julho 21, 2009

Rant: "The Economist", DSGE e a "Junção das Águas"

Segue o texto para botar uma lenha no debate que o Shikida resolveu estimular.

Conforme o esperado, outros textos começam a surgir avaliando o papel da teoria macroeconômica moderna no desenrolar da crise atual. A revista "The Economist" deste final de semana faz uma análise do estado da macroeconomia moderna, e o retorno do debate "clássicos vs keynesianos" depois de um período em que alguma convergência no método era aparente através dos modelos DSGE. Também existe uma matéria sobre o papel dos modelos em finanças na crise, mas desta parte eu me abstenho, por completa e assumida ignorância para gerar algo original em termos de opinião.

A matéria faz uma excelente revisão histórica, um bom resumo da crítica, e um início de entendimento sobre a inutilidade de muitas das críticas que apareceram neste período recente. Falando primeiro da história, cita a convergência no método trazida pelo desenvolvimento dos modelos DSGE, estabelecendo entre os economistas de "água salgada" (Harvard, MIT, Berkley) e os economistas de "água doce" (Chicago, Minnesota) uma linguagem padrão por onde a ciência andou nestes últimos anos. Cita também o uso recente destas ferramentas por bancos centrais ao redor do mundo e a importância dada aos seus resultados. Sobre esta parte histórica, acredito apenas ter faltado um detalhe importante, que pretendo retomar ao final do texto: por que os modelos DSGE se tornaram a base da macro moderna? A "junção das águas" não seria possível se o método não fosse atraente para ambos os grupos. Não é, como diz a matéria, uma questão de macroeconomistas "recovering their composure", como se os grupos tivessem fumado o cachimbo da paz em algum instante e simplesmente concordado em usar estas ferramentas.

A respeito das críticas keynesianas dos modelos modernos, a revista cita, obviamente, Krugman e o autor da nova Bíblia heterodoxa em forma de post, Willem Buiter (já notaram como todo economista heterodoxo, em especial os brasileiros, quando querem criticar os modelos DSGE, citam o texto de Buiter?). Shikida traz o texto de Mario Rizzo, e aponta, com precisão, o quão batida já é a conversa da "matemática excludente, censora, neo-liberal e castradora da criatividade acadêmica". A matéria segue com a história da crítica aos mercados completos de ativos do Buiter (argumento de quem está no fim de carreira, ou não entendeu o modelo, como falei aqui), o papel do setor financeiro nos modelos DSGE, pitadas de Keynes e Davidson por todos os lados.

Mas é na parte da "contra-crítica" que a matéria entra no seu melhor. A revista cita três motivos para a difusão destes modelos:

1) o modelo, por mais básico que seja, organiza idéias. É importante ter uma base de partida, um lugar onde as evoluções podem ser testadas. Afinal de contas, Krugman pode citar Keynes, mas economistas atuais citando os modelos DSGE básicos não pode?!?!?!

2) todo mundo (que se interessa) entende o modelo. A difusão da academia para o mercado (bancos centrais, bancos e outros centros de pesquisa) foi fundamental para que o modelo ganhasse popularidade.

3) sendo simples, quanto maior o trabalho desenvolvido, maior o "pulo" em termos de capacidade de explicação do modelo. A revista não entrou em detalhes, mas o modelo DSGE mais básico pode ser escrito em três equações, sendo que uma é um processo estocástico para um choque que move a economia.

No final da matéria, lê-se:
clipped from www.economist.com

It takes a model to beat a model


The benchmark macroeconomic model, though not junk, suffers from some obvious flaws, such as the assumption of complete markets or frictionless finance. Indeed, because these flaws are obvious, economists are well aware of them. Critics like Mr Buiter are not telling them anything new. Economists can and do depart from the benchmark. That, indeed, is how they get published. Thus a growing number of cutting-edge models incorporate one or two financial frictions. And economists like Mr Brunnermeier are trying to fit their small, “blackboard” models of the crisis into a larger macroeconomic frame.
But the benchmark still matters. It formalises economists’ gut instincts about where the best analytical cuts lie. It is the starting point to which the theorist returns after every ingenious excursion. Few economists really believe all its assumptions, but few would rather start anywhere else.

blog it

O título da seção no box é o melhor resumo possível: o modelo é ruim? Todo o modelo é falho, todos sabemos. Qual a alternativa? Hummm... A "devolução do problema" para o colo dos críticos é uma pergunta fundamental, ainda que possa parecer um escape da responsabilidade em escrever modelos melhores. Os modelos keynesianos antigos falharam, clamorosamente, na década de 70, além de serem complicadíssimos de lidar. Os modelos DSGE, a despeito de sua simplicidade nas versões mais básicas*, possui um poder de explicação apreciável (cerca de 70% das flutuações do produto, em alguns casos). Sentados na cadeira do Fed, ou na cadeira do Treasury, qual a alternativa preferível: o modelo que faz "truly boneheaded arguments", mas acerta 70% do que se propõe explicar, ou modelo nenhum?

Por fim, por que houve a "junção das águas", e o fim das discussões "clássicos vs keynesianos" com a adoção dos modelos DSGE? O modelo DSGE ofereceu uma linguagem comum, ao agregar alguns princípios básicos de otimização que todos concordaram; grande flexibilidade, permitindo grandes acréscimos sobre a estrutura básica; suas conclusões são verificáveis, dado que o modelo é estimável; é facilmente aplicável para a análise de políticas mais complexas. Neste último ponto, até mesmo Paul Krugman se rendeu, ao gastar alguns posts (aqui e aqui) para tratar de multiplicadores fiscais. Ainda que ele não goste das hipóteses, os resultados de um dos papers estão bem em linha com o que ele escreve no blog sobre o tema. Ora, se até Paul Krugman gasta tempo lendo e comentando estes modelos, inúteis eles não são, certo?

Não, não, a macroeconomia moderna não morreu, Shikida. Ela apenas (ainda) não é computável de uma maneira adequada. Seja para clássicos, seja para keynesianos.

Abraços!

(*) Se todo o modelo DSGE fosse "simples e básico", eu já teria a minha tese pronta...


P.S.: como vocês podem notar pelo horário de publicação, este não foi um texto escrito nas melhores condições para cuidar da ortografia e revisão. Acredito que muita coisa não tenha ficado clara, mas não podia deixar de escrever sobre o tema. Deixe o seu recado aí, que seguiremos a conversa.

julho 17, 2009

Falando em Coisas Bizarras

Depois do estrago do aeroporto de Miami, mais uma. Esta história eu ainda não entendi: tara por rasgar bolas de plástico para exercícios. Parece alegação para diminuir pena na cadeia. Entretanto, cada louco com a sua mania.

Abraços!

julho 14, 2009

Miami Summer Break

Algumas notas sobre um final de semana de verão em Miami:

1) Em apenas uma volta na quadra, na primeira noite em Miami, foi observado: um caso de prostituição (com direito a ver a negociação, bem disfarçada, até a entrada da garota no carrão do cliente), um caso de beijo gay entre senhores acima de 40 anos (o beijo foi no estilo novela das oito, caprichado), uma mesa de restaurante com mais de quinze rapazes reunidos jantando, todos gays. Estávamos em South Beach. Normal, como pudemos constatar depois.

