunião do dia 17 de julho de 2007.

Abraços!

Macabra Gramática

Trecho de reportagem da Folha de São Paulo de hoje (18/07/07 – "Depois da "tristeza", presidente mostra bom humor e faz brincadeiras no Planalto"):

Por fim, Lula fez uma de suas tiradas prediletas, ao dizer que sempre repete muitas vezes uma palavra difícil, depois que aprende a dizê-la. Já houve a fase do "sine qua non" (essencial) e a de "transesterificação" (processo para a produção de biodiesel). Ontem, foi a vez de "inexorável", citada quatro vezes no discurso improvisado.
"Quero dizer para vocês que também é inexorável – de vez em quando eu aprendo uma palavra difícil e a repito muito, inexorável eu acho o máximo – a sustentabilidade do crescimento econômico brasileiro."


Olhando para a gramática governista, o adjetivo que o presidente aprendeu, infelizmente, parece qualificar apenas sujeitos como "incompetência governamental", "ocupação política de cargos", "corrupção" e, de forma trágica, "acidentes aéreos".

Triste.

Abraços!

P.S.: diga-se, para evitar problemas de entendimento, que a matéria trata da tristeza presidencial após as vaias no Maracanã, mas antes do acidente aéreo.

julho 17, 2007

Acidente Aéreo

Sempre senti um frio na barriga ao chegar em Congonhas: a sensação de mergulhar em meio a prédios e ver o avião fazendo toda uma sequência de esforços para tentar parar sobre a pista me deixava apreensivo. Só me restava agarrar forte o banco do avião e torcer pela perícia do piloto da aeronave. O frio na barriga foi sempre (felizmente) seguido do alívio do anúncio de "Bem-vindos a São Paulo".

Entretanto, nenhum aeroporto que eu tenha conhecido dá uma sensação combinada de pavor e admiração em um procedimento de decolagem/pouso do que o de Santiago, no Chile. Quando estivemos por lá, chegamos à noite, era impossível ver o que se passava no lado de fora do avião. Apenas na volta para o Brasil nos demos conta do que acontecia ao nosso redor. Antes, um pouco de geografia: a foto abaixo mostra a localização da cidade de Santiago, em torno das montanhas que formam os Andes.



Imaginem um avião no seu procedimento de subida: dá para ouvir os motores trabalhando forte, alguma tensão na cabine, já que não é permitido a ninguém, nem a tripulação, sair dos seus assentos... Agora, imaginem que este esforço segue por 15, 20 minutos, meia hora, 40 minutos... E, ao abrir a janela do avião, a visão das montanhas dando a impressão de que não saímos do chão, que as montanhas crescem na mesma velocidade em que o avião se desloca. A vista é absolutamente deslumbrante, os picos nevados são lindos, mas a sensação do avião fazendo o seu esforço para atingir a altitude necessária e ninguém se mexendo no vôo é agoniante.

Fiquei curioso: quantos acidentes ocorreram neste aeroporto, em que, mais do que em qualquer outro lugar, a falha humana não perdoa? Respostas aqui. Dica: eu não era vivo no último acidente em Santiago.

Abraços!

julho 15, 2007

Por Una Cabeza

A mis amigos Hernán e Esteban, los saludo. Se quedaron por (tres) cabezas!

Abraços!

Por Una Cabeza

Por Carlos Gardel

Por una cabeza de un noble potrillo
que justo en la raya afloja al llegar
y que al regresar parece decir:
No olvides, hermano, vos sabés que no hay que jugar...
Por una cabeza, metejón de un día,
de aquella coqueta y risueña mujer
que al jurar sonriendo, el amor que está mintiendo,
quema en una hoguera todo mi querer.

Por una cabeza
todas las locuras,
su boca que besa
borra la tristeza,
calma la amargura.

Por una cabeza
si ella me olvida
qué importa perderme,
mil veces la vida
para qué vivir...

Cuántos desengaños, por una cabeza,
yo juré mil veces, no vuelvo a insistir,
pero si un mirar me hiere al pasar,
su boca de fuego, otra vez, quiero besar.

Basta de carreras, se acabó la timba,
un final reñido yo no vuelvo a ver,
pero si algún pingo llega a ser fija el domingo,
yo me juego entero, qué le voy a hacer.

julho 12, 2007

Fica Quieto e Faz o que eu Digo!

