março 19, 2007

março 17, 2007

Recomendo

Para quem tiver a oportunidade de ler, recomendo fortemente a coluna de Roberto Pompeu de Toledo, na Veja desta semana. Um pequeno trecho:

Zé Roberto, durante um recente programa do canal SporTV, disse que estava indeciso entre ficar e ir embora, uma vez encerrado seu contrato de um ano com o Santos, em julho. Ele tem propostas da Europa. Perguntaram-lhe, no programa, se os salários pagos no Brasil a um jogador de primeira linha, como ele, não são capazes de lhe garantir a independência financeira. Ele disse que sim. Subentende-se que esse lado, no seu caso, não é o decisivo. A conversa mudou de rumo e Zé Roberto, que é inteligente e tão elegante fora quanto dentro de campo, abriu uma fresta para o que se passa em seu íntimo. Afirmou-se chocado com o Brasil que reencontrou – a violência, os crimes. Confessou-se inconformado com o fato de não poder usufruir no Brasil – "no meu país!" – aquilo que amealhou com seu talento e dedicação. Perguntaram-lhe se isso vai pesar na sua decisão. Respondeu que sim. Ficou a impressão de que será o que mais vai pesar.

Outro dia, estava conversando com a minha mãe e, de passagem, ela disse que apenas as notícias ruins do Brasil chegam por aqui. O que a coluna mostra é que, na verdade, quem está aí, no Brasil, é conivente demais com a situação de insegurança geral do país: a notícia não é distorcida; é a reação à notícia que está errada.

Abraços!

março 16, 2007

Spring Break - Dia 6 - Lendo (e Entendendo) os Jornais

Aproveitando o dia de chuva por aqui, resolvi ler as notícias dos últimos dias no país. Diante de uma nota na Folha OnLine a respeito do livro do ex-Ministro, atual deputado federal, Antônio Palocci, resolvi organizar umas idéias por aqui. Como eu pretendo falar de economia, mais especificamente de jornalismo econômico, este post deve ficar grande. Mas, se você tiver interesse e quiser entender um pouco sobre como funciona a produção de notícias em Brasília, fique atento.

O valoroso jornalista Kennedy Alencar tem uma coluna nos finais de semana na Folha OnLine, além de escrever regularmente naquele jornal, a respeito de notícias de bastidores do Palácio do Planalto. Quase toda a semana ele trata de temas que circulam nos corredores, muitas vezes dando voz às "opiniões do Presidente Lula". Em quase 90% das suas publicações aparecem frases descrevendo como "o Presidente está profundamente irritado" com alguma coisa, ou está "decepcionado" com outro fato, ou ainda que ele "exigiu" que seus assessores parassem de discutir algum tema. O fato do Presidente não ser ouvido em quase a totalidade de seus pedidos mereceria um comentário em separado, mas a impressão que fica, para quem lê o noticiário político/econômico com frequência, é que o jornalista usa deste recurso para passar a impressão ao leitor que ele, de fato, está muito bem informado sobre o assunto. Algum tempo atrás, o Elio Gaspari já tinha chamado atenção para o uso indiscriminado deste recurso nos tempos de Governo Lula.

Pois bem, a nota publicada me lembrou de uma série de notícias publicadas entre 2004 e 2005 a respeito do descontentamento de Lula com o Banco Central. O pano de fundo, para quem não lembra, era o seguinte: a inflação estava girando na casa dos 6% ao ano, com tendência de queda forte; o Banco Central estava terminando um processo de alta dos juros, coisa que parte do governo (a ala "desenvolvimentista", como sempre) já vinha pressionando; com os sinais de que a economia não iria crescer muito naquele ano, o Presidente estaria cobrando severamente o então Ministro da Fazenda e o Banco Central uma maior queda nos juros.

Agora, vem a público a revelação que o Presidente, pessoalmente, determinou que a meta de inflação para aquele ano fosse de 4,5%, depois de convencido que 4% (a vontade dele) seria um objetivo muito ambicioso. Mais do que isto, a equipe econômica trabalhava com um número em torno de 5% para a meta de 2005. Lula teria sido, na visão do ex-Ministro, "mais conservador que a sua própria equipe econômica". Que bela notícia, hein?! Vamos recapitular o que foi publicado naquele período a respeito das opiniões do Presidente:

Em 20/04/2004:


Apesar de reiteradas declarações de apoio ao ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) na área fiscal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já deixou claro a ele que deseja mudar a meta de inflação de 2005. Pela meta do ano que vem, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) poderia chegar a 4,5%. Lula quer que ela possa ser alterada para até 5,5% ao ano --a meta de 2004.

Em 20/05/2004:


Apesar de ter sido avisado que o Copom poderia manter a taxa Selic em 16% ao ano devido à combinação de vários fatores negativos externos e internos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou decepção a interlocutores quando soube da decisão do Comitê de Política Monetária. "Erro grave" foi a expressão usada no Palácio do Planalto, segundo apurou a Folha.

Em 22/01/2005:


Para Lula, há um conservadorismo exagerado no órgão. Ele teme que isso prejudique o crescimento do PIB em 2005. Ao alterar a composição do BC, Lula deseja arejar a discussão e amenizar o suposto conservadorismo.
Meirelles alegou que, para cumprir a meta de inflação deste ano, é preciso elevar os juros. Lula gostaria que o BC trabalhasse dentro da margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo, o que limita o teto da meta a 7% ao ano. Meirelles disse que já abandonou o centro da meta (4,5%) e que mira em 5,1% para a inflação não disparar. (...)
A contrariedade de Lula cresceu nesta semana porque, no final do ano passado, Palocci e Meirelles disseram a ele que chegara ao fim o atual processo de alta dos juros. Lula deu a notícia em jantar com senadores do PT, o que desagradou aos membros do Copom, levando-os a mostrar novamente sua independência.

O que deu errado? Se o Presidente sabia dos efeitos de escolher uma meta de inflação mais baixa (menos crescimento e mais juros no curto prazo), por que ele "ficava irritado" com as decisões do Banco Central? Vamos listar algumas hipóteses:

  1. Lula não entende nada de economia, não tinha a menor noção do que tinha solicitado em 2004 (algo como a frase do Vice-Presidente José de Alencar na matéria inicial, dizendo "se dependesse dele, a inflação seria zero") e queria voltar atrás na sua decisão sobre a meta. Foi impedido porque o mercado interpretaria a decisão como fraqueza do Ministro da Fazenda e do BC.
  2. Lula tinha conhecimento de todos os efeitos, mas como precisava "jogar para o seu público", partiu para a tática mensalônica do "Eu não sabia, fui enganado".
  3. Lula sabia dos efeitos da decisão, mas seus assessores próximos, ligados a correntes alternativas do PT, faziam questão de ligar para a imprensa afirmando que o chefe estava descontente. Tudo para minar o poder da Fazenda e do BC.

A primeira hipótese pode ser descartada de saída: Lula entendia, sim, os efeitos da sua decisão. Mais do que isto, ele parece saber exatamente quais são as limitações de um Banco Central no controle de preços da economia. Duvida? Então por que ele afirmava, em abril de 2005, que "não foi o Banco Central que determinou [a meta de inflação], foi o governo"? Mais do que isto, por que ele afirmaria, na mesma matéria, que "para buscar a meta de inflação, o BC só tem o mecanismo de aumento das taxas de juros"? Ele sabia, sim, do que está falando, e estava informado, na época, sobre os efeitos da sua escolha da meta. (Interessante, nesta matéria do link, é que a manchete dá claramente a entender que Lula estaria criticando o uso dos juros para conter a inflação, mas o importante na matéria, como em muitas que circulam por aí, são as entrelinhas...)

Vamos para a segunda hipótese: Lula joga para a platéia, "estimula o debate entre as tendências" (credo, como eu odeio quando usam esta expressão!), e diz o que passa pela cabeça de acordo com a conveniência. Ainda que isto seja verdade, se o Presidente estivesse tão descontente como noticiado, por que ele não demitiu o Presidente do Banco Central? Ou melhor, por que ele não colocou claramente ao Presidente do Banco Central que estava descontente com a diretoria e que, se ele tivesse amor ao cargo, deveria trocar alguns diretores? Dado que todos os palcos por onde Lula desfilou o seu discurso estavam (e ainda estão) contra o Banco Central, se ele "foi enganado", poderia facilmente desfazer o seu erro.

Por fim, a última hipótese, e que eu considero a mais verdadeira. Jornalistas "do Planalto" não possuem acesso direto ao Presidente: falam com assessores, secretários, porta-vozes, puxa-sacos, empregados do Palácio, ... tudo para saber "como anda o humor do chefe". Ficam escrevendo picuínhas sobre o dia-a-dia do Palácio, falando do filme que o Presidente assisitiu na última noite, como se isto fosse um sinal de pessoa com acesso à boa informação. Agora coloque-se no lugar dos assessores. O que eles ganham passando estas informações para jornalistas? Ganham muito: 1) ganham um canal direto com a imprensa para limpar a barra em situações de crise - "se eu dei a informação sobre o filme que o Presidente assistiu, agora você publica que o Presidente não sabia nada sobre o mensalão, e que ele está muito chateado com a situação, ok?" 2) ganham uma fonte importante para antecipar o que vai sair nos veículos de comunicação alguns dias à frente; 3) ganham um painel para expressar os seus pontos de vista diante dos seus pares: usa-se a imprensa, através de uma suposta opinião da Presidência, para evidenciar as suas idéias a respeito da condução do governo.

Da próxima vez que alguém disser que "o Presidente está descontente" com alguma coisa, para descobrir se a informação tem fundamento, faça a seguinte pergunta: se ele está descontente, então por que não mudou? A resposta é o indicador fundamental sobre a veracidade da notícia.

Um abraço!

março 15, 2007

Spring Break - Dia 5

Overdose:

– Basquete na TV ontem à tarde: início do campeonato nacional universitário masculino.

– Basquete na TV ontem à noite: NBA, Suns vs. Mavericks, um dos melhores jogos que eu já vi na vida. Duas prorrogações construídas a partir de arremessos de três pontos que pareciam impossíveis; Leandro Barbosa quase ganhando a partida no último arremesso na primeira prorrogação; Mark Cuban, dono do Mavericks, quase invadindo a quadra para bater nos juízes ao final do jogo. Um barato!

– Basquete hoje à tarde: jogo com os colegas que ficaram na cidade no ginásio da universidade. Três contra três, e todos contra a bola, coitada.