2) Passeio em Little Havana: velhinhos jogando dominó, "esperando pela morte de Fidel para retornar ao país de origem", de acordo com a guia. Um McDonald's no meio da rua principal do bairro, e uma pintura de parede no prédio vizinho:



3) Ouço com frequência que Miami não faz parte dos Estados Unidos. Ouço, também, que o Rio Grande do Sul não faz parte do Brasil. Ambos os casos, por diferenças na composição demográfica dos Estados. Prefiro dizer que Miami faz parte dos Estados Unidos tanto quanto o Rio Grande do Sul faz parte do Brasil.

4) Praia de South Beach: tudo o que Copacabana e Ipanema gostariam de ser, mas não são pois, como diz o hino, estão "deitadas eternamente em berço esplêndido". Mas, peraí, South Beach também tem um visual legal. Fiquem, então, apenas com a primeira parte da frase.


5) Calor, muito calor em Miami. A diferença entre a sensação térmica e a temperatura registrada chegava a sete graus centígrados!!! Ou seja, se o termômetro dava 30ºC, a sensação térmica girava em torno de 37ºC. E com poucas alterações entre o dia e a noite.

6) Por causa do calor, sou obrigado a declarar: o cara mais foda deste mundo (não, não é o homem mais interessante do mundo) é Horatio Caine! Para trabalhar usando terno preto em todo o santo episódio de CSI Miami, tem que ser muito foda.


7) Por fim, uma nota sobre MIA, o aeroporto internacional de Miami. Eu já tinha feito um registro antes, sobre a confusão de um embarque para o Brasil que fiz por lá. Bom, depois deste final de semana, com confusão nas filas de inspeção e raio-x, com gente gritando e correndo por todos os lados, com os locutores falando melhor em espanhol do que em inglês, só posso concluir que o aeroporto é uma merda. Literalmente. Veja você mesmo.


O que foi? Não acredita no que está vendo? A foto foi tirada na frente do portão D-30, ala de embarque da American Airlines. Tem dúvidas sobre o que estou mostrando? Então segue versão ampliada:


Isto que só conseguimos tirar a foto depois que o conteúdo foi pisado algumas vezes por passageiros distraídos, olhando para o teto. Lamentável. E se você duvida que o conteúdo é o que parece, não perca seu tempo: o cheiro no local não deixava margem para erro. O aeroporto é uma merda.

Abraços!

julho 10, 2009

Camiseta de Quem?

A cara do Obama recebendo a camiseta velha da Seleção dá bem a noção da importância do futebol por aqui. Também vale notar como está magro o presidente brasileiro... ah, desculpe: era o tradutor oficial. Sobre a aparência presidencial, vale a observação do repórter da ABC que cobria o evento na Itália, ao final da matéria.

Brazil Gives Obama Soccer Jersey

Abraços!

julho 09, 2009

O Google é um Bom Companheiro

Ninguém pode negar! Olhem só a pesquisa que alguém de Hortolância fez no site, e qual a primeira opção oferecida como resposta. Eu não entendi o que a pessoa procurava, eu não entendi por que o blog foi a primeira resposta, mas gostei!



Abraços!

julho 07, 2009

Escrevendo Pouco

Tenho escrito pouco no blog, admito. Alguns motivos:

1) Estou me informando sobre novas opções de carreira quando voltar ao Brasil. Mais alguns passos (sindicato + salário mínimo), e uma nova perspectiva se abre. Óbvio que poderiam também pegar leve neste negócio de fiscalização, que ninguém é de ferro.

2) Falta de notícias. Não vale a pena ficar inventando assuntos, quando não existe nada para se conversar.

3) Seu Idalino, meu avô, é muito importante para mim, mas não vai garantir o meu futuro, já que o meu diploma não será de Harvard. Será um diploma de doutorado, onde passei por critérios de seleção tanto por aqui quanto no Brasil (ou seja, não é um programa onde basta ter dinheiro para se matricular e cursar), mas não será de Harvard.

4) Por fim, e de novo relacionado à títulos, o grande motivo para eu estar escrevendo pouco é justamente por não querer me tornar Ministro-Chefe da Casa Civil, ou Ministro das Relações Exteriores. Tenho um doutorado para terminar.

E ainda há quem diga que vale a pena falar sobre o Brasil. Pfui.

Abraços!

julho 05, 2009

Crise: A Culpa é do Subprime?

Eu já tinha comentado, no ano passado, como eu achava estranho o fato de colegas terem comprado casas, ainda que, aparentemente, as suas condições de entrar em uma compra destas era relativamente restritas. Depois, lendo esporadicamente sobre o problema, fui alertado para a existência de políticas de incentivo do governo para estimular a compra da casa própria, reduzindo o papel do mercado de aluguéis para habitação. Como estímulo, o governo estaria induzindo a redução do downpayment (a entrada) na hora da compra. Entretanto, o foco das críticas está toda voltado para os contratos teaser, na sua maioria formado por subprime, onde o banco oferece um financiamento com juros muito baixos no início, subindo a taxa depois de alguns anos.

Um economista do Fed de Chicago, Gadi Balervy, esteve no último semestre por aqui apresentando um paper onde, na introdução (a leitura do artigo é difícil, aviso de amigo), ele destaca:


"My model reveals several new insights. First, it shows that contracts offering low rates for early repayment emerge endogenously when creditors expect some of their borrowers to speculate. These credit arrangements are thus a response to, rather than a cause of, speculation. Precluding lenders from offering these financial products will not only fail to curb speculation, but may end up exposing creditors to greater risk. (...) [T]he model shows that a reduction in the real Federal Funds rate need not generate bubbles if it is temporary. This contradicts the argument cited above that the historically low rates set by the Fed in 2003 was the main culprit for the bubble in housing markets. Regardless of the true culprit, the model suggests that certain policies can be used to eliminate one if it emerges. In particular, raising rates or imposing down payment (or margin) requirements can both be used to prevent bubbles, although the latter policy is only effective if it is applied systematically rather than temporarily as is sometimes advocated. While these policies may curtail speculation, the model suggests they might also discourage beneficial trades, so that curbing speculation may be socially costly."


Ou seja, o autor não apenas livra a cara dos empréstimos subprime, como também a política monetária do Fed, que teria estimulado a compra de casas através de uma redução de juros que durou além do necessário. Ok, uma primeira reação ao paper é que isto não passa de uma construção teórica, sem suporte nos dados, e que, por consequência, certas generalizações e determinações de política não poderiam ser feitas. Entretanto, hoje eu li um comentário no Wall Street Journal que colabora através de evidências empíricas com o modelo discutido no artigo de Balervy: de acordo com Stan Liebowitz, depois de compilar dados individuais de contratos de empréstimo em nível nacional, apesar de apenas 12% dos contratos apresentarem dívidas maiores que o valor das casas, estes contratos correspondem a 47% do total de casas retomadas para cobrir o não-pagamento da hipoteca (foreclosures). Sobre os contratos teaser, apenas 8% dos foreclosures estavam relacionados a aumentos maiores que 4% nas taxas de juros cobradas ao longo do tempo.

É um bom "food for thought" quando os dados começam a bater com uma análise tão abstrata quanto a do artigo de Balervy.

Abraços!

O Lado Bom da Crise

Ou "mais uma fonte de ineficiência do serviço público brasileiro, por causa da estabilidade no emprego": nem dos chatos dá para se livrar em tempos de crise.