Não, a frase título do post não é nenhum resumo de briga minha com a Christiane. A frase deveria, na minha opinião, sintetizar o que deveria ser a relação Banco Central - Governo. Ainda que aparentemente agressiva, a frase sintetiza bem dois aspectos importantes da condução da política monetária sob um regime de metas de inflação:

  1. Existem dois papéis fundamentais, e, em alguns países, excludentes, no jogo de política monetária desenhado pelo regime de metas de inflação: o primeiro papel é o de formulador da meta – no Brasil, o CMN é quem escolhe a meta de inflação com até dois anos de antecedência; o segundo papel é o de executor, onde o Banco Central ajusta a taxa de juros de forma a tentar cumprir o desígnio do formulador.

  2. O Banco Central é o executor da política, e possui toda a autonomia de instrumentos para gerar o resultado desejado, minimizando a diferença entre meta e inflação no horizonte de tempo planejado.

Meu amigo Shikida escreveu um post em seu blog tratando do que seria um comportamento cíclico de governos reeleitos: cumpre-se um primeiro mandato com a política mais rígida possível, para depois um afrouxamento capaz de garantir o necessário para ser mostrado nas próximas eleições. Segundo a sua opinião, da qual compartilho, está em marcha uma política econômica para os próximos anos cujo custo será devidamente medido através da variação da carga tributária e da inflação (variação positiva, para a média da população, em ambos os casos).


Entretanto, um ponto desta discussão sobre a meta para 2009, origem de todos os debates atuais sobre política monetária no Brasil, ainda não está claro no desenho institucional do jogo: por que o presidente do Banco Central está discutindo com o ministro da Fazenda sobre o número da meta? Porque ele faz parte do CMN, o órgão do governo que decide a meta de inflação. Mas por que ele faz parte do CMN? E aí falta uma resposta convincente. Os custos do bate-boca entre Fazenda e Banco Central já estão se tornando evidentes (a última estimativa é de R$ 2.2 bilhões, só na conta de juros), e nem por isto parece que o debate esfria.


O ideal, neste caso, seria adotar literalmente um regime de acordo com o título do post: deixando-se claro que o BC não tem participação alguma sobre a escolha da meta de inflação, o governo assumiria os custos de vir a público e dizer, explicitamente, que ele deseja, sim, mais inflação no longo prazo; que, sim, os gastos públicos contratados hoje serão pagos com o papel pintado em 2009; que, sim, o governo tolera "um pouco mais" da distorção inflacionária em troca (não garantida) de um crescimento pouco maior neste ano.


Entretanto, o que é feito no país? Cria-se uma incerteza desnecessária, com o Banco Central pagando o mico do que deveria ser uma discussão de governo. E paga o mico duas vezes: uma, por estar debatendo com argumentos técnicos uma decisão que foi tomada politicamente (os ouvidos dos políticos são notavelmente surdos aos argumentos técnicos); e duas, por ser obrigado a cumprir uma meta em um ambiente de negócios mais difícil, curiosamente formado a partir da discussão atual (os R$ 2.2 bilhões começaram a se formar no início do debate).


Fico feliz por ter a oportunidade de escrever este post, já que ele organiza um pouco mais as idéias que já tinha lançado em outros dois (aqui e aqui) sobre os custos de política monetária mal desenhada.



Abraços!

julho 08, 2007

Blackout

Sim, fomos atingidos pelo apagão que se abateu sobre Manhattan naquela semana. O apagão pegou o nordeste da ilha, atingindo toda a rede de metrô e a superfície a partir da 77. Eu e Chris tínhamos saído do Guggenheim Museum (que fica na 89) e pensávamos em pegar o metrô para ir até o Empire State Building (na 33, cerca de assistir a chegada da noite do mirante. Quando a Chris começou a descer as escadas do metrô, começou a subir uma galera lá de dentro, os comerciantes fechavam as portas e colocavam os funcionários para fora, de maneira a impedir que novos clientes entrassem nas lojas, os sinais todos apagaram... um inferno!

Pior do que o inferno, só a consequência dele: tivemos que sair a pé (andamos pouco mais de cinco quilômetros até chegar ao Empire State), sem chance de pegar um taxi (já que estavam todos ocupados com o pessoal fugindo da região do apagão), sem metrô e debaixo de um calor que beirava os 40 graus. Mesmo depois de sair da região do apagão, não adiantava voltar para o metrô, já que toda a rede tinha caído.