– Basquete na TV hoje à noite: Duke estreando no nacional. A tendência é que não vá muito longe. Pode ser que passe da primeira rodada, mas entre a segunda e a terceira já deve dar adeus ao campeonato. O time é muito novo, e os mais velhos não são jogadores que se projetam como destaque quando forem para a NBA. De toda forma, vale a torcida.

Abraços!

março 12, 2007

Onde Estão os Direitos Humanos?

Natalie Fernandez, 15 anos, pediu para parentes passarem um trote para a polícia de Durham dizendo que foi sequestrada – tudo para ficar um tempo com o namorado. Agora ela tem a foto exposta em um monte de sites sem estar com o rosto encoberto, sendo processada por obstrução à justiça e ainda, vejam só, corre o risco de ir para a cadeia!!! Onde estão os direitos humanos?!?!?! Ela nem arrastou uma criança até esta ter a cabeça dilacerada ao longo do caminho? Como é que estes americanos liberais-bobos-retrógrados querem educar suas crianças? Dizendo que não se deve desrespeitar as leis? E a liberdade que as crianças devem ter de descobrir o mundo?

E o que é pior: a discussão agora é o custo que este tipo de trote pode causar para a sociedade! Ou seja, ao invés de pensar no bem-estar da menina, estes comedores de hambuger só querem saber quanto custou a brincadeira da menina!

Que coisa! Deve ser horrível morar em país tão bárbaro e atrasado.

Abraços!

Perigoso

Proibido para Menores

Depois do "ponto G na Rodada de Doha", esta é de matar: tomam 40% do que ganhamos em imposto para indicar a sacanagem que podemos ver pela internet!!! Estou escrevendo isto uma hora depois de publicada a nota e a página continua no ar, nos links do governo. Lamentável.

Abraços!

P.S.1: Atualização: o link correto da tal da ONG é http://www.transasdocorpo.org.br/.

março 11, 2007

Spring Break - Dia 1

Primeiro dia do Spring Break - semana de férias no meio do semestre, para dar um descanso logo após as provas de meio de curso. Aproveitamos o domingo de sol e temperatura amena para passear no parque da universidade. Na verdade, o Sarah P. Duke Gardens é, como o nome diz, um jardim que o pessoal usa para descansar um pouco e aproveitar o final de semaana.

O jardim tem diversos espaços, dedicados a diferentes tipos de vegetação (um espaço só para rosas - que ainda não floriram, como a foto abaixo mostra - outro com vegetação natural, outro com plantas ornamentais, e assim por diante), além do campo gramado para o pessoal deitar e descansar.


Foi um bom dia para passear, caminhar, aproveitar o sol que não foi visto nos últimos dias, sentar no banco da praça só para ver a vida passar, ainda que por poucas horas. Um descanso merecido.

Abraços!

março 08, 2007

Latin America Trip? For Vacation???

Parei agora para dar uma olhada no noticiário geral e pude notar um tremendo descompasso entre a importância dada para a viagem do presidente americano ao país: enquanto os sites daqui apenas dão uma manchete padronizada sobre a viagem "para a América Latina", os jornais brasileiros parecem que enlouqueceram, destacando notas sobre o trajeto da comitiva, estrutura de segurança, comida que ele levou daqui, cor da cueca que ele vai vestir quando encontrar com o Lula...

De fato, tentando observar o fato mais friamente, a pessoa que está desembarcando no Brasil, ache-se isto bom ou ruim, seja ela brilhante ou completamente imbecil, é a autoridade mais importante do planeta na atualidade, e isto demanda uma estrutura compatível com o cargo. Ficar com raiva porque "a barraca de cachorro-quente teve que ser retirada" é algo tão provinciano e pequeno que acaba apenas por desmerecer o país. Entretanto, será possível imaginar a repercussão se algo der errado?

Convenhamos: o cara está pendurado de problemas diversos, que vão desde o Iraque e terminam com o caso de corrupção de um assessor do vice-presidente. Ele não vai para a viagem buscando fechar acordos mirabolantes de uma vez por todas sobre a cana-de-açúcar, não vai tentar destituir o Chavez com uma canetada, nem vai tentar ocupar o Uruguai com a venda de seus carros e computadores: ele está fazendo esta viagem para mostrar, aqui dentro, que ele se ocupa das funções designadas para um presidente dos Estados Unidos. Por causa disto, acho que seria de bom tom uma recepção decente, ao invés de faixas em frente ao Congresso Nacional (e os deputados que não são contra a visita, podem estender faixas?), protestos inúteis misturando Dia Internacional da Mulher com o "Fora Bush, FMI e jiló".

Como disse um colega meu, muito antes de saber da visita do seu presidente ao continente: "não gosto do Bush, mas eu ficaria muito irritado se algo acontecesse com ele em uma destas viagems. Afinal de contas, estarão atingindo o presidente do meu país".

Um abraço!

março 02, 2007

Exaustão

Não paro em pé, tal como papel fico caído, jogado pelos cantos. Relógio toca, me recomponho, vamos de novo, mais um esforço. O corpo grita, chora, mas a cabeça tem que funcionar, planejar, pensar. Programar o hoje (supermercado, contas para pagar, cadernos para ler, anotações a serem feitas), programar para amanhã (convergência, por favor!!!), programar o futuro. Perguntas: vale à pena? Quanto custou? Ainda dá tempo? A resposta parece ser a mesma, sempre: não sei. Aulas, doses de café líquido brasileiro-precioso, evito o americano-frio-lixo. Notas, exercício. Exercito a mente, tento compensar com a manutenção do corpo, mas não dá tempo, tenho que voltar logo para os meus companheiros eternos. Os livros não me abandonam, me procuram. Já conheço todas as suas esquinas, os seus atalhos. Mas ainda falta conhecer a sua alma, a minha alma, a minha vontade. Acaba o dia, caio exausto.


.

Abraços!

março 01, 2007

Piada de Economista: Produtividade Marginal do Trabalho

Parece que a história é verdadeira: um economista brilhante terminou o seu PhD e foi contratado para trabalhar na UPenn. Depois de alguns anos de produção excelente, foi convidado para trabalhar em Princeton. Passado um tempo em Princeton, e mantida a produção, o chefe do Departamento de Economia da UPenn começou uma negociação para trazer o brilhante professor de volta. Conversa vai, conversa vem, eles acertam os termos de um novo contrato.

Primeira cerimônia dos professores da UPenn e o reitor da universidade está presente. No meio do jantar, o reitor resolve fazer um discurso a respeito dos progressos da universidade, e diz que "está muito feliz, já que o professor Fulano De Tal decidiu deixar Princeton para se juntar a nós, e isto demonstra a nossa capacidade acadêmica..." O novo professor, convidado a falar, responde seco:

"Dado que o reitor está feliz por ter me trazido de volta, só posso concluir que estou perdendo dinheiro, já que, depois de negociado o novo salário, ele deveria, no máximo, ser indiferente entre eu estar aqui ou na minha antiga universidade..."

Abraços!

P.S.: não adianta se esforçar: se você não for economista, não vai entender e/ou não vai achar graça na piada.

Pelotão, Sentido!

Um aspecto da vida americana que chama muito a atenção é a propaganda feita pelas forças armadas do país para recrutar gente. É de se imaginar que, em país que possua um bom nível de crescimento, as pessoas tendam a preferir empregos que não coloquem a sua vida em risco (especialmente com a possibilidade de ser mandado para lugares como o Iraque, Afeganistão e afins). Desta forma, para manter a atratividade, as forças armadas fazem o possível e o impossível para atrair candidatos a oficiais.

Exemplos disto: dêem só uma olhada na produção dos sites da marinha, exército, guarda nacional e reservistas. A primeira coisa que me chamou a atenção foi o próprio endereço dos websites: ao invés do final ".gov" ou ".mil", o final é ".com", mesmo, como qualquer empresa privada disputando mão-de-obra no mercado. Os sites apelam para o status de ser um soldado das forças americanas, algo que, de fato, eles têm muito orgulho, e se propõem a oferecer explicações aos pais dos candidatos a respeito da carreira que o filho está pretendendo seguir.

As propagandas na televisão não ficam muito atrás. Selecionei algumas no YouTube (ver aqui, aqui e aqui), e todas procuram influenciar as pessoas de forma a fazer parte de uma organização respeitada no país inteiro. Também nas universidades as forças armadas incentivam com bolsas de estudo alunos que façam cadeiras relacionadas à estrutura militar e estratégias de guerra – em Duke, as cadeiras de graduação oferecidas neste semestre podem ser vistas aqui.

Não surpreende, desta forma, que, mesmo com a possibilidade de ser jogado em um buraco qualquer junto do Taliban, muita gente ainda procure se alistar nas forças armadas. Estava assistindo hoje ao David Letterman entrevistando o senador John McCain. No meio das perguntas a respeito do Iraque, David citou uma frase (não me recordo de quem) que eu acho que resume bem o sentimento do americano com relação às forças armadas:

"We don't like the war. We like the warriors."


Abraços!

fevereiro 27, 2007

Ainda Sobre as Nomeações

Shikida citou a falta de educação de certos novos nomeados para cargos por aqui (cuspindo no prato em que vai comer, mas, tudo bem, segue o baile, ele acha normal!!!), e eu trago o texto. Se tirarem do ar, fica o registro: Jornal do Brasil, 9 de dezembro de 2005, ok? Quem sabe ele vai partir para o "não compreenderam o que eu escrevi".

Abraços!

Hein?

A última frase da matéria é genial!!! O IPCA fechou o ano passado em 3,14%, a meta para este ano é de 4,5%, mas "eu não pleiteio uma inflação mais alta". Por isto que eu defendo estes debates: quanto mais os críticos vierem a tona, mais crível se torna a política monetária.

Sobre o último post, o meu amigo Shikida gostou da charada (ver a resposta dele e links relacionados aqui, aqui e aqui), que eu, obviamente, não tive tempo de responder. Agora, vamos imaginar o seguinte cenário, só para enfatizar o ponto: presidente re-eleito de um país está formando a equipe e possui duas listas de economistas para escolher entre uma delas. Na primeira, os nomes são Marcos Lisboa, Afonso Bevilaqua, Eduardo Loyo, Joaquim Levy e Murilo Portugal. A segunda lista tem Guido Mantega, Julio Gomes de Almeida, Paulo Nogueira Batista Jr, Aloizio Mercadante (na CAE do Senado) e Demian Fiocca. Quem está em uma das listas não pode estar na outra (são mutuamente excludentes). O presidente toma a sua decisão e a equipe começa a operar. Se a história nos diz alguma coisa (e me refiro ao que efetivamente saiu publicado como opinião de cada um dos membros da lista), a mudança de lista tinha que representar alguma mudança de estratégia do mercado. Ainda não ocorreu, mas não deve tardar. Emoções fortes estão por vir, e vão culpar a primeira crise externa que aparecer pela frente, só para o roteiro ficar em linha com o que sempre se falou...