Abraços!

julho 03, 2009

Mais Sobre a Vitória do Bom Senso

O NYT de hoje traz uma matéria muito interessante e reveladora sobre a decisão da Suprema Corte a respeito da promoção dos bombeiros de New Haven. Ela trata do caso do Tenente Ben Vargas, o único bombeiro de origem hispânica a participar da ação contra a chefia dos bombeiros, mesmo sem saber que era um dos poucos membros de minorias que foi promovido. Um trecho que mostra como as "minorias organizadas" nos EUA operam (vai soar bem familiar para quem acompanha o noticiário do Brasil):


clipped from www.nytimes.com

But Lieutenant Vargas bore more than his share of the criticism, said Lt. Matthew Marcarelli, who was among the plaintiffs and has known Lieutenant Vargas since they were classmates at the fire academy. “Why the other guys viewed him as a turncoat I really don’t understand. He did it because he’s principled and he thought it was the right thing to do. Benny’s nobody’s token.”

Chief Marquez said his old protégé was “an easy target because he didn’t fall in line.”

“It seems that if you’re not the right type of minority, you get hammered,” he said.

The president of the black firefighters’ group in New Haven did not return calls seeking comment.

Gesturing toward his three young sons, Lieutenant Vargas explained why he had no regrets. “I want them to have a fair shake, to get a job on their merits and not because they’re Hispanic or they fill a quota,” he said. “What a lousy way to live.”

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De novo, é um sinal de que ainda existe bom senso no mundo.

Abraços!

julho 01, 2009

Gorjeta

Fernando Canzian fala da "estatização" da gorjeta para garçons em restaurantes no Brasil. É uma piada fazer uma lei sobre isto, ainda mais em um mercado que tem tudo (em condições sérias) de ser extremamente competitivo: os garçons aqui nos EUA se esforçam ao máximo para agradar, de forma a garantir o seu troco no final da noite. Qualquer falha no atendimento, e só falta eles beijarem as mãos dos clientes para pedir desculpas. A contrapartida? Os poucos que ficam no mesmo serviço muito tempo (os melhores são contratados por outros restaurantes) são "promovidos" dentro do restaurante para coordenar outros trabalhos.

Mas, como é óbvio, um Congresso que cuida bem do seu dinheiro vai saber como lidar com o dinheiro dos outros...

Abraços!

Soccer???

Nation, no meio das minhas tarefas diárias, encontrei um tempo para deixar dois ou três palpites na área de comentários d'A Torre de Marfim, em post que tratava da visão do americano sobre o futebol (o soccer, não o daqui). Entretanto, apenas o meu guia espiritual americano poderia sintetizar com tamanha precisão o sentimento nacional a respeito do esporte bretão. Colbert, nos ilumine, por favor!

The Colbert ReportMon - Thurs 11:30pm / 10:30c
Is it Time to Care About Soccer?
www.colbertnation.com
Colbert Report Full EpisodesPolitical HumorJeff Goldblum


The Colbert ReportMon - Thurs 11:30pm / 10:30c
Is it Time to Care About Soccer? - Alexi Lalas
www.colbertnation.com
Colbert Report Full EpisodesPolitical HumorJeff Goldblum


Abraços!

junho 30, 2009

The Chapel

É quente no verão, mas dá para conseguir boas imagens do campus em Durham nesta época.




Abraços!

Governadores Sumidos

Depois do ocorrido com o Governador dos vizinhos da Carolina do Sul, recomendo que se procure o Vice-Governador do Maranhão a partir da fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina...

Abraços!

junho 29, 2009

Bom Senso 1 x 1000000000 Politicamente Correto

E finalmente o Bom Senso ganhou uma do Politicamente Correto. São os sinais de esperança para o resto do mundo: igualdade de oportunidade é sempre a melhor política.

Abraços!

junho 25, 2009

Michael Jackson: Gonzaguinha Errou

Bom, dadas as recentes notícias, só me resta dizer que Gonzaguinha errou quando escreveu "O Que É, O Que É":


"Eu fico com a pureza das respostas das crianças:
É a vida! É bonita e é bonita!
Viver e não ter a vergonha de ser feliz,
Cantar, e cantar, e cantar,
A beleza de ser um eterno aprendiz.
Ah, meu Deus! Eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será,
Mas isso não impede que eu repita:
É bonita, é bonita e é bonita!"


Lamento, mas eu NÃO FICO com a pureza das respostas das crianças. Afinal, nada mais puro que o canto e a dança do menino aí debaixo. Ele cantava sem ter vergonha de ser feliz, e nem por isto sua vida foi bem melhor. Não devia resultar nisto.





Abraços!

*P.S.: o post vale mesmo que esta história toda seja mais um golpe de marketing, ou alguma tentativa dele fugir dos credores.

junho 22, 2009

"No Balls" no Senado

Sarney ouviu hoje no Senado. E falou:

Depois de ouvir por mais de duas horas discursos de senadores cobrando uma "limpeza" no Senado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta segunda-feira que não foi eleito para "limpar a lixeira da cozinha" da instituição. Ao listar uma série de medidas que adotou em resposta à crise que atinge o Senado, Sarney disse que foi escolhido para presidir politicamente a instituição.


"Eu julguei que, quando fui eleito presidente, era para presidir politicamente a Casa e não para ficar submetido a procurar a dispensa ou limpar o lixo das cozinhas da Casa", afirmou Sarney.

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E neste momento, eu tenho certeza, nenhum distinto, honorável Senador solicitou um aparte e disse:


"De fato, o senhor não foi eleito para limpar lixeiras do Senado: renuncie, Senador Sarney, renuncie!"


E, assim, um distinto, honorável Senador perdeu, naquele instante, a chance de ser re-eleito com direito à gratidão do país por muitos anos. "No balls" no Senado, "no balls".

Abraços!

Econ Duke #23

Para quem gosta de usar o "argumento de autoridade", muito em voga no Brasil ("sabe com quem você está falando..."), este escriba está bem colocado: novo ranking de instituições em economia do IDEAS, e Duke está na honrosa 23ª posição.

O interessante do ranking é que ele inclui não apenas universidades americanas, mas todas as universidades cadastradas no sistema IDEAS, além de instituições como o FMI, Banco Mundial, Federal Reserve e Bancos Centrais (o do Brasil não aparece na lista do top 10%). Retirando estas instituições, Duke sobe para a 19ª colocação.

Como toda escola em ascensão, estamos atrás das universidades tradicionais (Harvard, Chicago, Berkeley, Princeton, NYU e Stanford), mas já superando muita gente boa (Minnesota, Wisconsin-Madison, Cornell, por exemplo). Muito legal!

Abraços!

junho 21, 2009

O Irã Está Certo

Manchete da France Press, via Folha Online:

"Irã acusa Ocidente, imprensa e terroristas por distúrbios pós-eleições"

O Irã está certo. Pela ordem:

1) o ocidente é culpado por dar a liberdade de ir e vir a seus cidadãos, ao contrário de ditaduras que proíbem o mesmo;

2) a imprensa é culpada, porque, se não existisse imprensa, como ditaduras desejariam, ninguém saberia das confusões;

3) terroristas são culpados, simplesmente porque estão no controle destas ditaduras.

Abraços!

junho 20, 2009

Stephen Colbert: Obama e a Mosca

Ao contrário de outros comediantes americanos (Jon Stewart é o primeiro exemplo que me passa na cabeça), Stephen Colbert não perde uma chance de fazer piada com o governo Obama. A última é sobre um "assassinato" ocorrido na Casa Branca... A participação de Jeff Goldblum é ótima!


The Colbert ReportMon - Thurs 11:30pm / 10:30c
Murder in the White House - Jeff Goldblum
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Colbert Report Full EpisodesPolitical HumorStephen Colbert in Iraq

Um abraço!

P.S.: se não associou o motivo para o discurso de Goldblum, talvez se lembre do papel que o lançou no cinema.