Na foto abaixo, um cozinheiro de uma lanchonete coordenando o trânsito em uma das esquinas atingidas. Notem no detalhe o sinal de trânsito completamente desligado e o caos ao redor do pobre homem.


Abraços!

julho 05, 2007

Civilização

Outro dia, foi uma nota no Painel, da Folha de São Paulo, falando que o ministro Patrus Ananias teria passado na frente da fila em uma churrascaria em Brasília. Terça, saiu uma notícia dizendo que o ex-ministro Palocci foi pego no flagrante, "furando" a fila em um aeroporto com uma "carteirada" (expressão da reportagem). Agora, uma nota no Blog do Ancelmo Gois dá conta que uma atriz global foi vista discretamente chegando junto do banheiro feminino, em um evento no Rio, e, só para variar, passou na frente de todas as que aguardavam pela sua vez.

Algum dos citados, por um acaso, no maternal ou nos primeiros anos da educação básica, se sentia constrangido ao andar em fila com os demais coleguinhas? Ou será que a educação "moderna" não prevê mais isto?

O exemplo parece fútil, mas é apenas um sinal de que o país perde, a cada dia, um pouco de seus referenciais mais primitivos de civilização, assistindo como comportamento normal a máxima do "você sabe com quem está falando?" Triste.

Abraços!

julho 03, 2007

Ainda o iPhone

Ainda sobre o iPhone, li hoje em O Globo On Line matéria dando conta dos problemas de operação que a AT&T está tendo para atender a demanda inicial pela rede do aparelho. De toda a matéria divulgada, o interessante é o número: 2% de todos os telefones vendidos tiveram algum tipo de problema. Considerando que o volume de vendas foi muito maior do que o esperado, acho este percentual de problemas muito baixo.

Mas o que chamou a atenção mesmo da primeira matéria foram os comentários dos leitores, a maioria reclamando da demora para a chegada do aparelho no Brasil, alguns desdenhando, dizendo que, "daqui a 2 ou 3 meses vai exisitir (sic) toneladas de clones chineses, mais baratos, e sem problemas de contrato com a AT&T", e, por fim, outros afirmando que o aparelho é mero lixo tecnológico. Vou tentar responder algumas das questões, com base no que eu vi, usei e, principalmente, li na imprensa daqui.


Primeiro, sobre a demora para chegar ao Brasil, lamento informar, mas é fato: se, para a Europa, a previsão de chegada do aparelho é no final de 2007 (2008 para a Ásia), acho que a América Lat(r)ina vai ter que se contentar com o aparelho apenas por volta de 2009, a depender da evolução das telecomunicações por aí.

Este atraso tem as suas vantagens: fatalmente, o aparelho que chegar no Brasil vai ser mais avançado que o lançado aqui. E o melhor exemplo disto foi justamente o iPod: quando comprei no free-shop o meu, o vendedor mal sabia para que servia o player de música digital. Pouco tempo depois (acho que seis meses depois), a Chris, voltando da Europa, já tinha disponível o iPod nano, muito mais avançado e com capacidade de armazenamento maior que o meu. Ou seja, uma vez lançadas as versões mais novas, o produto comprado no Brasil vai ter uma qualidade muito maior do que a atualmente disponível aqui.

De toda forma, acredito que a maior restrição para o uso do aparelho no Brasil é a própria infraestrutura de internet disponível: um dos maiores baratos do aparelho é a conexão com a internet totalmente wi-fi. Ou seja, entrando em um café daqui, dá para, enquanto se come um bolo, acompanhar o noticiário de qualquer canto do mundo através do celular. Ou então, chegando na universidade, descarregar as apresentações que serão feitas em sala de aula diretamente para o aparelho, e usar os visualizadores de pdf's para acompanhar a apresentação do professor. Como fazer isto, no Brasil, onde as operadoras de internet banda larga ainda entregam aqueles modems para conexão com fios no PC (aqui, antes, pergunta-se em que tipo de computador será usada a conexão: se for laptop, modem wi-fi sem custo adicional), e são ainda poucos os estabelecimentos comerciais que investem em uma infraestrutura destas para manter os clientes no estabelecimento (não vou nem falar de universidades e/ou serviço público em geral).