Abraços!

fevereiro 23, 2007

Charada Heterodoxa

Dois minutos de pausa nos estudos, à 1:50 da manhã de sexta-feira, para trazer uma charada para os amigos bem informados sobre economia:

"O que é o que é? Tem nariz de heterodoxo, rabo de heterodoxo, cara de heterodoxo, fala como heterodoxo, pensa como heterodoxo, mas só o mercado que acha que é ortodoxo?"

Respostas nos jornais de hoje. Dica aqui.

Abraços!

fevereiro 17, 2007

Oh, Abre Alas

Uma nota curta, só para desejar um bom Carnaval aos oito leitores do blog. Já curti meus cinco minutos anuais da festa de Momo, com dois dedos apontando para o alto, uma musiquinha cantarolada em voz baixa e a satisfação de cumprir o dever brasileiro de aproveitar a "maior festa popular do mundo".


Cezanne: "O Pierrot e o Arlequim" Copyright da imagem: Wikimedia Commons

Abraços, e aproveitem!

fevereiro 14, 2007

BC no Senado: Gostei

Gostei da idéia de levar a diretoria do BC para falar na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Sempre achei uma perda de tempo miserável e sem sentido as entrevistas coletivas que o Diretor de Politica Econômica dá a cada publicação do Relatório de Inflação: ele fala termos técnicos para jornalistas pouco treinados, que acabam elaborando perguntas repetidas e sem sentido. Todo mundo perde: quem têm críticas ao BC nao recebe respostas; quem deve oferecer respostas nao tem a platéia merecida. Um diálogo de surdos, em última instância, onde ninguém se entende.

Ao dar a cara para bater no Senado, o BC ganhará uma certa legimidade ao responder de forma direta as provocações e barbaridades de quem usa microfones da imprensa e das tribunas para ficar aparecendo as custas da instituição. Vale lembrar: por aqui, o presidente do FED tem sessões no Congresso não apenas para tratar de política monetária, mas também de outros assuntos mais gerais da economia e do sistema financeiro (o último sobre política monetária, aqui); na Inglaterra, toda a diretoria, a cada divulgação de Relatório de Inflação, vai para o Parlamento fazer a sua apresentação (exemplo de sessão, aqui). A prestação de contas, neste caso, é uma via de mão dupla: da mesma forma que a autoridade monetária, enquanto ente público, tem o dever de se justificar a quem de direito, também é necessário que os senhores congressistas ouçam o que lhes é de direito (por exemplo, que tal uma discussão sobre a influência da política fiscal sobre a taxa de juros, no meio de um dia no Congresso onde se discuta a liberação de emendas?).

A respeito da imprensa, sendo combinada com a publicação do RI, os jornalistas nao perdem a sua manchete de dia seguinte (algo do tipo "BC prevê inflação abaixo da meta para 2007", que sempre aparece no dia seguinte do RI) podendo obtê-la durante a audiência no Senado. Garanto que as perguntas dos senadores não serão muito melhores que as dos jornalistas em dia de coletiva...

Por fim, aproveitando para completar algumas idéias que já tinha desenvolvido em outro post, acho que outras mudanças no regime de metas e na prestação de contas do Banco Central com a sociedade são necessárias:

1) Reunião especial do CMN para decisão da meta de inflação: acho que o Banco Central, como órgão executor da política monetária, não deveria se fazer presente nas reuniões do CMN que decidem a meta de inflação. A decisão sobre o nível de inflação desejado é uma decisão de sociedade. Assim, no dia em que a meta for decidida, podem colocar quantas pessoas quiserem no CMN, desde que fique bem claro que quem está escolhendo o patamar da inflação é o governo, e não a autoridade monetária. Esta só cumpre a ordem que vem do Planalto.

2) Gosto da idéia de mandatos não-coincidentes para a diretoria do BC em relação ao Poder Executivo. É um pouco extravagante, mas interessante. Isto obriga que a indicação para o cargo cumpra critérios estritamente técnicos para cada função (nenhum partido vai querer colocar um incapaz no BC correndo o risco de se reeleger e ter que manter o infeliz por lá).

3) Em caso de descumprimento da meta de inflação, a carta de justificativa deve ser enviada pelo BC ao Presidente da República e ao Congresso Nacional: decorrência direta do status de ministro do Presidente do BC. Não cabe a um ministro se justificar para o Ministro da Fazenda...

4) Ah, sim, só para lembrar: nada disto funciona sem a formalização em lei da autonomia operacional.

Um abraço!

fevereiro 13, 2007

Novas Moedas

Deve ser uma porcaria, mesmo, morar em um país onde moedas de valores cada vez mais altos têm que ser cunhadas. Humpf!!!

Abraços!

fevereiro 12, 2007

Don't Cry for me, Argentina...

Ah, se a moda pega: demitir técnicos que calculam os índices de preços porque o valor não corresponde ao que o governo quer... E a pressão sobre a estatística é constante, como se o problema fosse ali, e não na economia. Lembra o episódio dos anos 70, em que o neo-aliado Delfim dizia que o país tinha inflação por causa do chuchu. Que coisa!!!

Abraços!

fevereiro 10, 2007

RJ: O Que Vou Dizer?

Alguns colegas vêm falar comigo sobre o Brasil, dizendo que tem muita curiosidade em conhecer o país, que "Kôpakabána" deve ser linda, que gostam de escutar "bôssa-nôva" e querendo saber mais detalhes. Diante dos acontecimentos dos últimos dias na cidade do Rio de Janeiro, resolvi criar uma programação especial de uma semana para que os turistas conheçam todos os detalhes da ex-Cidade Maravilhosa:

Dia 1: A Chegada!
Desembarque no aeroporto do Galeão, com ligação direta da sala de desembarque para vans ilegais que te levam para conhecer todos os morros da cidade, ainda que o seu destino seja Ipanema. Veja de perto moleques de recado do tráfico carregando armas de pequeno porte e rádios-comunicadores para avisar a chegada da polícia. Não deixe de fazer a sua contribuição para a Fundação Recreativa e Cultural Amigos do Zé Cabeleira, chefe de facção criminosa que foi injustamente assassinado pela polícia enquanto tentava cobrar o "dízimo" pela segurança de uma moradora da favela. De fato, não deixe de fazer a sua contribuição, ou você não terá oportunidade de fazer mais nada no passeio...

Dia 2: O Calçadão de Copacabana
Vale a pena gastar um dia inteiro por lá! Durante o dia, sinta a emoção de bater de frente com algum arrastão de pivetes que descem do morro para promover a melhora na distribuição de renda na cidade. Como é linda a política social feita de forma tão direta, tão integrada com o povo!!! À noite, descubra o indivíduo com menor ficha policial no início da Barata Ribeiro (não vale o pessoal que trabalha no Cervantes) e ganhe um vale que dará direito a um dia no Piscinão de Ramos! Siga a sua caminhada em direção à Ipanema e veja a ampla variedade de prostitutas, travestis e simpatizantes com suas abordagens sutis na frente dos hotéis à beira-mar.

Dia 3: Conhecendo as Origens da Bossa-Nova
"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça!!!" Chegou a hora de conhecer os lugares que marcaram a vida de Tom e Vinícius. Pague algum moleque de rua explorado pela mãe para conseguir alguns trocados que o levará até a Rua Vinícius de Morais. Dê mais alguns trocados, e o rapazinho lhe ensinará as novas tendências do movimento, como as letras melodiosas de Tati Quebra-Barraco e Bonde do Tigrão. Encerre a noite no Bar do Tom, com prostitutas reunidas em uma mesa dividindo uma única Coca-Cola (têm que ter algum consumo para ficar no lugar), cafetões fazendo a vigia e turistas com o tom de pele vermelho-camarão típico se esbaldando em cerveja e drinks com garotas "selecionadas".

Dia 4: Maracanã
Emocione-se vendo os orçamentos da eterna obra inacabada do maior estádio de futebol do mundo (ainda que a última partida importante tenha sido disputada em... em... hummm... peraí... putz, tenho que buscar nos arquivos). Tudo está sendo preparado para o Pan-Americano que será disputado neste ano: cambistas devidamente treinados para tirar todo o lucro nos preços dos ingressos, vendedor de amendoim aprendendo a vender em qualquer língua (menos em espanhol, já que, como falamos português, basta pronunciar as palavras mais lentamente que nos entenderemos), a tia que vende churrasquinho está com o estoque de gatos prontos para serem assados por quase um mês. Mas, peraí? Tem competição de futebol no Pan???

Dia 5: Visitas Guiadas
Conheça todo o lado primitivo da ex-Cidade Maravilhosa: pegue o ônibus da linha 147 e sinta-se na pele dos alvos do marginal (que era vítima da sociedade burguesa-capitalista-neoliberal-boba-comedora de jiló que o corrompeu) que virou filme documentário pago pelos contribuintes através do patrocínio de empresas estatais. Também aproveite para dar uma parada na frente da Igreja da Candelária, para enteder a profundidade da obra do massacre de mendigos do local. Por fim, se o turista tiver um pouco mais de dinheiro disponível, alugue um carro e pare nos sinais das esquinas mais apropriadas para sentir toda a emoção de um assalto como só os típicos moradores da cidade podem sentir. Advertência: se levar crianças, não as coloque no banco traseiro do automóvel. Elas podem ser confundidas com um "boneco de Judas" pelos nativos corrompidos e se machucar.

Dia 6: Iniciando as Despedidas
O passeio começa a chegar no final, e as últimas horas devem ser aproveitadas com algumas compras!!! Nada como gastar uma pequena fortuna para comprar aquelas camisas floreadas, com as cores que apenas os turistas do hemisfério norte sabem escolher. Além da "beleza natural" das camisas, elas ainda possibilitam a fácil identificação dos clientes para as últimas passagens do arrastão final! Que falta vai fazer este contato com o povão, os gritos de "perdeu, tio, perdeu"!!! Outras compras fundamentais: cachaça (para que os porres resultantes façam apagar da memória as noites em que o infeliz terminou abraçado em um travesti), café (para curar os porres), hidratante (para manter o tom vermelho-camarão único na pele).