Crise: Tendência X Choque (2)

Na área de comentários do post anterior veio a pergunta:


"mmartinelli disse...
Vc por acaso fez o teste de raiz unitária?"


A pergunta do Marcelo toca em um aspecto interessante que eu deixei de fora quando fiz o desenho das trajetórias de crescimento. Eu tomei, por hipótese, que o choque trazido pela crise tinha efeitos permanentes sobre o nível do produto, e apenas na "economia vermelha" havia alguma mudança na taxa de crescimento do produto após o choque. Se eu partisse para a hipótese de não existência de uma raiz unitária no produto, implicitamente eu aceitaria a existência de um superaquecimento da economia (ou seja, um crescimento acima do produto potencial) durante algum período após o choque, de tal forma que o nível do produto retornasse de forma "mais rápida" ao seu nível original.

Quais as consequências da existência de uma raiz unitária no produto? Para entender melhor a questão, observe a figura abaixo. A figura é equivalente à do post anterior, mas expressando a taxa de crescimento das economias (ou seja Y(t) - Y(t-1)):



Nesta figura eu tenho a resposta para a questão do último post: é preferível sofrer um choque muito mais violento, caso este não afete a capacidade de crescimento da economia no longo prazo (a variação do produto potencial, se preferir), pois, no longo prazo, a economia estará produzindo mais do que em uma situação onde o choque afetasse a inclinação da curva.

Voltando para a pergunta do Marcelo, eu escrevi que, se não existisse uma raiz unitária no produto, o retorno ao nível do produto antes do choque seria "mais rápido". É uma frase meio ligeira (afinal, se a economia apresenta uma taxa de crescimento positiva ao longo do tempo, ela sempre vai retornar ao nível do produto antes do choque, em algum instante do tempo), mas faltou vocabulário para expressar o que uma figura mostraria melhor. Na figura abaixo, eu replico o gráfico acima, mas acrescento a "economia verde", que representa a versão sem raiz unitária:



O que diferencia a economia com raiz unitária (a "economia azul") da economia sem raiz unitária (a "economia verde") é aquele período após o choque e imediatamente anterior à retomada do crescimento potencial. Traduzindo para a figura do post anterior, este período de crescimento acima do potencial seria equivalente à uma mudança na inclinação da curva até que a economia se encontrasse com a linha preta novamente.

A questão das raízes unitárias no produto foi tema de (mais) um debate acalorado entre os blogs do Krugman e do Mankiw. Ao discutirem sobre os cenários de recuperação da economia americana após a crise, Mankiw levou fé em um dos seus artigos mais famosos para propor uma aposta a respeito de suas visões sobre o tema. Mankiw, baseado nos seus resultados, afirmava que o CEA estava sendo muito otimista com relação ao desempenho do PIB, e Krugman se referiu a isto como "deliberate obtuseness".

Por fim, para ser bem direto na pergunta do Marcelo: não, eu não fiz testes se os dados do PIB apresentam uma raiz unitária ou não. E não fiz por ser esta uma das tarefas mais ingratas do estudo da economia, pois qualquer que seja o método utilizado, sempre vai ter alguém para lembrar que "o poder dos testes de raiz unitária é muito baixo". Ou seja, é muito difícil, dada a metodologia disponível (ao menos na época que estudei o tema), separar entre os componentes transitórios e permanentes do PIB de uma forma bem agnóstica.

Como o tema é tratado hoje em dia? Na literatura de modelos de equilíbrio geral, quando se quer fazer alguma consideração sobre o componente de crescimento do PIB, são acrescentados choques estruturais não-estacionários no modelo. Não é todo mundo que faz isto (a maior parte da literatura elimina a tendência da série através de algum filtro e trabalha com choques estacionários), mas eu vejo vantagens interessantes no procedimento. Tão interessantes que, no modelo que estou trabalhando hoje em dia, eu tenho DOIS choques não-estacionários (*risos*).

Um abraço!

junho 16, 2009

Crise: Tendência X Choque

Uma idéia: o pior da atual crise econômica talvez não seja o choque em si (a paralisia do crédito, as firmas demitindo, as empresas fechando), mas a eventual mudança na tendência de crescimento. Eu comecei a escrever um longo texto para tratar do assunto, mas me dei conta que uma figura poderia resumir a idéia. Se, na figura abaixo, você não entender por que a linha azul descreve uma trajetória mais favorável de crescimento em relação à linha vermelha, posso recomendar alguns bons livros de macroeconomia.



Abraços!

P.S.: Propositalmente, a linha azul descreve um choque instantâneo maior que o da linha vermelha.

junho 13, 2009

Carradine - Uma Referência

Uma hipótese não considerada até agora na morte de David Carradine: ele pode ter morrido depois de sofrer com a "five-point-palm-exploding-heart technique", e, depois dos seus cinco passos derradeiros, ter sido pendurado enforcado em um armário pelos discípulos restantes de Pai-Mei, com quem aprenderam a técnica.





Abraços!

Redescobrindo: Nevermind

O primeiro álbum de sucesso do Nirvana já é um clássico. E agora, maior de idade, com 18 anos contados a parir da data de lançamento, ouvi-lo continua um prazer. Desde a faixa inicial, Smells Like Teen Spirit, até o término em Something in the Way, o álbum é um histórico do rock grunge.

A capa do álbum também se tornou um clássico. O então bebê Spencer Elden recriou, recentemente, a foto com a nota de dólar mergulhado na piscina em homenagem ao aniversário de 17 anos do disco. Com certeza, a beleza do disco não está em nada relacionada ao monstro que se tornou o garoto.

Abaixo, o vídeo de Come As You Are, talvez o segundo grande hit do álbum, logo após Smells Like Teen Spirit.



Abraços!

Windows Update e a Tese

Uma semana de processamento de números, uma semana de simulações. Acordo hoje pela manhã, e o computador está desligado. Torno a ligá-lo. Pisca, no canto da tela, depois de completada a inicialização, a mensagem:

"Seu computador foi desligado automaticamente para a atualização dos componentes do Windows"


Conclusão: se quiser uma tese, desligue a opção Windows Update.

Abraços!

junho 12, 2009

Cuidados Pessoais no PhD

Eu já entrei na parte verde da curva faz tempo... De fato, as cores da linha devem ter alguma semelhança com o tom de pele da pessoa durante o doutorado: entra no programa vermelhinho, bem corado, nutrido; sai formado, mas verde, desbotado, com olheiras.

Abraços!

junho 11, 2009

Estimação Aumentada

Um pouco mais sobre o andamento da tese.

Depois da demora para obter alguns resultados, consegui hoje implementar uma sugestão de Canova e Sala (2009) para evitar o problema de falta de identificação dos parâmetros estruturais do modelo. O problema de identificação existe desde a estimação de sistemas de equações simultâneas, mas o desenvolvimento de modelos DSGE acabou mantendo a discussão ainda muito viva na academia. Para sintetizar, a ausência de linearidade dos parâmetros estruturais na solução dos modelos DSGE pode implicar na existência de diversos pontos de máximo na função-objetivo da estimação (a função de verossimilhança, por exemplo) e também na pouca curvatura da região em torno destes pontos de máximo, fazendo com que seja difícil localizar ("identificar") qual seria o máximo "verdadeiro" do modelo. A figura abaixo, tirada de uma nota que escrevi por aqui, talvez explique melhor o problema. No eixo vertical, o valor da verossimilhança do modelo é comparado com dois intervalos factíveis para dois dos parâmetros do modelo estimado na época.