Sobre a possibilidade de clonagem, de fato, existe um esforço de hackers para tentar driblar a principal restrição sobre o uso do iPhone nos Estados Unidos: como fazer para usá-lo com outras companhias de telefonia que não a AT&T. Agora, fora isto, acho difícil uma clonagem mais avançada, tendo em vista tanto questões de software como de hardware. Na parte de software, vale lembrar que os Mac's são os micros menos clonados do mundo, tendo em vista que eles só funcionam com o software da Apple, ao contrário dos PC's-Windows. No hardware, seria necessário clonar os sensores de orientação, luz e proximidade, que fazem os principais recursos do iPhone funcionarem, como a possibilidade de visualização da imagem na horizontal apenas com um giro do telefone na mão.

Sobre ser lixo tecnológico, o review mais completo que eu já vi sobre o aparelho conclui dizendo que a Apple, com este lançamento, elevou o nível não apenas do que se conhece como telefone celular, mas também para todos os tipos de aparelhos multimídia portáteis, a despeito dos problemas com a operação de e-mail e internet encontrados. De fato, ainda que ele tenha muito a evoluir, de acordo com o review, o iPhone é uma peça de tecnologia absolutamente fantástica, de acordo com este humilde escriba.

Abraços!

P.S.: tá bem, tá bem, eu desisto. Não vai ter como dar certo, mesmo.

julho 02, 2007

Seinfeld - O Toque de Midas

Para quem acompanhou o seriado, deve lembrar do episódio do "Nazista da Sopa", em que um cozinheiro preparava as sopas mais gostosas de NY, mas só vendia se o cliente seguisse um certo ritual no pedido da sopa, comprometendo-se com um comportamento humilde ao pedir o prato. Caso o cliente não seguisse o procedimento padrão, vinha a frase que se tornou um dos slogans do programa:

"- No soup for you!!!"

Ao ser avisado sobre o endereço original por um dos guias da cidade, resolvemos no sábado parar na frente e, com sorte, tomar uma sopa, ainda que debaixo de um calor de quase 40 graus que fazia em NY nestes dias. Decepção: o lugar estava fechado, e já faz algum tempo que está assim!


Não satisfeitos, resolvemos no dia seguinte conhecer o novo local de trabalho de Al Yeganeh - o Homem da Sopa Original! E aí ficou evidente o toque de midas de quem, indiretamente, se envolveu com o seriado Seinfeld: o novo endereço fica em uma das principais esquinas da quinta avenida (quase em frente à Biblioteca Pública da Cidade de NY), em um prédio com fachada de mármore, inclusive se dando ao luxo de não abrir para os clientes nos domingos - exatamente quando a cidade está cheia de turistas!


De fato, o seriado rendeu mais frutos para os personagens temporários do que para os próprios protagonistas: vale lembrar que Michael Richards (Kramer) foi acusado de racismo durante uma performance de "stand up comedy", Julia Louise-Dreyfus (Elaine) apenas recentemente conseguiu se desligar do show com sucesso no novo seriado, Jason Alexander (George) apenas fez pequenas aparições em público, enquanto Jerry Seinfeld continua percorrendo o país com um aclamado show, mas bem distante da televisão. Vida bem diferente da que hoje pode manter o cozinheiro "das melhores sopas do mundo".

Abraços!

Ainda Basquete em NY

Duas notas bem rápidas:

  1. Se eu tivesse mais tempo disponível na cidade, com certeza eu gastaria meia hora (mais do que isto eu não aguentaria) tentando jogar bola no Central Park. Pareceu ser bem divertido.
  2. Por coincidência, estivemos em NY na mesma semana do draft da NBA. Estávamos passeando na 8th Avenue, em paralelo com a Broadway, na altura de Times Square, quando passou pela gente simplesmente Greg Oden - o primeiro jogador recrutado neste ano! Quando passamos por ele, e eu entrei em estado de choque, Christiane olha para mim e pergunta "aquele ali não é um dos jogadores de basquete que tu ficava acompanhando, Angelo?" Não preciso de prova nenhuma mais de que, de fato, estive diante de um dos maiores prospectos da NBA: quando a própria esposa olha para o cara e, de alguma forma, o reconhece, então era o cara, mesmo!

Abraços!

"Fasolo Jordan" Batendo o Relógio

Tendo em vista a grande repercussão do video anterior, e a pressão constante que nós, grandes jogadores, sofremos diariamente em busca da melhor performance, trago aos meus prezados leitores mais um momento mágico captado neste final de semana. Reparem no pequeno passo para trás no último arremesso, configurando a jogada de três pontos, seguido da trajetória perfeita da bola e a explosão das arquibancadas. Algo realmente para a história.