Dia 7: O Retorno
Se a Infraero deixar, o seu avião sairá com poucas horas de atraso. Afinal de contas, é impossível deixar de gostar da cidade do Rio de Janeiro, e você se sentirá plenamente recompensado por permanecer mais algum tempo neste local paradisíaco!!!

Para os meus amigos cariocas, é muito triste escrever isto, mas só com um bocado de humor para levar adiante a vida depois de eventos macabros como os recentes. Infelizmente, quando me perguntam o que eu recomendo no Brasil, digo que o Rio de Janeiro é ótimo como aeroporto, porta de entrada, mas ficar por lá é perda de tempo e um perigo. Normalmente, recomendo o interior do Estado (não deixo nunca de falar de Búzios, por exemplo), o Nordeste (mesmo com os problemas relacionados à pobreza, é um lugar maravilhoso) e até Brasília (uma visita de poucos dias, conhecendo a arquitetura do local, é interessante). Mas o Rio, cidade, nem pensar: quero o bem tanto dos amigos daqui quanto dos amigos daí.

Abraços!

P.S.: ainda estou procurando a data do último jogo de futebol importante disputado no Maracanã...

fevereiro 06, 2007

Superbowl Ads

Não tive tempo de comentar sobre como foi estar por aqui durante o maior evento esportivo do ano no país. De fato, não tenho muito para dizer, a não ser que fiquei preso na lista de exercícios de macroeconomia, ao invés de assistir a partida em algum bar, como fizeram possivelmente 70% dos americanos no último domingo (os outros 25% fizeram algum churrasco, e os 5% restantes eram chineses e não deram a mínima para o jogo). Por outro lado, nos poucos minutos que fiquei em frente da televisão, consegui fazer a minha seleção de comerciais durante o jogo.

Este primeiro é da própria NFL, mostrando os torcedores dos outros times que não chegaram à final do campeonato, além do jogador Brett Favre, que estava considerando aposentadoria, mas anunciou que vai jogar a próxima temporada.



Lógico que, no jogo preferido dos americanos, não poderia faltar propaganda de cerveja. Duas da Budweiser foram ótimas. A primeira, esta aqui:



A outra foi esta:



Mas a mais polêmica, sem dúvida (e a mais engraçada, na minha opinião), foi esta. Lógico que os chatos politicamente corretos dos movimentos sociais já estão reclamando por aqui, e parece que a empresa de chocolates decidiu tirar o comercial do ar definitivamente.



Todas os comentários feitos aqui nos Estados Unidos giram em torno de dois aspectos: o dinheiro e os "rankings". Se você consultar o YouTube agora, vai encontrar centenas de rankings com os melhores comerciais do Superbowl em todos os tempos, apenas entre os de 2007, desde 2000, entre outras tantas classificações. Eu deixei a minha por aqui, ainda a aparição não reflita ordem de preferência. Sobre dinheiro, só um valor: 30 segundos de televisão durante este jogo custaram a cada patrocinador a bagatela de US$ 2,5 milhões.

Abraços!

Por Onde Andou o Papo...

... acho que vale a piada, como resposta aos comentários do post abaixo. Foi a Chris que ouviu esta quando foi na reunião de esposas de estudantes na International House.

"Enquanto os maridos vêm para cá fazer o PhD (Permanent Head Damage), as esposas vêm fazer o MBA (Making Babies in America)"


Mas podem esquecer: com a rotina atual, não dá para pensar em nada neste sentido, por enquanto!

Abraços!

Angelo

fevereiro 03, 2007

Olha que Coisa Mais Linda...

... mais cheia de graça. Escolha da Chris, aprovada por mim e pelo meu bolso. Ano 2000, câmbio automático, som com rádio e CD player, regulagem eletrônica de espelhos retrovisores, ar-condicionado.


Muito bom!

Abraços!

Angelo

Psycho Killer

Minha homenagem ao professor de macro, que, apesar do nome (Jesus), não tem nada de caridoso: são 4:15hs da manhã de sábado, estou trabalhando, e sei que tão cedo eu não vou voltar a dormir. Bem que na aula de sexta, ele recomendou o uso de remédios ("lícitos", fez questão de destacar) que nos fariam ficar fora da cama o tempo suficiente para terminar a lista de exercícios. Nada a reclamar (são as melhores aulas de macro que já tive na vida), mas as horas de sono me fazem falta (menos do que a nota que vale a lista...).

Psycho Killer

Letra: David Byrne, Chris Frantz, Tina Weymouth

I can't seem to face up to the facts
I'm tense and nervous and I can't relax
I can't sleep cause my bed's on fire
Don't touch me I'm a real live wire

Psycho killer, qu'est que c'est
Far better
Run away
Psycho killer, que'st que c'est
Far better
Run away
Oh yeah

You start a conversation you can't seem to finish it
You're talkin' a lot but you're not sayin' anything
When I have nothing to say my lips are sealed
Say something once why say it again

Psycho killer, qu'est que c'est
Far better
Run away
Psycho killer, que'st que c'est
Far better
Run away
Oh yeah

Ce que j'ai fait, ce soir la
Ce qu'elle a dit, ce soir la
Realisant, mon espoir
Je me lance vers la gloire
We are vain and we are blind
I hate people when they're not polite

Psycho killer, qu'est que c'est
Far better
Run away
Psycho killer, que'st que c'est
Far better
Run away
Oh yeah

Abraços!

janeiro 29, 2007

Ausências

Acho que está sempre faltando alguma coisa:

1) Frio, mas sem neve.

2) Listas de exercício, mas sem tempo para descanso.

3) Christiane com carteira provisória de motorista, mas sem carro.

4) Provas começando a chegar, mas sem ninguém para segurar o relógio.

5) Cabelo ainda crescendo, mas ninguém para me forçar a cortá-lo.

6) Passou o domingo, mas sem futebol americano na TV (Super Bowl neste domingo!!!).

7) O sanduíche do almoço é bom, mas não tem o molho que do Xis do Bocão.

8) Garrafa de vinho no balcão da cozinha, ninguém para bebê-lo.

Mais um dia normal em Durham.

Abraços!

janeiro 25, 2007

Meteorologia para Mães Desnaturadas

Interessante o final do último aviso de emergência para o tempo por aqui, publicado no Weather Channel. As funções maternais do alerta climático... (negritos e itálicos da mensagem por minha conta)

Special Weather Statement


PERSON-GRANVILLE-VANCE-WARREN-HALIFAX- FORSYTH-GUILFORD-ALAMANCE- ORANGE- DURHAM-FRANKLIN-NASH-EDGECOMBE- DAVIDSON-RANDOLPH-CHATHAM- WAKE- JOHNSTON-WILSON-STANLY-MONTGOMERY- MOORE-LEE-HARNETT-WAYNE- ANSON- RICHMOND-SCOTLAND-HOKE-CUMBERLAND- SAMPSON- INCLUDING THE CITIES OF... ROXBORO...OXFORD...HENDERSON... WARRENTON...ROANOKE RAPIDS...WINSTON- SALEM...GREENSBORO... HIGH POINT... BURLINGTON...CHAPEL HILL...DURHAM... LOUISBURG... NASHVILLE...ROCKY MOUNT... LEXINGTON...ASHEBORO...PITTSBORO... RALEIGH...SMITHFIELD...WILSON... ALBEMARLE...TROY... SOUTHERN PINES... SANFORD...LILLINGTON...GOLDSBORO... WADESBORO... ROCKINGHAM...LAURINBURG... RAEFORD...FAYETTEVILLE...CLINTON 250 PM EST THU JAN 25 2007
...WIND CHILLS IN THE TEENS ARE EXPECTED LATE TONIGHT...

COLD AIR WILL CONTINUE TO FILTER INTO THE MID ATLANTIC REGION TONIGHT. LOWS ACROSS CENTRAL NORTH CAROLINA WILL BOTTOM OUT IN THE LOW TO MID 20S. NORTHWEST WINDS FROM 10 AND 20 MPH WILL GUST UP TO 30 MPH THROUGH SUNSET... AND THEN DIMINISH TO LESS THAN 10 MPH BY DAYBREAK. THE COMBINATION OF THE COLD TEMPERATURES AND WINDS WILL RESULT IN WIND CHILL VALUES IN THE TEENS. HIGH TEMPERATURES ON FRIDAY WILL STRUGGLE TO REACH THE UPPER 30S TO LOWER 40S.

PARENTS SHOULD MAKE SURE CHILDREN WHO WILL BE EXPOSED TO THE COLD AT BUS STOPS IN THE MORNING ARE DRESSED WARMLY.

Abraços!

janeiro 23, 2007

Lembrete

Se o governo do seu país divulgou algum plano mirabolante de crescimento econômico, pergunte aos técnicos se eles resolveram esta equação para obter os números finais:


onde:

R - Receitas do governo com tributos
g - Gastos do governo
beta - Fator de desconto intertemporal
pi - Probabilidade de ocorrência de diferentes regimes de gasto do governo

Abraços!

janeiro 21, 2007

O Mercosul Está Aqui

Foto do encontro de cúpula Brasil-Argentina, realizado ontem à noite aqui em casa. Da esquerda para a direita, Belem, Christiane, "Primo It/Boneco de Neve/Toca Raul, Cabeludo", Esteban e Hernan.


Abraços!

janeiro 19, 2007

Neve de Papel

Mais uma música: Vitor Ramil

Neve de Papel

Por Vítor Ramil

Quem se vai ali
Olha, sou eu
Sob a neve de papel
Que cai de um céu
De janelas do ano que foi
Será que vem
Alguma carta pra mim?

Mas de quem virá?
O que irá dizer?
“Que surpresa encontrar
Você aqui”
São janelas feitas de ar
Todas iguais
Qual delas se abre por mim?

Que me vou por ali
Que fiquei por aqui

Quem ficou ali
Olha, sou eu
Sobre a neve de papel
No chão, ao léu
Folhas brancas, contas, jornais
Onde estará
Aquela carta pra mim?

Que me vou por aqui
Que fiquei por ali

janeiro 14, 2007

Minha Casa

Fazia tempo que não colocava no ar alguma música. Resolvi, então, recuperar uma canção de letra muito bonita do Zeca Baleiro, gravada no disco Líricas, de 2000.