Notem como, para mudanças relativamente grandes do parâmetro Rho(eps), existe uma variação muito pequena entre os valores da verossimilhança em torno do máximo. Para ser mais específico, para valores de Rho(tt) próximos da unidade, um intervalo para Rho(eps) entre zero e 0.5 resulta em mudanças muito pequenas na verossimilhança do modelo.

Canova e Sala (2009) discutem este problema de forma mais detalhada, mostrando, inclusive, casos um tanto patológicos, onde parâmetros estruturais efetivamente desaparecem da solução do modelo, tornando a identificação destes parâmetros praticamente impossível. Na figura acima, seria o caso da função de verossimilhança ser um plano, com valores constantes da verossimilhança para todo o valor de Rho(eps), dado um valor para Rho(tt). Uma das soluções para o problema (discutida com maiores detalhes nas versões preliminares do paper) consiste em algo pouco intuitivo: se não for possível identificar um parâmetro, aumente o conjunto de parâmetros a serem estimados!!! Para ser mais exato, a inclusão de outros choques estruturais (e a consequente estimação dos seus parâmetros de persistência e variância) permite mais variação da função-objetivo em torno do valor "verdadeiro" dos parâmetros, facilitando o trabalho de identificação.

É curioso como o aumento do número de parâmetros pode servir para corrigir um problema de estimação. Na econometria clássica, o exemplo mais simples que posso pensar em uma situação destas é a autocorrelação residual por omissão de variável relevante: se estimamos um modelo de séries de tempo onde omitimos algum padrão relevante da análise, os resíduos serão correlacionados com o fator omitido. Assim, o acréscimo de um parâmetro e uma variável resolveria o problema. No caso apresentado aqui, é a inclusão de uma perturbação que permite ao econometrista obter informação relevante do modelo. É óbvio que nem toda perturbação resolve o problema de identificação (os choques adicionados devem ser relevantes na estrutura do modelo), como também é óbvio que esta não é a única solução disponível para o problema (leia o artigo e aprenda mais), mas a associação com o problema de econometria clássica me chamou muito a atenção.

A estimação que eu estava rodando parecia sofrer deste problema. Alguns fatores apontavam para isto: a pouca distância entre as médias das distribuição de priors e posteriors dos parâmetros (não é possível que eu seja tão bom a ponto de acertar o valor da grande maioria dos parâmetros do modelo); a convergência da distribuição dos parâmetros da posterior para a distribuição das priors (acertar não apenas na média, mas na distribuição é pior ainda!!!); a mudança dos valores da posterior dos parâmetros na mesma proporção em que mudo as priors.

O modelo tinha sete choques estruturais e dez choques de erros de medição ("measurement errors") das variáveis observáveis. Eu acrescentei mais quatro choques estruturais, e hoje terminei de estimar os valores modais da posterior. Na aparência, os valores dos parâmetros mostraram alguma mudança. Agora é esperar o computador terminar o trabalho braçal.

Volto para as leituras.

Abraços!

junho 08, 2009

Super-Flake

Enquanto o computador trabalha fazendo as estimações, eu tenho o meu tempo para fazer outras coisas. Entre elas, mandar um e-mail para o pessoal da informática do Departamento de Economia falando do meu problema (feito hoje pela manhã); sair com a Chris para consulta no médico (tudo bem com a Maria Beatriz); organizar uns papéis (burocracia parece que não acaba, mas um dia vai); comer cereal.

E foi nesta última atividade que descobri o maior cereal da Kellogg's que já vi na vida. E, qual não foi a minha surpresa, ele não veio sozinho! A foto abaixo mostra os dois parceiros, presentes no meu pacote matinal: pouco mais de 5 centímetros de cereal, é quase uma barra!!!!


Fica o desafio: encontre um igual, poste a foto! Acho que o milho enriquecido com os agrotóxicos daqui constitui a explicação mais razoável para esta anomalia.

Abraços!

junho 07, 2009

Estimação Lenta

"Tempo, tempo, mano velho,
Falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio.
Como zune um novo sedã.

Tempo, tempo, tempo mano velho
Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai

Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final"


O modelo do primeiro paper finalmente está sendo estimado. Entretanto, fazer tudo no laptop, ao invés de jogar algo no servidor da universidade, está me matando: dois dias para tirar algum resultado, pouco tempo para uma análise dos números, e a incapacidade de explorar com mais profundidade os resultados existentes são fatores que estão me tirando a paciência.

A vantagem da demora em obter resultados é que estou conseguindo tempo para ler outros artigos que complementarão a revisão de literatura. Mas daí nasce novo desconforto: ler os papers novos e não conseguir implementá-los no modelo, ou não conseguir testar suas hipóteses na estimação em curso é uma dor.

Vou apelar, possivelmente, para alguma estratégia de pressão de grupos políticos brasileiros. Talvez um acampamento na porta do coordenador do grupo de informática do Departamento de Economia ajude (ainda que, aqui, é bem provável que a polícia chegue sem precisar de um "termo de reintegração de posse"... rsrsrsrsrs).

Abraços!

junho 03, 2009

Quando a Notícia é Crime

Notícia da Folha do dia 1° deste mês: "Governo usa nova reserva de gás contra CPI".

Cheirou mal o título? O conteúdo é pior: de acordo com o jornalista (cof, cof, cof... desculpe, irritação com o ar-condicionado) Kennedy Alencar,


"Para tentar minar a CPI no Senado e criar uma agenda positiva pró-Petrobras, o governo prepara o anúncio da descoberta de duas grandes reservas no país. Segundo apurou a Folha, são uma reserva de gás e óleo no Acre e outra de gás no noroeste de Minas Gerais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na semana passada a confirmação da Petrobras. Desde então, a cúpula do governo prepara o anúncio a fim de que coincida com a divulgação das propostas de novas regras de exploração de petróleo na camada pré-sal e com o início dos trabalhos da CPI da Petrobras no Senado."


No dia seguinte (?????) sai a negativa da Petrobrás a respeito das supostas reservas. Talvez o (cof, cof, cof... desculpe, irritação com o ar-condicionado) jornalista não soubesse, mas a divulgação da pesquisa sobre os poços para o governo por parte da Petrobrás poderia constituir um crime, dando ainda mais margem de manobra para a (inoperante, como se vê) oposição. A última parte da nota da Petrobrás indica por que seria um crime:


"A empresa 'destaca também sua política de divulgação de informações ao mercado, que tem por norma anunciar as descobertas de petróleo e gás natural sempre que obtiver dados conclusivos sobre a potencialidade dos blocos explorados em concessão'."


Sim, estou falando aqui de divulgação de informações privilegiadas fora do ambiente normal do mercado. Acho curioso não ouvir mais nada a respeito, já que, em qualquer país sério, uma notícia destas automaticamente trancaria a negociação das ações da empresa no mercado até a divulgação de explicações. No Brasil, não apenas as ações continuaram sendo negociadas, como a nota da Petrobrás só saiu no dia seguinte à matéria.

Abraços!

P.S.: Note bem, o crime é a divulgação para o governo por parte da Petrobrás, e não a divulgação da notícia por parte da Folha, que constitui mérito do (cof, cof, cof... desculpe, irritação com o ar-condicionado) jornalista.

Uma Hipótese

Burocracia é igual em qualquer lugar do mundo. O que as diferencia, em termos de eficiência, são dois fatores:

1) a quantidade de leis e regulamentos que cercam o seu trabalho;

2) a possibilidade de promoção/maior remuneração/estabilidade de emprego do burocrata.