Agradeço à minha cinegrafista, que soube captar com tamanha sutileza este momento único.

Abraços!

R.I.P. Punk

Visita feita na sexta-feira, a partir de passeio sugerido em um guia da cidade de NY que compramos por aqui: aqui jaz CBGB.


Na foto abaixo, as mensagens pixadas pelos fãs do bar, que se mudou para Las Vegas. Entre as mensagens, muitas referências aos Ramones ("Do You Wanna Dance"), algumas lembranças evidentes ("I was here", "Bowery will never be the same"), e frases furiosas contra o capitalismo (ah, anarquistas...) e o dono do local, que se negou a renovar o aluguel do prédio.


O passeio sugerido no guia é bem legal, passando por alguns pontos históricos do movimento punk de NY, e do próprio rock'n'roll. Além de algumas casas de tatuagens onde gente famosa teve o corpo devidamente desenhado, paramos para tirar foto nas escadas dos sobrados que serviram de imagem para o disco "Physical Graffiti" do Led Zeppelin.

Por fim, o lado mais deprimente, que só confirma a morte do movimento punk: na mesma quadra dos sobrados, só que do outro lado da rua, uma lojinha pequena vendia camisetas, videos, copos, canecos e outras bugigangas com o nome do CBGB. Preço de uma camiseta (preta, escrito CBGB - OMFUG): 20 dólares! Duvida? Então olha só aqui o website da loja!!!

Abraços!

julho 01, 2007

"Jordan, For Three..."

Em algum ponto de NY.

Abraços!

Meninos, Eu Vi

Vi, mexi, olhei, fucei... E posso dizer com toda a certeza: esqueçam tudo o que vocês sabem sobre telefone celular, palmtop e acesso à internet por dispositivos móveis. Estivemos hoje na loja da Apple na quinta avenida para conhecer a febre do momento: o iPhone.

O aparelho tem a espessura de meio polegar feminino (testado nos dedos da Chris), e não é maior que uma boa câmera digital. Entre os recursos, o acesso à internet completamente sem fios, combinado com a resolução de vídeo do aparelho, me deixou de queixo caído. Consegui, por exemplo, carregar via Google Earth, imagens de Bento Gonçalves - RS (Bento, sacramento, para os íntimos), podendo transformar a imagem para o formato de mapas das ruas da cidade - via Google Maps. A resolução de video, incrível, possibilitou que eu carregasse um video do YouTube e assitisse quase como se fosse uma imagem de cinema - e era um video com uma gravação feita de um show do Rush, possivelmente com uma câmera do mesmo nível da minha.

Ainda auxiliado pelos recursos de video, o gerenciamento das músicas é muito eficiente, já que dá para escolher os discos que serão tocados a partir da capa do cd. Além disso, recurso que não existe nos i-Pods atuais, é possível fazer seleções automáticas ("shuffle") de músicas de um mesmo artista.

O iPhone tem uma câmera fotográfica embutida. Não sei qual a resolução, mas a foto que tirei da Chris no local ficou muito nítida no aparelho. As fotos são gerenciadas da mesma forma que as músicas, podendo ser feitas separações por álbuns, temas, etc.

Na parte de aplicativos, o iPhone possui um recurso tipo "bloco de notas", que possibilita anotações rápidas e pequenos textos. O teclado, acionado na ponta dos dedos, ao invés das canetas que os palmtops usam, não é desconfortável. Outros recursos: previsão do tempo, calendário, alarme, relógio... Além disso, não se deve desconsiderar o esforço que os desenvolvedores de software estão fazendo para criar novos recursos desenhados para o iPhone.

Por fim, testamos o navegador internet com sites brasileiros. Carregamos o site do UOL, lemos algumas notícias na Folha OnLine, e tudo fazendo uso do recurso de ampliação das imagens da tela com as pontas dos dedos. Absolutamente incrível! Se você achava que conhecia palmtops, celulares, blueberries e afins, prepare-se para rever todos os seus conceitos.

Abraços!

"Se Gritar 'Imigração', Não Fica Um, Meu Irmão..."

Um pouco de Ciudad del Este em pleno centro de Manhattan.


Abraços!