Minha Casa

Por Zeca Baleiro

É mais fácil cultuar os mortos que os vivos,
mais fácil viver de sombras que de sóis.
É mais fácil mimeografar o passado
que imprimir o futuro.
Não quero ser triste
como o poeta que envelhece
lendo Maiakóvski na loja de conveniência.
Não quero ser alegre
como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
sob o sol de domingo.
Nem quero ser estanque
como quem constrói estradas e não anda.
Quero no escuro
como um cego tatear estrelas distraídas.

Minha casa
Amoras silvestres no passeio público,
amores secretos debaixo dos guarda-chuvas.
Tempestades que não param,
pára-raios quem não tem
mesmo que não venha o trem não posso parar.
Veja o mundo passar como passa
uma escola de samba que atravessa,
pergunto onde estão teus tamborins
pergunto onde estão teus tamborins.
Sentado na porta de minha casa,
a mesma e única casa,
a casa onde eu sempre morei.

Abraços!

OPA!!!

Para quem leu a coluna do Elio Gaspari neste domingo (publicada simultaneamente na Folha, O Globo, Correio do Povo, entre outros), afirmo: Duke não é uma universidade de elite! Ou, ao menos, nunca fui convidado para o tipo de festas que ele descreveu por lá.

Abraços!

janeiro 11, 2007

"Magoei..."

Recebi um texto muito interessante, publicado no Journal of Economic Perspectives, sobre o histórico de artigos famosos até a sua publicação. O trabalho conta histórias engraçadíssimas sobre trabalhos seminais em economia que foram rejeitados nas primeiras tentativas de publicação. Entre as histórias, algumas merecem destaque:

— O artigo clássico de Akerloff, sobre seleção adversa e o "mercado de limões", foi submetido e rejeitado em duas revistas (American Economic Review e Journal of Political Economy) por motivos exatamente opostos, antes de ser aceito e publicado no Quarterly Journal of Economics. Na primeira tentativa, o autor recebeu a resposta que o "tema era interessante, mas era trivial"; na segunda, "o artigo possui uma generalização tão grande de aplicações que não seriam verdadeiras as conclusões".

— Paul Krugman submeteu o seu trabalho sobre retornos crescentes de escala, concorrência monopolística e comércio internacional ao Quarterly Journal of Economics. Recebeu como resposta que, de fato, os dois primeiros tópicos poderiam ser importantes na determinação dos fluxos de comércio, "mas que a atual compreensão destes fenômenos não seria suficiente para escrever o que ele colocou no artigo". O trabalho só foi publicado porque Jagdish Bhagwati era o editor do Journal of International Economics e, apesar de duas recomendações de revisores contra, resolveu bancar por contra própria a publicação.

— O parecerista do texto clássico de Robert Lucas, "Expectations and the Neutrality of Money", na sua justificativa contra a publicação na American Economic Review, disse que o texto "se possuísse algum resultado relevante", estaria escondido no meio da matemática complicada...

— Algumas das melhores histórias falam de economistas já mortos, mas ainda assim são divertidíssimas. Keynes, por exemplo, enquanto editor do Economic Journal, merece uma seção especial inteira do trabalho com suas façanhas. O maior exemplo foi o trabalho de Ohlin sobre intensidade dos fatores de produção e comércio internacional, que foi rejeitado pelo editor e, por engano, a nota com a rejeição acabou encaminhada para o autor. Dizia:

"This amounts to nothing and should be refused, J.M.K."


O trabalho valeu para Ohlin, anos mais tarde, o Prêmio Nobel de economia.

O artigo possui uma série de histórias hilárias, e serviu como capítulo de um livro publicado em 1994. Outros economistas "rejeitados" foram Gary Becker, James Buchanan, Milton Friedman, Franco Modigliani, Paul Samuelson, James Tobin... Vale muito a pena para quem se frustra com facilidade depois de ter o trabalho severamente criticado: anime-se, a culpa pode ser de quem leu!!!

Referências:

GANS, J.S. e SHEPHERD, G.B. "How Are the Mighty Fallen: Rejected Classic Articles by Leading Economists". The Journal of Economic Perspectives, vol.8, no.1 (Winter 1994), pp. 165-179.

SHEPHERD, G.B. "Rejected: Leading Economists Ponder the Publication Process". Ed. Thomas Horton & Daughters, 1994.

Abraços!

janeiro 09, 2007

Boicote = Censura?!?!?!?!?!?

Ainda a respeito do caso YouTube X Cicarelli, quem pisou feio na bola foi a MTV com a sua nota oficial sobre o caso. Antes do comentário, duas definições, adaptadas do dicionário Michaelis On-Line:

"Boicote: Sanção negativa que consiste em suspender relações sociais, sobretudo econômicas e políticas.

Censura: (...) 3) Exame crítico de obras literárias ou artísticas. 4) Corporação ou tribunal encarregado de censurar (livros, filmes etc.). 5) Instituição, sistema ou prática de censurar obras literárias, artísticas ou comunicações escritas ou impressas: Censura da imprensa. 6) Condenação eclesiástica de certas obras. 7) Crítica com o fim de corrigir. 8) Admoestação, repreensão. Censura prévia: ato de rever e julgar em tribunal competente qualquer obra antes de ser publicada."

O que os sites e blogs na internet propõem é o boicote à emissora e aos produtos que a ex-Sra. Ronaldo Chantilly anuncia. Quando a MTV escreve uma nota dizendo que "a maioria desses protestos no fundo compartilha dos mesmos desvalores que quer atacar pois fomenta a censura a um canal de televisão", ela confunde as duas palavras e se coloca na condição de agredida. Vale destacar: minha cerveja (Samuel Adams por aqui), minha música (Pink Floyd), meu canal de televisão preferido (ESPN), eu escolho. Eu não mando fechar a fábrica da cerveja ruim (Kaiser), queimar em praça pública os cd's que não gosto (pagodeiros, respirem aliviados!) ou tirar do ar os canais que passam programas para jovens cabeça-oca. Respeito as diferenças de gosto, mas mando longe aqueles que querem me empurrar o que não quero.

Por fim, cabe lembrar a campanha feita nas últimas eleições, sugerindo o voto nulo. Voto nulo é um boicote ao sistema eleitoral. Se a interpretação do editor da nota está valendo, a MTV estava sugerindo a censura ao processo eleitoral também? Isto, na minha terra, tem nome, e não rima com democracia.

Abraço!

Ética no Congresso

A Câmara aprovou, no início do ano, um pacote de medidas buscando moralizar o comportamento de deputados diante de lobbies e grupos de interesse. Agora, o Senado está correndo atrás, tentando fazer passar uma lei parecida. Entre as medidas aprovadas:

  1. Proibição do uso por parte dos deputados de jatos particulares, mesmo com o reembolso dos gastos.
  2. Deputados não podem aceitar presentes, refeições ou viagens pagas por lobistas, ou por empresas que tenham contratado os serviços de lobistas.

Isto só podia ter sido aprovado, mesmo, em um país atrasado, sub-desenvolvido, onde o Congresso é tão criticado pelos seus padrões éticos, como os Estados Unidos. No Brasil, está tudo bem...



Abraços!

Ainda Sobre Cicarelli

  1. Se Cicarelli transou em local público, por que ela faz uma ação que reclama do uso indevido da sua imagem? Se o local era público, que imagem ela quer preservar?
  2. Ver ela transando em lugar público não pode, mas chamá-la de prostituta pode? Existe alguma ação movida pela ex-Sra. Ronaldo Chantilly contra este video?
  3. Cicarelli é: a) apresentadora; b) modelo; c) ex de jogador de futebol; d) prefeito de Ponsacco-ITA
  4. Por que a imprensa internacional é tão folgada, achando que a culpa pelas imagens, de fato, é dos paparazzi, ao invés de quem se expôs, em local público, em atos pouco recomendáveis? (preste atenção no final da matéria)
  5. Por que os escândalos políticos recentes não geraram tanta comoção quanto o corte do YouTube?

Chega de pensar, vou dormir!

Abraços!

janeiro 08, 2007

Cicarelli Mandou: "NoTube"!!!

Agora que os amigos do Brasil estão cumprindo a ordem da maior autoridade brasileira do momento (não, não é o Lula), queria fazer um teste, até para saber se é possível furar o bloqueio: é possível acessar os videos que eu coloquei no blog, ou estes também estão bloqueados?

Se alguém no Brasil puder me dar a resposta, agradeço! Testes aqui, aqui e aqui.

Ah, antes que eu esqueça: protestos contra a ex-Sra. Ronaldo Chantilly podem ser feitos aqui.

Abraços!

Comida: Paixão Adolescente

Saiu uma matéria por aqui dizendo que a febre entre adolescentes daqui é a Food TV, sendo comparada, em termos de perfil de audiência, inclusive, com o que foi a MTV. Talvez o interessante sejam os motivos da procura pelo canal: 1) meninas preocupadas com a forma física; 2) garotos querendo impressionar garotas com dicas para cozinhar para elas; 3) garotos interessados em "como é feito o Cheetos".

Eu já assisti alguns programas do canal. Nada de muito interessante: algumas competições para ver quem prepara o prato refinado mais rápido; guias sobre como comer bem gastando no máximo US$ 30.00 em diferentes lugares do mundo; dicas sobre como apreciar sushi. Um dia eu paro com mais calma para assistir isto!

Abraços!

janeiro 06, 2007

janeiro 05, 2007

Sobre Política Fiscal

Resolvi escrever esta nota para exercitar um pouco da intuição econômica, já que mais um semestre de teoria pura se aproxima. O noticiário ainda está um pouco confuso a respeito do dito pacote fiscal do governo, mas a Folha de hoje parece ter feito um esforço para compilar tudo o que estaria decidido até agora. Alguns pontos importantes:

— Composição dos gastos: esta é uma proposta decente, se sair da retórica. A idéia é deixar de gastar em custeio da máquina e utilizar o dinheiro para investimentos. Por conceito, isto não altera o perfil da dívida: é como deixar de ir ao restaurante caro no final de semana para juntar um dinheiro para trocar o carro velho. No final, o volume de gastos é o mesmo, mas o sacrifício de comer em um restaurante mais barato é compensado pelo carro novo. O problema é sair da retórica.

— Mudança no debate: aqui as coisas começam a complicar um pouco. Chamar a atenção para a evolução do resultado nominal, ao invés do primário, é importante, por permitir uma comparação com resultados internacionais. O problema é usar o conceito operacional para encobrir aumento de gastos: equilíbrio no conceito operacional pode ser obtido tanto através de ajustes no consumo do governo como na conta de juros (vou tentar explicar isto em outro post) e isto pode ser uma bela máscara para gastança.