Curiosamente, ainda como parte da hipótese, as correlações dos dois fatores com a eficiência é negativa. Ou seja:

1) quanto maior a quantidade de leis e regulamentos, menor a eficiência;

2) quanto maiores as chances de promoção/maior remuneração/estabilidade de emprego do burocrata, menor a eficiência.

Testar esta hipótese renderia uma tese.

Abraços!

junho 01, 2009

Transferência de Responsabilidade

Chris, como é que anda a minha tese? Está saindo tudo direitinho? Os papers estão no prazo?

Parece que agora isto é a praxe: ligar para os outros para saber daquilo que é unicamente sua responsabilidade.

Abraços!

maio 31, 2009

Dia de Compras: Lim e McNelis

Na verdade, final de semana de compras. Algumas inevitáveis, alguns pequenos luxos. Entre estes últimos, um livro interessantíssimo de um professor que eu já li alguns papers bem interessantes. De Lim e McNelis, Computational Macroeconomics for the Open Economy promete discutir a grande maioria dos tópicos relevantes na construção de modelos DSGE para economias abertas: habit persistence, sticky prices, sticky wages, tributação, fricções financeiras, termos de troca...



Além dos tópicos, já naturalmente interessantes, os autores tratam dos métodos para resolver os modelos e as suas consequências para a aproximação das não-linearidades inerentes dos modelos.

O livro promete.

Abraços!

maio 28, 2009

Previsão: O NBER Brasileiro

Diante da notícia, muito boa, da criação de um instituto para datar os ciclos brasileiros, prevejo que, até o final da semana, Clóvis Rossi vai escrever, na Folha, uma coluna sobre a suposta "inutilidade de dizer que, desde o último trimestre do ano passado, estamos em recessão". A coluna ainda vai seguir com uma longa choradeira sobre os "assalariados que já sabem disto faz tempo porque já perderam o emprego".

Abraços!

maio 27, 2009

Rubinho na OMC

Em um belo dia de 2005, no auge da sua insignificância, Rubinho declarou:

"Estava acelerando o máximo que podia até que eles pediram para que eu reduzisse o ritmo. Sou só um brasileirinho tentanto lutar contra esse mundo muito grande. Estou guiando bem o carro, mas tenho que encarar muita coisa que não gosto", disse Barrichello.
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Se Rubinho tivesse estudado Direito, feito uma carreira jurídica de respeito no Brasil, e concorresse a um cargo importante na OMC, a sua declaração, ao saber que perdeu o cargo, seria esta:

Podemos dizer que o Brasil foi mais prejudicado por suas qualidades do que por seus defeitos. O Brasil é o "new kid on the block". E isso gera resistências, vide a posição dos EUA e da China a favor do candidato do México. Houve também resistência regional --a Argentina lançou seu próprio candidato. O Brasil já havia ocupado o cargo por oito anos. Prevaleceu a ideia de rotação. Enfim, são circunstâncias complexas.
No âmbito nacional, o Supremo é o máximo a que se pode aspirar. Mas a vaga na OMC é uma posição importantíssima no que diz respeito ao comércio internacional. Especialmente em tempos de crise, com o protecionismo em alta, esses mecanismos têm de funcionar para impedir um retrocesso. Minha candidatura foi ditada pelo interesse nacional.
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Além da clássica síntese da síndrome de perseguição do brasileiro ao longo da entrevista, a última frase atestando por que Ellen Gracie perdeu o cargo: achou que um posto técnico poderia atender ao "interesse nacional". Tal como Rubinho, que não corre para se realizar profissionalmente, mas para "ser o brasileirinho a representar o pais".

Abraços!

maio 24, 2009

Fé no Blog e no Mas-Colell

"Mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana, sempre. Quem traz no corpo a marca, Maria, Maria, mistura a dor e a alegria". Não desista, irmã(o) Maria! Tenha fé! Eu sei que você está em uma hora de desespero, mas isto tudo faz parte do processo.

Pesquisa no Google que resultou em uma visita ao blog:


Abraços!

Cavs Win!

Eu falei na área de comentários do post aí de baixo sobre um arremesso que Lebron James fez para garantir a vitória do Cleveland Cavaliers contra o Orlando Magic no segundo jogo da série das finais da Conferência Leste. O arremesso foi este:




Mas a reação mais engraçada ao arremesso foi visto no noticiário de Cleveland, ao vivo, na hora do jogo:




Mais engraçado que a explosão do comentarista esportivo, e dos comentários sarcásticos no início, enquanto todos já davam o jogo como morto, só um editor que aparece, no final do filme. Notem bem no canto direito da tela, ao fundo, atrás de uma tela, o cara celebrando o final do jogo.

Abraços!

maio 21, 2009

Sem-Vergonhice Não Cai do Céu

A notícia: "DNA comprova: mulher deu à luz gêmeos filhos de pais diferentes".

O comentário:

"Faltou Deus no coração dessa pobre mulher, que está enfeitiçada pelo demônio. Participou do impróprio da carne e o santanás a cobrou com um filho de cada homem, homens esses que já estão com o seu destino para o inferno por se permitem tal sujeira.

Só Jesus Cristo Salva. Se arrependa dos seus pecados, a partir da contribuição do seu dízimo, pois só assim iremos mudar essa terra mudana.

Aleluia!"


A primeira impressão, ao ler o comentário, é que algum picareta está tentando juntar fiéis ao seu rebanho, em tentativa de salvar (o seu) mundo, através da área de comentários da notícia. Entretanto, dada a frequência com que estes comentários aparecem, eu me pergunto como é possível o brasileiro médio ainda manter a percepção de que os eventos desagradáveis, ainda que resultantes de escolhas individuais, são consequência da "falta de Deus no coração", ou do "demônio no corpo da pessoa".

Dois pontos sobre esta frase: 1) sim, é uma percepção do "brasileiro médio", pois se aqueles que possuem acesso à internet no país escrevem isto, não vejo motivos para que os mais pobres pensem algo muito diferente. 2) sim, o caso da mulher é um problema de escolhas individuais (ela podia se manter fiel, ninguém colocou uma arma na cabeça dela obrigando que fizesse sexo com mais gente).

Retomo. Estados ruins da natureza acontecem. Não é possível, por exemplo, prever uma doença como o câncer ou antever enchentes em Santa Catarina. Estes eventos, cada um atribui ao que lhe seja mais conveniente (Deus, Diabo, sorte, azar, Maomé, Buda, Cacique Cobra-Coral, unha encravada). Entretanto, o fato da mulher ter gerado dois filhos completamente diferentes, ainda que tenha uma probabilidade de ocorrência muito pequena, é resultado único e exclusivo das suas ações: se ela não tivesse um amante, não teria o segundo filho, por definição.

Atribuir a quem quer que seja as consequências indesejáveis de desvios de comportamento individual é um fenômeno bem mais frequente do que se imagina: "não estudei, fui mal na prova, mas é porque a professora me persegue"; "o guarda me multou pela falta do cinto de segurança só porque ele quer tentar arrancar um suborno"; "o marginal que sequestrou um ônibus só fez isto porque o Estado prefere fazer presídios a fazer escolas"; "o Congresso é uma porcaria, não faz nada, mas eu voto no deputado mensaleiro porque ele coloca meu filho como assessor do vereador da cidade onde moro".

Tantos exemplos, muito para um pobre país.

Abraços!