— Previdência: que boa piada! Amarrar todos os gastos e comprometimentos do governo através do salário mínimo até 2023, quando a maior exigência do quadro fiscal é justamente dar maior flexibilidade para o governo manejar as suas receitas. O argumento da previsibilidade dos gastos, dado pelo governo, não funciona muito neste caso: não adianta ser previsível dizendo que será dado um passo à frente na beira do penhasco...

— Salário mínimo contracíclico? A proposta de reajuste do salário mínimo incorporando o crescimento da economia de dois anos atrás pode se tornar um tiro no pé. Vamos pensar no seguinte: imagine a economia aquecida em 2007, relativamente estável em 2008 e em recessão em 2009. Quer dizer que, em 2009, o aumento do salário mínimo terá como base o crescimento da economia em 2007? Ou seja, o crescimento do salário mínimo será maior quando o governo tiver mais dificuldade em arrecadar impostos, pelo fato da economia estar desaquecida? Não funciona. Se o desejo era a criação de um mecanismo anti-cíclico, que se pense em outro sistema que não corra o risco de penalizar tanto as contas públicas.

O pacote é bom? Se for apenas isto, não. As propostas serão efetivamente implementadas? Não. Por quê? Porque toda e qualquer pacote fiscal no Brasil acaba sempre redundando na prorrogação da DRU e da CPMF. O país ainda não evoluiu a ponto de pensar a sério seus problemas de tamanho do Estado.

Veja as notas da Folha aqui, aqui e aqui.

Abraço!

janeiro 04, 2007

Porque Estamos Onde Estamos

Dois argentinos, um brasileiro, dois búlgaros e um ucraniano saem para almoçar, todos estudantes de economia. Era o dia seguinte à morte de Pinochet, e o assunto veio a tona, evoluindo para discussões aborrecidas sobre "direita/esquerda".

Diálogo:

[Argentino 1] — As políticas de esquerda, de um modo geral, não tem como dar certo: é controle demais sobre a economia.

[Búlgaro 1] — Você está se referindo a que tipo de política?

[Argentino 1] — As tradicionais, baseadas em forte intervenção do Estado, estatização de empresas, controles rígidos de capital.

[Búlgaro 2] — Bom, mas então não se deve generalizar isto como "política de esquerda", já que é possível elaborar uma política dita "de esquerda" sem partir para soluções socialistas ou comunistas. Vide, por exemplo, os países nórdicos da Europa, ou o próprio Partido Democrata aqui nos Estados Unidos...

[Argentino 2] — Mas como você pode falar de "políticas de esquerda" sem se referir à socialismo e Marx?!

[Búlgaro 1] — E por que eu preciso de Marx e socialismo para fazer uma política não-liberal?

[Argentino 1] — Isto não é possível: se você é de esquerda, precisa entender, ler e pensar em Marx!

[Ucraniano] — Para que eu preciso disto? Todos os países europeus, inclusive os do Leste Europeu, já abandonaram este viés socialista...

[Argentino 1, já um pouco exaltado] — Eu não compreendo o que você está falando!!!

[Brasileiro, para os colegas do Leste Europeu] — Deixa eu tentar explicar uma coisa: a América Latina ainda possui esta concepção de pensamento de esquerda atrelada ao socialismo muito enraizada. Basta lembrar que, nas últimas eleições do Brasil, uma candidata obteve mais ou menos 10% dos votos no primeiro turno com um programa que ainda falava sobre revolução proletária e estatização dos meios de comunicação...

[Búlgaro 2] — Que horror!!!

[Brasileiro, para os colegas argentinos] — Dá para entender agora porque a América Latina está onde está? Se até eles, ex-membros da Cortina de Ferro, ficam apavorados com as propostas que nós ouvimos e lemos nos jornais todos os dias, não dá para ter muitas esperanças sobre o continente, certo?

Abraços!

janeiro 03, 2007

Presentes de Natal: Perda de Tempo?

Como falei em um post anterior, nunca tive lembranças muito marcantes na infância sobre o Natal. Entre os motivos, acho que sou um adepto daqueles que dizem que o Natal perdeu muito do sentido de reunião de família e amigos para se tornar mais um evento comercial. Mas também não reclamo das festas na minha família: sempre tivemos encontros muito divertidos, no mínimo sinalizando uma expectativa positiva sobre o ano que chegaria dali a uma semana.

Bom, toda esta introdução era só para dizer que saiu uma matéria na The Economist recuperando um estudo desta raça esquisita chamada de economistas. O objetivo é responder uma pergunta bem objetiva: o quão "erradas" são as nossas escolhas nos presentes de Natal para nossos conhecidos. Os resultados da pesquisa ficam dentro do esperado: quanto maior a proximidade das pessoas, mais acertados são os presentes; quanto maior a diferença de idade entre Papai Noel e presenteado, piores os presentes (como disse a revista, mérito para os vovôs, que resumem os presentes a um dinheirinho para os netos); quanto maior a surpresa do presente, ou o valor sentimental contido na lembrança, melhor o presente.

A frase final da matéria resume bem o que deveria ser o espírito dos presentes de Natal:

"The lesson, then, for gift-givers? Try hard to guess the preferences of each person on your list and then choose a gift that will have a high sentimental value. As economists have studied hard to tell you, it's the thought that counts."


Abraços!

dezembro 31, 2006

Do Ano

Passou mais um ano...

Um ano de mais surpresas que rotinas.

Um ano de mais avanços que retrocessos.

Um ano de mais novidades, ainda que algumas velhacarias tenham nos assombrado.

Um ano de mais desafios que comodidades.

Um ano de mais vitórias que de derrotas.

Um ano de mais mudanças que de continuidade.

Um ano de mais dinâmica, onde ficar estático poderia ser fatal.

Um ano de mais gritos, ainda que o silêncio pudesse falar muito.

Um ano de mais gente nova, mesmo com a eterna presença de quem já conhecíamos.

Um ano demais!

Que 2007 guarde a todos as mesmas emoções que o último ano nos reservou, e que as tritezas e amarguras sejam apenas um ponto perdido no passado!

Abraço a todos, e feliz 2007!

dezembro 28, 2006

Declaração

Eu, Angelo Marsiglia Fasolo, funcionário do Banco Central do Brasil, SOU CONTRA A INDICAÇÃO DE NOMES PETISTAS PARA O BC!!! Infelizmente, no Brasil, "quadros partidários" não equivalem a "quadros competentes" para funções técnicas. Vide ANAC.

Abraços!

P.S.: E depois ainda me perguntam por que eu não faço parte de sindicatos do Banco. Humpf!

dezembro 27, 2006

O Esporte É Fantasia, Mas o Dinheiro...

Quantas vezes na vida você já se imaginou dirigindo o próprio time de futebol, comprando e vendendo jogadores no início da temporada e tirando sarro dos outros donos de times à medida que a temporada avança. Em alguns casos, garanto, existiriam times que nunca teriam ido para a segunda divisão... Pois bem, além dos jogos para computador onde é possível montar o próprio time, a grande febre aqui nos Estados Unidos é esta aqui. A receita básica da diversão é a seguinte:

1) junte um grupo de amigos.

2) façam o cadastro em algum website que organize as ligas (alguns dos mais conhecidos são este, este e este).

3) escolham as regras da liga. Deve ser selecionado um presidente da liga, responsável pela organização do torneio e cadastro dos participantes. É possível escolher, também, quais as estatísticas relevantes para avaliação dos jogadores (pontos marcados, erros cometidos, minutos jogados, por exemplo).

4) marquem a data para o draft, onde a seleção inicial dos jogadores é feita de acordo com as regras das ligas reais. No caso, é possível contar com a sorte, e deixar o site organizador escolher os jogadores a partir de um ranking prévio que você tenha montado, ou acompanhar passo a passo a seleção de jogadores, escolhendo a cada rodada o seu preferido.

5) torcer para que os jogadores que formam o seu time tenham bom desempenho nos jogos.

A "brincadeira" tomou proporções tão sérias que já existe a Associação das Indústrias de Fantasy Sports e a Associação dos Jornalistas de Fantasy Sports. Tudo isto porque já se falam em valores na casa de alguns bilhões de dólares movimentados com o negócio. Para sinalizar por onde anda o dinheiro, basta dizer que empresas de telecomunicações estão faturando com o envio de torpedos para os celulares dos "donos de times" com as notícias mais recentes a respeito dos principais jogadores das ligas.

Se eu estou jogando? Faço parte da liga de fantasy basketball dos alunos do primeiro ano do doutorado da economia de Duke. São oito colegas, cada um com o seu time, se divertindo com os resultados dos confrontos entre os times virtuais e tirando sarro dos desempenhos vexatórios dos outros. Meu time está em segundo lugar na liga, e conta com jogadores como Dwyane Wade, Michael Redd, Pau Gasol e Ben Wallace, sendo que o maior destaque (quase uma surpresa no campeonato) é o brasileiro Leandrinho, que joga no Phoenix Suns, e que me garante, atualmente, 16 pontos, 4 assistências e 3 rebotes por jogo!

Abraços!

O Hábito é que Faz o Monge

O assunto é chato, sei que a notícia não vai resultar em coisa alguma, nem para as empresas, nem para o Governo, mas ainda assim quero chamar a atenção para um detalhe que passa em branco, neste instante, pelos nossos amigos, colegas de serviço público, do Ministério da Defesa. Esta história de proibir o chamado overbooking – venda de algumas passagens aéreas a mais para um determinado vôo – não passa de uma grande bobagem que, se levada a extremos, pode resultar em prejuízos para um setor que já é deficitário como a aviação comercial.

Por que eu acho que esta proibição do governo não vai resultar em nada nesta área? Porque esta medida, no longo prazo, vai resultar em aumento de custos para os usuários frequentes de aviões, e isto não costuma ser muito tolerado pela "turma do andar de cima", como diz o Élio Gaspari. Imagine, por exemplo, que uma pessoa muito ocupada, como o nosso Ministro da Defesa, esteja em São Paulo e queira retornar à Brasília no mesmo dia. Seus assessores, para agilizar o transporte do chefe, irão reservar passagens para o Ministro retornar à Brasília em todos os vôos disponíveis para a cidade naquele dia. Uma vez definido em qual vôo o patrão retorna, remarcam-se as demais passagens para outros trechos previstos na agenda do ocupado Ministro. Esta é a rotina de secretárias de executivos de altos escalões tanto do governo quanto da iniciativa privada.

Qual é a reação atual da empresa aérea ao constatar que o Ministro, por mais ocupado que seja, não é onipresente como o Criador a ponto de estar em TODOS os vôos São Paulo-Brasília naquele dia? Viaja com a certeza de que, em todos os vôos para Brasília, exceto um, ela terá sempre uma poltrona vazia? Não! A empresa vende uma passagem a mais para todos os vôos, e indeniza um passageiro do vôo em que o Ministro se fizer presente. O overbooking representa, justamente, um seguro que a empresa faz contra este (péssimo) hábito dos grandes usuários do tráfego aéreo: ao invés de repassar o custo de assentos vazios em uma aeronave para o preço médio das passagens, corre-se o risco de oferecer algum reembolso para o excesso de passageiros em um determinado vôo. Um "seguro" para correr "riscos" parece um contra-senso, mas, na verdade, é a lógica de mercado reagindo aos padrões dos consumidores (ver também aqui).

Qual será a reação da empresa proibida de fazer overbooking? Entre as possíveis, ela poderá não aceitar mais a remarcação das passagens para outros horários e destinos – para que remarcar a passagem de alguém que não aparecerá de novo? A tendência passa a ser a criação (formal ou informal) de uma "lista negra", onde os passageiros "furões", ao comprar a sua passagem, pagarão um ágio pela possibilidade de não aparecerem no vôo (lembram das aulas de microeconomia, sobre discriminação de preços em empresas com poder de mercado?). No limite, a empresa aérea pode simplesmente se recusar a vender as passagens para o nosso ocupado Ministro.

Se nenhum tipo de discriminação de preços for permitida? Bom, aí sobra, naturalmente, para o consumidor pagar a conta - neste caso, alguém do "andar de cima" -, ou as empresas aéreas arcarem com os custos destes lugares vazios. Como as empresas não podem se dar ao luxo de perder passageiros, sobrará a solução de aumentos lineares nos preços das passagens. Ou seja, o tiro saindo pela culatra, pelo hábito dos nosso monges (inclusive) da Defesa.

Abraços!

dezembro 23, 2006

Feliz Natal

Fiz um esforço aqui para ver se tinha alguma lembrança de Natal guardada, que fosse realmente importante para mim, mas não encontrei. Posso dizer que sempre gostei mais das festividades de Ano Novo, por representarem uma idéia de reinício, recomeço, de revisão do que passou e da expectativa do que está por vir. Mas, do Natal, não tenho muitas recordações.

De toda forma, aproveitem! Toda a pausa junto à família é um momento a ser aproveitado. Um Feliz Natal para os quatro leitores do blog!

Abraços!

Música para Ouvir no Trabalho

Já ouvi sobre todos os macetes possíveis e imagináveis para obter o máximo rendimento nos estudos: há quem exija o silêncio absoluto; tem aqueles que estudam melhor deitados em uma cama; também existe quem precise de algum objeto para extravazar o nervosismo. Eu também tenho os meus macetes , mas quero discutir um em especial. Não gosto de estudar em completo silêncio (me dá sono), mas também não posso ouvir conversas ao meu redor (acabo distraindo com facilidade). A minha solução: ouvir música.

Lógico que algumas pré-condições são necessárias para a fórmula funcionar: não é qualquer volume o ideal, como também não é qualquer música que serve. Sobre o volume, para os interessados, cabe a experiência: existe uma espécie de "volume ótimo", em que a pessoa tem certeza absoluta que a música está sendo tocada, pois o som ambiente está abafado, mas em que a música não tire a atenção do objeto central de estudo. Assim, fica estabelecido um mínimo e um máximo para o volume.

O objetivo, aqui, é discutir o que eu ouço ao estudar. Vou citar tanto o que funciona como o que não funciona. Já tinha prometido este post a algum tempo para um dos quatro leitores do blog, e ao saber do tema ele me jurou de morte caso alguns nomes aparecessem por aqui. Vou correr o risco. Segue a seguir uma lista de discos, músicas e artistas que costumam frequentar a minha lista de favoritos, e os seus resultados sobre os meus estudos.

1) Pearl Jam: os discos mais novos não funcionam muito, mas curiosamente as guitarras distorcidas em Ten, o álbum de lançamento, não prejudicam a concentração. É um álbum que flui tranquilamente, e os vocais de Eddie Vedder, muitas vezes amargurados, funcionam para evitar dispersões desnecessárias na leitura.

2) R.E.M.: muito cuidado aqui!!! As baladas dos discos Out of Time e Automatic for the People são excelentes pedidas. Entretanto, evite músicas como Everybody Hurts no meio da leitura do capítulo 4 do Stockey e Lucas, ou do capítulo 1 do Mas-Colell: a vontade de largar tudo e ficar se achando um inútil tende a ser incontrolável.

3) Sepultura: não funciona para estudo. Já tentei o Chaos A.D. e o B-Sides. Poucos momentos de concentração efetiva ouvindo Kaiowas. Entretanto, são excelentes soluções para provas pela manhã, em que a mente ainda está adormecida, e torna-se necessário fazer o cérebro funcionar "no tranco" (ainda que, para esta última função, Helmet, com o disco Meantime, seja imbatível).

4) Simon & Garfunkel: passe longe disto!!! Músicas como Mrs. Robinson podem dar um barato momentâneo, mas é depressivo demais para boa concentração! Sounds of Silence geram efeitos parecidos com Everybody Hurts, citado acima.

5) Pink Floyd: não é todo o álbum que funciona. The Wall, apesar de excelentes momentos para obter foco em Comfortably Numb, é ruim no geral, muito em função dos gritos agonizados ao fundo, que tiram a atenção. Todavia, Wish You Were Here é ótimo! Ainda em Pink Floyd, merece um capítulo à parte...

6) The Dark Side of the Moon: talvez este seja o melhor disco para ser ouvido durante leituras de artigos e capítulos de livros!!! A abertura, com Speak to Me/Breath parece seguir a mesma lógica de artigos científicos, com uma introdução definida, metódica, gritos com hora marcada para acabar, seguida de melodia em ritmo quase grudento. The Great Gig in the Sky mantém o foco, como o desenvolvimento de um tópico importante. Brain Damage e Eclipse fazem um fechamento perfeito, como em capítulos em que você chega na conclusão contente por ter efetivamente aprendido algo. Também é a hora da revelação, em que as idéias do texto se conectam, as proposições fazem sentido, o todo aparece na plenitude. Excelente pedida!!!

7) Jorge Ben: sim senhores! Funciona! Mas apenas um disco: o acústico da MTV, com muitas músicas com sopros reduzidos, mais melodias, menos improvisações. O mestre do suingue brazuca manda sua bronca na leitura acadêmica.

8) Fito Paez: os hermanos se fazem presentes, com o grande disco Euforia. Uma releitura acústica dos sucessos do melhor dos portenhos, com letras maravilhosas. Combinam perfeitamente com a resolução de listas de exercícios.

9) Eric Clapton: não é todo o disco que funciona! A coletânea The Cream of Clapton é uma boa pedida, mas discos como From the Cradle e Reptile, que revelam o lado mais blues do guitarrista, devem ser evitados.

10) Rush, Led Zeppelin, The Who: infelizmente, nenhum destes funcionam, apesar de músicas interessantíssimas para um início de capítulo, ou para entender algumas anotações de aulas. Ainda que abafem bem o som externo e sejam excelentes por definição, músicas como Natural Science, Gallows Pole e Baba O'Reilly não se sustentam em uma tarde de estudos.

Esta é uma amostra do que passa nos meus ouvidos enquanto tento colocar conteúdo na cabeça. Cabe lembrar, mais uma vez: cada um possui o seu método preferido de estudo. Se você não consegue estudar com barulho, não será seguindo as minhas dicas musicais que os estudos irão começar a render alguma coisa.

Abraços!

dezembro 22, 2006

Caos nos Aeroportos

Quem foi que disse que em aeroporto de primero mundo não tem atraso nos vôos? Estamos ficando exatamente iguais a Londres, ou a Denver. Só faltam a neblina e a nevasca de cada uma das cidades para as causas serem iguais!!!

Um abraço!

Adaptando...

... o blog às mudanças do Blogger! Alguns detalhes de lay-out se perderam, mas muita coisa melhorou. Vou corrigindo aos poucos.

Abraços!

dezembro 21, 2006

dezembro 20, 2006

Discursando Sobre Economia

"Did you ever think that making a speech on economics is a lot like pissing down your leg? It seems hot to you, but it never does to anyone else."

Do presidente americano Lyndon B. Johnson para o economista John Kenneth Galbraith.

Azar, vocês vão continuar lendo sobre isto por aqui. Mas que a frase é boa, é!!!

Abraços!

dezembro 19, 2006

Política de Ponto de Ônibus

Dias de compras para a casa, em função da nova moradora (para que mais uma vassoura? Não discuto, deixo a piloto dizer) e da falta de comida por causa da preparação para os exames de final de ano. Ponto de ônibus, retorno para casa do Wal-Mart. Eu, Chris, e uma garota com uma sacola pequena da "Whole Foods" pendurada no seu celular Nokia. Diálogo:

[Garota com sacola da "Whole Foods"] — De onde vocês são?

[Chris] — Brasil.

[Garota com sacola da "Whole Foods"] — Você sabe para onde vai o dinheiro que você gastou no Wal-Mart?

[Chris] — Eu acho que sei, mas...

[Garota com sacola da "Whole Foods", para uma outra garota que tinha chegado naquele instante] — Pois é, porque o Wal-Mart... (e segue um discurso que eu não entendi, porque estava querendo saber a que horas o ônibus iria passar, e me interessava mais chegar em casa de uma vez. De acordo com a Chris, algum papo tipo "Wal-Mart explorador de países pobres e oprimidos, que coloca o trabalhadores em regime de trabalho escravo, yada-yada-yada...").

O diálogo não foi bom. Acho que deveríamos ter sido mais objetivos na resposta, até para evitar o discurso infame em parada de ônibus. Assim, levantamos algumas alternativas para respostas que a Christiane deveria ter dado à garota sobre "para onde vai o dinheiro que você gasta no Wal-Mart":

— Você sabe para onde vai o dinheiro que você gastou no Wal-Mart?

1) — De volta para o meu bolso: tenho algumas ações da Wal-Mart na minha carteira de aplicações. Logo, estou apenas recolhendo parte dos meus dividendos.

2) — Para o mesmo lugar onde foi o dinheiro que você gastou no seu celular Nokia de último tipo.