Política Monetária do Cafezinho

O Shikida trouxe para o blog dele o problema do uso de uma máquina de fazer café em uma redação de jornal. Para sintetizar, existe uma máquina de café que só se alimenta de fichas vendidas em um caixa. As fichas são vendidas no meio da semana, mas como as redações trabalham nos finais de semana, muitos jornalistas estão acumulando fichas para gastá-las neste período. O problema: a acumulação de fichas cresceu tanto que estão faltando fichas para ser vendidas ao longo da semana, e isto gera um custo para o vendedor das fichas (tanto por perder dinheiro, com a falta das vendas, quanto pela necessidade de abrir a máquina de café com maior frequência para conseguir as poucas fichas disponíveis).

Defina M como a quantidade de fichas circulando na economia (ou melhor, na redação do jornal). Esta quantidade de fichas inclui as que estão presas na máquina, as que estão acumuladas no caixa e as que estão acumuladas pelos jornalistas. Defina P como o preço do café (no caso, R$0.25), Q é o número de cafés vendidos. Tirando do fundo do baú (mas nem tanto) a boa e velha Teoria Quantitativa do Friedman, temos a relação:



M V = P Q


Onde, neste caso, V é a conhecida "velocidade de circulação" das fichas na economia-redação. No lado direito da equação temos o valor nominal do total de cafés circulando, que deve ser igual a "V" vezes o total de fichas da economia. O problema da economia é que, dado uma quantidade M e um preço P, V está caindo, pois o número de usos das fichas está sendo menor do que o valor nominal das vendas do café. A consequência é que Q está sendo ajustado para compensar a queda em V.

Solução simples 1: dado que V está caindo, e não é bom para ninguém que Q caia, então que M cresça para compensar o aumento da demanda por fichas.

Solução simples 2: reduzam o preço do café, fazendo com que uma ficha possa comprar mais do que um café. Operacionalmente é mais difícil que a primeira solução, mas é uma saída lógica para o problema, já que, com o café mais barato, mais gente vai usar as fichas guardadas para tomar mais café. Para os interessados em política monetária, é um aumento dos saldos reais através de uma deflação dos preços.

Solução alternativa 1: conceda-se uma permissão para alguém explorar a venda de fichas ao longo do final de semana, ganhando dinheiro através de um spread sobre o preço das fichas durante a semana. Isto pode induzir a um maior entesouramento, ainda que tenha a vantagem de regular melhor a oferta de fichas.

Solução alternativa 2: permita-se que a máquina aceite outras fichas, tais como moedas de R$0.25. E deixe o mercado escolher qual a melhor moeda para esta transação. É uma solução estilo "free-banking", das antigas.

Entre todas as soluções, ainda acho a primeira a mais factível: a partir do instante que a quantidade de fichas na economia-redação estiver melhor calibrada (e com um aumento de fichas, e não queda, Shikida!) os incentivos para a formação de reservas adicionais de fichas devem ser reduzidos naturalmente. Ainda vai existir o entesouramento, mas é possível que uma parte disto seja consequência do conhecimento geral da redação a respeito da falta de fichas no mercado. Ou seja, os agentes (usuários da máquina de café) aprenderam a regra de política monetária (quantidade de fichas constante no tempo) e resolveram se adaptar. É razoável mudar a política, dado que ela não é ótima para nenhuma das partes.

Abraço!



maio 19, 2009

Posts (Ainda Mais) Parados

Prezados,

Devido a dificuldades computacionais momentâneas, os posts serão, nos próximos dias, ainda menos frequentes que o normal. Não se preocupem, eu não morri, menos ainda o meu computador (ainda que ele possa pedir água se eu não resolver o problema logo), mas um total de 38 parâmetros a serem estimados estão sugando toda a capacidade de produzir algo interessante para o blog.

Abraços!

maio 16, 2009

The Godfather – Baptism

Falta de Assunto?

Tem um morto-vivo que vaga pelo mundo dos blogs escrevendo coisas incompreensíveis, muitas vezes até impossíveis de serem provadas (justamente por serem ridículas) e que, de tempos em tempos, consegue virar tema em blogs de economia/política. O interessante é que as respostas aos seus posts ("respostas" = "fazer piada") parecem aparecer em ondas, com diversos blogs respeitáveis pegando trechos de seus hieróglifos para garantir a piada do dia.

Eu sei: é divertido! Eu sei: precisamos de alguém para manter a nossa auto-estima em alta! Eu sei: é reconfortante saber que existem pessoas cujos textos nos fazem parecer um pouco mais inteligentes! Mas tem uma hora que é preciso dizer: chega!!!

E não adianta mandar link de nenhum texto desta praga para cá, que eu nem leio o comentário. Vai direto para o lixo.

Abraços!

maio 13, 2009

Números Cabalísticos em Economia: 50000

A solução encontrada pelo governo para o problema do rendimento das cadernetas de poupança trouxe uma mudança na tributação para saldos acima de R$50.000,00. O número parece ser algo cabalístico para economistas brasileiros: o texto da Medida Provisória 168 de 15 de março de 1990 dizia o seguinte, no seu artigo 5º (grifos meus):

"Art. 5º Os saldos dos depósitos à vista serão convertidos em cruzeiros, segundo a paridade estabelecida no § 2º do artigo 1º, obedecido o limite de NCz$ 50.000,00 (cinqüenta mil cruzados novos).
§ 1º As quantias que excederem o limite fixado no caput deste artigo serão convertidas, a partir de 16 de setembro de 1991, em doze parcelas mensais iguais e sucessivas.
§ 2º As quantias mencionadas no parágrafo anterior serão atualizadas monetariamente pela variação do BTN Fiscal, verificada entre o dia 19 de março de 1990 e a data da conversão, acrescida de juros equivalentes a 6% (seis por cento) ao ano ou fração pro rata.
§ 3º As reservas compulsórias em espécie sobre depósitos à vista, mantidas pelo sistema bancário junto ao Banco Central do Brasil serão convertidas e ajustadas conforme regulamentação a ser baixada pelo Banco do Brasil."


Que Medida Provisória era esta? A que implementou o confisco de ativos no Plano Collor. Para quem não queria nenhuma comparação com as ações do governo de então, a escolha do valor para a mudança de tributação não poderia ter sido mais infeliz. Ou ainda: mais infeliz que a solução encontrada (muito longe do ideal, pois manteve o rendimento fixo de 6% para a caderneta de poupança), só mesmo o valor para incidir a tributação.

Abraços!

maio 12, 2009

Stay Away

Brazilians, get out!!! Eu não quero convites para festas, mensagens com imagens gif e convites para comunidades no Facebook.

Abraços!

Juros Negativos = Calote?

O Mankiw vem tratando no seu blog e em outros espaços disponíveis sobre idéias capazes de criar taxas de juros nominais negativas. Para explicar: em condições normais (taxas de juros nominais positivas), quando você empresta algum dinheiro, a pessoa que fez o contrato se compromete no futuro a pagar o valor que você emprestou, mais um percentual sobre o valor da operação, que corresponde aos juros. Sob taxas de juros nominais negativas, o pagamento do empréstimo seria igual ao valor emprestado, subtraído de um percentual do valor emprestado. Ou seja, a pessoa que empresta o dinheiro no presente se compromete a receber um valor menor no futuro em termos nominais.

A idéia é maluca, sim, mas a lógica é razoável: se existe algum motivo pelo qual guardar dinheiro resulte em uma perda, sob certas condições torna-se interessante emprestar o dinheiro a uma taxa de juros que seja menor que o valor da perda. Por exemplo, digamos que, por algum motivo exotérico (um imposto sobre os saldos monetários), os US$10.00 que tenho hoje na carteira valerão apenas US$9.00 no final do mês, e que a inflação é igual a zero. Se eu emprestar estes US$10.00 hoje, aceitando receber US$9.50 no futuro, terei evitado uma perda, e estarei, no futuro, em situação melhor.