3) — Sinceramente, espero que vá para algum lugar que produza alguma comida com gosto, ao invés desta alfafa integral que você está carregando na sacola.

4) — Estou investindo no meu país: com este dinheiro, o Wal-Mart abre mais filiais no Brasil, gerando empregos por lá. Quem sabe, se eu gastar muito, as sacolas de plástico de lá acabem sendo tão boas e resistentes quanto as daqui.

5) — Eu bem que falei para o Angelo que não era certo comprarmos no Wal-Mart: bom mesmo seria escravizarmos os chineses que moram no nosso condomínio, pagando mixarias para eles produzirem bugigangas que nos abasteceriam, e ainda sobraria um troco para tomar uma cerveja no final de semana!

6) — Para onde vai o dinheiro que eu gasto, não sei. Mas sei que vou fazer com o dinheiro que eu economizei comprando aqui. E não é torrar tudo na produção da sua alfafa integral.

7) — A senhora já ouviu falar de Barbacena? Pois é, eu tenho um primo que mora por lá que vende verduras para o Wal-Mart. O dinheiro vai para ele. É a forma que eu tenho de mandar grana para o Brasil sem passar pela fiscalização do Banco Central.

8) — Tomara que não vá para a "Whole Foods": assim ela pára de vender a alfafa integral que você está carregando na sacola.

9) — Eu comprei no Wal-Mart???? Que coisa!!! Achei a cara do lugar tão parecida com a padaria que eu tinha na esquina de onde eu morava no Brasil...

10) — Vai para o cofrinho em formato de porquinho que o dono do Wal-Mart tem em casa, ora bolas!

11) — Não me interessa para onde vai o dinheiro: quem pagou a conta foi o meu marido!

Abraços!

dezembro 17, 2006

dezembro 07, 2006

Te Cuida, Ben Wallace!

Tô chegando lá!!!

Presentes

A todos os que mandaram presentes antecipados de aniversário e Natal, através do pacote do correio que a Christiane postou, meus sinceros e comovidos agradecimentos. Todavia, infelizmente, ainda não abri nenhum dos pacotes que chegaram: quero fazer isto com calma, no dia 17 mesmo, para poder curtir direito cada uma das lembranças (o horário em que esta mensagem foi postada deve dizer um pouco da correria por aqui). Mas fica o registro que tudo chegou direitinho aqui.

Abraços a todos!

dezembro 05, 2006

Campanha!!!

Colega economista,

Uma nova campanha está no ar, depois do estrondoso sucesso da anterior. Para você, colega economista:

- Que começa a sonhar com as festas que podem ser feitas no encontro da ANPEC/SBE a partir do momento em que o local é anunciado (os últimos encontros foram em Natal, 2005, João Pessoa, 2004, Porto Seguro, 2003, e o deste ano é em Salvador).

- Que pega aquelas suas notas de aula que gastou um tempo organizando, ou aquela monografia que ficou perdida em uma gaveta, olha para elas com carinho e se abraça em um dicionário de inglês, acreditando que "papers" são mais aceitos que "artigos".

- Que passa horas na frente do computador até altas horas da madrugada perto do prazo limite de submissão dos arquivos para a ANPEC, porque a maldita vírgula faz com que o artigo fique com 21 páginas, ao invés das 20 permitidas pela organização.

- Que fica olhando as listas de pareceristas do encontro, e pensando se o seu paper sobre história do pensamento econômico não poderia ser submetido na área de finanças, já que o cara é seu amigo, e pode lembrar que você escreveu alguma coisa na área.

- Que briga com a mulher dos Correios para postar o envelope com as cópias dos artigos com a data do dia anterior, ao invés da data correta, já que era um prazo que você não poderia perder de jeito nenhum.

- Que começa a rezar todo o dia para o seu santo, jurando que, se o "paper" for aceito, no ano que vem você vai gastar um tempo para escrever algum material novo.

- Que liga, depois da aprovação, para todos os amigos, tanto os que tiveram trabalhos aceitos (para marcar as festas), quanto para os que foram rejeitados (para receber os parabéns e dizer que as bancas são umas porcarias, mesmo, e que nada presta neste evento, que o trabalho do cara dizendo que o seu fluxo de caixa é um bom indicador da saúde dentária é muito bom).

- Que reserva as passagens, faz as malas, separa o principal (calção, bronzeador, máquina fotográfica, chinelos) e até algumas coisas desnecessárias (a apresentação e uma cópia com anotações do "paper").

- Que chegou no aeroporto hoje, 5 de dezembro de 2006, pronto para fazer a festa em Salvador, E TEVE O SEU VÔO CANCELADO PELA ANAC!!!!

Meu amigo economista, deixo aqui o espaço para a sua manifestação: faça aqui o seu desabafo!!! Escreva, e eu estarei aqui para oferecer toda a solidariedade neste momento difícil! O espaço é seu, amigo economista!

Abraço, e muita força nesta hora!!!

P.S.: se você ainda estiver constrangido para escrever, veja aqui e aqui a ficha dos "especialistas na área" que cancelaram o seu vôo hoje (detalhe para o prêmio que o segundo recebeu), e depois sinta-se livre para desabafar.

Alô ANAC...

... pedido de socorro: minha esposa tem que chegar, pô!!! Não vai mostrar todas as tuas cagadas agora – aparelhos falhos, falta de funcionários, problemas no treinamento das novas turmas, presidente que não é técnico da área –, impedindo que ela chegue, que tá cheio de roupa aqui para ela lavar, casa prá limpar, panela engordurada... A propósito, senhor presidente da ANAC, ela não está vindo para cá a passeio. Logo, ou arruma esta bronca, ou pede o boné e vai cuidar de agência de turismo!

Abraços!

P.S.: brincadeira, viu, Kiki?

dezembro 04, 2006

Registro

Só para dizer que, na minha opinião, ainda que o calendário oficial diga o contrário, o inverno chegou: são 19:22hs e neste instante faz -1ºC lá fora.

Abraços!

dezembro 02, 2006

Led Zeppelin, O Bonde do Tigrão e o Regime de Metas no Brasil

Uma das grandes vantagens do regime de metas de inflação é estabelecer uma aplicação direta do chamado "Axioma da Preferência Revelada". O axioma, com este nome horroroso, diz basicamente o seguinte: se você pode fazer uma escolha entre A e B, e escolhe A, então ou você gosta mais de A do que de B, ou você não pode comprar B. Por exemplo, digamos que você tenha alguma grana guardada no final do mês e resolve comprar um CD. No mercado, existem três tipos de CD's: o box com três CD’s do Led Zeppelin “How the West Was Won”, que custa quase R$ 90,00; o disco “Reptile” do Eric Clapton, por R$ 18,00 (boa música garantida); ou o último CD do Bonde do Tigrão, vendido no camelô da esquina (versão pirata) por R$ 2,00. Se você tiver R$ 20,00 no bolso, eu espero (mais do que isto, torço!) que você compre o CD do Eric Clapton, porque: 1) o disco do Led Zeppelin é caro; e 2) você não gosta do Bonde do Tigrão. (Estou propositalmente excluindo possibilidades como "o CD do Led Zeppelin vendido no camelô por R$ 10,00, ok?)

Voltando para a discussão sobre o regime de metas de inflação, o debate na imprensa deveria dar um passo adiante, através de considerações baseadas na lógica acima. Por exemplo, em 2005, o sindicalista Luiz Marinho chegou a pedir a cabeça dos diretores do BC por causa de um aumento de juros. Em 2005, a inflação fechou acima da meta estipulada pelo governo. Logo, na lógica do sistema de metas de inflação, o BC, na prática, teria errado ao não usar juros mais altos para enquadrar a inflação na meta. Agora, em 2006, o Ministro do Trabalho diz que o resultado do PIB faz parte das “conseqüências de uma política monetária conservadora”, ainda mais porque as projeções apontam para uma inflação de 2006 abaixo da meta – ou seja, o BC deveria ter baixado mais rapidamente os juros.

A lógica do Ministro para 2006, a posteriori, está correta já que o BC pode, no máximo, estimar o comportamento atual da economia quando fez a decisão de juros – ou seja, culpa de quem errou a projeção (eu??? hahahah). Entretanto, e aí dando um passo adiante, poderíamos aplicar o “Axioma” para chegar a duas conclusões possíveis a respeito do atual Ministro do Trabalho: 1) ou ele não entende nada de política econômica, pois não vê que o BC não tem como atingir no curto prazo a combinação “maior crescimento + inflação baixa” (ou seja, o box do Led Zeppelin); ou, 2) ele gosta de inflação (ou seja, o CD pirata do Bonde do Tigrão), já que, para qualquer relação entre a taxa de inflação e a meta estipulada pelo governo, o ex-sindicalista vai sempre preferir juros mais baixos.

Evidências sobre a hipótese número 1 do comportamento do Ministro do Trabalho podem ser encontradas em vários lugares: todo o dia aparece alguém na imprensa usando o BC como bode expiatório, ainda que a escolha da meta de inflação seja atribuição exclusiva do governo. O CMN, ao escolher a meta, conta com dois votos do “governo”, contra um do BC, assumindo-se que o BC seja parte efetivamente independente do resto do governo. Ou seja, no regime de metas, quem escolhe a meta, em última instância, é o governo, e o BC que a execute. Querer o CD do Led Zeppelin (mais crescimento com inflação baixa), todos querem, mas o BC só pode cuidar de um pedaço do problema.

A respeito da hipótese número 2, eu também não duvido da sua comprovação. Vale lembrar que os sindicatos, no Brasil, ganharam muita força justamente na época de inflação elevada, onde as categorias organizadas conseguiam garantir aumentos muito mais expressivos em relação aos setores não-sindicalizados. Sem a ilusão gerada pela inflação alta, os aumentos salariais ficam restritos ao que for possível, e isto diminui muito o poder de barganha dos nossos “companheiros”.

Se o Ministro acha que os juros estão muito altos, que faça direito o seu trabalho, ou que arque as conseqüências e venha a público dizer que acha que “um pouco mais de inflação não faz mal ao país”. Vale o mesmo para outros ministros, sindicalistas ou pseudo-empresários. Esta é a preferência, a escolha, que o sistema de metas traz à tona, e que poderia ser melhor explorada pela imprensa. Outro dia, o Reinaldo Azevedo, no seu blog, estava perguntando onde é que estavam as pessoas que gostam de mais inflação, que o presidente do BC ficava apontando. Consegui deixar um rascunho de resposta?

Abraços!