Entre todas as idéias, uma me chamou a atenção, e veio desta raça esquisita chamada "grad student" (onde estou incluído, atualmente; daí talvez o interesse). Para sintetizar a idéia: imagine que, todo o final de ano, o Banco Central faça um sorteio de um número entre zero e nove, e todas as cédulas em circulação que terminem com o número sorteado perdem o valor. Imediatamente, o valor esperado em um ano de carregar uma nota de dinheiro corresponde a 90% do valor da nota (E(X) = 0.1 * 0 + (1-0.1) * X, onde X é o valor da nota, e 0.1 é a chance de sair o número da cédula). Com isto, qualquer empréstimo feito onde o emprestador se disponha a receber, digamos, apenas 95% do valor atual da cédula representa um ganho, e estamos no ambiente descrito como "exotérico" anteriormente.

O que me chamou a atenção na proposta é o aspecto legal da idéia: as cédulas correspondem, em termos legais, a uma obrigação do governo emissor para com a pessoa que retém a moeda. Ou seja, se o governo dos Estados Unidos resolver recolher todas as cédulas do mundo, alguma contrapartida NO MESMO VALOR deverá ser feita às pessoas que possuírem as cédulas de dólar. E é aí que a coisa se complica. Aceitar uma cédula, sabendo que existe a chance de, no futuro, ela perder o seu valor, constitui um calote? Ainda que a perda do valor esteja no "contrato" entre quem emite e quem recebe a cédula, retirar o valor da nota constitui um fato ilegal?

Para detalhar mais o problema que eu tenho, vamos a exemplos práticos. Imagine que você tem um dinheiro sobrando e resolva investir em títulos públicos. Está cansado do rendimento baixo do seu país de origem, e resolve se arriscar pelos ambientes conturbados de economias emergentes. Chega o governante de um país suspeito da América Latina que garante 15% no ano em troca do teu dinheiro. Você repassa o dinheiro e vai para casa feliz. No dia seguinte, liga o noticiário e sai a notícia que o governante torrou a sua grana em uma festa, e já anunciou que, como outras vezes que ele teve acesso a dinheiro dos outros, ele está dando os canos. Você sabia do comportamento suspeito do governante, e, mesmo assim, emprestou. Isto, sabemos, é calote.

Agora, imagine que o governo do seu país passe uma lei, aprovada pelo congresso, dizendo que existirá, daqui para frente, um mecanismo como o sorteio descrito acima. Isto não vale para o dinheiro já existente, apenas para novas emissões de moeda. Obviamente, você tem o direito de não aceitar como contrapartida do pagamento do governo as cédulas impressas pela casa da moeda. Logo, um primeiro impacto que podemos esperar da implementação da medida é uma redução da demanda por moeda, na sua forma "papel-moeda", mas um aumento de outras formas de liquidez (depósitos à vista, ou qualquer outro agregado monetário). Entretanto, no aspecto puramente legal, o "dinheiro perdido" após o sorteio constitui um calote?

Eu creio que sim. No paralelo dos exemplos acima, a aprovação de uma lei implementando o sorteio pode ser vista como equivalente à aprovação de leis que institucionalizem o calote nas economias emergentes (e elas existem, em profusão, jogadas no meio dos pacotes malucos que acompanham os calotes). Quer dizer, não é a quebra da garantia legal de circulação que faz com que um calote seja um calote: é a quebra de um valor pré-acordado, legal. Ou seja, não é a garantia da validade da nota, mas a garantia do valor da nota que interessa. Se eu tivesse dez notas de US$1.00, com todos os números seriais diferentes e, depois do sorteio, tivesse a nota sorteada substituída por outra de curso legal, não haveria o calote, porque não haveria perda de valor, ainda que todas as notas sorteadas acabassem recolhidas.

Óbvio que, com isto, a proposta do colega de Harvard perderia o sentido. Mas só o trabalho de dar uma segunda olhada para a idéia já foi um exercício interessante.

Abraços!

maio 05, 2009

Sexo Antes do Casamento: OLG

Um ex-professor daqui (de macroeconomia, diga-se, e excelente professor) escreveu um paper sobre socialização entre pais e filhos e a decisão sobre sexo antes do casamento. A abordagem é bem curiosa: para descrever a propagação entre gerações da educação que os filhos recebem a respeito do sexo, os autores usam um modelo com "overlapping-generations" (ver Ljunqvist e Sargent, 2004, capítulo 9), muito conhecido dos estudantes de macro de pós-graduação. A idéia é que, da mesma forma que os pais deixam heranças (monetárias) para os filhos, também deixam conhecimentos que influenciam decisões de futuras gerações. No caso, a decisão da jovem mulher se terá sexo antes do casamento ou não.

Terei que ler o paper com cuidado, antes de Maria Beatriz chegar.

Abraços!

maio 02, 2009

Lucas (A Crítica) em Finanças

O Márcio trouxe um texto interessante do Financial Times a respeito da teoria de cópulas em finanças, tratando do uso desta fórmula na precificação de ativos relacionados com as hipotecas americanas. Este assunto já foi tratado naquele texto da Wired, mas uma frase nesta matéria me chamou a atenção (grifos meus):

clipped from www.ft.com

The unwinding started, as we all now know, in the US subprime housing market. Defaults started to increase in late 2006. The banks weren’t worried at first. Their models assumed that the pinprick default points all over the US were not correlated. But the defaults kept coming. By early 2007, it was clear that the US subprime market had a problem and by that summer, homeowners all over the US were defaulting on their mortgages. The cheap debt made available by the finance revolution was so cheap, in fact, that the loans should never have been made. And the correlation model was still mapping the housing market as it had been in 1990s, not the grossly inflated monster it had become. The development of the model had, ironically, changed the nature of the reality it was modelling.

 blog it

O parágrafo todo me lembra algum exemplo de livro-texto da chamada "Crítica de Lucas" em modelos macroeconômicos antigos: o uso de formas reduzidas pode ser uma boa explicação do que ocorreu no passado, mas um péssimo previsor do futuro, tendo em vista que as equações são, justamente, uma forma reduzida. Eu não entendo de finanças, mas a última frase seria justamente a definição da crítica, uma vez que a falha do modelo estaria justamente no "aprendizado" dos agentes sobre as respostas daquela forma reduzida e o comportamento derivado do aprendizado.

Se alguém tiver uma explicação, um palpite para informar se estou pensando corretamente, agradeço.

Abraços!

Rótulos, DSGE, Macroeconomia: EconTalk

Excelente entrevista conduzida por Russ Roberts com Ricardo Reis, no podcast EconTalk. Muito dos meus últimos posts sobre economia monetária, modelos macroeconômicos e a (falsa) dicotomia "Novos Keynesianos vs. Novos Clássicos" estão explicadas de uma maneira didática, clara, e muito mais organizada do que as idéias que eu joguei por aqui.

Ouvindo a conversa, lembrei de toda a transição que passei no estudo de macro, desde os modelos IS-LM para a graduação até os modelos DSGE atuais. Um grande salto muito bem descrito.

A dica veio do blog do Mankiw.

Abraços!

maio 01, 2009

Aniversário de Casamento

8 anos atrás, minha vida mudou.

5 anos atrás, tive certeza que foi para melhor.

Parabéns para nós!

Beijos, TE AMO!!!